Galamadriel Pt. 19(Final) – Um novo despertar

 

Por Lillithy Orleander

g19

Caronte passeou pelo campo de batalha, agora sozinho olhando cada rosto que conhecia e que viveu ao seu lado na eternidade até ali.

Valeria a pena deixar tudo como estava e tentar reconstruir a partir do nada? De fato aquilo lhe  parecia ser uma ótima idéia.

Fosse anjo, demônio ou seres humanos…

Não havia a exceção que não almejasse a destruição. Se ele permitisse que tudo voltasse ao normal, destruiria Hiavenithy e faria com que tudo o que viveram até ali á sombra do Grande Livro fosse apenas um conto de fadas na memória de todos que viriam a conhecer o fato no futuro.

Caronte pensou, olhou de Gabriel, o irmão amado, e olhou Lúcifer que já o havia humilhado e então viu o futuro como nunca havia visto antes.

Nítido e límpido. Doloroso porém necessário. Ele caminhou até Gabriel e tomou as cinzas de Lilith de suas mãos. Ele sabia o que deveria ser feito…

O chão tremeu e este tremor forá feito exclusivamente para Caronte, que agora tinha os olhos fechados em concentração.

O vento cantava ao redor de Caronte, enquanto a foice se balançava como um pêndulo, a terra se revolvia e as nuvens regrediam no céu.

A  foice parou e Caronte abriu os olhos, mirando fixamente o horizonte.

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Galamadriel Pt.18 – Vingança

Por Lillithy Orleander

 

Miguel

Lúcifer enfiou a mão cheia de garras, onde havia ficado o buraco da bala de calibre 12 que desfigurará seu rosto demoníaco. Ele olhou para Paul de soslaio, de modo vago, enquanto lançava – lhe um sorriso sarcástico.

-Humano, Paul? – perguntou ele com esgar na voz. – Para um dos demônios mais arrogantes do Inferno, você não terminou exatamente como queria, não é mesmo?

Ele passou a mão na face novamente e a pele se transmutava, ganhando as feições suaves e angelicais, a qual ele ainda mantinha na maior parte do tempo para agradar e não assustar aqueles que queria enganar ou manter ao seu lado. Enquanto ele olhava as mão sujas com seu sangue.

O zunido da arma feria o vento, feito um flash prateado cortando o céu, por fim silenciando de imediato, o tridente de Lúcifer que finalmente encontrava seu alvo.

Gabriel então gritou e sua dor parecia a dor de milhões de criaturas que sofriam ao mesmo tempo em uníssono. Uma poeira nefasta se ergueu fantasmagórica do chão, expandindo – se, derrubando paredes, estourando janelas de vidro e matando cada ser vivente que aparecesse em seu caminho independente da forma que possuía.

Miguel e Lúcifer se entreolharam abismados, enquanto um deles caia imediatamente ao solo, com as mãos arranhando a face como se tentasse arrancar a própria pele, experimentando do mesmo desespero e da mesma agonia.

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Galamadriel (Pt.17): As Armas

Por Lillithy Orleander

Paul

Lúcifer subia do Inferno com Claire e  Megara ao lado como se já houvesse ganhado a batalha e tudo já fizesse parte de seu domínio.

O cheiro de enxofre cobria cada parte do ar, enquanto do chão a névoa subia densa, com exceção dos demônios menores que agora não escolhiam mais em que corpo entrar, mostrando – se como eram e sabendo que nada nem ninguém poderia impedir sua natureza agora.os que havia tomado corpos agora chegavam de vários lugares unindo – se á comitiva e aumentando os urros e gritos.

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Galamadriel Pt.16 – Olho por Olho… Dente por Dente…

anônimo

Por Lillithy Orleander

“Fiquei me perguntando por horas como eu havia vindo parar nessa bagunça, pra ganhar um fim desses.

Humano.

Eu, agora seria somente alguém que demoraria á envelhecer, ficaria doente algumas vezes, ainda seria forte, mas só posso optar por uma vida comum.

Deixando as ironias a parte, está tudo parado aqui, a chuva que cai, parece anunciar o fim de muitas coisas. Demônios, anjos, humanos, a Terra… E isso de uma hora pra outra me trás um sentimento estranho “.

Paul caminhava com uma arma engatilhada com passos firmes para o último lugar onde  havia visto Tyrone.

O bar parecia vazio é tudo estava calmo, como se estivesse vazio á muitos dias, tudo silencioso demais.

–  Hey ? Tem alguém aqui? – Perguntou Paul, sentindo pela primeira vez seu corpo humano entrar em estado de alerta quando á uma situação de perigo.

– Pauline.

Era Tyrone que saia de um canto escuro, com um copo nas mãos, sujo de sangue e transmutado em Demônio.

– Tyrone.

– Vejo quão rápido você resolveu abandonar sua família. Humano? Foi isso que você escolheu pra ser?

– Pelo menos não vou morrer como traidor. Por que tenho certeza, que com a velocidade que as noticias correm, todos já sabem que você você ajudava Dyell, uma filha de Miguel, que estava jogando dos dois lados  e não esta nem um pouco afim de ajudar o titio infernal, Sabe por que? Por que Miguel a treinou pra isso, o papaizinho do ano á treinou desde cedo para ser um “duplo agente”.

Tyrone olhou assustado para Paul e ficou sem entender o que estava acontecendo.

– Você disse que ela é o que?

– Isso mesmo que  você ouviu, e depois de ser arrastado de um quarto, por um ceifeiro até a casa de Gabriel e de ouvir muitas historinhas interessantes, eu comecei a juntar os pedaços soltos, e ainda tive que escolher entre morrer como dessertor ou tentar sobreviver nessa carne pobre de ser humano. E sabe quem eu decidi culpar, Ty? – Tyrone sorriu ao olhar para Paul. – Exatamente, você. O único idiota capaz de me colocar nessa roubada.

Tyrone deu uma gargalhada e puxou uma cadeira que estava próxima e se sentou.

– Entõ não te contaram toda a história e o que tudo isso acarretaria? – perguntou ele parecendo se divertir.

– Que história? Você só pode estar louco.- respondeu Paul que ainda mantinha a arma apontada para seu antigo companheiro e atual rival

– Oras, você realmente acha que te contaram tudo? Era pra você fazer uma coisinha muito simples. Sabe por que? Por que você é especial… Diferente, na atual ordem e muitos lá embaixo queriam ser você.

– Diferente? Eu era um Demônio como você, seu desgraçado. – gritou Paul enfurecido

.

– Diferente sim, você criado com um defeitinho raro e valioso. Você não percebeu que é mais forte do que muitos de sua mesma orda, se comparando á força de nossos generais muitas vezes? De todos que chegamos aqui, você foi aquele que se “vestiu” mais rápido no disfarce de humano, foi possível pra você se passar por um deles no dia seguinte. Você nunca percebeu que anjo nenhum te acha, e que sus aura não fica visível tanto á nós quanto á eles?

Paul arregalou os olhos e ficou sem entender ao certo ao que Tyrone dizia, nunca havia chamado sua atenção para isso, ele apenas era quem era e achava que tudo aquilo era resultado de seu esforço.

– É parece que não te contaram tudo, não é mesmo? O Demônio encarregado de trazer o Armagedom era Belial, mas então surgiu você e a coisa mudou toda de papel, Belial o chamava de “Aquele criado para o Armagedom”, quando Lúcifer, finalmente colocou os olhos em você. A cria perfeita para consumar a profecia de Hiavennithy, tudo o que Lúcifer precisava era que o outro lado também possuísse o mesmo agente nas linhas inimigas, que fosse semelhante á você. Á  principio, quando Megara e Miguel vieram com a noticia, achamos que fosse Dyell, mas assim que Rafael cometeu aquela burrada e Gabriel concertou ficamos perdidos de novo, Dyell não era o que queríamos, filha da súcubo com o arcanjo.

Então veio aquele maldito acordo de Galamadriel, Lúcifer arquitetou durantes séculos, uma forma de achar aquilo que precisávamos, para então voltarmos pra casa, mas Rafael decidiu desistir de tudo, e depois de analisarmos todos os lados, percebemos que poderiamos ficar com tudo, que você só teria que fazer uma coisinha bem pequena.

– Matar um anjo.

– Bingo! – disse Tyrone aplaudindo. – Ele por justiça e você, por ódio. Um tanto teatral, eu achei, mas não fomos nós quen escrevemos aquela porcaria de livro. O Céu cairia e o Inferno subiria, expurgaríamos os humanos dessa terra e depois de matar cada anjo nos seria dado tudo isso pra habitar. Só não imaginávamos que seu semelhante, fosse um rabo de saia de cabelos azuis, e quando viemos a descobrir, vocês estavam brincando de ser amiguinhos. Ironias do destino, vocês se atraíram, mas não criaram a animosidade de que nós precisávamos do outro lado.

– Qüerinemer… – Paul comecará a ligar os pontos que faltavam e entendeu que ele era o único que não sabia de nada.

– Sim, mas ela também não sabia e como se fosse magica, vocês se afastaram novamente, e isso até nós desconhecemos o motivo, mas sabemos que alguém anda mexendo os pauzinhos nos bastidores em busca dos próprios interesses.

– Vocês me vigiavam…

– Rafael achou que a profecia lhe daria o poder para trazer uma reles mortal da morte, não sei se por egoísmo ou inveja e nem me importo. Tudo o que sei é que sei é que daqui pra frente, nós sairemos vencedores, enquanto insetos como você, serão esmagados no caminho.  ele gargalhou como se desafiasse Paul a ataca – lo.

Paul então abaixou a arma por um instante e respirou fundo, caindo ele mesmo na gargalhada.

– Quem é o tolo aqui Tyrone? A profecia fala em “zerar” toda a criação, todos nós morreremos. Todos. Anjo, Demonios e Humanos. Lúcifer programou e planejou tudo para que houvesse o caos e a Terra entrasse em colapso, com isso somente ele sobraria e sua nova prole. Você acha que o arcanjo conhecido por ser o mais belo e sagaz iria querer manter monstruosidades deformadas, pútridas e horrendas ao seu lado? Eu acredito que não.

Tyrone olhou para Paul furioso e ofendido, arremessando o copo que estava em sua mão, ao que Paul desviou e o viu estilhaçar em mil pedaços na parede atrás de si.

– Agora você cospe no prato comeu? Demoniozinho imundo.

Os chifres pareciam rasgar a pele humana que ainda lhe cobria parte da cabeça, enquanto ele arreganhava a mandibula e sua pele se transmutava para um tom mais escuro, dando lugar á uma pele morta e fétida, manchada de sangue, tão negro quanto o piche.

Os pés estouravam a frente do sapato, dando lugar á um casco semelhante á um de cavalo, mas forjado em metais enegrecidos, a pele dava lugar de uma vez por todas ao Demônio que estava sob o disfarce. Tyrone aumentava drasticamente de tamanho enquanto de sua boca exalava uma névoa esverdeada, respirando desesperado, enquanto os olhos se tornavam órbitas leitosas. A cauda tentava se libertar a todo custo, e assim que conseguiu, uma serpente negra balançava – se atrás de Tyrone, sibilando no sr procurando no ar a qual presa atacar . O peitoral negro estava cheio de argolas cintilantes que pareciam estar incrustadas na carne daquele corpo.

– Paul havia esquecido como era o verdadeiro Tyrone depois de tantos séculos preso na carcaça humana e por um segundo o instinto do medo gritou dentro de si.

“Porcaria de corpo estranho.” – pensou Paul amaldiçoando a si mesmo.

– Vê Paul, agora sou mais forte que você, mais glorioso, inveje – me. – a voz gutural invadia o recinto desdenhando o rival.

– E você pensa que gosto de estar nessa situação, seu imbecil? Vocês fizeram as besteiras, mas quem esta pagando sou eu. fazendo acordo com Caronte pra não morrer nas mãos de uma droga de anjo e não ser estripado por demônios como dessertor. O que me restou? Ser humano. Fui enganado, fui arrastado de um quarto só de toalha por um ceifeiro Dyell e como se não bastasse fui jogado na casa de Gabriel, cercado de gente que só queria me ver morto.

–  Você mente, Lúcifer jamais nos abandonaria.

– Ah não? Então me diga, qual a necessidade de fazer Rafael seu cachorrinho na minha ausência de estimação e de Lilith seu trunfo mais precioso?

Tyrone puxou uma mesa que estava próxima e arremessou em Paul que foi prensado na parede, deixando cair a arma. Paul sentiu uma dor de ser esmagado pela mesa e tentou se desvencilhar, mas Tyrone  foi mais rápido e apertou ainda mais a mesa cintura em sua. O gosto do sangue invadia sua garganta.

– Seu traidor.

– Idiota.

Tyrone afastou – se da mesa e se deliciava com o desespero que via estampado no rosto de Paul.

– Há quanto tempo não uso essas belezinhas e não sinto o gosto da carne dilacerada? – perguntava Tyrone á si mesmo, alisando os chifres.

Investiu contra novamente Paul desviou do primeiro ataque, mas foi atingido em seguida sendo perfurado pelo chifre de Tyrone, que agora o levantava sem esforço nenhum por sobre sua cabeça.

– Quantas vezes tive inveja de você Paul?Quantas vezes tive vontade de matar aquele anjo e levar todas as glórias e me tornar general, me sentir como Belial, poderoso, respeitado…Mas você, tinha que ser diferente dos demais. Mas não se preocupe, não é nada pessoal. – disse ele irônico. – Mas antes que alguém te torture e te faça sofrer para morrer, então que seja eu seu velho amigo, que o mande pra onde quer que seja o lugar ao qual você pertence.

Paul urrava de dor enquanto seu corpo parecia um boneco preso ´a um espeto. Seu sangue vertia em abundância e a dor parecia dez vezes pior, fazendo com que ele estivesse á beira de perder os sentidos.

Tyrone jogou – o por cima do balcão,Quebrando algumas garrafas de Bebida que ainda estava por ali, o álcool queimou sua carne enquanto os cacos de vidro quebrado aderiam a sua pele ferida, fazendo a dor aumentar ainda mais, ele rolou sobre o balcão e ficou sentado no chão segurando a ferida que agora começava a repuxar, causando uma nova dor, o cheiro do sangue agora o enjoava.

– Ora Paul acabemos com isso de uma vez por todas.

– Nem pensar. – disse ele arfando. – Não estou pronto pra morrer ainda, tem muita gente aí fora pra ferrar e você vai ser o primeiro.

Tyrone vinha louco na direção do balcão, destruindo o que havia em seu caminho para terminar o que começara. Paul se arrastou até uma garrafa de vodka que ainda estava inteira e bebeu um gole, o ferimento ainda estava aberto, mas diminuirá o fluxo de sangue que expelia. Avistou a arma que havia deixado cair e se arrastou em sua direção, mal pegou e foi puxado pelo pé, sendo deixado de ponta cabeça como um trapo velho.

– Você está aí… – disse Tyrone rindo.

– É. estou bem aqui…

Paul sorriu e engatilhou a arma e atirou na cara de Tyrone, acertando um olho do demônio que o largou imediatamente

– Desgraçado! – Gritou de ele segurando a órbita com vazia com uma das mãos enquanto a outra tentava pegar Paul novamente, que agora estava caído com o ombro destroncado.

Mas a adrenalina o medo e a adrenalina que agora pilsavam, lhe dava forças para correr, ele pegou uma cadeira e a partiu ao meio nas costas de seu inimigo, que perdeu o controle e se engasgou com o próprio sangue.

– Vamos brincar Ty. – Disse Paul sorrindo com escárnio

Tyrone conseguiu sem levantar, mas Paul atirou novamente e dessa vez acertou – lhe ombro.

– Você não pode me matar, seu imbecil.

– Se eu Morrer agora Ty, você vai comigo, eu deixo de existir e você também.

Tyrone tirou a mão dos olhos e foi novamente na direção de Paul, que atirava contra ele, o que com que duas balas ficassem emperradas no gatilho. Ele sorriu e segurou Paul pelo pescoço, erguendo – o novamente do chão e dando – lhe um soco no rosto, que imediatamente inchou, cortando o supercílio e embaçando a visão de Paul.

Paul juntou o pouco de força que ainda tinha e deu uma cabeçada que perdeu o equilíbrio e ficando tonto

-Você acha que pode me derrubar com isso? Essa foi toda a sua força? É vergonhoso.

A cauda de serpente se agitava nas costas de Tyrone desejando, ansiando e sibilando na direção de Paul que se levantava á pulso, forçou – se em pé e firmou sua postura. Deu o primeiro soco, o segundo ele sentiu a raiva corromper – lhe a mente. O sangue ferveu e em suas entranhas a vontade de matar Tyrone cresceu como um monstro, e isso fez de Paul um novo combatente.Ele sentiu os músculos endurecerem e seu corpo responder aos seus comando. Aquele  era o momento, era matar ou morrer.

Tyrone posicionou – se e o desafiou com um olhar. Paul correu em sua direção e tentou acerta – lo com um soco, mas Paul abaixou – se e passou por baixo das pernas de Tyrone, puxando – lhe a cauda que desferiu uma mordida fatal.Paul sentiu a ardência, mas não deu importância, presando – o na parede de espelhos que havia no local.

– Minha vez, Tyrone.

Paul o chutava e o levantava do chão com uma força sobre humana, jogando o novamente e quebrando o piso de linóleo, Tyrone tentava reagir, tentando achar uma brecha para se defender, Paul pegou – o pelos chifres com mais força e o jogou novamente no chão abrindo uma cratera, onde onde partículas de concreto subiam feito fumaça

– Seu fedelho, filho da …

– Hey, não esuqeça que temos a mesma mãe, Tyrone e de fato, depois de se deitar com o Inferno inteiro, ela é uma puta.

Paul abaixou até a altura de Tyrone para ver o estrago, mas este foi mais rapido e puxou – lhe a perna, derrubando – o.

– Cansei de Você, Seu impertinente.- E tentou pisotear Paul, Que agora se desvencilhava dos cascos de aço

– Morre! – Gritava repetidas vezes Tyrone.

Paul alcançou a arma ainda deitado no chão e mirrou nos testículos de Tyrone.

– Morro, mas levo  você comigo. Afinal Ty, que seja eu seu velho amigo a lhe tira a vida. – atirou

Tyrone urrou de dor e Caiu de Joelhos, enquanto Paul rolou para longe e ajoelhou -se. levantando em seguida. O sangue escorria ainda de seu rosto e se misurava ao suor, ele beijou a arma e destravou a ultima bala, caminhou com passos decididos, chegando perto de Tyrone, pisou em sua cauda e a serpente sinda tentou ataca- lo.

Engatilhou a arma e mirou na cabeça de Tyrone.

– Você sabe muito bem que isso não vai me matar.

– Você tem razão, mas vai te atrasar para algo um pouco maior e tenho certeza que você vai adorar.

Paul pegou um esqueiro no bolso de trás e o acendeu.

– O que? Vai me queimar? Tyrone ria feito louco.

– Queimar? Não. Vou explodir tudo. Sabe que uma vez eu descobri que tem um depósito de gás aqui ao lado?

– Eu nasci do Fogo, seu idiota.

– Isso é um fato irrefutavel, mas você sabe que nunca vi um demônio em pedaços se regenerar . Engraçado, ainda outro dia me disseram que não éramos imortais e olhe para nós Ty, vamos poder testar essa teoria e se você sobreviver, volta e me conta como foi.

Paul atirou na cabeça-de Tyrone e este pareceu ter morrido, pegou como ultimas garrafas de bebidas que ainda estavam cheias da prateleira e despejou sobre Tyrone.

– Isso é que é desperdício. – e deu um gole na garrafa de vodka levantando – a em seguida em homenagem ao rival estendido no chão.

 Correu porta afora e arrebentou o portão que separava o depósito do gás ao bar e abriu todas as bocas possiveis, acendeu o esqueiro e correu por sua vida e se divertia ao sentir – se pela primeira vez alegre naquele novo corpo.

Então era isso que chamavam de liberdade? Suas feridas começavam a se fechar lentamente e seus ossos voltavam ao lugar.

A explosão destruiu o beco, onde o bar ficava, não sobrou pedra, sobre pedra, e agora ele tinha que acertar umas continhas com Lúcifer e parra isso era necessário ter aliados. Ele não gostava da idéia, mas faria de tudo para acabar com aquilo, dali em diante, ele era humano, e não estava pronto para morrer…

CONTINUA …

Galamadriel Pt. 15 – Caronte, O Barqueiro de Almas

Caronte  Por Lillithy Orleander

Iridish atravessou uma das janelas da casa de Gabriel e ficou estarrecido ao perceber que Miguel estava       ao lado da moça que um dia Qüerinemer havia livrado da morte.

– Iridish, seja bem vindo de volta e…

– O que esta mortal faz aqui? – perguntou Qüerinemer que vinha logo atrás sem entender o que acontecia. – Ela estava sendo caçada por Edmund e se  ela está aqui então…

– Então Lúcifer a trouxe de volta a vida.

– Espera um pouco. Você eu conheço. – disse Sonya apontando para Qüerinemer.

– Olá outra vez. Não me entenda mal, é só que não é normal encontrar seres humanos “passeando” por aqui, alias que nenhum de nós nunca veio até aqui. – disse ela olhando para Gabriel.

– Vocês já acabaram com as formalidades de quem conhece quem? – perguntou Gabriel impaciente. – o tempo está passando e ainda temos que resolver algumas pendências.

– Onde está Dyell? – perguntou Sonya.

-Edmund ainda não voltou e isso está me deixando preocupado. – respondeu Miguel que agora olhava para o nada.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Paul saiu do banheiro enrolado na toalha enquanto Dyell olhava no espelho tentando prender a longa trança vermelha no alto da cabeça, quando a ínfima fenda se abriu no meio do quarto.

– Lady Dyell, seu pai a espera imediatamente na morada de seu tio. Precisamos todos conversar e…

Edmund se interrompeu a falar quando viu o estado de Paul.

– Eu sinto muito, não gostaria de atrapalhar, mas é que está tudo uma bagunça e suponho-me que nesse momento este é o pior dos lugares para se estar.

– Não é o que você esta pensando Edmund, mas é uma longa história e te explico quando estivermos menos ocupados.

Paul nada disse e parecia nem se importar com a presença do outro, e sentou – se na cama vagarosamente como quem não ligasse que tudo estivesse a ficar perdido para sempre.

– Você pensa que esta fazendo o que, seu idiota? – perguntou Dyell

– Eu não penso, eu simplesmente não vou a droga de lugar nenhum com um ceifeiro, uma súcubo filha de arcanjo, sabe – se lá pra onde.

Dyell puxou a pistola do coldre e a engatilhou, mirando na direção de Paul.

– Levante a porcaria do seu rabo gordo dessa droga de cama, ou eu mesmo vou me dar o prazer de lhe tirar dessa existência medíocre.

– Me mate. Eu não ligo vou morrer de qualquer jeito seja na mão do Céu ou do Inferno, opto por ser um covarde desertor, saboreando uma boa vodka ou um bom wiskhy. Vão para diabo que os carregue cansei desse joguinho de gato e rato. Se ninguém me explicar exatamente o que está acontecendo e por que só pode ser eu a fazer o que vocês querem.

Dyell olhou para Edmund e balançou a cabeça de forma negativa.

– Ok, você quer a verdade? Tudo bem você quem pediu.

Dyell se aproximou da cama como quem fosse abaixar para falar com Paul e lhe deu uma cabeçada, ele perdeu o equilíbrio e caiu deitado, xingando – a de todos os nomes que achou possível naquela hora. Edmund o pegou por uma perna e Dyell por outra.

Edmund pegou a foice e abriu novamente a fenda, arremessando Paul para dentro dela, com ajuda de Dyell.

– Estamos prontos. – disse Edmund para Dyell estendendo a mão e dando a vez para que Dyell passasse. – Primeiro as damas.

– Poupe – me dessa palhaçada Edmund nem combina com você e muito menos comigo.

Dyell voltou a guardar a arma no coldre e adentrou a fenda escura. Agora era questão de tempo até que todos se encontrassem e se preparassem para a luta.

O céu despencava aos poucos, em pequenos pontos brilhantes, as pessoas sorriam e faziam seu pedido as estrelas cadentes que vislumbravam. Enquanto outras eram atingidas, como se recebessem uma flecha que atravessasse sua carne e lhes queimasse a alma. Os anjos começavam sua descida á Terra e seus hospedeiros começavam a ser marcados…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

A barca navegava mansa sobre o rio Estige, silenciosa prestes a aportar. O velho de olhos diferentes parecia hipnotizado por aquelas águas.

Caronte desceu da barca se aproximou do cavalo negro, em chamas pastando tranqüilo.

– Como vai velho amigo.

O cavalo veio em sua direção e isso fez com que Caronte sorrisse e olhasse de soslaio para alguém que saísse sorrateiro das sombras.

– Caronte. Meu velho Caronte.

– Lúcifer.

– Ora quanta animosidade de sua parte vim lhe fazer uma visita, não esperava ser recebido dessa forma.

– Diga logo o que quer, não caio em seus subterfúgios e nem em sua fala açucarada. Deixe isso para seus generais e asseclas. – e cuspiu na terra negra.

O barqueiro levantou a cabeça e olhou diretamente nos olhos do outro, abaixando o capuz. A barba longa e branca deu lugar a uma bem feita e curta. As rugas de sua face e as mãos ressecadas pareceram rejuvenescer de imediato, dando lugar á um rapaz de cabelo curto e prateado, mostrando um meio sorriso ao outro.

Lúcifer se espantou diante da transformação e uma vez mais ficou irritado com o barqueiro que já lhe havia iludido tantas outras vezes, mas resolveu dissimular.

– Vim até aqui saber de que lado você vai tomar partido, caro irmão.

Lúcifer olhou então o brilho daqueles olhos e se arrependeu de ter ido até Caronte, que agora tinha as feições modificadas pelo esgar de nojo.

– Você com certeza veio ao lugar errado, irmão…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

“– Você foi criado para um propósito maior, inspirado em um futuro que necessite de sua força. No começo talvez não te faça feliz e pode ser que você venha a se recusar a fazer. Mas eu quero que saiba que você será o ponto de equilíbrio de muitas coisas, independente de serem o inicio ou o fim.

– Sou apenas um servo, Senhor. O que decidirdes para comigo eu farei.

– Não Caronte. Você não é meu servo. Você também é um de meus filhos e essa responsabilidade que encarregarei você, você dividira com Gabriel.

O rapaz olhou seu reflexo no lago, molhando os pés e ali ficou, calado. Pensando consigo mesmo no por que de ser tão diferente dos demais.

Os olhos, um azul e um negro, olhavam os outros deitados na relva verde, emanando auras douradas, enquanto a dele vibrava tão pálida e quase invisível.

Caronte se sentia um anjo comum, como poderia ele ser como seus supostos irmãos.

– Eu não sou como eles. – disse ele abrindo as longas asas negras. Mas foi Gabriel quem respondeu.

– Por que nenhum de nós é igual. – e se sentou ao lado do irmão sorrindo.

– Gabriel.

– Meu pai. – Ele então balançou a cabeça de forma afirmativa para os filhos e se distanciou á passos lentos, desaparecendo de forma sutil no mormaço do dia ensolarado que parecia nunca ter fim.

– O que somos nós Gabriel?

Gabriel se deitou na relva e fechou os olhos sorrindo, de forma despreocupada e ao mesmo tempo séria.

– Somos o inicio de uma nova era, Caronte. Uma era que será bela, poderosa e dolorosa.

Caronte arregalou os olhos e parou de imediato de molhar os pés na água.

– Dolorosa?

– Sim. Nós todos passaremos por um processo de mudança e talvez isso gere alguns atritos entre nós. Não sei se você percebeu, mas todos somos um pouco diferentes e temos qualidades que os outros não possuem, pelo menos não igual. Somos únicos.

Caronte então começou a notar os irmãos e no que cada um era especial.

Miguel movia – se com precisão assombrosa e criará ferramentas poderosas para si que somente ele manuseava com tanta facilidade, embora muitos praticassem, ele sempre era o melhor. E com essas ferramentas vieram os duelos, e nesses duelos nasceram às lutas. Miguel se tornou, invencível e ninguém ousava desafia – lo, o que depois de um tempo o deixou entediado, pelo menos até a próxima criação do pai.

Rafael sempre tivera o dom de fazer com que qualquer corte sumisse como mágica e depois das lutas do irmão mais velho, quando surgiam as dores, ele as tratava com tanta eficácia que jamais alguém pensou que isso pudesse ser destruído, mas logo o reinado de benevolência e cura, daria lugar ao ódio.

Lúcifer era belo, o mais belo de todos era o que diziam. Conversava bem e falava com diplomacia, não havia nada que ele não conseguisse depois de uma boa conversa. Mas ele sempre fora um estrategista inteligente e sagaz, e não demoraria muito para que isso se provasse verdade.

E havia o mais novo Gabriel. Era delicado com tudo e com todas as formas de vida que ali habitavam, e embora Miguel muitas vezes fosse tratado como favorito era com Gabriel que seu pai planejava os pormenores, as mudanças e as idéias…

Caronte notou que Gabriel era apaixonado por uma anja, criada para ele, mas em seu intimo sabia que isso talvez não se consumasse

Enquanto ele era somente um anjo diferente, isolado que muitas vezes preferia ficar longe de tudo aquilo. Ele via as coisas acontecerem, num futuro não tão distante assim e se mantinha calado, como ele via que tantas coisas iriam acontecer e mudar tanto, se tudo parecia ser tão perfeito.

– Você entendeu não é?

Caronte saiu de seus devaneios e olhou pra Gabriel que agora não sorria mais.

– Eu também vejo o que você vê Caronte, e fazemos parte de um plano maior para que nada saia do controle e vire um caos infindável. Venha comigo.

Caronte seguiu o irmão, enquanto ao longe Lúcifer vigiava os dois a conversar.

– O que será que Gabriel quer com aquele anjo. – disse ele para si, desmerecendo Caronte.

Gabriel havia construído para si uma nova morada longe dos irmãos, cheia de janelas onde parecia haver outras vidas respirando atrás delas. Caronte se perdeu no misto de curiosidade e medo e, mas uma das cortinas em especial chamou a atenção de Caronte. Um cavalo negro arredio, em chamas que galopou velozmente em sua direção.

Mas o medo dissipou – se e Caronte caminhou em direção ao animal. O chão árido levantava uma poeira negra, mas isso não o incomodava, o fazia se sentir bem, finalmente se sentiu completo e não isolado como sempre havia se sentido.

O cavalo relinchava e empinava – se no ar a pequenos intervalos e Caronte o sentia, um animal selvagem, com medo de ser atacado, mas logo parou e veio na direção de Caronte, que estendeu – lhe a mão e acariciou a pele quente

– Eu desejo ficar aqui, Gabriel. – disse ele e logo atrás outras pequenas criaturas feitas da mesma forma que o cavalo, começaram a aparecer.

-Se você assim deseja esse será o seu domínio e ninguém, além de você ira domina – lo. Ninguém. Ainda bem que você gostou – foi o que Gabriel disse. Caronte batizou o lugar de Tártaro e os dois sorriram,  deixando o lugar, a sala de um mármore branco muito pálido pareceu resplandecer as cores como se refletisse pequenos cristais.

Caronte passou a acompanhar sempre Gabriel daquele dia em diante, visitando cada cortina daquela extensa morada e entendendo assim para o que havia sido criado, enquanto seu irmão lhe explicava cada novo mundo ali existente e porque o pai os havia criado.

Caronte prestava muita atenção por que assim como Gabriel sabia que seus irmãos não teriam tanta facilidade em entender o porquê dessas outras existências e realidades. Era incrível notar como era cruzado o passado, o presente e o futuro dentro de cada janela, e aquilo fez dos dois irmãos companheiros irrefutáveis.

Em seguida veio o levante de Lúcifer e sua descida do Paraíso foi cercada de brigas e mentiras, ele queria ser como Miguel e queria dominar como o pai, mas não tinha competência e não aceitava ser menos que qualquer um. Voltou para Caronte que agora comportava – se como ele e sabendo de sua morada mandou que ele lhe desse – se.

– Ela é minha por direito. É o meu legado, dado á mim. Não sou obrigado á dá – lá para você.

– Você é somente um misero anjo, seu maldito. – disse Lúcifer cerrando os dentes de punho fechado.

– Eu sou um Arcanjo, Lúcifer e se você fosse um pouco mais humilde e um tanto sábio saberia que deve me temer.

Lúcifer recuou diante da ameaça, mas jurou que seria por pouco tempo. Caronte seria o alvo de seu próximo ataque, o alvo do ódio de Lúcifer. Naquele mesmo dia, sabendo que seus filhos mais velhos nunca entrariam em acordo, Deus deu á Caronte, o poder de ceifar a existência.

Lúcifer então se levantou contra Caronte, de espada em punho como um louco desferia golpes violentos, idênticos aos de Miguel, o que fez com que outros anjos temessem por Caronte. Mas das profundezas do Tártaro, Caronte trouxe um dragão colossal e montou nele, tornando – se um com a criatura. Ele lutava bravamente a todo o momento e afastava o irmão daquilo que para ele era sagrado, sua morada.

– Isso me pertence seu maldito.

– Você pertence á outro lugar, não tente usurpar o que é meu por direito.

Lúcifer fervilhava em ódio e desferiu um golpe certeiro, decepando a pata do dragão que urrando de dor tentou abocanhar a cabeça do Arcanjo, que escapou por pouco, mas ainda sim foi ferido.

– Maldito! Como ousa?

Caronte desligou – se do animal e desceu até onde a pata do animal havia caído. Quando finalmente ele a tocou, ela se retorceu e transformou – se em uma foice. O que deixou a todos estarrecidos, sua aparência se modificou e seu curto cabelo deu lugar a um longo, suas vestes escureceram e as asas se fecharam, formando assim um manto, que o cobriu como á uma armadura.

Lúcifer tentou recuar, mas Caronte foi mais ágil e parou bem diante de si.

– Você sabe para o que fui criado, irmão?

Lúcifer sorrateiro puxou a adaga de sua cintura e a enterrou na cintura do irmão, que arregalou os olhos e olhou para o ferimento.

– Você foi criado para ser humilhado, para ser menos do que eu. Você não é nada Caronte. Nada. – e puxou a adaga de volta.

Caronte ainda estava de cabeça baixa e segurando a foice ele sorria.

– Na verdade Lúcifer, eu fui criado para ser o seu fim. – e olhou dentro dos olhos do irmão, erguendo a foice e enfiando – a no ombro do outro, que urrou de dor imediatamente.

Caronte arrastava Lúcifer pelo céu, com a foice presa na carne do outro, e o ferimento parecia aumentar de tamanho. Caronte então parou e arremessou o irmão em direção a terra com toda a força e acompanhou a queda.

– Lúcifer, você esta condenado a caminhar sobre os pés de toda a criação, você e seus servos estão condenados a serem sempre vencidos. Você irá tentar ser o melhor, irá tentar ser o mais poderoso. Mas quando isso estiver prestes á acontecer eu mesmo, estarei ao seu lado para lhe ceifar seu bem mais precioso.

Lúcifer desceu ao Inferno sem ter tempo para revidar e com ele todos os que Miguel já havia expurgado…”

Lúcifer ainda lembrava-se daquele olhar e então se perguntou por que em todo o Inferno tinha que ir atrás logo de Caronte.

– Acredito que você esta no lugar errado e fazendo a pergunta errada. Se eu fosse você eu fugiria e tiraria esses pés nojentos de meu santuário, você não é e nunca foi bem vindo aqui.

– Oras, estamos em guerra, e você não se manifestou sobre que lado irá defender.

– Não tenho por que manifestar a quem irei ceifar ou não, se é o que você quer saber. Mas em breve nos veremos Lúcifer, muito em breve.

Caronte balançou a foice diante do irmão e este desapareceu. Caronte sorriu e continuou alisando o cavalo.

– Você não perde por esperar…

Lúcifer voltou irado e esbravejava para quem quisesse ouvir que seus irmãos pagariam a afronta e que tudo não passava de uma questão de tempo. Belial escutava a tudo calado, escondido sob as paredes. Sorriu e saiu para preparar as ordas.

– Se os anjos descem, nós subimos…

As fendas ínfimas se abriam aos montes, em bares, bailes, ruas e casas. Demônios subiam com os dentes a mostra, gargalhando e tomando o corpo daqueles que haviam sido escolhidos, eram executivos, mendigos e operários, que sentiam o mal se apoderar de si e a sede violenta pelo sangue do próximo.

– Eles estão subindo. – disse Gabriel levantando a cabeça com os olhos petrificados.

– Isso significa que vamos ter o primeiro levante em breve. Sonya, mais uma vez lhe peço perdão pelo o que ocorreu, mas agora não temos muito tempo, você vira comigo e Qüerinemer para aprender pelo menos a se defender. O restante de vocês preparem – se.

Caronte saiu de uma das janelas, sem fazer cerimônia e cumprimentou á todos que ali estavam, olhando – os um por um.

– Vejo rostos antigos, e rostos que nunca caminharam a meu lado.

A morada de Miguel de repente se encheu de gritos, fazendo com que Caronte parasse de falar.

– Eu não vou entrar nessa droga de lugar, já falei que não me alio a nenhum lado. – Paul gritava estridente tentando esmurrar Edmund e empurrar Dyell, que perdeu a paciência e lhe deu um soco, fazendo o estalo do nariz de Paul ecoar pelo lugar.

– Sua maldita você quebrou meu nariz! – ele então se enfureceu e seu disfarce começou a se dissipar.

– Não tenho medo de um demoniozinho de merda, é só vir que resolvo a situação com você. – respondeu Dyell.

– Filha?

Dyell parou por um instante e dentro de si ela ficou feliz por ver seu pai naquele lugar, talvez aquela fosse a ultima vez, mas preferiu manter a frieza que sempre manteve com ele.

– Mi Lord. – e abaixou – se, reverenciando – o

– Na atual circunstancia creio que as formalidades devem ser quebradas, não,

– Perdoe nos Caronte e nem lhe perguntei o que você veio fazer aqui.

– Lúcifer está pronto, está furioso e em busca de aliados. O ódio ferve em suas veias e dessa vez Miguel acredito que ele venha na certeza de conseguir destrui – los.

– E o que devemos fazer? – perguntou Iridish, mexendo na própria arma.

– Se preparar para o pior…

Nas janelas, cortinas se balançavam ferozmente, enquanto algumas começavam a se rasgar e dar lugar a criaturas que urravam e rugiam feito bestas.

O tempo começou a parar e as pessoas nas ruas pareciam estar presas em uma espécie de transe macabro. Algumas piscavam algumas e voltavam ao normal tentando entender o que estava acontecendo, mas isso durava uma fração de minutos até perderem a consciência e darem lugar ao que estava implantado dentro de si.

Alguns  demônios riam desenfreadamente, e corriam atrás daqueles que ainda não  estavam congelados no tempo. Houve aqueles que passaram a mutilar os corpos parados, traçando mapas de ataque enquanto bebiam o sangue e mastigavam a carne alheia. Anjos desciam, mas seus hospedeiros pareciam demorar mais para assimilar o porquê de tudo parar de imediato, gerando pânico nos desavisados e medo quando assistiam a cena de pessoas se transformando em monstros  e então a luz surgia, eles esticavam os braços e lá estavam as espadas, eles piscavam e lanças caia de todas as parte.

O primeiro ataque surgia enquanto a Lua Cheia era encoberta pela nuvem negra que parecia descer sobre toda a cidade, densa e cheia de grandes pingos. A chuva se aproximava e o véu que separava o mundo de Galamadriel se rasgou.

Todos os seres ganharam vida e os gritos ecoaram noite adentro.

– Rafael! – gritou Lúcifer.

– Vá para o Inferno, seu maldito. – rosnou Rafael aparecendo diante de Lúcifer com um colar azul marinho, que emanava uma forte atração maléfica.

– Vê irmão, você pode ouvir. Meus soldados foram soltos e agora é a hora de dominar esse lugar, e tomar o que é meu por direito. Mas para isso onde está Lilith? – perguntou ele tentando lembrar quando tinha sido a ultima vez que virá a rainha infernal.

Sentou em seu trono de marfim e ficou calculando qual seria o próximo passo, até que finalmente achou um plano.

– Megara! – A moça de olhos ainda vazios veio em sua direção, calma, e em silêncio.

– Sim meu senhor.

– Vá buscar Miguel, ele será o primeiro a ser destruído.

A moça sorriu, e mostrou os dentes que agora afiados destruíam a perfeição do rosto que Miguel tanto amou um dia. Ela correu rápido pelos caminhos sinuosos até voltar a superfície, enquanto Belial incentivava mais demônios a saírem do Inferno para o mundo.

Gabriel preparou suas armas e junto com Iridish e Edmund olhando para o caminho que deveriam seguir.

– Lilith, você vai ficar bem? – perguntou Gabriel.

– Eu tenho meus próprios meios de sair dessa ilesa não se preocupe.

– E quanto a Paul?

– Caronte eu sei que você não gostaria de se meter, mas você poderia…

– Farei melhor. O quanto você preza sua existência como demônio, caro Pauline?

– Eu sou um desertor, não sou mais nada me trouxeram pra esse lugar a força, se um dia eu voltar ao Inferno, serei morto e destruído até as cinza de meu corpo.

– Minha proposta é torna – lo mortal.

– Como é que é? – disse Paul arregalando os olhos.

– Você não seria mais o sacrifício que Lúcifer deseja, seria humano e dessa história não mais participaria á não ser que seja esse seu desejo. Estamos acertados?

Paul pensou em não aceitar, mas e então apertou a mão de Caronte, ele terminaria morto, mas talvez tivesse uma chance.

Suas asas foram arrancadas e imediatamente sua humanidade aflorou como se sempre estivesse ali, ele urrou de dor quando sua pele passou a se fechar, colando cada ferida á força, as cicatrizes agora imensas se curavam vagarosamente, fazendo com que Paul se tornasse um homem.

– O que eu faço agora? – perguntou ele a Caronte.

– A escolha é sua, eu disse que não iria me envolver e não vou, meu trabalho é recolher o que sobrar dessa carnificina.

– Caronte?

– Eu só assistirei Gabriel eu te disse que não participaria disso uma vez e minha resposta continua sendo a mesma. – e saiu pela janela que havia chegado.

Um cavalo em chamas o esperava do outro lado relinchando, chamando – o era a hora do Barqueiro partir com seus servos para buscar o que lhe pertencia.

Fossem almas humanas, angelicais ou demoníacas, Caronte voltou ao Estige e dele se ergueu um navio fantasmagórico, translúcido, deixando que uma névoa azulada se desprendesse de seu convés para chamar as almas que começavam a descer, Caronte pegou sua foice e a balançou de ponta cabeça, fazendo com que ela sussurrasse um som agudo e cheio de melancolia, em instantes, Mercadores da Morte e Ceifeiros estavam pousando ou voando ao lado do navio.

– O fim chegou… – disse Caronte.

Paul olhava tudo aquilo sem nada dizer.

–  Você esta livre para fazer o que quiser, Pauline.

– Por que vocês me deram a escolha?

– Por que não podíamos correr o risco de te ver matar um dos nossos e depois deixar nossa era sucumbir aos desejos de Lúcifer.

– Ele não ia cumprir sua palavra, não é mesmo?

– Acho que não precisamos dizer que não, não é mesmo. Ele iria ganhar somente o tempo necessário para repovoar esta terra com o que lhe agradasse, seres como ele. Vocês, demônios, são dispensáveis na nova hierarquia de Lúcifer.

Paul no fundo parecia saber que morreria, então não fazia diferença ficar ali, já que era assim era melhor morrer no meio da tempestade do que escondido.

– Me dá um copo de uísque e uma arma, não faz mais diferença pra mim ser humano ou demônio, só quero acertar umas contas antes de sumir dessa merda.

Edmund deu a Paul o que ele pediu e lançou asas ao ar, ele desceria ao lado de Caronte, não iria lutar por nenhum dos lados, enquanto Iridish lutaria por Qüerinemer. E Paul?

Paul só tinha um pensamento, matar o único demônio que o havia colocado naquela roubada, Tyrone não perderia por esperar.                                                                                                                                                                                                                                                                                           CONTINUA…