Vendetta Pt.7 – Anjos e Demônios

 

Svalden

Por Lillithy Orleander

O baque oco ressoou no chão, fazendo com que Joseph voltasse desesperado, descendo os degraus da escada de dois em dois e voltando para o escritório do pai.

-Pai! – gritou ele empunhando a arma e mirando na porta do escritório como quem esperasse já pela saída do atirador.

A cena não poderia ser mais perturbadora.

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Vendetta Pt.6 – Segredos e Explicações

GRIM2

Por Lillithy Orleander

Charlotte acordou sem se lembrar do que havia acontecido.
A cama não era sua, e os arabescos no teto denunciavam que aquele também não era seu quarto.
Levantou – se silenciosa e olhou para os quatro cantos do quarto. A prateleira acima da mesinha de computador tinha réplicas de carros antigos e alguns livros aparentemente empoeirados por falta de uso. Na parede do quarto havia uma guitarra autografada, mas ela não identificou de quem era a assinatura, havia fotos de uma criança graciosa sentada na grama com roupa de marinheiro, ela sorriu.

Encontrou a porta do banheiro e olhou – se no espelho, estava um trapo e com olheiras, mas aonde estava?
– Seu pai mandou trazer roupas pra você e outras coisas suas?
Ela procurou instintivamente a arma no vestido surrado, mas não encontrou.
Aleksander estava parado na porta, descalço, vestindo apenas uma calça de moletom preto.
– Nós combinamos de conversar, lembra? – perguntou ele levantando os braços em sinal de rendição, enquanto segurava a arma da garota presa á um dos dedos.
– Como raios eu vim parar em seu quarto? Você e eu não… – disse ela encostando – se na pia. – Eu preciso de um cigarro, e vou caçar o Orachi por ter me deixado fazer essa burrada.
Charlotte virou rápido demais e de súbito sentiu a tontura invadir – lhe o corpo, desequilibrando – a.
Mãos firmes a seguraram e a levantaram imediatamente, antes mesmo que ela pudesse cair e bater a cabeça no chão.
– Me solta seu cretino empavoado. – dizia ela dando tapas nele.
– Você bate como uma garota. – disse Aleksander sorrindo, voltando para o quarto com Charlotte no colo.
– Verdade. Eu não sou uma garota, sou uma Maensen.
E desferiu um soco, que pegaria certeiro no rosto do rapaz se ele não fosse mais rápido e segurasse a mão dela. Ele soltou a mão dela e segurou seu queixou forçando – a olhar em seus olhos.
– Você não muda mesmo né? – o olhar de Aleksander encontrou os de Charlotte, e a serenidade que havia nele desarmou a moça que de pronto desistiu de implicar com Aleksander.
Ele a deitou na cama, foi até um closet e voltou com uma camiseta branca de mangas compridas.
Sentou – se na beira da cama e calçou o Nike vermelho.
– O médico disse que você precisa de repouso e de mais alguns exames. Seu pai e seu amigo foram em casa, Joseph dorme no sofá da sala, e eu pedi pra ninguém te incomodar. Vão todos voltar em breve, não é sua casa, mas sinta – se a vontade.
E levantou – se saindo do quarto apressado.
Charlotte sentou – se a beira da cama puxando em sua memória o que havia acontecido na noite anterior.
Mas nada vinha em sua mente, ela viu a maleta encostada a porta e reconheceu as iniciais de seu pai gravadas no objeto, eram suas coisas e decidiu tomar um banho.
Entrou no box de vidro fumê e ligou o chuveiro. Estava quente, e a sensação da água a fez sorrir satisfeita e fechar os olhos. Ela tirava o vestido enquanto a água escorria pelo ralo e o vapor tomava conta do local…

– Senhor Aleksander, o café está servido.
– Não esquenta Mike, eu vou correr. A Srta. Maensen está descansando ainda, não deixe que ninguém á incomode.
– Sim senhor.
Mike virou – se para sair da sala, enquanto Aleksander ia em direção a porta.
– Você está cuidando muito bem de minha irmã. – dizia Joseph que surgia com as mãos no bolso.
– Desculpe, eu não…
– Tudo bem, nossos pais tem negócios, então entendo a cortesia. Sei que você não faria nenhuma gracinha, afinal acho que você já sabe o que Charlie faria. – disse Joseph colocando as mãos no bolso.
Aleksander sorriu e colocou o dedo sobre o curativo em seu nariz.
– É eu sei…

*-*-*-*-*-*-*

Vyolette acordará tarde e sequer se importou com os trajes que vestia, afinal ninguém ficava em casa naquele horário. A camisola transparente deixava a mostra os seios e a fina calcinha de cor roxa que vestia. Se olhou no espelho e não gostou do que viu, os hematomas do dia anterior estavam ali, saltando aos olhos, o que a deixou enfurecida.
– Maensen. – disse ela olhando o ferimento no supercílio. – Você me paga sua puta.
Vyolette pegou o porta jóias de prata e acertou no espelho, deixando – o em pedaços.
O celular tocou ao longe Mamma Do* enquanto ela mal humorada decidia se atendia.
– Pronto. – disse ela a contragosto.
– Vy? – disse a voz agudamente irritante do outro lado.
-Olivia, espero que seja por um bom motivo. Não tô afim de falar com ninguém hoje.
– E é. Põe a melhor roupa e vamos comemorar.
– Qual seria o motivo da comemoração? Seu novo namorado? – disse ela irônica.
– Na realidade, não e você não precisava ser rude. Charlotte Maensen parece que foi pega num racha ontem e pelos rumores dessa pocilga de lugar, acham que ela foi presa. Era só isso…
Olivia se sentiu humilhada mais uma vez por Vyolette e decidiu que iria se afastar, não era a primeira vez que ela fazia isso, ela olhou para o celular e o desligou sem ao menos dar “tchau” para a agora extinta amiga.
– Não preciso de você Vyolette Mont’blanc.
E deletou o número da outra.

– Olivia eu não acre… Alô? Alô? eu acho que eu peguei pesado com a bobinha. – disse Vyolette rindo como se fosse a coisa mais natural. – Depois eu ligo pra ela e choro meia horinha e ela volta. Ela sempre volta.

Vyolette escovou os dentes e desceu para tomar café antes do banho, não iria aí colégio. Iria na casa de Charlotte tripudiar sobre ela, afinal a queda da inimiga era algo a celebrar.
Desceu os degraus de dois em dois, descalço feito criança, cantarolando o toque de seu celular.
– Priminha como você acordou radiante hoje.
-Lucian seu grande farsante. – disse ela desferindo – lhe um tapa na cara. – Nunca mais ouse rasgar minhas lingeries, idiota. Elas valem mais pra mim do que você.
Lucian passou a mão sobre a vermelhidão que se formava em seu rosto e sorriu.
– Você as coloca por que quer, eu prefiro você sem elas. – e avançou na prima, agarrando – a por trás.
Lucian, desafivelou o cinto com urgência, subiu a mão pela coxa desnuda, e afastou a fina calcinha de Vyolette.
– Você pensa que vai fazer o que? – perguntou ela maliciosa.
– Eu não penso Vyolette, eu vou fazer.
Ela se virou para encara – lo e ele sorrindo jogou tudo o que estava na mesa no chão, empurrando Vyolette em direção a mesma e mostrando a ela o tamanho de seu desejo.
– O que vamos comemorar? – perguntou ele, que agora era despido com a mesma rapidez por ela, que mordiscava o pescoço dele fazendo – o fechar os olhos de excitação

.
– O início da queda de Charlotte Maensen.
Lucian abriu os olhos e sorriu, se encaixando entre as pernas de Vyolette.
– Conte – me seu plano,priminha. – Lucian apertou – a em seus braços e deu a primeira estocada, enquanto a emprega ruborizada, fechava a porta sem fazer qualquer ruído.

*-*-*-*-*-*-*

As batidas na porta foram curtas e Olivier que conversava com Sorento desconfiou do que fosse.
– Entre.
Joseph empurrou a porta e Sorento fez menção de sair.
– Não. Você pode ficar meu caro Sorento, o assunto também é de seu conhecimento.
Joseph olhou para o pai sem entender, mas este pareceu nem ligar para a reação de estranheza do filho.
– Um dia, á muitos anos meu pai me chamou depois de passar uma madrugada inteira na rua e me disse que era hora de assumir o legado da família por inteiro. Além dessa vida.
“Naquele mesmo dia um senhor muito educado, veio até nossa casa e me explicou o que éramos.
Nossa e algumas famílias dividem o fardo de guardar um mal que ressurge de tempos em tempos na nossa ordem. Hoje chamam de dupla personalidade ou qualquer outra coisa do tipo, mas são coisas pequenas e sua ciência junto a força de vontade de alguns indivíduos consegue dominar esse “mal”, mas em todo o mundo há as exceções extremas, eles nascem em nossas famílias de modo aleatório. Tem um poder de destruição gigante e alguns são capazes de abrir o que chamamos de Portal do Inferno, tamanha é sua maldade. Quando meu pai contou – me tudo isso achei que era loucura.”

– Peraí, você está me dizendo que o mal existe e que demônios são reais é isso?

– Você se lembra quando Charlie dizia que falava com alguém que não éramos capaz de ver?

-Isso era um amigo imaginário, não existe. Charlie sempre foi uma garota de poucas amigas e difícil de se relacionar. Aquela garota tem um gênio do cão, o cara arranhou o carro dela e ela quebrou o nariz dele.

-Sorento você poderia…

Sorento fez sinal afirmativo com a cabeça e saiu porta a fora.

-Mas o que está acontecendo aqui?

Sorento voltou com o que parecia um livro velho em mãos e o entregou a Olivier.

– Isso é que chamamos de Laylacan, nosso livro de revelações. Seu legado. Legado de Charlie.

-Isso está muito confuso.

– Não é um demônio como você disse, a pessoa nasce com o que chamo de necessidade de se expandir e se tornar algo maior, a chave para o Inferno, acompanhada pela pré disposição em destruir e arruinar.Vem dotado de força, e domina pelo menos a telecinese e o fogo.

-Tá bom isso está virando um conto de fadas ao contrário.

-Nero, não era louco, meu filho em algum momento sua natureza real decidiu aflorar e vir a tona, o que o fez parecer um vilão e colocar fogo em Roma, ele não sabia como se controlar. Uns chamam aquilo de tragédia, nós chamamos de ignorância.

-Então você acredita que a nossa Charlie, “doce como um torrão de açúcar” vá virar uma…

– Não temos um nome específico.
A única coisa que sabemos é que em nossa ordem ocorre de 20 em 20 anos, no filho mais velho de determinadas famílias. A família de Sorento recebeu em sua família por três gerações, e todos eles se mataram quando começaram a vislumbrar o outro eu, achando que enlouqueceriam, foi então que chegou a vez de meu pai. Mas estranhamente pulou essa geração, a ordem olhou as linhagens sanguíneas, pesquisou as estrelas e também as outras ordens que vivem semelhantes a nossa. E não teve explicação.
Quando Andrew nasceu tivemos medo que ele trouxesse isso consigo. Mas nada. Veio você e nada novamente. Ficamos todos felizes, mas sua mãe engravidou novamente e a ordem viu uma estrela brilhar mais forte e explodir.
Era uma menina, estávamos felizes quando recebi a notícia, era de Charlie essa maldição. Era a primeira vez em séculos que viria em uma mulher. Não sabíamos como lidar com aquilo e sua mãe descobriu.
Nunca vou me esquecer do quanto ela me esbofeteou aquela noite.
Meu pai sempre trabalhou assim, cobrando pessoas para pessoas importantes que não queriam sujar as mãos e tudo veio muito a calhar, eu teria as defesas necessárias pra ela e ela não precisaria se envolver nesse mundo. Mas sua mãe foi contra e foi ajudada por Sorento a ensinar Charlie, na cabeça de ambos era necessário saber se defender.
Quando o tal amigo imaginário surgiu, tive certeza de que ia acontecer com ela. Ele funciona como uma espécie de guardião da coisa.

-Você está me dizendo que uma hora Charlie vai surtar e sair matando todo mundo? É isso? – perguntou Joseph ainda incrédulo.

-Na verdade não, nos casos que minha família relatou e acompanhou, os que não se mataram, viraram seres vingativos ou descobriram como controlar. Apenas um tentou abrir o Portal do Inferno, mas foi detido a tempo. – disse Sorento que agora parecia se lembrar de uma época distante

-E quem foi? – perguntou Joseph

-Meu irmão. Gêmeo. – respondeu Sorento, olhando dentro dos olhos do rapaz com se esperasse alguma reação. – eu mesmo o matei.

– Vocês tem noção do que estão dizendo? É tudo muito louco e fantasioso.

-Como você explica o que estudou? – perguntou Olivier cruzando a mão sobre os lábios.

-Eu não… Como você? – perguntou Joseph confuso.

-Eu sou seu pai e embora não pareça, eu os observo. Percebi que você ficou diferente após a morte de sua mãe. Andrew não sabe se nada e não suspeita de nada, ele sempre foi desligado.

A campainha tocou e todos se calaram, Nhora bateu na porta e foi lhe permitido adentrar o recinto, muito a contragosto trazia consigo um senhor franzino e um guarda costas.

-Senhor Olivier o convidado chegou. – disse Nhora cheia de sarcasmo e cerimônias, virando os olhos como se debochasse, o que fez Joseph se levantar rapidamente segurando o riso.

-Joseph, pense no que eu lhe disse trataremos de tudo mais tarde, sim.

-Pensarei meu pai, pensarei.

*-*-*-*-*

Aleksander colocou o fone de ouvido no último volume e começou sua corrida matinal, precisava esquecer os últimos episódios, tudo havia acontecido muito rápido e pela primeira vez ele não tinha nem uma idéia de como resolver aquilo.
“Eu não posso estar gostando ou nutrindo qualquer tipo de sentimentos por essa garota. Isso não existe.”
Charlotte olhava da janela enrolada em seu hobby quando Aleksander saia. Algo dentro de se dizia que as coisas iam começar a ruir. Pegou o celular e digitou rápido os números.
Um toque… Dois toques… Três… Sua impaciência a fez jogar o celular na cama. Benjamin não lhe atendia.
Batidas leve na porta fizeram com que Charlotte abandonasse os seus devaneios, nem ela mesma entendia o que estava acontecendo, primeiro a voz, depois a ausência de sentidos, a falta de memória e agora o sumiço Éolo.

-Entre.
– Como está nossa doentinha hoje? – perguntou Nhara como mãe solicita.

Charlotte abraçou a mulher como se já a conhecesse á anos.

– Me desculpe pelo incômodo, sra. Svalden, mal acabamos de nos conhecer e já estou causando problemas.

Nhara soltou a garota e sorriu, sentando – se a beira da cama do filho, e colocando atrás da orelha da moça uma mecha de seu cabelo que ainda estava solta.

– Não se preocupe, imprevistos acontecem com todos, querida. – Nhara sentia dentro de si uma afeição estranha pela garota que jamais sentirá se quer pela sua filha. Onde ela estaria?

Nhara se lembrava da filha com desgosto e com tristeza nunca entendeu porque tudo ocorrerá daquela forma e também já tinha abandonado a possibilidade de tentar, mas seu coração sabia que seu retorno estava próximo, elas sempre tiveram essa ligação, e no fim ela teria que contar a verdade a Aleksander.
Elas passaram horas ali, rindo das peripécias de um Aleksander infantil, enquanto a tarde corria e a cor voltava as faces de Charlotte…

*-*-*-*-*-*

Olivier ainda estava preso a sua pequena reunião quando Andrew entrou correndo no escritório, baleado no braço e ensanguentado.

– Mas o que está acontecendo aqui?

E antes que pudesse receber qualquer resposta, o homem que com ele negociava sorriu e puxou a arma de sua cintura com o silenciador embutido.

– Seu tempo acabou, Olivier Svalden…

O som oco de um corpo caindo no chão e o som estridente de um grito foi a única coisa audível naquele instante.

CONTINUA…

Vendetta Pt.5 – O Chamado – Leyliss

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Por Lillithy Orleander

O Boxster preto já estava emparelhado ao lado do Lamborghini prata.

Enquanto uma garota, vestida em um casaco de pele branco, mini saia e um top preto caminhava para ficar entre os dois carros.

– Você tem certeza do que vai fazer? – perguntou Benjamin ainda tentando demover Charlotte de dirigir.

– Já disse que vou sair viva dessa.

Aleksander sorria do outro lado, fazendo o motor do carro rosnar para a adversária.

– Você não sabe o que está fazendo, não tem que provar nada pra esse babaca.

– Ben eu já sou bem grandinha, sei o que eu quero e vou correr. Eu prometo que vai dar tudo certo. E quando eu ganhar essa, vou te dar um beijo bem demorado pra te provar que estou viva.

Benjamin ficou vermelho de imediato quando pensou na ideia, mas logo tratou de afasta – lá.

– Que droga de beijo, Charlie. Só sai viva dessa, ou então seu pai vai me fazer te encontrar do outro lado mais rápido do que você pensa.

Charlotte deu risada  do que Benjamin acabara de dizer e se preparou.

Benjamin saiu de perto dos carros e a garota parou no meio deles novamente um pouco mais a frente, abaixou – se sorrindo maliciosa e tirou o fino pano vermelho de debaixo da saia. O que gerou uma gritaria ensurdecedora unida a muitos assovios.

– Em suas marcas…

– Boa sorte, Maensen. – disse Aleksander pisando no acelerador.

– Pra você também Svalden. Afinal você vai precisar. – Charlotte sorriu atras do volante, segurando o freio de mão.

– 3… 2… 1…

A garota soltou a calcinha no chão e os corredores saíram cantando pneu, enquanto eram ovacionados pela platéia, que ia ao delírio e começava a sacar os celulares, IPhone’s e tablet’s para assistir a corrida pelo sistema de câmeras das avenidas hackeado pelos nerd’s que trabalhavam para Leopold.

-Natan, como está a transmissão? – perguntou Leopold à um garoto de quase 1,90m de cabelos loiros e olhos castanhos, que parecia engolir vorazmente a garota que o beijava.

– Já está tudo pronto, assim que os dois passarem na primeira camera, o resto vai ser direcionado pro Papai aqui. – Natan deu um tapa na bunda da garota e mordeu o canto da boca com malícia.

Leopold admitia ele esperava um cara de óculos quando pediu á seus contatos o melhor hacker de Boston. Quando conheceu Natan ficou pasmo ao ver o cara popular e cheio de tatuagens.

Charlotte havia ganhado a dianteira e desviava de outros carros como quem possuía uma destreza de milênios no que fazia. Enquanto Aleksander, sorria satisfeito seguindo a bela adversária.

– Ela sabe o que faz muito bem. – exclamou ele.

Charlotte resolveu alterar sua rota, se recusava a perder pra Aleksander, pegou a vicinal mais próxima e não percebeu que Aleksander gostou da brincadeira e decidiu segui – lá.

Charlotte aumentou o som do carro e Faster* tocava de forma estrondosa. Charlie sentiu o frio percorrer – lhe a espinha, unindo – se a adrenalina, sua visão ficou turva e ela apertou com mais força o volante de seu carro.

“Mas que droga esta acontecendo comigo?” – perguntou a si mesma.

O relógio de uma catedral próxima batia meia noite, e a Lua Cheia mostrou – se gloriosa por detrás de um arranha – céu, tocando os olhos de Charlotte.

Aleksander vendo que a velocidade da moça diminuía aproveitou para ultrapassa – lá. Mas assim que conseguiu alcança – lá viu que o carro de polícia já anunciava que havia visto os infratores e ia persegui – los.

– Charlotte… – o sussuro fúnebre deixou os sentidos de Charlotte em alerta enquanto o que parecia ser uma brisa fria e cadavérica, agia como lábios, colada ao seu ouvido.

Algo naquele instante tomava posse de seu corpo.

O carro quase bateu em Aleksander quando esse a ultrapassou, o que o fez desviar para não bater em um poste.

Novamente o Lamborghini pegou outro caminho, assim que foi deixado pra tras e com o policial em seu encalço.

– Mas que porcaria é essa? E pra ajudar a polícia. Ótimo, se eu pegar outra multa o senhor Olivier vai me fazer limpar o porão.

Ela disse rindo da própria piada, Charlotte sabia que algo estava errado e que talvez estivesse louca, mas isso não era hora de pirar.

O carro agora corria na contra mão enquanto outros motoristas nervosos e apavorados davam farol alto ou buzinavam, Charlie entrou na primeira saída, caindo em um calçadão apinhado de lojas e com via exclusiva para pedestres.

Aleksander se perguntava onde a adversária tinha se enfiado quando deu de cara com ela saindo do calçadão e jogando o carro em sua frente, fazendo – o frear de forma brusca.

– Filha da puta! Eu mato ela, eu juro que mato!

Aleksander sentiu o ódio bater latente dentro de si, para em seguida ver o policial voltar ao encalço dos dois.

Charlotte piscava os olhos e suava frio, um torpor agora tomava parte de sua mente, fazendo – a ficar cega.

“Agora não.” – pensou ela, mas era tarde e Charlotte não estava mais ali.

A arma brilhou no banco e ela estendeu a mão pra pega – lá. Mas sua atenção teve que se voltar para o concorrente, ela sorriu diabolicamente e acelerou ainda mais, seguida por Aleksander.

Pegaram novamente a avenida trançando entre si quem seria o vencedor.

Ela estava em um parque de diversões e aquilo lhe dava prazer.

O ponto de chegada estava a vista e ninguém queria perder, estavam empatados por milésimos de segundo, brigando pelo prêmio final.

Os dois carros chegaram ao mesmo tempo e deram o mesmo cavalo de pau.

Aleksander desceu do carro e se dirigiu ao carro de Charlotte para comprimento – lá, mas assim que ela abriu a porta e saiu, desmaiou e foi acudida por Benjamin que já estava ao lado de seu carro.

– Droga Charlie, o que foi agora. Vamos garota, não tô pronto pra te perder.

– Leopold, é a polícia! – gritou Natan já guardando seu equipamento e pulando pra dentro de seu carro, acompanhado por outros apostadores que pegavam seus veículos e fugiam em disparada.

– Pega o carro dela e me segue. – disse Aleksander que já estava abaixado ao lado de Benjamin e tomando Charlotte de seus braços, aí que o outro franziu o cenho.

– Eu levo ela.

– Eu  não vou fazer nada de mal pra ela, só quero ajudar.

Benjamin percebeu que o outro estava tão preocupado quanto ele, então levantou e ajudou Aleksander à levar Charlotte para o Boxster.

Charlotte acordou no caminho mas permaneceu calada como se estivesse presa em algum tipo de transe e Aleksander pensou que a culpa era sua.

– Olha me desculpe por tudo, tá. Eu só estou tentando fazer a coisa certa. Minha mãe pega no meu pé, e agora ela tem negócios com seu pai, não quero estragar isso, mesmo por que se eu fizer isso, ela me mata ou manda alguém me matar. – disse ele rindo da própria piada.

Mas Charlotte continuava calada, estática, ele dirigiu até sua casa acompanhado por Benjamin no carro de trás, quando finalmente estacionaram diante da entrada principal, ela desmaiou novamente.

Aleksander abriu a porta do carro apressado e a pegou desfalecida no colo.

– Mike! – ele gritava. – Mike!

O mordomo apareceu de hobby na soleira da porta assustado e abrindo caminho sem entender o que se passava.

-Senhor Aleksander?

– Que gritaria é essa? – gritou Nhara chegando na escada.

– Mike chama um médico. Não tenho tempo pra sermões agora, Nhara.

Aleksander subia a escada e caminhou direto para seu quarto, colocando Charlotte em sua cama.

– Eu quero saber o que foi que você fez dessa vez seu fedelho. – disse Nhara adentrando o quarto e dando um tampa na cabeça do filho.

– Dessa vez, mãe. Nada.

O médico chegou rápido e ficou só com a moça para examina – lá.

Quando Nhara e Aleksander desceram Olivier e Joseph já eram recebidos por Angeline e Benjamin.

– Boa noite senhor Maensen. – disse Angeline.

– Boa noite, me desculpe os modos, mas onde está Charlie.

– O médico está examinando ela, fique calmo.

– Nhara, nos perdoe a invasão.

– De forma alguma, eu teria feito o mesmo por meu filho.

– Não mesmo. – disse Aleksander sem pensar para em seguida sentir o peso singelo da bengala de Angeline á amassar – lhe os dedos.

– Mas que… – disse ele se afastando da avó.

O médico desceu a escada em silêncio e que deixou todos apreensivos.

– Então doutor? – perguntou Olivier torcendo as mãos.

– Aparentemente nada, acredito que tenha sido uma crise nervosa, mas a  pressão está normal, os batimentos estão normalizando, não há nenhum trauma, mas preciso de exames mais detalhados. Eu apliquei um sedativo leve, só para que ela descanse. Enfim, qualquer mudança ou alteração nesse estado me chame.

– Obrigado doutor. – disse Nhara levando o médico até a porta.

– Mike?

– Sim senhora.

– Leve Olivier até o quarto de Aleksander por favor. – disse Angeline.

– Imediatamente. Senhor Maensen, por aqui.

Olivier subia a escada apreensivo e com os olhos marejados. Ele sabia o que estava acontecendo, mas não podia fazer nada. Ele só não entendia por que sua Charlie.

Olivier adentrou o quarto na penumbra  e sentou ao lado da cama segurando a mão da filha com carinho.

– O que está acontecendo, pai? De verdade. – perguntou Joseph que parou na porta observando a cena.

– Você já sabe a quanto tempo? – disse Olivier em tanto amargo.

– Tempo suficiente, mas ainda não sei de tudo.

– Entendo.

– Mas aqui não é o melhor lugar.

– É verdade, deixemos esse assunto pra mais tarde.

Olivier levantou -se, olhou a filha ali deitada e saiu acompanhando o filho.

Nhara e Angeline se dirigiram em seguida para o escritório para deixar os outros mais à vontade.

– Que noite. –  disse Nhara irritada.

– A noite ainda não acabou minha filha.

– Eu sei mãe, só fiquei me perguntando o que será que a garota tem.

– Um dia cheio. Ela bateu no carro de Aleksander, bateu em Aleksander, e voltou com Aleksander. Você à de convir comigo que seu filho  não é fácil. – Angeline deu risada. – Você já foi jovem Nhara, e era como ele. A garota deve ter sentido somente um mal estar. Não se preocupe.

Nhara sorriu para mãe e fechou os olhos, rodando na cadeira.

– Como era mais fácil naquela época.

Nhara lembrou – se de sua juventude e viu o espírito indomável de si própria no filho, e não conteve o riso.

– Você tem razão mãe.

Mal terminou de falar e leves batidas foram ouvidas na porta.

– Entre. – Nhara disse se recompondo e voltando a face de mulher rígida.

– Com licença, senhora Svalden. Me chamo Benjamin Orachi e sou amigo de Charlie… Charlotte, me desculpe. Eu gostaria de pedir permissão pra ficar em sua casa até que ela acorde.

Nhara estreitou os olhos na direção do rapaz, que mantinha as mãos pra trás como se falasse com seu superior no exército.

– Você gosta dessa menina não é? – perguntou Angeline.

– Nós crescemos junto. Charlotte é minha melhor amiga.

– Entendo. De minha parte não á problemas, não é mesmo Nhara?

Ela forçou um sorriso e concordou com a mãe.

– De forma alguma.

– Obrigado, senhora. – e saiu do escritório de Nhara.

– Se você quer unir Aleksander com a garota Maensen, esse garoto vai ser um rival de grande porte para seu filho.

– Imagino que sim…

Benjamin chegou a sala quando Olivier e Joseph voltavam do quarto de Aleksander, conversando aos susurros. Aleksander aproveitou que todos haviam descido e pediu licença para ir até o quarto para ver Charlotte.

Benjamin não gostou, mas nada disse, apenas olhou de soslaio para o outro que colocará as mãos no bolso e subia a escada de dois em dois degraus.

– Senhor Olivier me chamo Benjamin, sou amigo de sua filha. Conversei com a senhora Svalden e ela me permitiu ficar até que Charlie acorde. Isso é claro se o senhor não se importar.

– É Orachi, não é? – perguntou Joseph que já ouvirá a irmã falar do rapaz.

– Sim. – e Benjamin temeu que o passado de seu pai se revelasse naquele instante e que isso o impedisse de ficar ali.

– Não vejo problema algum meu rapaz. Charlie tem bons amigos. – disse Olivier apertando firme a mão de Benjamin e o deixando para sentar – se no sofá.

Aleksander abriu a porta sem fazer barulho e caminhou até a janela, a claridade da Lua invadia o recinto tocando o cabelo de Charlotte, que caia por cima de seu rosto. Ele sentou na poltrona que tinha ali perto e ligou o som em um solo de piano.

Nuvole Bianche* começou a ganhar espaço no local e Aleksander ficou ali observando a moça deitada em sua cama pelos motivos que ele nunca imaginou. Ele sorriu ao pensar nisso, a única garota que usaria sua cama sem outra finalidade.

” Como você entra na minha vida em um dia, faz todo esse estrago e ainda me faz ficar aqui como um idiota?” – pensou ele.

Aleksander levantou de onde estava e sentou – se no chão, próximo a cama.

Tocou o rosto pálido de leve e afastou o cabelo que o cobria.

Ela era linda e a luz da Lua realçava ainda mais sua beleza, tornando – a uma princesa de conto de fadas.

– Casa comigo Charlie? – ele perguntou mais para si do que para a garota, arregalou os olhos e não entendeu o por que de fazer tal pergunta.

Aleksander se sentia traído por si mesmo e hipnotizado por ela.

Aproximou – se devagar, fechou os olhos e colou seus lábios aos de Charlotte.

Era quente e ao mesmo tempo gentil, convidativo.

Aleksander abriu os olhos e sem entender por que tinha feito aquilo deixou o quarto nervoso.

” Eu não podia ter feito isso. Onde eu estava com a cabeça? ”

Ele partiu atordoado enquanto na janela do quarto escondido nas sombras o rapaz de jaqueta de couro que sempre acompanhava a moça sorria.

– Minha doce Charlotte, eu vou sempre estar aqui, mesmo que a hora se faça necessária. Para todos nos você irá voltar, inteira e sem metades errantes. Vá e vença, minha pequena deusa.. – dizia Éolo deixando uma lágrima cair e evaporando no ar.

Charlotte abriu os olhos e não reconheceu onde estava, olhou ao redor e nem mesmo o celular encontrou, o cheiro almíscar invadia suas narinas.

A brisa gélida tocou – lhe a nuca e ela teve vontade de gritar, mas a voz recusou – se a sair.

– Você passou tempo demais governando. – Charlotte arregalou os olhos e viu diante de si uma névoa circunda – lá. – Chegou a hora de você aceitar que também sou parte de você.

Charlotte não conseguia se mover e aquilo continuava ali lhe fazendo sentir calafrios.

– Você vai precisar de mim daqui pra frente. Muito prazer me chamo Leyliss…

Charlotte ainda tentou gritar, mas não conseguiu, a névoa parecia pesar cem quilos e seu corpo tinha ânsia de absorvê – lá.

O corpo de Charlotte se contorceu como se fosse possuído, para cair como um trapo ou um lençol amarrotado. Os olhos da moça estavam brancos e não se via mais a íris.

No peito de Charlotte o coração parecia que ia explodir.

Duas personalidades lutavam entre si, Charlotte dava espaço para Leyliss e para tudo de mais obscuro que habitava em sua alma.

A hora havia chegado e ninguém estava preparado…

CONTINUA…

* Faster – Within Temptation

*Nuvole Bianche – Alexander Flemming

Vendetta Pt.4 – Quebrando as Regras

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Por Lillithy Orleander

Benjamin desligou o telefone e correu até o guarda roupa, pegando um moletom. Arrumou – se apressado e calçou um tênis de corrida surrado que estava jogado embaixo da cama, colocou o celular no bolso da calça e foi até o quarto de sua mãe avisar que estava saindo.

– Mãe? – disse ele batendo na porta suavemente

– Entre Ben.

Ellen já estava deitada, relendo o jornal da manhã passada, com os óculos caindo sobre o nariz, ela olhou para o filho e achou estranho vê-lo arrumado, ele não tinha dito que iria sair.

– Você vai sair Ben?

– É. Vou sim. Não vou chegar muito tarde, pelo menos eu acho que não. – ele disse mais para si. – E…

– Tudo bem, filho só não saia com as pessoas erradas.

– Eu vou ter cuidado mãe, não se preocupe.

– Vá com Deus.

Ben beijou a testa da mãe e Ellen acariciou seu rosto, olhando – o nos olhos por um curto espaço de tempo.

– Você lembra tanto seu pai. Não termine como ele, eu não iria suportar.

Ben sorriu e se levantou da cama, saindo por afora sem mencionar em momento algum que iria encontrar Charlotte. Sua mãe ainda guardava rancor e desejo de vingança pelo fim dos Maensen, que acreditava terem sido a ruína de seu marido, mas o que Ben podia fazer, Charlie exercia um domínio vicioso sobre ele, que nem ele próprio entendia. Ela era a heroína que o viciava há anos.

Charlie parou o carro atrás do ginásio, desceu e ficou encostada no capô, olhando impaciente para o relógio.

– Droga Ben cadê você?

A noite fria de Lua Cheia, unida a leve brisa que soprava, fazia com o que os cachos que Nefertithy havia feito começassem a desmanchar.  A névoa subia translucida do chão, mas nem mesmo Charlotte notara, foi então que o arrepio percorreu – lhe o corpo e ela sentiu como se alguém se sentasse ao seu lado.

A respiração quente parecia encostar-se a sua bochecha como se lhe dessem um beijo, suas pernas bambearam e o corpo todo entrou em estado de alerta. Ela sentiu faltar – lhe o ar e achou que fosse desmaiar.

– É só uma questão de tempo até você aceitar que também sou parte de você…

A voz feminina idêntica a sua a deixou apavorada, Charlotte arregalou os olhos e pensou estar tendo alucinações.

– Charlie? – era a voz de Benjamin que chegará, mas se quer fora notado pela amiga, que parecia estar presa em um transe macabro. – Está tudo bem?

Charlotte fechou os olhos e massageou a têmpora e procurou disfarçar o ocorrido, não ia contar isso para Ben não dessa vez.

– Estou sim. Só tive um dia cheio e preciso extravasar. Sumir do circuito um pouco dessa minha vidinha. E aí você topa fugir comigo essa noite? – disse ela com um sorriso maroto, batendo no capô do carro.

– Você sabe que vou pra onde você quiser, não é? – disse Ben abrindo os braços.

Charlotte não pensou duas vezes em correr para os braços do amigo, de uma forma engraçada e pouco convencional ali estava seu porto seguro.

– Eu sempre vou estar aqui quando você precisar. Sempre. – disse Ben beijando Charlotte na testa.

Ela sabia que no fundo não precisava fingir e nem mentir para Ben, afinal se para ela, ele era o refugio. Para ele, ela era a única mulher em sua vida que valia a pena.

– Então Srta. Maensen para onde vamos essa noite?

– Pensei em correr. O que você acha? – afastando de sua mente o que acabará de acontecer.

Benjamin fez cara de assustado e depois caiu na gargalhada.

– O dia que seu pai descobrir que sua doce filhinha faz esse tipo de coisa e ele descobrir que fui que á levei pela primeira vez, ele manda me matar.

– Hey, eu acho que já sou bem grandinha e posso tomar minhas decisões sozinhas, você não acha? Afinal, vivemos num país livre onde toda mulher tem os mesmos direitos de um homem, mesmo que seja para um racha.

– Eu sei, mas você nunca vai deixar de ser a filhinha do papai. – disse Ben passando o braço por cima do ombro de Charlie.

– É impressão minha ou esse lugar está mais frio do que o de costume?

– Nós vamos correr ou falar do tempo? – perguntou Charlotte tentando disfarçar a tensão e afugentando os pensamentos de sua cabeça.

– Ok. Você que manda.

– Você dirige hoje.

Charlotte jogou as chaves do Lamborgini nas mãos de Ben e entrou no carro.

– Sim, senhora!- disse Benjamin batendo continência.

O som ensurdecedor de All my Life¹ invadiu as estruturas do ginásio, enquanto o cantar dos pneus alegrava seu condutor com um cavalo de pau…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

– Agora me diga Vy, o que você pensa em fazer com a sua amiguinha?- perguntou Lucian, saindo da cama da prima e vestindo suas roupas.

– Mata – lá seria muito pouco e praticamente sem dor, portanto quero vê – lá sofrer. Quero tortura-lá.

– A sua crueldade e falta de escrúpulos me excita. Conte – me seu plano.

– Ainda não tenho um plano estrategicamente formado, mas quero humilha – lá onde mais lhe doa, quero ferir seu orgulho. Quero ver Charlotte Maensen chorar lágrimas de sangue. – dizia Vyolette com ódio ardendo dentro de seus olhos.

– O que ela mais ama Vy?

– Acredito que seja a família, por quê?

– Então comece por aí. Ataque a família, os amigos e quem mais ela quiser proteger. Nisso eu posso te ajudar.

– Ela é uma Maensen. São todos assassinos. Todos com exceção de Charlotte. A vadia pensa que pode ser diferente da família.

– Ainda sim ela não deixa de ser humana e ter fraquezas como todas as outras pessoas do mundo, você não acha?

Vyolette sorriu para o primo diabólica, enquanto ele se servia de um copo com água, respondendo o sorriso da mesma forma.

Lucian era tão ruim ou mais do que a prima, aprenderá desde criança que se tivesse que conseguir algo passaria por  cima de qualquer um para ter aquilo que achava merecedor.

Era frio, calculista e um perfeito estrategista, além de manipulador. Tinha o rosto fino e os lábios cheios. De olhos castanhos claros, ele fingia ser o anjo do sonho de qualquer mulher, mas isso se provava o contrário depois que conseguia o que queria e descartava as mulheres como se fossem um trapo velho. Ele era o lobo na pele do cordeiro.

Lucian tinha tudo o que Vyolette tinha só que em dobro. Amavam o poder, a ambição e a luxuria. Eram sádicos e só se importavam consigo mesmos, sempre foram unidos desde pequenos e ninguém nunca entendeu qual era o laço que unia os dois, já que ambos eram interesseiros e derrubavam qualquer pessoa que atravessasse seus caminhos, fosse com palavras, fosse com a morte.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Aleksander esmurrava o volante do carro querendo matar a garota que o fizera comer poeira, quando o celular tocou.

– Aleksander, vocês ainda estão vivos? – perguntou Nhara divertida.

– Vivos nós estamos, mas não é por causa daquela louca. Estou parado no meio do nada, sem uma viva alma por perto, por que aquela desgraçada atirou no meu pneu dianteiro.

– Ela tem uma vivacidade, não é mesmo filho? – disse Nhara provocando o filho

– Mãe que merda você bebeu nessa casa pra ficar do lado daquela mulher?

– Você me respeite que eu mesmo te mato. – disse Nhara voltando ao tom de voz frio de sempre. – Charlotte Maensen é de um valor inestimável para nós ultimamente, portanto trate de acertar os ponteiros com ela. Use pelo menos esse seu rabo preguiçoso e esse charme barato para beneficiar os negócios. Vou mandar alguém te buscar.

Nhara desligou o telefone e Aleksander ficou olhando para o aparelho se perguntando que tipo de coisas a mãe desejava salvar com os Maensen.

– Quando eu digo que nunca vou entender as mulheres, é a única hora que sei que estou certo.

O celular de Aleksander voltou a tocar e ele estranhou o numero desconhecido no visor.

– Pronto, aqui é o Svalden.

– E aí Alek, quanto tempo hein, garoto?

– Leo…

– E aí o que você anda fazendo da sua vida? Sumiu de Atlanta, esqueceu os amigos…

– Você sabe que ainda me deve aquela grana não Leopold?

– Ah cara eu, sei que ainda estou te devendo, mas ainda estou com alguns problemas nos negócios.

– Rachas não são negócios Leo.

– Pode não ser pra você, mas a garotada aposta alto nisso Alek e eu ganho sempre minha porcentagem.

– E aí o que me conta de novo? Passeando por Boston?

– Sabe como é né, eu vou aonde o trabalho vai.

– Então você está fazendo “corridas” por aqui.

– A grana é um pouco mais alta e os clientes são de um grupo mais seleto, por as sim dizer.

– Tá lidando com a elite agora?

– Só os grandões. Stradivus, O’ Connor, Mac Dowell, Maensen, Thyrsus…

– Peraí, você disse Maensen?

– É.

– Qual dos dois Maensen?

Leopold dava gargalhadas ao telefone, enquanto Aleksander esperava a resposta. Talvez fazendo amizade com um dos irmãos de Charlotte as coisas ficassem melhores. Ele faria amizade com ela e ia dar um jeito de ferrar ela assim como ela havia feito, mas sua mãe lhe arrancaria o pescoço.

“Que droga de garota!” – pensou ele.

Aleksander só não entendia por que Leopold ria tanto. Quem sabe não era por que um deles era péssimo motorista. Ele sorriu para si mesmo.

– Não são os garotos que correm. Quem vem aqui é a garota. Aquele pedacinho de anjo misturado com o demônio.

– Charlotte?- perguntou ele incrédulo

– É esse o nome. A galera odeia quando ela aparece por aqui. Ela só corre pra ganhar, não leva desaforo pra casa e se é cantada e não gosta os cães de guarda dela dão um jeito, quando ela não quer sujar as luvas.

– Cães de Guarda?

– Pra chegar a Charlotte Maensen, ou você passa pela muralha que é o tal de Sorento, ou pelo bichinho de estimação dela. Benjamin Orachi.

– Você parece conhecê – lá muito bem. – disse Aleksander

– E você parece interessado demais na garota Maensen. Na boa Alek, ela não é do tipo que você leva pra cama. Quando chamo ela de pedacinho de anjo misturada a demônio é por que tenho um ótimo motivo. Alias que todos aqui têm um ótimo motivo.

Aleksander se calou enquanto Leopold conversava com algum concorrente que pagava a próxima corrida, quando a ajuda chegou. Mike, o mordomo trazia um Boxster preto e atrás dele o guincho.

– Senhor, seu carro. – e entregou a chave para Aleksander.

“- Falando no Diabo, segura aí na linha Alek. – disse Leopold. – Srta. Maensen que prazer, veio correr ou só admirar?

– Corta essa, Leo. Vou assistir um pouco e talvez eu corra mais tarde. Isso é claro seu achar alguém que ainda não correu de mim ou comigo.

Leopold riu do sarcasmo da garota e cumprimentou Benjamin, que apenas fez sinal com a cabeça.

– Vamos apostar? – perguntou Leopold sorrindo divertido

– Estamos aqui pra isso não é? Quero a Meleena e o Juan, 1000 em cada um.

– E você Orachi, vai apostar em quem?

– Eu…

– Ele não vai apostar vai correr no meu carro…

– Mas Charlie…

– Você vai e pronto. – disse ela determinada e encerrando a conversa – 1500 no Orachi, Leo.

– Ok, prontinho Charlotte, está feito. É sempre bom fazer negócios com você, mademoiselle.”

– Alek você ainda esta aí?

Aleksander que ouvia a tudo calado agradeceu a Mike por levar o carro e o mandou avisar Nhara que ele chegaria tarde.

– Leo, me passa o endereço de onde vocês vão correr hoje.

– Vai correr gatão? – disse Leopold rindo dele.

– Vou, avisa a Maensen que ela tem um concorrente, só me faz um favor, não  diga quem é…

Leopold passou o endereço e as coordenadas para se chegar ao lugar mais rápido, enquanto Aleksander sentia a adrenalina correr em suas veias, ele nunca desejara tanto vencer alguém quanto desejou derrotar Charlotte, mas por que ele pensava tanto na garota? Aleksander se pegou pensando em tudo que tinha passado em um só dia com ela em seu caminho e ainda sim uma parte sua não deixava de admira – lá, sua fibra e sua força emanavam um fascínio que o fazia não sentir o mínimo de ódio da garota.

Leopold aproximou – se de Charlotte que agora estava sentada sobre uma Ferrari verde, chupando pirulito e dando risada do que um cara extremamente bombado lhe dizia.

– Charlie.

– Diga Leo, o que tem de novo pra mim?

– Tenho um corredor, ele já deve estar chegando. Então depois do Orachi eu vou te pedir, por favor, pra assumir o volante. – disse ele coçando a cabeça e dando risada, Leo sabia que ela adorava ser desafiada. – Sabe como é né suas corridas são sempre as mais lucrativas. – e esfregou as mãos

Charlotte deu uma risada estridente.

– Leo, não se preocupe se querem correr comigo, eu corro. E aí é ele ou ela?

– Ele, mas pediu sigilo quanto a identidade.

– Huumm, temos um homem misterioso… – ela sorriu debochada. – Ok vamos esperar essa acabar e pode anunciar que eu vou correr, sei que você esta louco pra fazer isso, Leo.

Charlotte cruzou os braços e ficou entre pensar em seu adversário e á espera de Benjamin que estava agora no segundo lugar perdendo apenas para Meleena.

– Vamos Ben, ganha essa droga de corrida. – ela dizia.

Benjamin conseguiu ultrapassar Meleena quando um Boxster preto passou zunindo por ele, surgindo do nada vê deixando todos surpresos com a maestria com a qual o motorista dançava  na pista. Aquilo enfureceu Benjamin e este quis correr o mais depressa possível, mas ficou surpreso quando o carro reduziu a marcha e o deixou passar.

– E o vencedor é Orachi! – gritou Leopold, confuso com a aparição do carro.

– Mas que droga foi aquela e quem é o imbecil que está atrapalhando meus negócios? Motorista de bosta, querendo se mostrar no meu território, na minha corrida sem querer pagar? Ah não, isso não pode. Vou ensinar boas maneiras á este palerma.

Leopold caminhava em direção ao carro que agora estacionava próximo ao carro de Charlotte, que agora abraçava o amigo e lhe desejava os “Parabéns” por ter vencido, e xingava o motorista que agora terminava de estacionar  ao seu lado.

O homem desceu do carro e ajeitou o terno antes de se virar, Charlotte sentiu o frio subir sua espinha, ela reconhecia a roupa, mas não reconheceu o carro. Benjamin ainda segurava a moça pela cintura quando ela puxou a arma e mirou.

– Svalden!

Ele arrumou a rosa branca na lapela, para em seguida puxar sua arma também e sorrir na direção de Charlotte.

– Maensen.

– Hei, hei vamos abaixar essas coisas por aqui crianças.

– Manda esse cara sumir Leo. – disse Charlotte encarando Aleksander furiosa

– Acho bom você ouvir o Leo. Eu sou seu oponente esta noite, cara mía.

– Leo! Explique – se! – ela gritou fazendo com que todos parassem para olhar, a atmosfera que estava ao redor deles era palpável, Benjamin segurava Charlotte, para que ela não voasse em Aleksander, ele sabia que se ela tivesse a oportunidade o socaria.

– Eu não sabia que vocês tinham uma rixa, ele pediu pra correr com você e  eu nem sabia que você tinha trocado de carro Alek…

– Cortesia da donzela aí, ela atirou no meu carro e sumiu. Meio que me deixou impossibilitado de usar meu carro favorito.

– Então você quer correr? – perguntou Charlotte. –  Tudo bem, o que eu ganho se você perder?

– Você é alto confiante demais, mas eu sumo da sua frente e você não vai ter que me ver nunca mais. Mas se eu ganhar, nós vamos conversar e acertar os ponteiros. Ou eu viro seu amiguinho, ou minha mãe me mata. Entre morrer na sua mão e na mão dela, prefiro que seja a sua, pelo menos vai ser bem mais prazeroso.

– Você podem pelo menos abaixar as armas? – perguntou Leopold. – vocês estão assustando os outros.

– E aí Maensen, o que me diz?

– Negócio Fechado, Svalden?

– então façam suas apostas, por que a festa vai começar pessoal! – gritou Leopold com os olhos brilhando e batendo palmas á caminho da multidão.

– Ben, se alguma coisa sair errado ligue para o Sorento e diga onde estou ele vai saber o que fazer.

– Posso falar com a minha linda adversária? – disse Aleksander para Charlotte, enquanto Benjamin o fuzilava com os olhos.

– Tudo bem Ben, pode ir.

Benjamin saiu e foi falar com Meleena, mas sem desviar o olha de Aleksander, se ele tentasse qualquer coisa contra Charlie ele mesmo o mataria.

– Seja rápido.

– Você tem um ótimo guarda costas.

– Ben é um amigo, um irmão de longa data, mas suponho que não estamos aqui para falar do meu circulo de amizades.

– Não. Vamos começar de novo. Me chamo Aleksander Svalden, sinto muito por ter batido no seu carro, e pelo o que aquela garota que estava comigo disse. Minha mãe tem negócios com o seu pai e não quero estragar tudo, afinal família vem sempre em primeiro lugar. Peço desculpas por ter chegado aqui dessa forma, mas eu tentei falar com você e você atirou no meu carro.

– É enrolação demais pra um cara só.

– Olha só estou tentando concertar as coisas, e fazer isso pra mim é um sacrifício do cacete. Estou tentando te propor uma trégua.

– Uma trégua?

– Sim, mas se eu vencer conversamos os termos, fechado?

– E se eu ganhar?

– Ainda vou tentar te propor uma trégua, mesmo que eu leve um tiro de Taurus, acredito que minha mãe vá achar graça por que adorou você, mas você escolhe os termos. Então, temos um acordo?

–  Pode ser. – Charlotte guardou a arma e apertou a mão de Aleksander, encarando – o por alguns segundos.

Aleksander se perdeu dentro dos olhos dela e esqueceu o porquê de estar ali.

“ Mas que droga está acontecendo comigo?’’ ele tirou a rosa branca da lapela e sorriu entregando – a á Charlotte.

– Trégua?

– Te vejo no fim da pista Svalden, vamos ver se você sabe correr..

Charlotte pegou a rosa e prendeu – a no cabelo, entrando em seu carro e acelerando  o Lamborghini prata, acompanhado pelo Boxster preto…

CONTINUA…

Vendetta Pt.3 – Guerra e Paz

v3

Por Lillithy Orleander

VENDETTA PT. 3 – GUERRA E PAZ

Sorento dirigia o carro pelas alamedas apinhadas de gente, entrando e saindo de lojas suntuosas, feitas somente  para pessoa de poder aquisitivo superior, enquanto Olivier deixava o pensamento voar para longe. Em uma época em que as coisas eram diferentes, e sua Marie governava á seu lado o império dos Maensen com punhos de aço.

– Grunch! – gritou ela. – Me traga a porcaria do maçarico! Mas que droga tenho que fazer tudo sozinha nesse lugar?

Ela tamborilava os dedos manchados de carmim ao lado do alicate velho e enferrujado, sujo de sangue. Enquanto o scarpin vermelho de couro reluzia marcando o compasso do que parecia ser uma canção sombria. A melodia funesta da morte…

Olivier ainda podia ouvi – lá, como um eco triste do passado. Por que Marie havia partido tão cedo?

– Senhor? – chamou Sorento, tirando – o de seus devaneios.

– Sim, Sorento.

– O senhor permite – me fazer uma observação?

Olivier deu uma sonora gargalha, mostrando os dentes amarelados e puxando um charuto de dentro do paletó de linho preto.

– Ora Sorento, quebremos os protocolos. Há quantos anos está em minha casa, homem? 10, 20, 30… ? Diga – me o que te aflige? – respondeu Olivier, olhando – o com os grandes olhos acinzentados.

– Por que o senhor aceitou o acordo com Nhara Svalden?

Olivier olhou para frente, para o Lamborgini que levava um de seus bens mais preciosos e só então se deu conta de que Charlie era como a mãe, indomável e cheia de vida. Como será que Nhara iria dobrar a vontade de sua filha?

– Eu preciso desse acordo. – mentiu ele.

Olivier sabia que algo maior era necessário para aquela união, ele só não podia dizer naquele momento. Charlotte nascerá diferente e era para ela que o legado deveria ser entregue. Por que o destino escolherá um Svalden? Mas regras eram para ser seguidas e isso ele jamais quebraria, pelo menos não as de sua Ordem. Mesmo que Nhara não soubesse o real motivo dele ter aceitado tal trato.

Sorento olhou para seu patrão e ficou tentando decifrar o que o preocupava, mas optou por se calar e ver o que aconteceria dali em diante.

– Como você acha que é o filho de Nhara?

– Não sei ainda senhor, nunca ouvi falar nada do garoto Svalden, mas se o senhor quiser…

– Entendo. Sorento você pode…

– Considere feito, senhor.

O carro parou e Olivier desceu do carro em direção ao Lamborgini prata para abrir a porta do motorista.

– Papai, isso é tão medieval. – disse Charlotte sorrindo ao sair do carro. – então me diga o que devo vestir essa noite? Formal ou despojado?

– O que te faça se sentir bem, mas que te deixe elegante minha filha.

Charlotte sentiu o pesar nas palavras do pai, e de longe avistou Éolo parado á porta da Gucci.

– Parece então que teremos um dia cheio, está preparado Sr. Olivier Maensen?

Ele voltou a sorrir como se nada o chateasse e fez um beicinho de muxoxo para a filha.

– Isso é uma tortura mocinha.

– Oras você arranca unhas de mãos praticamente mutiladas, mas tem medo de fazer compras com sua filha? O que é isso Olivier? – perguntou ela séria

Ele espantou – se a principio e só então soltou a sonora gargalhada. Charlotte lembrava em tudo sua doce Marie.

A tarde passou preguiçosa enquanto Charlotte entrava e saia de diversos provadores e experimentava uma infinidade de sapatos. Ela ficaria bem pelo pai, pela família  era o que sempre dizia para si mesmo que por muitas vezes eles á afastassem daquela sujeira toda.

À volta para casa foi cheia de sacolas, uma ligação para Nefertithy ou Nefer como Charlie gostava de chama – lá, o som tocava alto Radioacitive¹ e aquilo fez com que Charlie pensasse realmente no por que da mudança do pai.

– Ele sempre me ignorou quando foi preciso e sempre que havia a oportunidade me deixava de lado. Eu tenho certeza que tem algo errado.

Como fumaça que entrava no carro, Éolo que havia ficado calado até o presente momento, durante todo o passeio, se manifestou.

– E tem. – disse ele sério.

– Droga. – disse Charlotte freando o carro bruscamente. – Já não te disse pra não fazer isso Éolo?

– Me desculpe não foi minha intenção. Mas está chegando a hora e você precisa saber de algumas coisas importantes.

Charlotte o olhou séria, girou a chave na ignição e voltou a dirigir, dessa vez mais lenta do que costumava dirigir, ligou o celular e encaixou o aparelho em seu ouvido, discando o número de Joseph.

– Charlie, o que foi? – perguntou o irmão já preocupado, ela sorriu, de todos naquela casa ele era o menos ausente de sua vidinha.

– Não aconteceu nada. Só preciso que você avise papai que vou me atrasar uns 15 minutos

– Papai vai te matar. – ele pareceu sorrir do outro lado.

– É mais fácil ele matar quem deu a noticia. – Charlotte gargalhou do outro lado da linha. – até mais tarde Joe.

– Cuidado Charlie.

Ele desligou o telefone se preparando para o que o pai diria. Joseph estava cansado de  tudo aquilo, e agora mais do que nunca ele queria sumir de casa, mudar de nome, ter uma família e trabalhar em algo que não fosse matar gente ou cobrar maus pagadores.

– Joseph?

– Sim Norah.

– O senhor anda muito triste, tem algo que esta pobre velha possa fazer para que meu menino volte a sorrir?

Joseph olhou para Norah e se lembrou quantas vezes ela levará biscoitos escondidos para ele quando seu pai o colocava de castigo pelas coisas que ele não aceitava fazer. Lembrou – se da mãe que tantas vezes o levará á igreja e no caminho de volta lhe pedia para fugir de tudo aquilo, Joseph só entendeu tudo depois que ela morrerá. A mãe poderia ser a melhor assassina que conhecerá, mas também era a mulher mais dócil que ele já havia conhecido.

– Joseph? – perguntou Norah preocupada.

– Na verdade não Norah, só estou um pouco cansado.

– O senhor vai ficar para o jantar esta noite?

– Se não estivermos todos nessa porcaria de jantar, papai manda nos matar. – ele sorriu sarcástico deixando a cozinha.

Joseph descobrirá os segredos da família a tempos e se permitirá estudar o que acontecia ali, escondido, sem ao menos contar a Andrew ou qualquer outra pessoa não entendia como a mãe compactuará com tudo em silencio e não entendia por que só agora aquilo começava a se levantar novamente e o pior era a escolha por Charlotte…

– Pode começar a falar, sou toda ouvidos.

– Quantas vezes você se perguntou por que me via?

– Várias e você me disse que eu era diferente, especial.

– Você nasceu assim por que existia um propósito maior, destinado á você Charlie. E agora se aproxima a hora de tudo se tornar real.

– Não entendi.

– Você lembra que tinha medo do escuro e ninguém nunca lhe disse para não temer a escuridão?

– Me lembro, mas o que isso tem a ver agora?

– Seu pai não te deixou só por mal, ele queria te proteger do você mesma. Eu estou aqui para isso para não deixa – lá cair em tentação e fazer coisas piores. Você é forte Charlie e vai sair dessa, no momento você só precisa saber que todos nós ao seu redor te ajudamos á lutar contra a escuridão, contra o medo, contra a solidão. Nos dias atuais pode chegar um momento em que você só poderá contar com uma pessoa, e ela está prestes a entrar na sua vida. No fim tudo vai dar certo.

– Que monte de baboseira é essa? Sem sentido nenhum. Você esta ficando louco? De onde você tirou tudo isso? Olha eu tenho o jantar do meu pai essa noite e eu amo ter você por perto, mas você precisa parar de falar essas coisas, por que elas me assustam severamente.

– Eu não estou brincando Charlie. Olhe para sua infância. Você se lembra quando contou á seus pais que me via o que eles disseram.

Charlie se permitiu lembrar e então começou a pensar. Seus pais nunca a repreenderam por que ela falava com Éolo e nem o chamavam de amigo imaginário. Charlie se lembrou de quando foi a igreja com sua mãe e que quando contou ao pastor que estava vendo alguém a seu lado, ele disse que ela precisava ser exorcizada, o pastor foi chamado a sua casa  para tomar chá com sua mãe e debaterem a idéia. Charlie ainda se lembrava da mãe soca – lo e mandar Sorento arrasta – lo para o porão. Nunca mais Charlie o viu, nem ela nem mais ninguém.

Olivier ficou chocado e a partir daquele dia não se aproximou mais dela, sempre que possível dizia que a amava, mas só a procurava quando precisava que a filha comparecesse a um evento informal da família. Quando ficou mais velha eles lhe pediram para não comentar o que via. E assim Charlie fez. Ela perguntava para mãe o porquê da distância do pai, e a mãe sempre arrumava uma desculpa. Com 14 anos Charlie decidiu que queria ser como os irmãos, mas Olivier surtará e a proibiu. Marie então pediu a Sorento que a ensinasse escondido. Matriculou a filha nas aulas de violino e esse foi o disfarce perfeito, ela fazia as aulas na Segunda e  o resto da semana, ela aprendia como montar e desmontar uma arma, como manusear facas, punhais, adagas e espadas e aprendia a lutar.

– É para o seu bem. – dizia a mãe quando a via chorar e dizer que não queria fazer mais aquilo. – Eu e Sorento, estamos aqui pra te ensinar agora. Desafiando seu pai. Não vou estar aqui para sempre Charlotte.

Passaram – se meses e Olivier descobriu, quase mandou matar Sorento, mas Marie o enfrentou.

– Ela também é minha filha! E com certeza não vou criar uma dondoca que precise de um batalhão para defende – lá. Não existe arma que uma Maensen não saiba manusear e não existe uma Maensen que não manche suas mãos de sangue um dia.

Olivier aceitou e nunca mais se mostrou contra.

Charlotte então pensou como em sua família conseguia se manter assim, tão distante de certas questões. E se Éolo estava certo, será que seu pai sabia de alguma coisa?

Éolo ficou calado e Charlie deixou que a pergunta ficasse no ar.

“Fantasma desgraçado, me deixou com a pulga atrás a orelha.”

– Precisamos voltar. Você ainda tem um compromisso…  – foi tudo o que rapaz disse antes de sumir novamente. Charlie acelerou o carro e aumentou o volume. Havia nuvens escuras no céu e aquilo representava somente uma coisa: Tempestade.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

– Aleksander Svalden! – gritou a Angeline.

– Mais que droga vó! Me arrumaram essa porcaria de alfaiate, sem ofensas camarada, que já me furou umas trezentas vezes por que você e a mamãe  estão com uma presa infernal por causa dessa droga de jantar e se comportam como se eu fosse o noivo atrasado.

Angeline chegou a sala o mais rápido que pode quando Aleksander terminou de falar e lhe deu um tapa.

– Garoto insolente! Respeite sua avó, quando eu falo você se cala. Menino petulante. – e puxou a orelha do neto.

O alfaiate olhava a tudo preso entre o medo de dar risada e o medo de levar um tiro. Ele conhecia a fama dos Svalden, avisou que já tinha terminado as marcações e levou as roupas para fazer os ajustes finais, deixando a sala e o embate de avó e neto.

– Angeline. Aleksander. Vocês não podem parar por cinco minutos com essa gritaria? Nhara     caminhava apressada com a bolsa nas mãos e uma pasta. – Vou para o escritório e acho desnecessário dizer que preciso de silencio, tenho coisas á a certar antes de sairmos.

– Não sou eu mãe. É a vovó que parece que amanheceu com o cão no corpo hoje. – disse Aleksander dando risada e fugindo da avó que já levantava a bengala para acerta – lo novamente.

– Aleksander, volte pro seu quarto e dê um jeito nesse rosto, não quero que você cause má impressão aos Maensen.

Nhara já ia saindo quando se virou para o filho novamente.

– Ia me esquecendo, compre rosas. Olivier tem uma filha e será de muito bom grado que você leve algo para a moça.

– Lá vem você tentar me fazer ter intimidade com essas filhinhas de papai, metidas a princesa ou feias feito ornitorrincos. Que droga mãe!

– Não perguntei se te agrada Aleksander. São negócios e envolve a família, portanto apenas faça o que lhe pedi.

Nhara foi para o escritório e trancou a porta, ligou o computador que estava sobre a escrivaninha de mogno e sentou na cadeira girando – a para a janela, olhando para o belo jardim que se estendia a sua frente.

– Boa Tarde Sr. Nhara? – foi a voz que saiu do computador

– Boa Tarde XP350.

– Acesso concedido. – respondeu a maquina que só começava suas funções pelo reconhecimento de voz

– O que você tem pra mim hoje?

–  A transferência do dinheiro para os bancos da Noruega em nome do senhor Aleksander, podemos iniciar o processo?

– Podemos sim. XP, me ligue com Saintè.

– Sim senhora.

Minutos depois a voz masculina invadia o escritório de Nhara.

– Sra. Svalden, em que posso lhe ser útil/

– Precisamos nos encontrar. Tenho que falar com você sobre o testamento e preciso que você use sua influencia para me dizer quem é Charlotte Maensen, o mais rápido possível.

– Mais alguma coisa?

– Não por enquanto é só. Vemo-nos amanhã as 14 h.

– Ok.

– Obrigado.

Nhara tamborilou os dedos no braço da poltrona que estava sentada e ficou ali olhando para o nada, pensando nas finanças, nos filhos. Como deveria estar Jasmine? A filha fugirá de casa, queria dançar balé, mas Nhara queria que ela assumisse os negócios da família ao lado de Aleksander, que por mais que ajudasse muitas vezes, ainda era imaturo e levava tudo na brincadeira. Quem sabe agora ele não tomasse jeito.

Olivier tem uma filha linda, cheia de vida e que conhecia a parte deles no mundo. Ela viu isso no enterro de Marie, dia cheio havia acabado de chegar de viagem do Cairo e foi direto para o cemitério. Quando chegou em casa e viu a nova orgia de seu filho, ela enlouqueceu. Pegou a doze do marido que ficava em cima da lareira, carregou e subiu as escadas atirando, expulsou todo mundo que estava enfiado em sua casa, nu e aos gritos, deu um ultimato ao garoto, ela ia casa – lo para dar jeito nele, ou pelo menos ela tentaria. Angeline, sua mãe não concordava com a idéia, mas também não diria nada ao neto.

– Nhara?

– Sim mamãe? – Nhara fechou todos os programas do computador, se levantou e foi abrir a porta para sua mãe.

– Está na hora de se arrumar.

– Sim mãe, já estou indo.

Nhara beijou o alto da cabeça da mãe e voltou para pegar em uma das gavetas da escrivaninha o revolver de calibre 38 e colocou – o na bolsa.

– Para que isso minha filha, você vai á um jantar á uma guerra?

– Quando se janta com pessoas de nosso meio mãe, prevenir nunca é demais.

Elas saíram de mãos dadas, trancando o escritório e conversando banalidades, quando a campinha tocou.

Mike um dos empregados ia atender quando Aleksander apareceu correndo na ponta da escada.

– Mike, é pra mim pode deixar que eu atendo.

Angeline subiu um dos degraus enquanto Nhara olhava para o filho surpresa.

A porta se abriu e a cor laranja invadiu a sala como se fosse um pedaço do próprio sol ao amanhecer. Aleksander pagou o florista e pegou o buquê de Gérberas  para coloca – lo na mesa próxima a escada.

– Eu disse rosas Aleksander, rosas. – disse Nhara olhando as flores.

– Prefiro Gérberas mãe, não implica em romantismo nenhum, me livra de uma baranga e é casual. Vi na internet. – Aleksander sorriu e voltou a subir as escadas.

– Esse garoto é tão genioso e calculista quanto você, Nhara. Isso você não pode negar.

Nhara deu o braço para Angeline e subiu as escadas, à hora estava se aproximando e ao longe ouviu – se Mike ir atender a porta novamente, o alfaiate voltava com a roupa de Aleksander.

A hora não demorou a chegar. Nhara chamou o filho para que todos saíssem junto, mas Aleksander se recusou á ir com elas e o motorista.

– Se você não aparecer no jantar eu mesmo lhe mato, entendeu. – disse Nhara arrumando o nó da gravata prata.

– Não se preocupe, vou pegar as flores e encontro vocês lá.

Aleksander voltou para a casa, subiu a escadas pulando degraus, e pegou sua Magnum embaixo do travesseiro, colocou – a nas  costas e desceu para a entrada da casa onde Mike o esperava com o paletó cinza e as Gérberas na mão,pegou tudo e correu até o jardim que ficava próximo do escritório de sua mãe, colheu uma rosa branca e colocou na lapela do mesmo. Foi para a garagem e escolheu o Porsche vermelho que reluzia convidativo, colocou a chave na ignição e ronronar do carro o fez sorrir. Saiu logo atrás.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Charlotte afinava o violino que á tanto tempo não tocava e se lembrou da mãe com um sorriso divertido se lembrando quando Joseph o dera á ela.

“Quero ver se você fez mesmo as aulas, ou só enganou o papai.” – disse ele piscando e saindo ao deixar o quarto dela antes de viajar á uma viagem de negócios com o pai em Moçambique.

– Srta. Charlie? – Nefer bateu a porta.

– Entre. – respondeu Charlie esboçando um largo sorriso.

A moça de pele morena e longos cachos castanhos entrou apressada.

– Garota pensei que não fosse mais te ver. – disse Nefer abraçando – a

– Me desculpa amiga, as coisas ficaram meio difíceis depois que minha mãe faleceu, mas estou me restabelecendo aos poucos. E desde quando temos essas formalidades? – disse Charlotte com as mãos na cintura.

– Entendi, eu sinto muito. Fiquei muito triste, mas você não atendeu á um telefonema meu, garota burra. – Nefer balançava o dedo indicador na cara da outra, como se lhe dê – se uma bronca, fazendo cara de zangada. Enquanto Charlotte se divertia dando altas risadas.

– Também senti sua falta, Nefer.

A outra então respirou fundo e jogou alguns cachos para trás.

– Ainda estou muita brava com você e você ainda me deve muitas badalações por aí, certo? Mas me diz aí qual é a comemoração de hoje?

– Uma droga de jantar que meu pai inventou de última hora, depois de um dia super cheio, de baterem no meu carro, brigar com a Mon’t Blanc na volta às aulas…

– Peraí. Você brigou com a Mon’t Blanc? Diz pra mim que esse arranhão na boca e as escoriações não foi ela.

– É ela também não saiu muito bem dessa e nem o babaca que estava com ela, saiu com um nariz quebrado.

Nefer dava risada e rolava na cama da amiga como se fosse criança.

– E ninguém me avisou que um babado desses tinha acontecido?

– Você não existe Nefer. Senti muito a sua falta, garota.

– Espero que esse sumiço seu não ocorra outra vez.

– Você podia ficar e me acompanhar nessa bomba relógio, pelo menos pra garantir que ninguém se exalte.

– Sei bem o tango que deu da ultima vez. Hahahahaha.

Olivier ouviu as duas conversando e olhando no relógio decidiu ver se a filha já estava pronta.

– Charlotte?

– Sim papai.

– Você está pronta minha filha.

Nefer olhou para ela ainda vestida no hobby roxo de seda e deu risada.

– Está quase tio Olivier. – Ela sabia que ele detestava, mas adorava provocar o pai da amiga

Olivier deu risada da petulância da garota, mas no fundo sabia que a garota era uma ótima amiga para sua filha.

Nefertithy ajeitava os cachos compridos feito molas e colocou a pedido de Charlotte,um laço azul de cetim simples para combinar com seu vestido. Escolheram então a maquiagem suave, em tons pastel para que Charlotte parecesse mais delicada e escondesse  os arranhões que estavam em seu rosto.

– Então o que você vai vestir essa noite?

Charlotte fez cara de assustada e se dirigiu ao closet voltando de lá com duas capas de plástico.

– Correção. O que nós vamos vestir?

Charlotte abriu a primeira capa e dela tirou um vestido curto, na altura do joelho, de organza azul turquesa, que deixava os ombros á mostra, com desenhos florais cravejados de cristal na bainha.

– Ele é lindo! É perfeito.

– Meu pai gosta de passar a imagem de garotinha do papai, frágil e totalmente açucarada. Do tipo boneca de porcelana.

– Sei. E a porcelana você deixou onde mesmo. Embaixo da escada ou enterrada no porão?

Charlotte sorriu para amiga e abriu a segunda capa, e dela deslizou um vestido verde esmeralda, com finas alças, de seda. Marcado por detalhes dourados no busto e na cintura.

– Esse é seu. – disse Charlotte sorrindo.

– Você só pode estar brincando. Eu não posso aceitar. Aliás, quem disse que eu vou ficar?

– Pode sim, eu estou te dando é um presente, portanto nem pense em dizer NÃO! E eu disse que você ia ficar lembra?

As duas deram risada e continuaram a se arrumar. Charlotte escolheu uma sandália de salto agulha na cor creme e pediu para que Nefertithy escolhesse um para si.

Dirigiu – se até a penteadeira, onde havia uma gaveta menor do que as outras, trancada de chave. Abriu-a e dela tirou a Taurus 938 cromada, olhou se estava carregada, para em seguida tira um coldre mais fino e prendê-lo a coxa. Encaixando a arma com destreza.

– Aonde você pensa que vai com essa coisa, garota?

– É só precaução. Sabe caso os ânimos se alterem.

Nefertithy balançou a cabeça e saiu ao lado da amiga dando risada, quando elas escutaram a campainha tocar.

Charlotte chegava á escada para descer quando viu seu pai, Joseph, Andrew e Sorento recebendo duas senhoras.

Elas desceram as escadas de braços dados, e Nhara a olhou sorrindo, parecia satisfeita com o que via.

–  Acho que você não vai poder usar seu “brinquedinho”. – sussurrou Nefertithy se divertindo com a cara da amiga, que fazia um beicinho de muxoxo e desaprovação.

– Menos mal, suponho.

– Boa Noite. – Nhara foi a primeira a dizer

– Boa noite senhoras, sejam bem vindas á mansão Maensen. É um prazer conhecê-las.

– Seu pai bem me disse que você era linda, só não imaginei que fosse tanto. Olivier ela é perfeita! – disse Nhara batendo palminhas de satisfação.

– Muito Obrigado, senhora…

– Svalden, querida. Nhara Svalden, mas me chame de Nhara. Está é minha mãe, Angeline.

– Essa é Nefertithy, minha melhor amiga, espero que vocês não se importem com a presença dela está noite.

– Oh não, eu acho perfeito. Meu filho logo chegará e será muito bom para ele ter companhia enquanto eu e seu pai tratamos os de negócios. Agora me diga seu pai, nos disse que você toca violino…

Nhara deu o braço para Charlotte e as duas, embaladas em uma conversa animada sobre musica clássica, foram em direção a sala de estar para esperar o filho de Nhara e assim começar o jantar. Angeline vinha logo atrás com Joseph de um lado e Nefertithy do outro. Enquanto Olivier era acompanhado por Andrew, deixando Sorento esperando o rapaz que logo chegaria o que não demorou muito.

Charlotte estava sentada de costas para a porta quando ele adentrou a sala, conversava alegre com Nhara, Angeline e Nefertithy marcando um dia tomar um chá ou dar uma volta no shopping.

– Boa noite. Senhores e senhoras me perdoem o atraso.

– Meu filho. – Nhara se levantou e foi de encontro ao rapaz para abraçá-lo. Charlotte levantou – se para receber o convidado, mas devido ao aglomerado que se formou a sua volta para os devidos comprimentos, ela só enxergou as flores.

– Hum alguém trouxe suas favoritas, Charlie. – brincou Nefertithy

– Fica quieta Nefer, é só por educação que ele trouxe as flores, ainda bem que não são rosas.

As duas amigas deram risadas o mais baixo que podiam, disfarçando para não chamarem a atenção para si.

– É um prazer conhecê-lo… – disse Olivier

– Aleksander.

– Aleksander, vejo que trouxe as flores preferidas de minha irmã, suponho que deve tê-lá investigado antes de vir para cá. – disse Joseph analisando a reação do rapaz.

Todos riram, tirando Charlotte e sua amiga dos devaneios e fazendo – as prestar atenção.

– Na realidade não. Apenas dizem que a Gérbera representa amizade.

Nhara abriu caminho para o filho, para que entregasse a flores, mas o choque se instaurou na face dos dois.

– Mas que droga! – disse Aleksander já puxando a Magnum das costas.

Charlotte levantou a barra do vestido com rapidez e engatilhou a arma apontando para o meio da testa de Aleksander.

– Eu te disse que na próxima vez…

– Charlotte Maensen! Abaixe essa porcaria de arma. – gritou Olivier

– Não.

– Mas o que está acontecendo aqui? – perguntou Angeline sem entender.

– Ele bateu no meu carro.

– Ela quebrou meu nariz.

– Aleksander você disse que…

– Briga de trânsito mãe, só que o motorista era ela.

– Abaixa a arma Charlie. – pediu Joseph.

Mas Aleksander sorriu em desafio o que gerou em Charlotte fúria, ela desviou a arma alguns centímetros de Aleksander e atirou. Estourando em milhões de pedaços o vaso de flores que ficava próximo a porta.

– Senhora Svalden? Nhara. Perdoe-me, mas vamos ter que marcar outro dia mesmo, vai ser impossível ficar nesta casa hoje. Me dêem licença e ótimo jantar á todos.

Charlotte deixou a sala gritando por Norah e subindo as escadas.

– Charlie… Me desculpe, srta. Charlotte. O que posso fazer por você?

– Manda tirar meu carro estou de saída.

Charlotte entrou no quarto pegou um casaco longo de veludo negro e o celular.

– Você vai aonde?

– Me desculpa Nef, mas não dá pra ficar aqui. Olha aproveita o jantar, fica com o Joe. Vou sair pra esfriar a cabeça. Esse cara me lembra a Mon’t Blanc e não to a fim de estragar os negócios do meu pai.

– Mas e a Nhara?

– Eu falo com ela depois.

Olivier pedia desculpas, enquanto a risada de Nhara se ouvia ao longe. Charlotte passou feito um raio pela porta e entrou no Lamborgini.

– Eu sinto muito pelo ocorrido e se o senhor me permitir eu posso tentar falar com sua filha e lhe pedir desculpas.

– Vá sim meu filho, converse com Charlotte. – Nhara respondeu antes de Olivier.

Aleksander saiu correndo a tempo de ver o Lamborgini cruzar os portões da mansão, correu em direção ao Porsche e arrancou cantando pneu.

“Mas que droga, minha mãe fala pra eu não ferrar tudo e olha só o que eu faço. Arrumo encrenca logo com quem. Que ironia, não corro nunca atrás de mulher e olha o que estou fazendo hoje. Mas devo admitir, ela tem seu charme. Sabe ser linda, sabe ser forte, vamos ver agora se ela é rápida.”

Aleksander acelerou e sorriu ao ver que o ponteiro do carro já batia os 220km/h e já era possível avistar a traseira   do Lambrogini prata que parecia costurar a avenida entre outros carros com bastante desenvoltura.

– Te achei Maensen. – ele então pisou mais fundo.

A corrida continuava e Charlotte percebeu que o Porsche vermelho a seguia sem lhe dar trégua.

“Cara cretino, se não me deixar em paz atiro nele e com certeza vai ser pra matar.”

O sinal fechou e eles emparelharam os carros, roncando os motores. Aleksander foi o primeiro a abaixar o vidro, acompanhado por Charlotte que já apontava a arma novamente.

– Olha eu preciso falar com você. Pensa nos nossos pais pelo menos e para essa porra desse carro pra gente conversar.

Charlotte olhou para o farol e sorriu.

– Sinto muito, não vai dar otário.

Ela arrancou com o carro e o virou de frente para Aleksander, mirando no pneu dianteiro e atirando.

– Boa noite Svalden.

O som do pneu estourando assustou Aleksander e o fez desejar atirar também, mas ela já estava longe.

Charlotte diminuiu a velocidade e conectou o celular ao carro, discando um número em especial. Precisava fugir daquilo tudo pelo menos aquela noite.

– Alô?

– Preciso sumir.

– Te encontro onde?

– No lugar de sempre.

– Ok.

Ben acabará de sair do banho, o treino tinha sido cansativo, mas o que ele não faria por Charlotte. O que ela não pedia chorando que ele não fazia sorrindo. Se ela precisava dele, ele iria.

“Um dia, Charlie. Um Dia…” pensou Ben.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

MANSÃO MAENSEN

– Sua filha é um encanto, além de linda tem fibra. Charlie tem um futuro promissor. Que garra, que determinação.

Olivier olhava para Nhara entre surpreso e abobado.

– Só fico me perguntando uma coisa, senhora Svalden.

– Nhara, por favor, jovem Andrew. Nhara. E qual seria está duvida?

– Quem será que sobrevive? –perguntou ele se divertindo.

– Acredito que será uma boa briga Andrew, mas acho que os dois saem ilesos, afinal de contas se tivessem que se matar, teria feito isso aqui. Você não acha?

Nhara tinha razão, Charlotte lhe daria uma nora perfeita, era só uma questão de tempo. Enquanto Olivier pensava, sentado do outro lado da mesa.

“Ela de fato está destinada á ele, não importa o que o destino apronte. Eu senti como nunca senti antes…”

Éolo estava encostado na soleira da porta apoiando um pé no batente e sorrindo. Logo tudo ia mudar. Fosse para bem ou para o mal, mas ia.  Agora era só uma questão de escolhas…

                                                  CONTINUA…

PoPor Lillithy Orleander