A Lua do Caçador { parte I }

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        O suor cobria suas peles como uma membrana cintilante sob a meia-luz. Os homens gritavam xingamentos e palavras obscenas para as duas mulheres dentro do cercado de madeira, quase invadindo a área em um frenesi animalesco. Não havia como esperar menos do público cativo das lutas clandestinas. Nobres e pés-rapados não se preocupavam com as diferenças entre si, espalhados pelo porão abafado. O odor rançoso de urina e sangue não lhes causava asco. O perigo de contrair a gripe não os assustava. Apostavam quantias gordas ou as moedas para o almoço do dia seguinte, reunidos ali para se deleitar com a humilhação da raça considerada inferior à sua. Continuar lendo “A Lua do Caçador { parte I }”

A Queda Do Imperador Zufu (Pt.2)

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Escrito Por: Alfredo Dobia & Zelia Merciano

Capítulo 2 – Séculos Atrás: O Pricípio do fim

Na Cidade das Montanhas a noite se fazia presente com o céu escuro, e com ela um leve nevoeiro que cobria até os picos das pequenas e imponentes montanhas. Na casa do Imperador havia um banquete, onde somente as pessoas importantes estavam presentes e só falavam sobre um assunto: O futuro da Cidade das Montanhas agora que dois homens se tornaram imperadores. Na grande mesa estavam sentadas vinte pessoas. Ambos imperadores sentados nas pontas.
– E como vocês tomarão as decisões para o bem do povo caso haja uma divergência de opiniões? – perguntou um ancião chamado Obius, bebendo lentamente o seu cálice de vinho. Os outros o olharam interessados. Os dois irmãos gémeos sorriram ao mesmo tempo. Continuar lendo “A Queda Do Imperador Zufu (Pt.2)”

A Maldição da Cherokee

Por: Natasha Morgan

As vozes estavam sempre sussurrando, roçando seus ouvidos com acidez.

Murmúrios bruscos que lhe arrepiavam a espinha.

Incitavam a sua ira. Fria, cruel, miserável.

Aquelas vozes perturbavam seu sono, tumultuavam sua paz.

Se é que, algum dia, aquela alma conheceu alguma paz.

Dia e noite, aquele zumbido perturbador roçando seus ouvidos, provocando-o.

Aquele murmúrio infernal o fazia bater nela.

Sarah.

A mulher mais bonita que já tinha visto. Mas de pele escura.

Ele não sabia dizer onde seu racismo se formou. Talvez na família em que foi educado, sem nenhuma referencia negra e recheada de comentários maldosos. Talvez em sua própria formação de caráter que não dera muito certo. Sua adolescência fora conturbada, cheia de drogas e com uma boa dose de violência e raiva.

E era assim que ele justificava suas atitudes cruéis. Minguava a expressão, tempesteava os olhos escuros e dizia que era fruto de sequelas de seu tempo nas drogas. Eximia-se de qualquer culpa por seu comportamento. Continuar lendo “A Maldição da Cherokee”

Rouxinol – O Pássaro da Gaiola de Ouro

Rouxinou e a Rosa

Conta uma antiga lenda chinesa que certo dia o Imperador, passeando pelos jardins do palácio, ouviu cantar um rouxinol. E era tão lindo o seu canto, que as cores pareciam tornar-se mais vivas e o mundo mais belo.

Encantado, determinou que o pássaro fosse capturado e levado ao palácio, para que pudesse ouvi-lo cantar em todas as horas do dia; e que os mais hábeis artesãos recebessem os metais mais preciosos e as gemas mais raras, para que pudessem construir a mais rica gaiola que já se viu neste mundo.

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Iara – A Desafortunada

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Segundo a lenda, Iara era uma índia guerreira, a melhor da tribo, e recebia muitos elogios do seu pai que era pajé.
Os irmãos de Iara tinham muita inveja e resolveram matá-la à noite, enquanto dormia. Iara, que possuía um ouvido bastante aguçado, os escutou e os matou.
Com medo da reação de seu pai, Iara fugiu. Continuar lendo “Iara – A Desafortunada”