Galamadriel – Espelhos do Tempo

 

espelhos

Por L. Orleander

I’ll tear you down
I’ll make you bleed eternally
Can’t help myself
From hurting you when it’s hurting me
I don’t have wings
To fly with me won’t be easy
‘Cause I’m not an angel
I’m not an angel… ¹

Continuar lendo “Galamadriel – Espelhos do Tempo”

Galamadriel Pt. 19(Final) – Um novo despertar

 

Por Lillithy Orleander

g19

Caronte passeou pelo campo de batalha, agora sozinho olhando cada rosto que conhecia e que viveu ao seu lado na eternidade até ali.

Valeria a pena deixar tudo como estava e tentar reconstruir a partir do nada? De fato aquilo lhe  parecia ser uma ótima idéia.

Fosse anjo, demônio ou seres humanos…

Não havia a exceção que não almejasse a destruição. Se ele permitisse que tudo voltasse ao normal, destruiria Hiavenithy e faria com que tudo o que viveram até ali á sombra do Grande Livro fosse apenas um conto de fadas na memória de todos que viriam a conhecer o fato no futuro.

Caronte pensou, olhou de Gabriel, o irmão amado, e olhou Lúcifer que já o havia humilhado e então viu o futuro como nunca havia visto antes.

Nítido e límpido. Doloroso porém necessário. Ele caminhou até Gabriel e tomou as cinzas de Lilith de suas mãos. Ele sabia o que deveria ser feito…

O chão tremeu e este tremor forá feito exclusivamente para Caronte, que agora tinha os olhos fechados em concentração.

O vento cantava ao redor de Caronte, enquanto a foice se balançava como um pêndulo, a terra se revolvia e as nuvens regrediam no céu.

A  foice parou e Caronte abriu os olhos, mirando fixamente o horizonte.

Continuar lendo “Galamadriel Pt. 19(Final) – Um novo despertar”

Galamadriel Pt.18 – Vingança

Por Lillithy Orleander

 

Miguel

Lúcifer enfiou a mão cheia de garras, onde havia ficado o buraco da bala de calibre 12 que desfigurará seu rosto demoníaco. Ele olhou para Paul de soslaio, de modo vago, enquanto lançava – lhe um sorriso sarcástico.

-Humano, Paul? – perguntou ele com esgar na voz. – Para um dos demônios mais arrogantes do Inferno, você não terminou exatamente como queria, não é mesmo?

Ele passou a mão na face novamente e a pele se transmutava, ganhando as feições suaves e angelicais, a qual ele ainda mantinha na maior parte do tempo para agradar e não assustar aqueles que queria enganar ou manter ao seu lado. Enquanto ele olhava as mão sujas com seu sangue.

O zunido da arma feria o vento, feito um flash prateado cortando o céu, por fim silenciando de imediato, o tridente de Lúcifer que finalmente encontrava seu alvo.

Gabriel então gritou e sua dor parecia a dor de milhões de criaturas que sofriam ao mesmo tempo em uníssono. Uma poeira nefasta se ergueu fantasmagórica do chão, expandindo – se, derrubando paredes, estourando janelas de vidro e matando cada ser vivente que aparecesse em seu caminho independente da forma que possuía.

Miguel e Lúcifer se entreolharam abismados, enquanto um deles caia imediatamente ao solo, com as mãos arranhando a face como se tentasse arrancar a própria pele, experimentando do mesmo desespero e da mesma agonia.

Continuar lendo “Galamadriel Pt.18 – Vingança”

Galamadriel Pt. 15 – Caronte, O Barqueiro de Almas

Caronte  Por Lillithy Orleander

Iridish atravessou uma das janelas da casa de Gabriel e ficou estarrecido ao perceber que Miguel estava       ao lado da moça que um dia Qüerinemer havia livrado da morte.

– Iridish, seja bem vindo de volta e…

– O que esta mortal faz aqui? – perguntou Qüerinemer que vinha logo atrás sem entender o que acontecia. – Ela estava sendo caçada por Edmund e se  ela está aqui então…

– Então Lúcifer a trouxe de volta a vida.

– Espera um pouco. Você eu conheço. – disse Sonya apontando para Qüerinemer.

– Olá outra vez. Não me entenda mal, é só que não é normal encontrar seres humanos “passeando” por aqui, alias que nenhum de nós nunca veio até aqui. – disse ela olhando para Gabriel.

– Vocês já acabaram com as formalidades de quem conhece quem? – perguntou Gabriel impaciente. – o tempo está passando e ainda temos que resolver algumas pendências.

– Onde está Dyell? – perguntou Sonya.

-Edmund ainda não voltou e isso está me deixando preocupado. – respondeu Miguel que agora olhava para o nada.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Paul saiu do banheiro enrolado na toalha enquanto Dyell olhava no espelho tentando prender a longa trança vermelha no alto da cabeça, quando a ínfima fenda se abriu no meio do quarto.

– Lady Dyell, seu pai a espera imediatamente na morada de seu tio. Precisamos todos conversar e…

Edmund se interrompeu a falar quando viu o estado de Paul.

– Eu sinto muito, não gostaria de atrapalhar, mas é que está tudo uma bagunça e suponho-me que nesse momento este é o pior dos lugares para se estar.

– Não é o que você esta pensando Edmund, mas é uma longa história e te explico quando estivermos menos ocupados.

Paul nada disse e parecia nem se importar com a presença do outro, e sentou – se na cama vagarosamente como quem não ligasse que tudo estivesse a ficar perdido para sempre.

– Você pensa que esta fazendo o que, seu idiota? – perguntou Dyell

– Eu não penso, eu simplesmente não vou a droga de lugar nenhum com um ceifeiro, uma súcubo filha de arcanjo, sabe – se lá pra onde.

Dyell puxou a pistola do coldre e a engatilhou, mirando na direção de Paul.

– Levante a porcaria do seu rabo gordo dessa droga de cama, ou eu mesmo vou me dar o prazer de lhe tirar dessa existência medíocre.

– Me mate. Eu não ligo vou morrer de qualquer jeito seja na mão do Céu ou do Inferno, opto por ser um covarde desertor, saboreando uma boa vodka ou um bom wiskhy. Vão para diabo que os carregue cansei desse joguinho de gato e rato. Se ninguém me explicar exatamente o que está acontecendo e por que só pode ser eu a fazer o que vocês querem.

Dyell olhou para Edmund e balançou a cabeça de forma negativa.

– Ok, você quer a verdade? Tudo bem você quem pediu.

Dyell se aproximou da cama como quem fosse abaixar para falar com Paul e lhe deu uma cabeçada, ele perdeu o equilíbrio e caiu deitado, xingando – a de todos os nomes que achou possível naquela hora. Edmund o pegou por uma perna e Dyell por outra.

Edmund pegou a foice e abriu novamente a fenda, arremessando Paul para dentro dela, com ajuda de Dyell.

– Estamos prontos. – disse Edmund para Dyell estendendo a mão e dando a vez para que Dyell passasse. – Primeiro as damas.

– Poupe – me dessa palhaçada Edmund nem combina com você e muito menos comigo.

Dyell voltou a guardar a arma no coldre e adentrou a fenda escura. Agora era questão de tempo até que todos se encontrassem e se preparassem para a luta.

O céu despencava aos poucos, em pequenos pontos brilhantes, as pessoas sorriam e faziam seu pedido as estrelas cadentes que vislumbravam. Enquanto outras eram atingidas, como se recebessem uma flecha que atravessasse sua carne e lhes queimasse a alma. Os anjos começavam sua descida á Terra e seus hospedeiros começavam a ser marcados…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

A barca navegava mansa sobre o rio Estige, silenciosa prestes a aportar. O velho de olhos diferentes parecia hipnotizado por aquelas águas.

Caronte desceu da barca se aproximou do cavalo negro, em chamas pastando tranqüilo.

– Como vai velho amigo.

O cavalo veio em sua direção e isso fez com que Caronte sorrisse e olhasse de soslaio para alguém que saísse sorrateiro das sombras.

– Caronte. Meu velho Caronte.

– Lúcifer.

– Ora quanta animosidade de sua parte vim lhe fazer uma visita, não esperava ser recebido dessa forma.

– Diga logo o que quer, não caio em seus subterfúgios e nem em sua fala açucarada. Deixe isso para seus generais e asseclas. – e cuspiu na terra negra.

O barqueiro levantou a cabeça e olhou diretamente nos olhos do outro, abaixando o capuz. A barba longa e branca deu lugar a uma bem feita e curta. As rugas de sua face e as mãos ressecadas pareceram rejuvenescer de imediato, dando lugar á um rapaz de cabelo curto e prateado, mostrando um meio sorriso ao outro.

Lúcifer se espantou diante da transformação e uma vez mais ficou irritado com o barqueiro que já lhe havia iludido tantas outras vezes, mas resolveu dissimular.

– Vim até aqui saber de que lado você vai tomar partido, caro irmão.

Lúcifer olhou então o brilho daqueles olhos e se arrependeu de ter ido até Caronte, que agora tinha as feições modificadas pelo esgar de nojo.

– Você com certeza veio ao lugar errado, irmão…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

“– Você foi criado para um propósito maior, inspirado em um futuro que necessite de sua força. No começo talvez não te faça feliz e pode ser que você venha a se recusar a fazer. Mas eu quero que saiba que você será o ponto de equilíbrio de muitas coisas, independente de serem o inicio ou o fim.

– Sou apenas um servo, Senhor. O que decidirdes para comigo eu farei.

– Não Caronte. Você não é meu servo. Você também é um de meus filhos e essa responsabilidade que encarregarei você, você dividira com Gabriel.

O rapaz olhou seu reflexo no lago, molhando os pés e ali ficou, calado. Pensando consigo mesmo no por que de ser tão diferente dos demais.

Os olhos, um azul e um negro, olhavam os outros deitados na relva verde, emanando auras douradas, enquanto a dele vibrava tão pálida e quase invisível.

Caronte se sentia um anjo comum, como poderia ele ser como seus supostos irmãos.

– Eu não sou como eles. – disse ele abrindo as longas asas negras. Mas foi Gabriel quem respondeu.

– Por que nenhum de nós é igual. – e se sentou ao lado do irmão sorrindo.

– Gabriel.

– Meu pai. – Ele então balançou a cabeça de forma afirmativa para os filhos e se distanciou á passos lentos, desaparecendo de forma sutil no mormaço do dia ensolarado que parecia nunca ter fim.

– O que somos nós Gabriel?

Gabriel se deitou na relva e fechou os olhos sorrindo, de forma despreocupada e ao mesmo tempo séria.

– Somos o inicio de uma nova era, Caronte. Uma era que será bela, poderosa e dolorosa.

Caronte arregalou os olhos e parou de imediato de molhar os pés na água.

– Dolorosa?

– Sim. Nós todos passaremos por um processo de mudança e talvez isso gere alguns atritos entre nós. Não sei se você percebeu, mas todos somos um pouco diferentes e temos qualidades que os outros não possuem, pelo menos não igual. Somos únicos.

Caronte então começou a notar os irmãos e no que cada um era especial.

Miguel movia – se com precisão assombrosa e criará ferramentas poderosas para si que somente ele manuseava com tanta facilidade, embora muitos praticassem, ele sempre era o melhor. E com essas ferramentas vieram os duelos, e nesses duelos nasceram às lutas. Miguel se tornou, invencível e ninguém ousava desafia – lo, o que depois de um tempo o deixou entediado, pelo menos até a próxima criação do pai.

Rafael sempre tivera o dom de fazer com que qualquer corte sumisse como mágica e depois das lutas do irmão mais velho, quando surgiam as dores, ele as tratava com tanta eficácia que jamais alguém pensou que isso pudesse ser destruído, mas logo o reinado de benevolência e cura, daria lugar ao ódio.

Lúcifer era belo, o mais belo de todos era o que diziam. Conversava bem e falava com diplomacia, não havia nada que ele não conseguisse depois de uma boa conversa. Mas ele sempre fora um estrategista inteligente e sagaz, e não demoraria muito para que isso se provasse verdade.

E havia o mais novo Gabriel. Era delicado com tudo e com todas as formas de vida que ali habitavam, e embora Miguel muitas vezes fosse tratado como favorito era com Gabriel que seu pai planejava os pormenores, as mudanças e as idéias…

Caronte notou que Gabriel era apaixonado por uma anja, criada para ele, mas em seu intimo sabia que isso talvez não se consumasse

Enquanto ele era somente um anjo diferente, isolado que muitas vezes preferia ficar longe de tudo aquilo. Ele via as coisas acontecerem, num futuro não tão distante assim e se mantinha calado, como ele via que tantas coisas iriam acontecer e mudar tanto, se tudo parecia ser tão perfeito.

– Você entendeu não é?

Caronte saiu de seus devaneios e olhou pra Gabriel que agora não sorria mais.

– Eu também vejo o que você vê Caronte, e fazemos parte de um plano maior para que nada saia do controle e vire um caos infindável. Venha comigo.

Caronte seguiu o irmão, enquanto ao longe Lúcifer vigiava os dois a conversar.

– O que será que Gabriel quer com aquele anjo. – disse ele para si, desmerecendo Caronte.

Gabriel havia construído para si uma nova morada longe dos irmãos, cheia de janelas onde parecia haver outras vidas respirando atrás delas. Caronte se perdeu no misto de curiosidade e medo e, mas uma das cortinas em especial chamou a atenção de Caronte. Um cavalo negro arredio, em chamas que galopou velozmente em sua direção.

Mas o medo dissipou – se e Caronte caminhou em direção ao animal. O chão árido levantava uma poeira negra, mas isso não o incomodava, o fazia se sentir bem, finalmente se sentiu completo e não isolado como sempre havia se sentido.

O cavalo relinchava e empinava – se no ar a pequenos intervalos e Caronte o sentia, um animal selvagem, com medo de ser atacado, mas logo parou e veio na direção de Caronte, que estendeu – lhe a mão e acariciou a pele quente

– Eu desejo ficar aqui, Gabriel. – disse ele e logo atrás outras pequenas criaturas feitas da mesma forma que o cavalo, começaram a aparecer.

-Se você assim deseja esse será o seu domínio e ninguém, além de você ira domina – lo. Ninguém. Ainda bem que você gostou – foi o que Gabriel disse. Caronte batizou o lugar de Tártaro e os dois sorriram,  deixando o lugar, a sala de um mármore branco muito pálido pareceu resplandecer as cores como se refletisse pequenos cristais.

Caronte passou a acompanhar sempre Gabriel daquele dia em diante, visitando cada cortina daquela extensa morada e entendendo assim para o que havia sido criado, enquanto seu irmão lhe explicava cada novo mundo ali existente e porque o pai os havia criado.

Caronte prestava muita atenção por que assim como Gabriel sabia que seus irmãos não teriam tanta facilidade em entender o porquê dessas outras existências e realidades. Era incrível notar como era cruzado o passado, o presente e o futuro dentro de cada janela, e aquilo fez dos dois irmãos companheiros irrefutáveis.

Em seguida veio o levante de Lúcifer e sua descida do Paraíso foi cercada de brigas e mentiras, ele queria ser como Miguel e queria dominar como o pai, mas não tinha competência e não aceitava ser menos que qualquer um. Voltou para Caronte que agora comportava – se como ele e sabendo de sua morada mandou que ele lhe desse – se.

– Ela é minha por direito. É o meu legado, dado á mim. Não sou obrigado á dá – lá para você.

– Você é somente um misero anjo, seu maldito. – disse Lúcifer cerrando os dentes de punho fechado.

– Eu sou um Arcanjo, Lúcifer e se você fosse um pouco mais humilde e um tanto sábio saberia que deve me temer.

Lúcifer recuou diante da ameaça, mas jurou que seria por pouco tempo. Caronte seria o alvo de seu próximo ataque, o alvo do ódio de Lúcifer. Naquele mesmo dia, sabendo que seus filhos mais velhos nunca entrariam em acordo, Deus deu á Caronte, o poder de ceifar a existência.

Lúcifer então se levantou contra Caronte, de espada em punho como um louco desferia golpes violentos, idênticos aos de Miguel, o que fez com que outros anjos temessem por Caronte. Mas das profundezas do Tártaro, Caronte trouxe um dragão colossal e montou nele, tornando – se um com a criatura. Ele lutava bravamente a todo o momento e afastava o irmão daquilo que para ele era sagrado, sua morada.

– Isso me pertence seu maldito.

– Você pertence á outro lugar, não tente usurpar o que é meu por direito.

Lúcifer fervilhava em ódio e desferiu um golpe certeiro, decepando a pata do dragão que urrando de dor tentou abocanhar a cabeça do Arcanjo, que escapou por pouco, mas ainda sim foi ferido.

– Maldito! Como ousa?

Caronte desligou – se do animal e desceu até onde a pata do animal havia caído. Quando finalmente ele a tocou, ela se retorceu e transformou – se em uma foice. O que deixou a todos estarrecidos, sua aparência se modificou e seu curto cabelo deu lugar a um longo, suas vestes escureceram e as asas se fecharam, formando assim um manto, que o cobriu como á uma armadura.

Lúcifer tentou recuar, mas Caronte foi mais ágil e parou bem diante de si.

– Você sabe para o que fui criado, irmão?

Lúcifer sorrateiro puxou a adaga de sua cintura e a enterrou na cintura do irmão, que arregalou os olhos e olhou para o ferimento.

– Você foi criado para ser humilhado, para ser menos do que eu. Você não é nada Caronte. Nada. – e puxou a adaga de volta.

Caronte ainda estava de cabeça baixa e segurando a foice ele sorria.

– Na verdade Lúcifer, eu fui criado para ser o seu fim. – e olhou dentro dos olhos do irmão, erguendo a foice e enfiando – a no ombro do outro, que urrou de dor imediatamente.

Caronte arrastava Lúcifer pelo céu, com a foice presa na carne do outro, e o ferimento parecia aumentar de tamanho. Caronte então parou e arremessou o irmão em direção a terra com toda a força e acompanhou a queda.

– Lúcifer, você esta condenado a caminhar sobre os pés de toda a criação, você e seus servos estão condenados a serem sempre vencidos. Você irá tentar ser o melhor, irá tentar ser o mais poderoso. Mas quando isso estiver prestes á acontecer eu mesmo, estarei ao seu lado para lhe ceifar seu bem mais precioso.

Lúcifer desceu ao Inferno sem ter tempo para revidar e com ele todos os que Miguel já havia expurgado…”

Lúcifer ainda lembrava-se daquele olhar e então se perguntou por que em todo o Inferno tinha que ir atrás logo de Caronte.

– Acredito que você esta no lugar errado e fazendo a pergunta errada. Se eu fosse você eu fugiria e tiraria esses pés nojentos de meu santuário, você não é e nunca foi bem vindo aqui.

– Oras, estamos em guerra, e você não se manifestou sobre que lado irá defender.

– Não tenho por que manifestar a quem irei ceifar ou não, se é o que você quer saber. Mas em breve nos veremos Lúcifer, muito em breve.

Caronte balançou a foice diante do irmão e este desapareceu. Caronte sorriu e continuou alisando o cavalo.

– Você não perde por esperar…

Lúcifer voltou irado e esbravejava para quem quisesse ouvir que seus irmãos pagariam a afronta e que tudo não passava de uma questão de tempo. Belial escutava a tudo calado, escondido sob as paredes. Sorriu e saiu para preparar as ordas.

– Se os anjos descem, nós subimos…

As fendas ínfimas se abriam aos montes, em bares, bailes, ruas e casas. Demônios subiam com os dentes a mostra, gargalhando e tomando o corpo daqueles que haviam sido escolhidos, eram executivos, mendigos e operários, que sentiam o mal se apoderar de si e a sede violenta pelo sangue do próximo.

– Eles estão subindo. – disse Gabriel levantando a cabeça com os olhos petrificados.

– Isso significa que vamos ter o primeiro levante em breve. Sonya, mais uma vez lhe peço perdão pelo o que ocorreu, mas agora não temos muito tempo, você vira comigo e Qüerinemer para aprender pelo menos a se defender. O restante de vocês preparem – se.

Caronte saiu de uma das janelas, sem fazer cerimônia e cumprimentou á todos que ali estavam, olhando – os um por um.

– Vejo rostos antigos, e rostos que nunca caminharam a meu lado.

A morada de Miguel de repente se encheu de gritos, fazendo com que Caronte parasse de falar.

– Eu não vou entrar nessa droga de lugar, já falei que não me alio a nenhum lado. – Paul gritava estridente tentando esmurrar Edmund e empurrar Dyell, que perdeu a paciência e lhe deu um soco, fazendo o estalo do nariz de Paul ecoar pelo lugar.

– Sua maldita você quebrou meu nariz! – ele então se enfureceu e seu disfarce começou a se dissipar.

– Não tenho medo de um demoniozinho de merda, é só vir que resolvo a situação com você. – respondeu Dyell.

– Filha?

Dyell parou por um instante e dentro de si ela ficou feliz por ver seu pai naquele lugar, talvez aquela fosse a ultima vez, mas preferiu manter a frieza que sempre manteve com ele.

– Mi Lord. – e abaixou – se, reverenciando – o

– Na atual circunstancia creio que as formalidades devem ser quebradas, não,

– Perdoe nos Caronte e nem lhe perguntei o que você veio fazer aqui.

– Lúcifer está pronto, está furioso e em busca de aliados. O ódio ferve em suas veias e dessa vez Miguel acredito que ele venha na certeza de conseguir destrui – los.

– E o que devemos fazer? – perguntou Iridish, mexendo na própria arma.

– Se preparar para o pior…

Nas janelas, cortinas se balançavam ferozmente, enquanto algumas começavam a se rasgar e dar lugar a criaturas que urravam e rugiam feito bestas.

O tempo começou a parar e as pessoas nas ruas pareciam estar presas em uma espécie de transe macabro. Algumas piscavam algumas e voltavam ao normal tentando entender o que estava acontecendo, mas isso durava uma fração de minutos até perderem a consciência e darem lugar ao que estava implantado dentro de si.

Alguns  demônios riam desenfreadamente, e corriam atrás daqueles que ainda não  estavam congelados no tempo. Houve aqueles que passaram a mutilar os corpos parados, traçando mapas de ataque enquanto bebiam o sangue e mastigavam a carne alheia. Anjos desciam, mas seus hospedeiros pareciam demorar mais para assimilar o porquê de tudo parar de imediato, gerando pânico nos desavisados e medo quando assistiam a cena de pessoas se transformando em monstros  e então a luz surgia, eles esticavam os braços e lá estavam as espadas, eles piscavam e lanças caia de todas as parte.

O primeiro ataque surgia enquanto a Lua Cheia era encoberta pela nuvem negra que parecia descer sobre toda a cidade, densa e cheia de grandes pingos. A chuva se aproximava e o véu que separava o mundo de Galamadriel se rasgou.

Todos os seres ganharam vida e os gritos ecoaram noite adentro.

– Rafael! – gritou Lúcifer.

– Vá para o Inferno, seu maldito. – rosnou Rafael aparecendo diante de Lúcifer com um colar azul marinho, que emanava uma forte atração maléfica.

– Vê irmão, você pode ouvir. Meus soldados foram soltos e agora é a hora de dominar esse lugar, e tomar o que é meu por direito. Mas para isso onde está Lilith? – perguntou ele tentando lembrar quando tinha sido a ultima vez que virá a rainha infernal.

Sentou em seu trono de marfim e ficou calculando qual seria o próximo passo, até que finalmente achou um plano.

– Megara! – A moça de olhos ainda vazios veio em sua direção, calma, e em silêncio.

– Sim meu senhor.

– Vá buscar Miguel, ele será o primeiro a ser destruído.

A moça sorriu, e mostrou os dentes que agora afiados destruíam a perfeição do rosto que Miguel tanto amou um dia. Ela correu rápido pelos caminhos sinuosos até voltar a superfície, enquanto Belial incentivava mais demônios a saírem do Inferno para o mundo.

Gabriel preparou suas armas e junto com Iridish e Edmund olhando para o caminho que deveriam seguir.

– Lilith, você vai ficar bem? – perguntou Gabriel.

– Eu tenho meus próprios meios de sair dessa ilesa não se preocupe.

– E quanto a Paul?

– Caronte eu sei que você não gostaria de se meter, mas você poderia…

– Farei melhor. O quanto você preza sua existência como demônio, caro Pauline?

– Eu sou um desertor, não sou mais nada me trouxeram pra esse lugar a força, se um dia eu voltar ao Inferno, serei morto e destruído até as cinza de meu corpo.

– Minha proposta é torna – lo mortal.

– Como é que é? – disse Paul arregalando os olhos.

– Você não seria mais o sacrifício que Lúcifer deseja, seria humano e dessa história não mais participaria á não ser que seja esse seu desejo. Estamos acertados?

Paul pensou em não aceitar, mas e então apertou a mão de Caronte, ele terminaria morto, mas talvez tivesse uma chance.

Suas asas foram arrancadas e imediatamente sua humanidade aflorou como se sempre estivesse ali, ele urrou de dor quando sua pele passou a se fechar, colando cada ferida á força, as cicatrizes agora imensas se curavam vagarosamente, fazendo com que Paul se tornasse um homem.

– O que eu faço agora? – perguntou ele a Caronte.

– A escolha é sua, eu disse que não iria me envolver e não vou, meu trabalho é recolher o que sobrar dessa carnificina.

– Caronte?

– Eu só assistirei Gabriel eu te disse que não participaria disso uma vez e minha resposta continua sendo a mesma. – e saiu pela janela que havia chegado.

Um cavalo em chamas o esperava do outro lado relinchando, chamando – o era a hora do Barqueiro partir com seus servos para buscar o que lhe pertencia.

Fossem almas humanas, angelicais ou demoníacas, Caronte voltou ao Estige e dele se ergueu um navio fantasmagórico, translúcido, deixando que uma névoa azulada se desprendesse de seu convés para chamar as almas que começavam a descer, Caronte pegou sua foice e a balançou de ponta cabeça, fazendo com que ela sussurrasse um som agudo e cheio de melancolia, em instantes, Mercadores da Morte e Ceifeiros estavam pousando ou voando ao lado do navio.

– O fim chegou… – disse Caronte.

Paul olhava tudo aquilo sem nada dizer.

–  Você esta livre para fazer o que quiser, Pauline.

– Por que vocês me deram a escolha?

– Por que não podíamos correr o risco de te ver matar um dos nossos e depois deixar nossa era sucumbir aos desejos de Lúcifer.

– Ele não ia cumprir sua palavra, não é mesmo?

– Acho que não precisamos dizer que não, não é mesmo. Ele iria ganhar somente o tempo necessário para repovoar esta terra com o que lhe agradasse, seres como ele. Vocês, demônios, são dispensáveis na nova hierarquia de Lúcifer.

Paul no fundo parecia saber que morreria, então não fazia diferença ficar ali, já que era assim era melhor morrer no meio da tempestade do que escondido.

– Me dá um copo de uísque e uma arma, não faz mais diferença pra mim ser humano ou demônio, só quero acertar umas contas antes de sumir dessa merda.

Edmund deu a Paul o que ele pediu e lançou asas ao ar, ele desceria ao lado de Caronte, não iria lutar por nenhum dos lados, enquanto Iridish lutaria por Qüerinemer. E Paul?

Paul só tinha um pensamento, matar o único demônio que o havia colocado naquela roubada, Tyrone não perderia por esperar.                                                                                                                                                                                                                                                                                           CONTINUA…

Galamadriel Pt. 14 – Pedido de Ajuda

g14

Por Lillithy Orleander

O tempo pareceu parar de imediato, nada se movia. Os pássaros pareciam congelados e as pessoas pareciam estatuas de cera, vestidas em alguma cidade cenográfica, a única coisa possível de se ouvir era o som da água corrente que vinha de algum lugar ao longe.

– Miguel? – a moça sorria.

Ela deu um passo a frente na direção do Arcanjo, que agora respirava de modo irregular fazendo com a brandura que a pouco se via dê-se lugar ao general frio e calculista que todos conheceram por eras. Miguel piscou os olhos algumas vezes e quando voltou a abri – los foi para mostrar o brilho da fúria ardendo dentro dos mesmos. Ele abriu as longas asas e sem pensar muito desembainhou a espada, que aos olhos de Sonya, havia surgido do nada.

– Você. Não. É. Megara. – ele dizia pausadamente com sua típica calma congelante, ele voltara a ser quem sempre fora.

Os instintos de Miguel falaram mais alto e ele preparou – se para atacar o ser diante de si e mata – lo sem pensar duas vezes.

“Não é Megara. Nem quente como ela, nem viva como ela. Essa coisa só emana maldade…” – pensou ele, e aquilo lhe doía, a lembrança de sua amada Megara ser usada daquela forma, contra ele. Megara poderia ser uma súcubo, mas jamais emanou tanta maldade.

Sonya correu na direção do Arcanjo lembrando – se do que Edmund havia dito sobre a criatura, se interpôs entre Miguel e tentou chama – lo a razão.

– Olha me escuta, tá. Ela é linda, tem as feições de alguém que você hã… Amou. Eu também desejaria vê- lá morta, mas nós dois sabemos como isso acabaria.

Miguel olhou – a com desprezo e Sonya tremeu diante daquele olhar.

– Saia da minha frente se ainda deseja continuar viva por mais alguns milênios.

Sonya teve medo do que pudesse acontecer, mas ainda sim fincou os pés diante de Miguel, olhou dentro dos olhos frios e deu – lhe uma tapa na face. Miguel piscou algumas vezes e se enfureceu ainda mais com a ousadia.  Pegou o pulso de Sonya e o levantou á altura de seu rosto, apertando – o com força brutal, o que fez com que Sonya se curva – se de dor.

– Nunca. Mas nunca mais em sua existência, ouse tocar – me novamente.

Miguel arremessou Sonya longe, e caminhou decidido na direção da nova Megara, enquanto Sonya batia em um poste.

– Irmão. – gritou Gabriel se interpondo entre Miguel e a criatura. – Não vê que é isso que ele quer?

Megara parou e o sorriso que antes inundava sua face, convidando Miguel, desapareceu e deu lugar a um esgar ferino, pronta para o ataque.

Foi então que o som de palmas ouviu – se atrás de Megara.

– Ora, ora até que eles não são tão burros. Pelo menos não você. Não é mesmo Gabriel? – ele sorriu irônico.

– Você vai nos matar! – gritou Gabriel furioso. – Enlouqueceu?

– Não, de forma alguma. Eu apenas queria dar a meu querido irmão a oportunidade de ser feliz novamente. – disse ele com ar inocente. – Mas vocês insistem em pensar o pior de mim, me sinto ofendido. Mas se assim preferir Miguel, mate – a, e desfaça – se de meu presente, caro irmão. – ele sorriu diabólico, mostrando Megara como se ela fosse uma mercadoria para vender, esperando que os anos de frieza de Miguel falassem mais alto e apertassem o botão do fim dos tempos.

Miguel pareceu recobrar o juízo, soltou a espada no chão, olhou na direção de Sonya e lhe dirigiu um olhar de desculpas, olhou na direção de Megara e a máscara de amargura estampou – se na sua face. Miguel alçou vôo e partiu.

Lúcifer olhou com raiva para Gabriel mostrando os dentes.

– Você pensa realmente que pode me vencer? Essa é minha obra-prima. Depois que eu destruir cada um de vocês eu vou repovoar cada pedacinho desse planeta inútil com obras minhas.  Eu serei DEUS e vocês serão NADA. Serão esquecidos e eu serei absoluto, ÚNICO.

Megara será meu bom soldado, ela era a kriptonita de Miguel, um presente de grego para meu querido irmãozinho. O seu virá em breve Gabriel, muito em breve.

O tempo pareceu correr novamente de forma tranqüila como se não tivesse parado. Lúcifer sumia por uma fenda imperceptível á olhos comuns.

Gabriel voltou – se para Sonya que ainda estava no chão segurando o próprio pulso.

– Eu sinto muito pelo o que Miguel…

– Não se preocupe. – disse ela interrompendo – o. – Eu estou bem. Eu vou ficar bem. Só me tira daqui.

Gabriel pegou Sonya nos braços e encontrou um beco vazio para poder alçar vôo, pois teve medo que o véu tivesse começado a se rasgar depois do que acabará de acontecer, e talvez os mais sensíveis percebessem o que ele estava fazendo. Ele agora estava preocupado. Com Dyell que ainda estava desaparecida e não atendia seus chamados. Com Lilith, que ainda estava no Inferno junto a Calíope e com Rafael que era manipulado por Lúcifer sem saber.

As coisas estavam ficando complicadas e todos poderiam colocar tudo a perder…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

– Eu não sei se você percebeu, mas eu tenho presa. Posso saber por qual motivo demorou tanto? – perguntou Dyell impaciente, sentada na cama de veludo negro.

– Calma aí. – disse Paul. – Fui tomar um banho né. A noite foi meio cheia e se é pra fazer isso, vamos fazer direito, como manda o figurino.

– Para com a palhaçada, juá disse que estou com pressa e nem estaria aqui se fosse necessário.

– Ah, diz pra mim que nunca sentiu interesse desde que me conheceu e dar uma “saidinha” comigo vai.

Dyell pensou por alguns instantes e se lembrou que o tinha desejado um pouco, mas o desejo logo havia passado e ela tinha tudo àquilo no passado.

– Veja pelo lado positivo, se morrermos daqui alguns dias, vamos morrer felizes, vamos ter feito uma coisinha gostosa antes de partir dessa pra lugar nenhum.

– Você pensa que convence quem com essa sua lábia barata? – Dyell perguntava  cruzando os braços e olhando séria para o demônio.

– É só negócios mesmo? – perguntou ele com cara de preocupado.

– Em partes sim.

– A coisa está tão feia assim lá fora?

– Olha vamos acabar logo com isso te conto todos os pormenores, se eu contar antes é capaz que não saímos desse quarto enquanto seu “companheiro” aí não se der por satisfeito. – Disse ela olhando para baixo da cintura de Paul.

Ele caminhou até um quarto contiguo que  havia ali e voltou trazendo um hobby transparente, de renda branca.

– Veste. – ele disse autoritário

– Você só pode estar brincando…

– Mandei vestir. – ele disse como se fosse outra pessoa.

Dyell tomou a veste das mãos de Paul e saiu para se trocar.

“Droga de demônio idiota vai me atrasar mais do que já estou atrasada. O mundo acabando e ele pensando em transar. Imbecil.” – pensava ela

Ela adentrou o quarto novamente, vestida como Paul havia pedido e o viu acendendo velas marrons que liberavam o odor de canela adocicado pelo quarto enquanto flores multicoloridas descansavam no criado mudo ao lado da cama ao lado de morangos, uvas e nectarinas rosadas.

Enquanto ela passava a ou vir o som suave de um violino, uma harpa e um piano, aos quais ela não via de onde partiam.

– Ora, assim está melhor. Só faltam duas coisinhas.

Paul  jogou a trança avermelhada de Dyell para suas costa e começou a desfazê-lá lentamente como se apreciasse cada mínimo detalhe daquela situação.

– Agora, relaxe. – sussurrou ele no ouvido de Dyell e a vendou.

Paul deu a mão a Dyell a levou até a cama ajudando – a se deitar, deitou a seu lado e acariciou a pele sobre o tecido vagarosamente deleitando – se com cada pedacinho que tocava, pegou um morango e deu para que Dyell mordesse para em seguida morder a outra parte e dar um beijo suave.

O misto de emoções contraditórias deixavam Dyell desconfortável com a situação. Que droga de demônio era esse que a pouco se gabará da orgia com dois seres infernais ao mesmo tempo e agora agia com tanta sutileza e delicadeza?

As mãos dele passeavam em pontos estratégicos, deixando a pele de Dyell arrepiada, fazendo – a suspirar entre um toque e outro, Paul a beijava de forma urgente e desesperada, mas o beijo possuía um gosto extremamente doce.

Ele abriu o hobby gentilmente e Dyell sentiu quando algo morno escorreu entre seus seios, mas vendada como estava não saberia dizer o que era.

Ele começou a lamber, e a língua quente passeava sôfrega fazendo pequenos círculos em seus mamilos, outro novo beijo e ela podem identificar o que era. O gosto do chocolate amargo a fez querer mais e as barreiras caíram por terra, o mundo agora poderia explodir que nenhum dos dois se importaria de estar ali.

Dyell tentou levantar – se queria retribuir a caricia da mesma forma, mas foi impedida.

– Está mais relaxada? – a voz de Paul ficará mais rouca e grave, mas Dyell não notou e não respondeu a pergunta dando a Paul a chance de continuar.

Paul abriu a pernas de Dyell de forma cerimoniosa, tranqüilo, deleitando com a feminilidade que diante de si se apresentava, seu membro rijo procurou o caminho para os prazeres mais comuns entre os homens.

Dyell curva – se a vontade de Paul que a conduzia á uma dança harmoniosa e cheia de delírios. Suas mãos seguravam os seios de Dyell e fazia com que ela suspirasse e gemesse a cada nova investida, ele desejoso calava tais suplicas ardentes com os próprios lábios.

As horas parecia ter parado e Dyell pela primeira vez em décadas se sentia tão completa que havia esquecido que na realidade tudo era só negócios. Os movimentos ficaram mais rápidos e o clímax se aproximava, enquanto Paul a estreitava em seu abraço. Eles urraram em uníssono liberando cada partícula do êxtase que ali reinava.

Paul deitou – se a lado de Dyell e a puxou para deitar – se em seus braços. Dyell ainda respirava ofegante, presa entre a alegria e o dever que á obrigava a sair daquele lugar, arrastando Paul fosse lá como fosse. Ela cumprirá sua missão e ainda ganhará uma das melhores experiências de sua vida.

– Obrigado. – disse ela

Mas Paul não respondeu.

– Está tudo bem? – ela disse, lembrando que ainda não havia tirado a venda de seus olhos e puxando – a imediatamente.

– Estou ótimo.

Dyell saltou de cima da cama como se visse o pior de seus pesadelos se materializando, puxou o lençol negro, e correu a escrivaninha procurando a própria arma.

– Seu filho da puta! Desgraçado! O que você pensa que está fazendo? O que você pensa que fez?

Rafael sorria deitado na cama ainda nu e olhando para o teto de forma despreocupada.

– Fiz amor com você Dyell. Haja pelo menos com um pouco menos de revolta.

Ela atirou e acertou a cabeceira da cama, furiosa.

– Saia daqui imediatamente! – ela gritava

– Não. – ele respondeu calmo e levantando – se da cama. – Não finja que não gostou. Eu estou aqui tentando consertar algumas coisas e preciso de ajuda. Você veio atrás de Paul e não foi difícil colocar ele pra dormir e tomar o lugar dele, só fomos pra cama juntos por que você precisava achar que era ele, e por que ele precisava sentir como se houvesse feito algo com você.

– Você precisa de ajuda? Seu grande imbecil você começou tudo isso, é por sua causa que estamos quase sendo extintos dessa  droga de existência e você vem me dizer que precisa de ajuda? Se eu não te matei aquele dia te mato hoje seu cretino arrogante.

Dyell deixou o lençol cair e partiu para cima de Rafael desferindo socos em seu rosto e em seu estomago. Ele tentava se defender, mas ela era rápida. Dyell então deu – lhe um chute no meio das pernas que o deixou nocauteado no chão.

– Essa é por ter me enganado e me levar pra cama seu grande inútil.

Ainda sim ele sorriu.

– Eu mereço cada soco seu, cada ofensa, mas preciso de sua ajuda. Eu consegui me livrar das redes de Lúcifer por um tempo e não sei quanto tempo terei forças pra me manter longe das garras dele. Ele vai tentar usar uma cópia de sua mãe para destruir Miguel, e Lilith para atingir Gabriel, mas se tudo isso falhar assim com Paul e Qüerinemer falharam ele vai usar a mim, para matar Lilith e conseguir o que quer.

– O que? – ela parou boquiaberta e se afastando de Rafael jogado no chão.

– É isso mesmo ele tem meios pra sobreviver. Se Lilith morrer ele tem sua antiga companheira Námyra, para continuar sua raça. Todos acharam que o plano era um anjo e um demônio de livre – arbítrio absoluto e que pudessem caminhar em dois ou mais planos sem serem notados assim como os Mercadores e os Ceifeiros, se matarem. Mas Paul e Qüerinemer frustraram tudo isso assim que se encontraram, eles não viam a aura um do outro para poder sentir o ódio costumeiro ou a repulsa. Ele um conquistador barato e ela querendo viver por aqui numa boa, dei uma forcinha pra que eles se esbarrassem e se falassem pela primeira vez. Eu tive a idéia de importunar Qüerinemer e Paul enxergou aí a oportunidade de conseguir chegar até ela.  Foi então que descobri que o Livro Hiavenithy se referia não á um de nós assumirmos o pleno poder, mas sim destruir tudo.

Tentei consertar meu erro e tentei afasta – los, mas já era tarde Lúcifer  já havia entendido tudo muito antes de mim e terminou por aprisionar minha aura.

– E como você está aqui? – perguntou Dyell desconfiando da história.

– Eu achei um jeito de enganar Lúcifer, assim como você faz.

Rafael então se levantou foi até a sobrinha e acariciou seu rosto.

– Nunca vou esquecer esse dia, se sairmos vivos dessa, espero poder conversar com você sem trocar qualquer tipo de faísca. – disse ele passando a mão pela nuca de Dyell e beijando – a, ela não resistiu.

– Me salve Dyell. – foi a última palavra de Rafael.

Dyell vestiu – se apressada e adentrou o quarto de Paul que parecia acordar de um sono profundo de dias.

– Pronto pra  ir? – ela perguntou seca.

– Deixa pelo menos eu me trocar, saco. Na noite passada você não estava assim né? – e saiu da cama resmungando.

Paul sentiu que a dor de cabeça desapareceu, ele se lembrava de cada sensação da transa com Dyell. Alucinada, selvagem…

Ele sorriu par si mesmo, a filha de Miguel tinha o fogo do Inferno nas veias.

Dyell sozinha no quarto se perguntava qual seria a versão de Paul para tudo. Foi então que ela começou a ver um filme desfilar em sua mente.

Ela arrancará a roupa de Paul e cavalgará como louca sobre ele, arranhando-o no peito, enquanto ele estava amarrado à cabeceira da cama e urrava de tanta excitação. Ela mataria Rafael, com certeza. Mas depois do que eles haviam passado juntos, ela  iria dar uma boa dianteira á ele.

“Será que sou capaz de odia-lo um pouco  menos?” – perguntou a si mesma.

Dyell agora estava confusa, carregando a arma enquanto esperava Paul terminar de se arrumar. Era hora de voltar para casa…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Gabriel cuidou do pulso de Sonya e dos pequenos cortes e arranhões que ela sofrerá na queda.

– Como você está?

– Achei que esse negócio de ser eterna implicava em não sentir dor.

Gabriel sorriu da ingenuidade da moça.

– Na verdade não, você ainda é humana, mas de uma forma mais durável, não vai envelhecer, não vai adoecer, vai ver todos os planos que cercam esta realidade á turnos diferentes e criatura inimagináveis, mas ainda pode se machucar, se ferir, essas coisas de humano. Você não é nem um ser místico, é mais uma pessoa sortuda que ganhou o grande prêmio. Um bônus, por assim dizer.

Sonya sorriu sem jeito para Gabriel, ele era sempre muito atencioso, Miguel sempre carrancudo e Lúcifer ela já pegara nojo.

– Vocês são uma família bem estranha, não acha? Não que nós, hã mortais, não sejamos é só que…

– Não precisa se explicar, nosso Pai no início tentou nos criar diferentes para que pudéssemos criar um raciocínio lógico e ter nosso próprio livre-arbítrio, mas parece que ele estava errado, acabamos bagunçando tudo. – ele sorriu sarcástico.

– Entendo.

– Entretanto isso faz parte do passado, e um passado bem longo e no momento precisamos nos focar no futuro. Sonya, me diga uma coisa quanto você entende de lutas e armas.

– Playstation conta?

– Não, mas eu vou te ensinar o que você precisa saber. Estamos em uma guerra e é necessário saber lutar.  – respondeu Miguel adentrando o recinto.

– Não vou aprender nada com você. Você é doente e vai me matar na primeira oportunidade. – disse ela convicta.

– Sonya, ele é a única forma para que você aprenda rápido.

– Droga Gabriel!

Sonya olhava para os dois irmãos tão parecidos e tão diferentes…

 CONTINUA…