Em Minha Pele (Pt.03) – Relax

Por Mille Meiffield

sexo

KATH

Declan me ergueu em seus braços e me levou até seu quarto. Seus lábios sempre roçando minha pele. Ele me colocou em pé ao lado da janela. Me pediu que ficasse em silêncio e com os olhos fechados. Eu ouvi o barulho de uma gaveta se abrindo. O farfalhar de tecidos me deixou com a curiosidade aguçada.

Ele se aproximou, afastou meus cabelos do pescoço e desferiu beijos quentes e úmidos me fazendo arfar. Uma onda de choque elétrico percorria meu corpo. Suas mãos passaram algo por sobre minha cabeça e percebi que era uma venda. Logo tudo ficou escuro.

– Não se assuste, eu vou amarrar suas mãos de leve. – sussurrou Declan. – Qualquer puxão sem muita força e você se solta. É só por fetiche, tudo bem?

– Sim. – uma resposta fraca e sibiliante foi tudo o que eu consegui pronunciar.

Eu estava envolvida. Uma corda de tecido prendia meus pulsos. Ele me guiou até a cama e me ergueu em seu colo novamente. Em seguida me deitou na cama devagar. Ele retirou minha roupa me deixando apenas de calcinha e sutiã.

– Declan, eu… eu não sei se estou pronta.

– Prometo que não vou fazer nada que você não deixe. Apenas relaxe e curta o momento.

Respirei fundo e me deixei levar. Sexo não era o fim do mundo e fazia um bom tempo que eu ansiava pela vontade de experimentar. Ele novamente abriu uma gaveta e depois a fechou. Um objeto suave que poderia ser uma pluma encostou em meu corpo. Ele passou a pluma levemente pelas minhas pernas, e foi subindo. Parou um pouco em minha intimidade e se demorou ali. Suas mãos moviam a pluma de um lado para o outro com delicadeza. Meu corpo começou a se contorcer de prazer. Declan passeou com a pluma pela minha barriga e subiu até meus seios. Num repente a puma desapareceu.

Agora, cordas que pareciam ser de couro deram lugar às plumas. Elas eram mais excitantes e fizeram meu corpo se contorcer ainda mais. Ele passeou com as tiras de couro pelo meu corpo assim como fizera com a pluma. Depois de algum tempo, as tiras de couro também desapareceram. Senti sua mão passear pelo meu corpo. Seus dedos eram quentes e ágeis e pareciam tocar os lugares certos. Ele vagarosamente se aproximou de minha intimidade e massageou o local mais sensível por cima da calcinha. Soltei um gemido forte. Ele pressionou ainda mais o ponto mais sensível de minha intimidade e com movimentos circulares ritmados me fez arfar de prazer. Ele me beijou deliciosamente e continuou me estimulando até que eu não consegui mais me segurar e gozei. Meu corpo convulsionou em suas mãos.

Ele soltou meus pulsos e massageou o local onde as cordas estavam há alguns segundos. Ele retirou minha venda e abriu um largo sorriso antes de me beijar novamente.

– Minha linda, infelizmente tenho uma reunião em uma hora. Preciso tomar banho e sair, quando eu voltar podemos fazer mais algumas brincadeiras se você quiser.

– Como assim você vai sair, é de madrugada.

– São sete da manhã. – ele disse rindo.

– O que? – indaguei surpresa. – Eu tenho um compromisso em quarenta minutos.

Levantei da cama e saí disparada do quarto de Declan. Nem me dei ao trabalho de pegar minha roupa que havia ficado lá. Eu tinha que encontrar os detetives Gilbert e Chandler no Royal Coffee. Um pequeno café no centro da cidade. Tomei um banho rápido. Coloquei uma saia lápis cinza escuro com uma meia calça preta por baixo, uma blusa branca de linha e um sapato preto. Peguei um blazer escuro e minha bolsa logo que terminei de passar uma maquiagem leve e prender meu cabelo num coque com fios soltos. Fui para a sala e encontrei Declan, ele vestia uma calça jeans, camisa despojada e tênis.

– Uau! Que bom que sua reunião permite que você vá vestido assim. – eu disse.

– Na verdade não permite, mas como é um probleminha de família, não preciso me vestir formalmente. Já você…

– Vou me encontrar com dois detetives. Tem a ver com aquele assunto que me incomoda. Mais tarde vou tentar te explicar o que aconteceu. Agora preciso ir.

– Eu também.  – disse abrindo a porta e se afastando para que eu pudesse sair primeiro. – Quer uma carona?

– Não obrigada. Estou com meu carro aí na frente.  – eu disse. – Vou deixar a chave em baixo do capacho, para o caso de você chegar entes de mim.

– Sem problemas. – Ele segurou meu braço, me puxou para si e me deu um leve beijo. – Não quero deixar você desarrumada, mas está irresistível com essa roupa.

– Obrigada. – eu disse ruborizando.

Nós saímos. Declan entrou em seu jipe e eu no meu volvo. Dirigimos em direções opostas.

O café ficava perto do apartamento de Sarah. Eu ainda não me sentia segura para ir muito longe. Cheguei ao local combinado e avistei a detetive Gilbert sentada em uma das mesas. Estacionei o carro próximo a calçada e fui  para a reunião.

– Detetive Gilbert, pensei que o Detetive Chandler viesse com você.

– Ele já deve estar chegando. – ela disse e apontou para uma cadeira que estava ao seu lado para que eu me sentasse. – Como você tem estado? Sei que faz pouco tempo, mas você está com uma aparência melhor.

– Estou morando com minha irmã e o namorado dela, bem nos últimos dias estou dividindo apenas o apartamento com o irmão do namorado dela, Sarah e Dean estão viajando, mas devem voltar logo.

– Você parece bem mais tranquila do que na ultima vez em que nos vimos.

– Eu deveria, mas não creio que esteja. –  eu disse e ao olhar para o lado reparei no detetive Chandler vindo em nossa direção. – Vocês tem alguma noticia do Sean?

– Passamos no hospital antes de virmos até você, sinto muito mas as melhoras foram quase insignificantes. Sean só tem um tio como parente e se ele não apresentar uma melhora mais significativa em um mês os médicos vão desligar os aparelhos, com o consentimento desse tio dele.

– Isso não pode estar acontecendo. – Lágrimas banharam meu rosto. – Ele é jovem, forte, ele não pode morrer.

– Senhorita White. – chamou o detetive Chandler ao se sentar ao nosso lado. – creio que seu amigo viva em estado vegetativo para o resto da vida. Prolongar esse sofrimento só faria mal a ele.

– Eu não posso acreditar que vai acabar assim.

– Não vai. – disse a detetive Gilbert. – Eu prometo que não vamos descansar enquanto não soubermos quem fez isso e assim que o pegarmos ele irá direto para a cadeia por pelo menos vinte anos.

– O que vocês queriam me mostrar?

– Temos umas fotos aqui. – disse o detetive Chandler. – são possíveis imagens do atirador. Gostaríamos que você desse uma olhada nas fotos para ver se reconhece algum deles.

Os detetives dispuseram algumas fotos sobre a mesa e eu olhei minuciosamente cada uma delas. Uma foto era bem parecida com a imagem do grandalhão que estava no bar naquela noite, mas não era ele, era apenas semelhante. Uma angustia tomou conta de mim e meu peito doeu. Meu melhor amigo estava morrendo e seu assassino ainda estava solto por aí.

– Senhorita White? – chamou a detetive Gilbert. – É esse o assassino? – perguntou apontando para a foto em minhas mãos.

– Ele é bem parecido com esse aqui, mas não é ele.

– Tem certeza disso senhorita White? – indagou o detetive Chandler. – Sua memória pode ter sido afetada pelo uso excessivo do álcool.

– Eu estava bêbada sim. Foi a primeira vez que fiquei de porre, mas eu me lembro perfeitamente daquele cretino.

– Então é isso. – finalizou Danna Gilbert. – Katherine, entraremos em contato assim que surgirem novidades.

– Obrigada. – eu apertei a mão que a detetive Gilbert havia estendido. – Antes de desligarem os aparelhos do Sean, vocês poderiam me avisar para que eu pudesse me despedir dele?

– Claro.

– Vamos Danna, ainda temos que ir para a Flórida hoje.- disse o detetive Chandler- Até qualquer dia senhorita White.

Ele colocou uma nota de cinquenta dólares em cima da mesa para pagar a conta e os dois se foram. Eu ainda fiquei por mais alguns minutos tentando digerir tudo o que haviam me dito.

Assim que me senti melhor entrei no carro e dirigi de volta para casa. Declan já havia voltado e estava preparando o almoço. Eu não estava bem. Entrei no quarto e fui direto para o banho. Enchi a banheira com àgua bem quente e entrei. Coloquei uma toalha sobre os olhos e tentei relaxar.

Senti a toalha sendo puxada, mas não me dei ao trabalho de abrir os olhos. Eu já havia sentido o cheiro do perfume de Declan. O aroma fresco e amadeirado de seu perfume era inconfundível. Ele acariciou meu rosto e passou vagarosamente os dedos sobre meus lábios. Ele me beijou e eu retribuí.

– Entra aqui comigo. – pedi. Ouvi o farfalhar de tecidos enquanto ele se despia. Ele entrou na banheira, quieto, sem dizer nenhuma palavra. Seus lábios beijavam minha pele em diversos pontos. Suas mãos se moviam sobre meu corpo em deixando arrepiada.

– Kath, se vamos fazer o que eu acho que vamos fazer, quero que seja bom para você. É a sua primeira vez e não é muito confortável.

– Eu sei que não, mas como você é o experiente aqui, deixo por sua conta.

Declan riu e me ajudou a me levantar. Eu não queria abrir os olhos. Deixei tudo por conta dele. Queria que essa sensação de leveza continuasse pelo máximo de tempo possível. Ele me tirou da banheira e me colocou no chão. Pegou uma toalha e secou todo o meu corpo. Cada centímetro com delicadeza. Em cada local que a toalha passava, em seguida a boca de Declan cobria de beijos.

– Já vi que sua mente está distante. Relaxa Mon Amour, eu prometo que farei  esquecer qualquer problema que tenha vindo da rua com você.

Apenas assenti. Ele então me pegou no colo novamente e me levou para a cama. Dessa vez eu não precisava de venda. Meus olhos ficariam fechados até tudo terminar. Eu queria experimentar a máxima sensação desse momento.

Ele afastou minhas pernas e começou a me beijar, bem ali, na minha intimidade. Eu sentia sua língua quente passando na parte mais sensível do meu corpo. Sensações novas e prazerosas tomaram conta de mim. Foi diferente da primeira vez. Era mais intenso, mais erótico. Ele colocou dois dedos dentro de mim e eu arfei. Gemi baixinho enquanto ele brincava com seus dedos entrando e saindo de mim. Sua boca deixou minha intimidade e foi subindo pelo meu corpo até chegar a meus seios. Ele chupou com força, me fazendo gemer e me contorcer. Apertei com força os lençóis para ajudar a segurar aquela onda de prazer. Seus lábios voltaram aos meus e eu saboreei o gosto doce de seus lábios. Deixei minhas mãos passearem livremente por seus cabelos, suas costas, até encontrarem sua intimidade dura e macia ao mesmo tempo.  Segurei seu membro com força, e o acariciei. Ele gemeu dentro de minha boca. Seus lábios não desgrudaram dos meus. Declan retirou minha mão de seu membro, se ajeitou entre minhas pernas e me penetrou bem devagar. Eu o segurei forte junto a mim para suportar a dor, não foi forte e nem persistiu, mas me fez sentir incomodada. Ele não se mexeu por algum tempo, esperando o suficiente para meu corpo aceitar o dele sem me machucar.

Quando sentiu que eu estava pronta ele se mexeu devagar e foi aumentando o ritmo aos poucos. Era uma sensação incrível e diferente. Todo o meu corpo estava alerta e exigia mais. Suas investidas se tornaram mais rápidas e firmes. Meu corpo se contraiu e relaxou explodindo prazer. Gemi alto segurando seus braços enquanto gozava. Ele gemeu em meu ouvido fazendo meu corpo estremecer sob o dele mais algumas vezes. Ele desferiu beijos em meu corpo e rolou para o lado.

– Qual foi o motivo de sua repentina vontade por sexo? – ele perguntou.

– Eu precisava relaxar. Sinto como se o mundo estivesse sobre mim.

– Você voltou do seu compromisso diferente, não parecia a mesma Katherine que eu conheci. Quer conversar sobre isso? – Ele perguntou e eu apenas assenti.

– Lembra daquele assunto sobre o qual eu não queria falar, então, no dia da minha formatura na faculdade eu fui com um amigo Sean Walker em um bar que frequentávamos para comemorar. Lá um idiota tentou passar a mão em mim à força e Sean me defendeu. – Declan prestava atenção a cada palavra que eu dizia e apenas acariciava meu rosto e afagava meus cabelos. – Ele me levou para casa e me colocou para dormir, eu estava bêbada, pela primeira vez eu perdi o controle e me deixei levar, e foi o suficiente para tudo de ruim acontecer. – Uma lágrima escorreu e Declan a secou com os lábios. – Sean me beijou e eu deixei, acho que aquela seria minha primeira vez, mas a campainha tocou e alguém atirou nele. Eu não sei quem foi. Hoje de manhã eu fui encontrar com os detetives que estão investigando o crime. Sean está em coma há mais de dois meses.

– Foi por isso que estava triste quando chegou? – Declan perguntou.

– Os detetives disseram que o tio dele vai dar autorização para o médico responsável desligar os aparelhos caso ele não acorde dentro de um mês. Em todo esse tempo o quadro clinico dele praticamente não evoluiu. Eu não culpo o tio dele por isso, mas desligar os aparelhos… não sei se Sean iria querer desistir sem lutar.

– Então acho que você deveria dizer isso ao tio dele.

– O tio dele mora no Michigan, eu não sei se teria coragem de voltar para lá.

– E se eu fosse com você?

– Ah, Declan, eu não sei o que você acha que está acontecendo aqui, mas acho que nossa história não vai ser nada mais do que amigos de cama.

– Por que você pensa assim?

– Você é um espirito livre, aventureiro. Você mesmo disse que ficou anos sem falar com o Dean. Eu preciso de mais do que isso.

– Porque não vamos deixando a vida nos levar e ver aonde essa história vai dar? Topa?

– Topo.

Ele me fazia sorrir. Me fazia sentir segura. Essa história não  ia acabar nada bem. Sua boca voltou a envolver a minha e nos amamos novamente.

***

Continua

Em Minha Pele (Pt.2) – Dejavu

Por Mille Meiffield

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Sarah e Dean haviam saído há umas três horas. Estava em meu quarto lendo um livro quando ouvi a campainha tocar. Olhei para o relógio e já passava das onze da noite.

– Quem será a essa hora? – Perguntei a mim mesma.

Abri a porta e me deparei com um homem de aproximadamente um metro e oitenta e cinco, olhos cor de mel, barba rala e olhar profundo. Ele ficou parado me encarando por longos minutos.

– Olá, sou Declan Anderson, irmão adotivo do Dean. – disse o homem misterioso. O som de sua voz era extasiante. – Você deve ser a Sarah?

– Na…não – gaguejei. Seu olhar me deixou nervosa. – Sou Katherine White, irmã da Sarah. O Dean não disse que você viria.

– É porque ele não sabe que eu viria, tem dois anos que não nos vemos. – Ele parecia desconfortável. – Posso entrar, ou espero pelo Dean aqui mesmo?

– Ah, me desculpe, claro, pode entrar. Dean e Sarah estão na Flórida esse fim de semana.

– Então creio que seja melhor eu ficar em um hotel. – disse Declan.

– De modo algum.

– Como você sabe que eu não sou um pervertido que quer lhe fazer mal? Você nem questionou se eu sou mesmo irmão do Dean.

– Uma vez Sarah me mostrou uma foto do Dean com você. Sou uma excelente fisionomista.

– Isso é muito bom.

Declan trazia consigo apenas uma mala pequena. Ele a dispôs ao lado de um dos sofás e se sentou sem fazer cerimônia.

– Você gostaria de beber alguma coisa?  Perguntei meticulosamente, afinal, eu não o conhecia.

– Adoraria um whisky por favor.

Fui até o bar da sala e servi uma dose de whisky em um copo com uma pedra de gelo. Voltei para o centro da sala e entreguei o copo à Declan antes de me sentar no sofá.

– Katherine, você já trabalhou em algum bar antes?

– Meu pai tinha um restaurante no Alabama quando Sarah e eu éramos mais novas. Quando ele faleceu, estávamos na faculdade, e não teríamos como cuidar do restaurante, então o vendemos.

– Isso explica apenas uma pedra de gelo no whisky. Vejo que aprendeu a reconhecer os gostos dos clientes apenas com o olhar.

– Meu pai sempre dizia que um bom bar tender sabe ler mentes.

– E ele estava certo.

A conversa silenciou enquanto Declan bebia um longo gole de seu whisky.

– Não bebe nada Kath? – indagou. – Posso chama-la assim?

– Ah, claro. Todo mundo me chama assim. E, eu não bebo mais há algum tempo. Como sou idiota, você deve estar com fome, o que gostaria de comer?

– Na verdade eu comi alguma coisa no caminho, obrigado.

– Tudo bem.

– Você deve estar cansada, já passa da uma da manhã.

– Tem dois meses que eu praticamente não durmo.

– Posso saber o porquê?

Parecia que ele estava me estudando. Suas perguntas eram pessoais em sua maioria. Era como se ele quisesse saber tudo sobre a minha família, só não entendia o motivo.

– Eu prefiro não tocar no assunto, é algo que me incomoda.

– Desculpe, não quis ser invasivo. É que você se demonstra intrigante.

– Intrigante?

– Seus lábios mostram um belo sorriso, mas seus olhos refletem uma dor profunda.

– Me desculpe, eu preciso descansar pois levanto cedo amanhã. O quarto de hóspedes é o último à direita, o meu fica à esquerda. – disse me levantando do sofá. – Caso precise de alguma coisa é só me chamar. Boa noite.

Ele apenas assentiu em silêncio. Fui em direção à meu quarto sem olhar para trás, entrei e bati a porta.

O intenso e insistente olhar de Declan mexeu com algo dentro de mim. Uma corrente elétrica parecia atravessar meu corpo cada vez que ele desferia seu olhar a mim. Eu nunca havia experimentado essa sensação. Retirei meu roupão e o joguei na cadeira ao lado da cama. Sentei na cama e voltei a ler. Algum tempo depois ele bateu À porta.

– Kath. – chamou. – Posso perguntar uma coisa a você?

– Oi? – indaguei ao abrir a porta.

– Eu não estava conseguindo dormir e vi a luz acesa, pensei que você poderia querer um chá.

Declan segurava duas xícaras, seu olhar era ao mesmo tempo sedutor e sombrio.

– Adoraria. – falei. – Abrindo mais a porta para ele poder passar.

– E então, porque não consegue dormir?

– Tenho terror noturno. Quando ouço algum barulho do lado de fora do quarto não consigo dormir. E você? – perguntei.

– Minha noiva, ela morreu em um acidente de carro porque eu dormi e não fui busca-la no trabalho. O carro dela estava no conserto e ela pegou carona com um colega, ele perdeu o controle da direção e o carro capotou. Toda vez que eu fecho os olhos vejo a luz dos faróis e ouço pneus de carro cantando no asfalto.

– Sinto muito.

– Já fazem dois anos. Por isso eu fugi. Eu acordava de madrugada gritando e sempre assustava minha mãe e Dean, meu pai morreu quando éramos crianças.

– Você a amava?

– Acho que era um gostar intenso, mas não chegava a ser amor.

– Entendo.

– Bom, você deve querer dormir. – disse ele se levantando. – Eu já vou para o meu quarto.

– Eu ainda não estou com sono. – eu disse, também me levantando.

Nossos lábios estavam a poucos centímetros de distância. Seu hálito era fresco e hipnotizante. Seu olhar encontrou o meu e prendeu minha atenção. Declan segurou minha cintura e minha nuca com as mãos e me beijou vorazmente. Embora tenha me assustado com seu gesto repentino no começo, o gosto do seu beijo era energizante. Correspondi com a mesma voracidade.

Acordei assustada com um barulho alto. Percebi que o barulho era do meu corpo caindo da cama. Eu estava sonhando. Declan não estava no meu quarto. Mas o gosto de seus lábios pareciam tão reais, o aroma de seu corpo ainda estava em mim.

– Deixa de ser boba Kath. – disse a mim mesma. – Ele deve estar no décimo sono a essa hora. – me levantei e ouvi batidas na porta.

– Kath? Está tudo bem?

– Tudo bem Declan. Eu apenas esbarrei na cadeira ao me levantar. – gritei. Abri a porta para falar com ele. Ele não vestia nada mais do que uma cueca boxer preta. Seu corpo definido me deixava com vontade de tocá-lo. – Eu vou fazer um chá para poder voltar a dormir, você aceita?

– Eu estou muito cansado, prefiro me recolher. Nos vemos de manhã. Boa noite.

– Boa noite.

***

 

                        Acordei suada e febril. Retirei minha roupa molhada de suor e fui tomar um banho frio para diminuir a sensação de febre. Liguei a água gelada e me enfiei sob ela. Fiquei no banho mais ou menos uns quarenta minutos. Declan bateu na porta do quarto.

– Kath? – chamou Declan.

– Estou no banho. – respondi.

– Está tudo bem? –  disse entreabrindo a porta do quarto.

– Não me sinto muito bem. Estou com febre e minha garganta está doendo. Devo ter pegado uma gripe.

– Vou preparar o café, espero que goste de waffles.

– Obrigada, mas não estou com fome.

– Você precisa se alimentar. Coma alguma coisa e descanse.

– Farei isso assim que sair do banho.

Ele fechou a porta. Desliguei o chuveiro, vesti um short largo e um moletom, peguei um cobertor e fui para a sala. Liguei a televisão e fiquei passando os canais. Declan veio da cozinha com uma xícara fumegante e a estendeu para mim.

– É chá de hortelã com gengibre, vai fazer você se sentir melhor.

– Obrigada, não precisava fazer isso.

– Não foi nada demais. Eu gosto de um bom chá quente de manhã e preparei um a mais.

– Mesmo assim obrigada.

– Ontem você disse que Dean e Sarah foram para a Flórida, sabe quando eles voltam?

– Eu me lembro de ter dito que eles ficariam lá só por esse final de semana. – Ele riu de mim, quase gargalhando.

– E você acreditou? Kath, quando Dean e Sarah viajam para a Flórida eles não voltam antes de uma semana no mínimo.

– Sarah disse que voltariam na segunda.

– Confia em mim, eles não vão voltar. Ah, você disse que precisava levantar cedo hoje.

– Eu não acredito que a Sarah fez isso comigo, ela sabe que eu não posso ficar sozinha.

– E eu sou ninguém, não é?

– Desculpe Declan, não foi isso que eu quis dizer, eu… droga, eu odeio falar sobre isso.

– Então não fala, não precisa.

– Preciso sim…meu melhor amigo Sean, ele…

– Ele tentou passar dos limites com você e você ficou com medo de ficar sozinha com homens?

– Não, ele está em coma, no Michigan, há três meses.

– Sinto muito.

– Ele me defendeu de um idiota que queria me agarrar à força, mas acabou ali e fomos embora. Eu estava bêbada então Sean ficou na minha casa, rolou um clima e nos beijamos, foi no exato momento em que tocaram a campainha, parece que o cara do bar nos seguiu. Ele atirou em Sean e foi embora. Desde então eu não bebo. Sean não tem família, sempre fomos bons amigos na faculdade e eu sinto que fiz errado em deixa-lo no Michigan e vir para cá.

– Você não fez errado. – disse Declan se aproximando. Ele pegou uma mecha do meu cabelo que estava solta e brincou com ela entre os dedos. – Você é nova, precisa viver sua vida. Com a pensão que você e Sarah ganham dá para viver bem por muitos anos.

– Eu vou começar a trabalhar em um restaurante italiano que estou querendo comprar.

– Tem que ocupar a mente para não ficar relembrando o passado.

– Declan, muito obrigada pelo chá mas estou sentindo dores no corpo e acho que estou com febre, vou me deitar um pouco.

– Sem problemas.

Fui para o quarto e fechei a porta. O que estava acontecendo comigo? Porque Declan mexia tanto com a minha cabeça?

Deitei e tentei relaxar e dormir um pouco. Estava me sentindo exausta por causa do resfriado, tomei um comprimido para a febre e fechei os olhos. Acordei assustada. Declan estava sentado na beirada da cama com a mão na minha testa.

– Desculpe, não queria assustá-la, mas você estava gemendo e pensei que a febre estivesse piorando. Você estava ardendo em febre há umas duas horas. Coloquei compressas frias em sua cabeça para diminuir a febre. Eu fiz seis meses de enfermagem na faculdade, mas desisti.

– Obrigada, mas eu prefiro ficar um pouco sozinha.

– Eu vou sair, mas não antes de ver você comer toda essa sopa que eu fiz. É uma verdadeira sopa levanta defuntos. Coma apenas o suficiente para ajudar seus remédios a fazerem efeito.

– Por um acaso você é médico? – perguntei.

– fui expulso da faculdade de medicina no quinto período.

– Desculpe.

– Sem problemas, prefiro a vida como é agora.

– Declan, o que você faz da vida agora?

– Eu vivo do dinheiro que meus pais deixaram antes de morrer, é o suficiente para viver bem o resto da minha vida. Eu viajo, conheço lugares, pessoas, sou muito diferente do Dean.

– Também tenho vivido assim. Mas pretendo montar algo para mim, só não faço ideia ainda do que.

– Podemos analisar isso depois, mas agora que você já comeu quase toda a sopa, acho melhor você descansar.

– E você realmente me fez comer. – disse entre risos.

– Era essa a intenção.

Declan saiu do quarto e eu o fitei admirada. Ele me deixava hipnotizada. Não havia outra palavra para descrever o poder dele sobre mim. Puxei a coberta e me cobri até ficar apenas com o rosto descoberto. Não demorou muito, adormeci.

Sons estranhos vinham da sala. Meu corpo estava menos dolorido e não estava mais com febre. Levantei da cama e espiei pela janela. Já era noite. Abri a porta do quarto e fui para a sala. Declan estava no sofá com uma enorme bacia de pipoca e assistia a um filme de terror. Ele percebeu minha presença e se ajeitou no sofá.

– Me perdoe, eu devo ter te acordado com o barulho da tevê.

– Já é tarde, que horas são?

– Quase onze.

– Onze?  -indaguei surpresa. – eu dormi o dia todo.

– Está melhor?

– Me sinto bem melhor. Obrigada pela sopa.

– Você deve estar com fome, quer que eu prepare algo?

– Não obrigada, mas essa pipoca está com uma cara deliciosa.

– Senta aqui então, até as quatro da manhã tem maratona de filmes trash de terror.

– Terror? Se importa se eu gritar um pouco? – perguntei rindo.

– De modo algum.

Me sentei no sofá e a única coisa que nos separava era a enorme bacia de pipoca. A cada susto que eu levava Declan se aproximava mais. A pipoca havia acabado, estávamos empanturrados e deixamos a bacia no aparador atrás do sofá. Em uma cena de bastante suspense de um dos filmes, soltei um gritinho e dei um pulo do sofá. Declan se aproximou e passou um dos braços pelos meus ombros. Nossos olhos se prenderam um no outro e ele me beijou. Dessa vez não era sonho, era real. O gosto do seu beijo era delicioso. Ele espalmou sua outra mão em meu rosto acariciando cada centímetro de pele. Sua mão desceu por meu pescoço e continuou pela extensão do meu braço.

– Declan, por favor, eu não posso.

– O que você não pode?

– Eu nunca… fiz…

– Peraí. – ele disse se afastando. –  Você é virgem?

– Isso é um problema?

– Isso é o que torna você especial. – disse olhando em meus olhos. – Kath, foi apenas um beijo. Relaxa.

– Estou relaxada, mas isso não me pareceu apenas um beijo.

– Você sentiu algo mais? – perguntou.

– É diferente, eu só havia beijado o Sean antes. Nunca beijei mais ninguém.

– Garota, aonde você estava todo esse tempo?

Ele me beijou de novo. Mas dessa vez com mais cautela. Eu não queria deixar me envolver, mas meu corpo dava sinais que precisava continuar. Minha mente por outro lado me implorava para parar. Peguei a mãe de Declan e a coloquei sobre meu seio. Ele não a moveu, então eu o instiguei a continuar movendo sua mão com a minha.  Em um surto extasiante me joguei literalmente em cima dele. Me aconcheguei montada em seu colo, beijando seu pescoço e me demorando o máximo possível. Puxei sua camisa e a joguei longe. Segurei um de seus mamilos com os dentes e o chupei com vontade. Ele gemeu. Suas mãos que percorriam a extensão de minhas costas, agora estavam estacionadas na parte inferior da minha coluna.

– Kath, se você continuar eu não vou conseguir parar.

– Eu não quero que você pare.

***

continua

Em Minha Pele (Pt.01) – Michigan

Por Mille Meiffield

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KATH

A chuva caía forte em Almont – Michigan. Meu melhor amigo Sean Walker e eu saímos do cinema e fomos a um bar. Estávamos eufóricos, comemorando nossa formatura na faculdade.

– Você está linda nesse vestido azul.  –  disse Sean galanteador

– Sei que estou. – eu disse, um pouco alto demais.

– Vou ao banheiro e já volto. Não vá cair. – Sean se afastou rindo. Eu estava feliz, queria comemorar. Bebi mais uma tequila, esse era o meu primeiro dia de verdadeira liberdade.

– Kath? – chamou Sean voltando do banheiro. – Kath, acho melhor irmos embora. Você não parece muito bem. Espera aqui, vou pegar o seu casaco.

Eu realmente estava me sentindo tonta por causa da bebida. Já havia bebido além da conta uma vez quando tinha 17 anos, foi logo depois que meus pais morreram quando o avião em que eles estavam, caiu perto das Bahamas. Dessa vez eu parecia estar pior, meus lábios estavam dormentes e meu corpo já se movia sozinho. Sean se afastou para pegar minha bolsa e meu casaco que estavam na mesa perto do bar. Nesse momento um homem alto, moreno e com um chapéu estranho se aproximou de mim e segurou minha cintura, esfregando seu corpo ao meu. Tentei empurrá-lo, mas ele era forte e eu estava sem forças por causa da bebida.

– Me solta.

– Calma benzinho, eu só estou me divertindo.

– Me solta seu babaca. – usei toda minha força e mais uma vez tentei empurrá-lo.

– Calminha beleza, você não vai a lugar nenhum

– O que está acontecendo aqui? – Perguntou Sean. Me soltei do grandalhão e me agarrei a Sean.

– Não está acontecendo nada aqui moleque, vai trocar as fraldas e deixa que eu cuido dessa delicia. – Disse o grandalhão.

Sean se virou pra mim, ajeitou meu casaco em meus ombros e segurou minha mão para sairmos dali.

– Aonde vocês pensam que vão? – Perguntou o grandalhão em tom de ameaça.

Eu o ignorei. Segurei mais firme ainda a mão de Sean e o puxei para fora do bar. Estávamos ao lado do meu carro quando eu entreguei as chaves na mão de Sean. Entramos no carro e ele dirigiu até minha casa. Sean me levou para dentro, me ajudou a trocar de roupas e me deitou na cama.

– Nossa como você é linda. – Seus olhos tinham um brilho diferente.

– Obrigada por cuidar de mim.

– Temos que variar as vezes, né? – Ele abriu seu belo sorriso me deixando desconcertada.

Sean se deitou na cama ao meu lado e com sua mão acariciava meu rosto. Eu comecei a ficar sonolenta e o abracei. O cheiro de seu corpo era intenso, madeira e folhas verdes com um toque fresco. Levantei uma das mãos e toquei em seu rosto. Era macio e quente.  Ele beijou a palma da minha mão e foi subindo, beijando a extensão de meu braço até se aproximar da minha clavícula e deixar um beijo bem demorado ali. Sean roçou a ponta do nariz de leve em meu pescoço, mordeu de leve a ponta de meu queixo subindo seus lábios até encontrarem os meus, tocando-os levemente num beijo suave. Um beijo doce. Seus lábios se afastaram por um momento e ele olhou no fundo dos meus olhos. Parecia que estava pedindo permissão para ir além. Eu enrosquei meus dedos em seus cabelos castanhos e o puxei para mim. Beijei-o com voracidade. Nossos corpos estavam fervendo de paixão.

A campainha tocou e nos afastamos bruscamente. Ficamos nos encarando timidamente por um momento, mas a campainha tocou nova e insistentemente. Sean levantou e foi até a porta.

Tudo aconteceu muito rápido. Tiros. Pneus “cantando no asfalto” e um grito. Me dei conta de que o grito era meu. Sean, meu melhor amigo e quase namorado, se esvaia em sangue na entrada da minha casa, e eu não fazia ideia de quem tinha feito aquilo. Ele era educado, meigo e estava sempre tentando ajudar as pessoas. Ninguém teria motivo para tentar matá-lo.

A polícia chegou a minha casa em poucos minutos. Minha sala estava repleta de pessoas desconhecidas; peritos, detetives, policiais, paramédicos. Fui interrogada por diversas vezes, principalmente pelos detetives Gilbert e Chandler. Danna Gilbert era uma detetive loira, alta, de olhos claros e com uma pose bastante amigável;

– Senhorita White, você poderia nos acompanhar até a delegacia por favor? Gostaríamos de colher o seu depoimento.

– Eu preciso ir ao hospital ficar com o Sean, preciso saber se ele vai ficar bem.

– Senhorita White, os paramédicos estão fazendo todo o possível para salvar seu amigo, a única coisa que a senhorita pode fazer para ajudar o senhor Walker agora é nos ajudar a encontrar a pessoa que fez isso.

Eu não podia fazer muito, então entrei no carro da detetive e fomos até a delegacia da cidade.

O detetive Chandler já nos aguardava na sala de interrogatório. Em sua frente havia um copo com um liquido amarelado e um comprimido ao lado. A detetive Gilbert me levou até uma cadeira que estava no lado oposto ao que estava sentado o Detetive Chandler. Eu me sentei e em seguida ela foi sentar-se ao lado de seu parceiro.

– Muito bem. Senhorita White, pode nos contar exatamente o que aconteceu em sua casa? – Perguntou Chandler

– Eu não sei. – respondi num sussurro. – Não estou me sentindo muito bem.

– A julgar pela sua aparência, creio que esteja falando a verdade. – ele apontou para o copo e o comprimido. – Vá em frente, vai se sentir melhor depois de tomar isso.

Peguei o copo e o comprimido e bebi devagar. Não estava com vontade de responder às perguntas dos detetives, até por que eu não sabia o que tinha acontecido.

– Então senhorita White, o que aconteceu?

– Eu já disse, eu não sei. Sean e eu estávamos deitados na minha cama, rolou um clima, nos beijamos e alguém tocou a campainha. Sean se levantou, atendeu a porta e atiraram nele.

– Você ouviu alguma discussão, alguma coisa. – Perguntou Gilbert

– Nada. – minhas mãos começaram a tremer. – Só os tiros.

– O senhor Walker tinha algum inimigo senhorita White? – Dessa vez foi Chandler quem perguntou

– Não. Nós saíamos sempre juntos, só os dois. Sempre fomos bons amigos.

– Ele teve algum desentendimento com alguém ultimamente? –  Chandler era uma pessoa fria, eu tremia a cada pergunta que ele fazia.

– Não, como eu disse… Espera, sim… Teve sim. No bar. Sean foi buscar meu casaco e a bolsa que eu havia deixado na mesa em que estávamos. Eu estava na pista de dança e um sujeito estranho, alto, moreno e usando chapéu tipo de cowboy tentou me agarrar. Ele não queria se afastar embora eu tentasse empurra-lo. Sean chegou e eu o abracei forte, o grandalhão não gostou, chamou Sean de moleque e perguntou aonde a gente pensava que ia. Eu não dei importância, peguei a mão do Sean e saímos dali. Essa foi a única vez que vi Sean se alterar desde que nos conhecemos.

– Parece que temos um suspeito. – comentou Chandler – Você conhece esse homem senhorita White?

– Não, Sean e eu sempre vamos àquele bar. Foram quatro anos de faculdade frequentando o mesmo lugar. Conhecemos todo mundo lá.

– Você acha que alguém do bar possa ter passado o seu endereço para esse homem? – perguntou Gilbert

– Não faço ideia. – Eu não podia esperar mais, precisava ter notícias de Sean. – Por favor, eu já posso ir? Preciso ir ao hospital ver o Sean, preciso ficar com ele.

– Infelizmente não podemos deixar a senhorita sair daqui. Senhorita White, a sua vida também pode estar correndo risco. Não podemos liberá-la até amanhã. – disse a detetive Gilbert afetuosamente. – Vou pedir para o meu pessoal ligar para o hospital para saber como está o senhor Walker. Mas preciso que colabore conosco.

– Danna, pode ir, eu fico aqui com a senhorita White. – disse Chandler

-Bom senhorita White, nós vamos reunir todas as informações que a senhorita nos forneceu e faremos o possível para prender o responsável pelo incidente. A senhorita tem algum outro lugar para ir?

– Não aqui em Almont. Minha irmã Sarah mora na Califórnia.

– Eu aconselho que a senhora se mude para a casa de sua irmã senhorita White. A senhorita pode estar correndo risco ficando sozinha em casa. Não sabemos quem efetuou os disparos ou por que.

– Eu entendo, mas não posso deixar o Sean sozinho no hospital. Ele foi atingido por minha culpa.

– Por sua culpa? – indagou Chandler – Pode esclarecer senhorita White?

– Claro que por minha culpa, a única pessoa que pode ter feito aquilo, foi aquele homem no bar. Sean tinha vários amigos, ninguém em sã consciência tentaria mata-lo. – desabei em lágrimas. Chandler se aproximou e pôs a mão em meu ombro.

– Senhorita White, acho que a senhorita deveria descansar, venha, vou leva-la até o alojamento, lá a senhora estará segura. Assim que tivermos alguma noticia sobre o seu amigo a avisaremos.

– Por favor, eu preciso ir ao hospital, eu não vou conseguir descansar sem ver o Sean.

– Senhorita White… – O detetive Chandler foi interrompido quando a detetive Gilbert entrou na sala com um semblante pesaroso. Sabia que as notícias não seriam boas.

– Senhorita White, eu estava ao telefone com o pessoal do hospital, sinto muito em dizer que o seu amigo entrou em estado de coma.

– Não. – gritei. Lágrimas quentes desciam por meu rosto. Eu sentia que a vida de Sean estava se esvaindo.

– Sinto muito senhorita White. – disse Chandler.

***

Eu estava de mudança definitiva para a Califórnia. Dois meses haviam se passado desde que Sean fora baleado e ele ainda continuava no hospital, em coma, e possivelmente sem nenhuma chance de melhora.

Minha irmã Sarah e eu conversamos e ela achou melhor que eu fosse morar com ela em Fountain Valley – Orange County. Eu não estava acostumada ao calor intenso dessa cidade. Teria que me acostumar.

Cheguei ao John Wayne Airport em Huntington Beach. Peguei minhas malas na esteira de bagagem do aeroporto e me dirigi ao saguão principal. Sarah minha irmã mais velha estava lá me esperando. Entrei em seu carro e fomos dirigindo de Huntington Beach até Fountain Valley onde Sarah mora com o namorado.

– Kath! – chamou Sarah. – Kath, quanto tempo. Que carinha triste é essa?

– Antes de sair de Almont, passei no CTI do hospital para ver se Sean estava melhor. – meus olhos marejaram.

– Ei, ele vai ficar bem.

– Espero que sim.

Sarah e eu entramos no carro.

O calor reconfortante da Califórnia fez eu me sentir melhor. Mudar de ares era o que eu precisava para voltar a me sentir viva. Sarah estava feliz, eu me sentia ótima, tudo estava perfeito.

***

O apartamento de Sarah era enorme. Janelas cobriam toda a parede leste.  A sala de estar estava decorada com dois sofás enormes e reclináveis, uma pequena mesinha de centro, um televisor tela plana que eu acho era de sessenta polegadas e um home theater com caixas de som acústicas espalhadas por vários lugares. Um enorme abajur cor de creme ornava um dos cantos da sala.

Seu apartamento ficava no vigésimo quinto andar do prédio, na cobertura para ser mais precisa. Pesadas cortinas cobriam parte das janelas de vidro. Um corredor levava aos quartos e ao banheiro. Sarah me acomodou em um quarto grande, com paredes de cores neutras, uma cama king size estava coberta por um macio edredom com motivos florais. O Closet era grande e espaçoso. Também havia um enorme banheiro com uma espaçosa banheira branca, na pia, objetos decorati-vos eram os únicos enfeites.

– Só falta agora você me dizer que esse apartamento tem porão e sótão. – eu disse.

– Bom, podemos providenciar. – disse Sarah com sarcasmo.

– Desde quando minha irmã mais velha, linda e maravilhosa gosta de apartamentos grandes?

– Ah, Kath, esqueci de avisar, Dean e eu vamos passar o fim de semana na Flórida para comemorar nosso aniversário de namoro.

– Esse fim de semana? – indaguei

– Sim, algum problema? – perguntou Sarah. –  O prédio é seguro Kath, você estará segura aqui.

– Não estou com medo Sarah, acho que um tempo sozinha em um lugar diferente é tudo o que eu preciso.