Pavilhão Cinza

*Conto inspirado nos relatos acerca do hospital psiquiátrico de Barbacena.

Por: Natasha Morgan

Aquela não era uma boa época para se usar saias.

Quando coronéis trajando uniformes cáqus e fumando charutos importados assombravam a seca do sertão, manipulando, intimidando e dirigindo o povo carente era um fardo ser a jovem bela e promissora de uma família em ascensão.

Foi o que descobriu Ana naquela tarde fatídica em que estendia as roupas no varal puído de seu quintal. Quando os olhos cinzentos do Coronel Alfredo pousaram sobre seu corpo juvenil e cintilaram em malícia selvagem.

Quando as mãos grossas daquele homem grotescamente perfumado passearam por seu corpo, invasivas. Quando seus lábios secos experimentaram o sabor de sua pele e seus músculos a sufocaram no celeiro, ameaçando afundá-la na palha áspera conforme ele violava sua inocência e fragmentava sua alma.

Ana não pode dizer nada.

O que o Coronel queria, ele pegava.

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Devoradora de Homens

Por Natasha Morgan

Devoradora de Homens

Imediações de Der Schwarzwald, Baden-Wurttemberg.

O Tenente parecia entediado, embora sua postura e olhos sérios. Aquela era a última fase do treinamento daquele pelotão, uma aventura na floresta onde eles deveriam se mostrar capazes com tudo o que aprenderam em treinamento.

E onde foi que a mente brilhante do Coronel inventou de levar aquele grupo de soldados de bunda magra e expressão arrogante? Na porra daquela floresta!

Der Schwarzwald, também conhecida como Floresta Negra era a área mais temida de toda a Alemanha. Abrigada numa cordilheira a sudoeste da Alemanha, a floresta de ares sombrios era um campo cercado de belas árvores e rochedos brumosos que assustavam garotinhos em lendas antigas. Local de extensa vegetação, neblina, cavernas e histórias, aquela floresta inspirava o receio de toda a população de Baden-Wurttemberg.

Qualquer filme de terror alemão, usava aquela paisagem para lhe dar foco.

Qualquer lenda urbana se utilizava de suas cavernas para dar embuste ao medo da garotada.

Qualquer adolescente idiota usava aquelas trilhas estreitas para seu rito de passagem.

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Etérea

Etérea 01

Por Raven Ives

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Os pés descalços afundavam de leve no solo úmido em um caminhar sereno, tão delicado quanto os sons da noite que cercavam a jovem em uma melodia primal; a folhagem das árvores que assobiavam ao sabor do vento, acompanhada pelo canto das aves noturnas, saudando a visitante. As pedras e galhos secos, que lhe cortavam a cada pisada, não eram um empecilho forte o suficiente para impedi-la de continuar em frente. Continuar lendo “Etérea”

A Bruxa de Praga – O pedido Carmim

Escrito por: Natasha Morgan

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Merci estava eufórica, o coração batendo forte no peito, a língua inquieta na boca e as mãos levemente trêmulas.

Seus cabelos estavam arrepiados, um aglomerado de cachos loiros batendo na nuca pálida. Os olhos escuros tinham um brilho ensandecido.

Seus lábios pintados de negro murmuravam palavras atropeladas que ela lia de um livro grosso estendido majestosamente na relva macia.

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