Paixão Obscura (Pt. 10): A Batalha Final

Por Saul Guterres e Morgana Ownl

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Decidida a se passar por Alícia, Eileen limpou toda a bagunça que havia feito naquela casa algumas horas atrás. Com algumas poções e rituais macabros ela deu um fim nos corpos de Carlos e Dalva, sem deixar sequer algum rastro. Quando os vizinhos que habitualmente frequentavam a casa deles vieram visitá-los ela logo avisou que eles estavam de viagem ao Rio Grande do Sul e como todos sabiam que Carlos possuía uma de suas principais empresas por lá ninguém desconfiou de nada. E tudo ficou por isso mesmo. Na semana seguinte ela resolveu ir à escola para começar seus planos. Continuar lendo “Paixão Obscura (Pt. 10): A Batalha Final”

Paixão Obscura (Pt. 9) – O Fim dos Sacerdotes Brancos

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Capítulo 9 – O Fim dos Sacerdotes Brancos

Escrito por: Saul GuTerres e Morgana Owl.

Quando Carlos acordou, ele sentiu uma forte dor de cabeça, levou a mão até onde doía e sentiu que havia um curativo. Analisou rapidamente o local e se deu conta que estava em um hospital. Aos poucos foi recordando o que aconteceu. Após ver Eileen abanando para ele como se estivesse viva, ele perdera o controle do carro, bateu e desmaiou. Por sorte algumas pessoas que estavam próximas conseguiram chamar logo uma ambulância, e ele foi encaminhado ao hospital da cidade e rapidamente foi atendido.

Ouvindo algumas conversas que se aproximavam no corredor ele deitou novamente:

– A senhora pode ficar tranquila Dona Dalva, embora a batida tenha sido violenta seu marido apenas teve um corte na cabeça, mas a lesão não causou nenhum outro dano. Vou receitar algum medicamento e logo ele terá alta – Disse o médico do plantão abrindo a porta do quarto – Parece que já recuperou a cor! O senhor se sente bem Carlos? Perguntou o médico se aproximando e analisando seus sinais vitais.

– Sim doutor, estou apenas com uma dor de cabeça.

– Logo vai passar, o senhor se lembra do ocorrido? – Indagou o médico.

Carlos olhou para Dalva que olhava para ele com uma mistura de carinho e curiosidade.

– Sim…. Quer dizer um pouco…. Eu estava dirigindo e vi uma…

– Uma? – Perguntou Dalva, aflita.

– Uma… uma árvore… isso! Eu me distraí e quando vi já estava em cima dela. – Mentiu ele.

Dalva olhou para ele um pouco desconfiada, mas não queria lhe causar nenhum desconforto. O médico também desconfiou, mas como de fato o carro foi encontrado em cima de um canteiro, ele nada falou.

– Muito bem seu Carlos, espero que dirija com mais atenção na próxima vez. O senhor terá alta ainda esta tarde – O médico foi se retirando enquanto Dalva ajeitava Carlos na cama.

– Muito obrigada doutor por cuidar de meu marido! – Agradeceu Dalva e virou-se para Carlos.

– Que susto você nos deu hein?

– Desculpe minha querida, prometo que isso não acontecerá mais!

E Alicia, onde ela está? – Indagou Carlos. Dalva fez um ar preocupado e tentou evitar aquela conversa.

– Eu tentei ligar para ela, mas seu celular estava desligado… – Dalva fez um gesto peculiar com as sobrancelhas, entregando que ela estava mentindo. E Carlos como a conhecia muito bem logo questionou.

– Sua sobrancelha está tremendo, eu sei que não está falando a verdade! Conte-me o que houve! – Disse ele com ar preocupado.

– Nada demais, mas eu estava em casa e ligaram da escola dizendo que Alicia havia se envolvido em uma briga. Falaram que ela havia se machucado, mas que já estava na enfermaria. E quando eu estava indo para escola, o hospital me ligou para avisar sobre seu acidente. Então vim correndo para cá, ainda não sei exatamente o que ocorreu, mas alicia essa hora já deve estar em casa, e assim que nós deixar o hospital conversaremos com ela. – Carlos concordou com Dalva, porém ele sabia que algo estava errado, Alicia jamais se meteria em brigas, e aquela visão de Eileen o havia deixado de fato assustado. Para ela conseguir aparecer daquela maneira, era sinal de que agora ela já estava muito mais poderosa.

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Depois da confusão muitos alunos ficaram assustados. Alguns disseram que fogo saía dos olhos de Alicia e que ela estava com ar demoníaco. Quando a diretora chegou no local, ela apenas separou os alunos e levou Alicia, que agora era Eileen para enfermaria, não notando nada de anormal. Ela foi medicada, ouviu algum sermão da pedagoga da escola e depois foi liberada. Ela teve vontade de matar aquelas mulheres, mas ainda não estava com toda sua força, fingiu ser Alicia e depois foi para casa. Wilton e Anastácia que haviam saído correndo, esconderam-se na rua de trás da escola. Com medo do que Alicia pudesse fazer. Wilton nunca havia sentido medo, mas algo dentro dele dizia que dessa vez a brincadeira havia ido longe demais e que Alicia não era uma garota qualquer. Então ele despediu-se de Anastácia e foi correndo para casa.  Assim que chegou se trancou em seu quarto e não saiu mais.

Eileen andava pelas ruas encantada, agora que ela estava de volta no mundo, resolveu ver o que havia mudado, as roupas, as pessoas, tudo estava diferente. Ela sentia-se livre e mais linda do que nunca, afinal Alicia lembrava muito ela quando mais nova. E poder estar no corpo dela era mais que uma conquista. Sarah e Carlos, que eram os guardiões do livro haviam tentado durante muitos anos impedir que isto acontecesse, mas falharam, assim como todos que tentassem cruzar o seu caminho, pensava ela. E agora só faltava um detalhe, terminar com a linhagem dos sacerdotes brancos e da de Arthur. E ela começaria isso já. Estava indo para fazendo, onde sabia que o pai de Wilton estaria e sentiu-se fraca.

– O que está acontecendo? – Gritou ela com raiva – Então ela viu a imagem de Carlos desfazendo o círculo mágico de Alicia e tentando reverter o ritual de paixão obscura, e imediatamente se materializou até lá. Depois que Carlos e Dalva chegaram em casa, ele logo tratou de ver se Alicia estava em casa, mas não a encontrou. Ele sentia uma energia pesada no ar, e aproveitou que Dalva foi a farmácia e ao mercado para comprar o que necessitavam, ele correu até o porão. Quando abriu a porta levou um susto, o livro proibido de Sarah estava aberto e um círculo mágico no chão, não deixava dúvidas que Alicia havia realizado aquele feitiço. Ele sabia que não tinha poderes para desfazer tal ritual, pois há muito tempo havia abandonado a vida de guardião, mas mesmo assim em uma tentativa de salvar sua sobrinha, ele iniciou o ritual de purificação. Pegou algumas velas, sal e alecrim e começou sua reza. Nesse momento as velas se apagaram e quando ele olhou para trás Alícia, ou melhor Eileen estava atrás dele.

– Olá Carlos! Ou devo dizer Dainor? – Eileen disse com uma voz ameaçadora. E Carlos sabia que era ela, pois só ela saberia seu nome de sacerdote.

– O que você fez com a minha sobrinha? Sua bruxa! – Gritava Carlos.

– O que eu fiz? Deixe de ser tolo Dainor, você sabe que só o desejo de vingança da própria fedelha de Sarah conseguiria me libertar, então eu não tenho culpa! Hahahaha – Eileen ria com deboche de Carlos.

– Você vai pagar por isso Eileen! – Carlos começou a invocar o feitiço que estava fazendo para limpar Alice das energias e do controle mental de Eileen, mas Eileen apenas com um olhar atirou ele sobre as prateleiras. Carlos bateu com força no chão e por pouco não desmaiou novamente. Dalva que acabou de chegar em casa, e largou as compras na cozinha, chamou por Carlos. Como ele não respondia ela foi devagar até a cozinha e ouviu vozes vindo do porão. Ela sabia que Carlos era um antigo sacerdote, assim como sua irmã Sarah, mas Carlos há muito tempo havia deixado de praticar magia a pedidos seus, mas ela sabia que aquele porão era proibido a entrada de qualquer um, ela se aproximou lentamente e viu que eram Alicia e Carlos que gritavam. Abriu a porta e para sua surpresa Alícia, ou melhor, Eileen estava com a mão no pescoço de Carlos. Ele só teve tempo de dizer:

– Fuja daqui! Eu te amo, minha linda!

– Pare com isso Alícia! – Gritou Dalva – Ela tentou correr para salvar seu marido, mas Eileen ainda agarrada no seu pescoço esmagou sua traqueia com uma facilidade incrível, fazendo sua cabeça cair sobre o chão. Dalva gritou e correu para tentar salvar Carlos, mas foi inútil. Ela começou a chorar em desespero.

– Alícia, o que aconteceu com você? Por que matou seu tio? – Disse Dalva em prantos.

– Cala essa boca velha chata, Alicia já não vive mais neste mundo, eu sou Eileen aquela que seu marido e a idiota da Sarah sempre temeram! Agora estou livre para completar a minha vingança. E a primeira coisa que fiz foi exterminar os sacerdotes brancos. Agora ninguém poderá me deter hahahahahahahahaah. – Dalva sem entender nada do que Eileen estava falando, e em um ato de coragem atirou-se sobre ela para vingar seu marido, mas Eileen era muito poderosa e apenas com piscar de olhos atirou Dalva pela janela do porão, fazendo seu corpo sangrar até morrer sobre os vidros quebrados.

Eileen pegou o livro de Sarah e saiu com ele para o quarto de Alicia, ela sentia uma euforia forte. E da janela do quarto, ela viu a casa de Wilton. Agora faltava pouco para que todos que um dia a prejudicaram, estivessem mortos.

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Paixão Obscura (Pt. 8) – O Despertar

Paixão Obscura

Capítulo 8 – O Despertar

Escrito por: Saul GuTerres e Morgana Owl.

Quando Alícia chegou em casa ela não aguentou, correu para seu quarto e chorou como uma criança. Ela havia conseguido ser forte diante de Wilton, mas ao se ver sozinha, deixou que toda aquela mágoa fosse embora de seu coração, dando espaço somente para a raiva e o ódio. E era isso que Eillen desejava desde o princípio. Após aparecer para ela horas atrás ela já estava com tudo pronto para que Alícia iniciasse o ritual e então começou a sussurrar pensamentos para Alícia.

– Venha minha querida…deixa que eu te ajudo a se vingar de todos eles!

– Eu preciso de você….

-Vamos até o porão, pegue o livro, vamos nos vingar com magia…eu posso te ensinar.

Alícia capitou aquelas mensagens e logo lembrou do porão, ela sabia que àquela mulher estava perto, pois sentia sua energia, e sentiu-se segura para fazer o ritual. Preparou-se com um banho de ervas e perfumes, pegou alguns materiais e foi para o porão. Andou em volta até achar o livro de que precisava. Estava olhando na prateleira ao lado quando um vento forte entrou pela janela e derrubou uma cortina que escondia uma prateleira escondida. Ela se aproximou e movida por uma força pegou o livro que ela sabia que um dia fora de sua mãe e que ela fora proibida de usá-lo. Era o livro “Paixão Obscura”. Abriu, leu e começou a estudar rapidamente os materiais necessários.

-Não se preocupe com isso… sussurrava Eileen em seu ouvido. Eu serei sua mestra.

Alícia fechou os olhos e deixou-se conduzir por Eileen, então ela puxou uma mesinha que estava sobre um canto e colocou algumas velas pretas, no chão fez um círculo com um giz especial e dentro dele fez alguns símbolos. Pegou um colar que Wilton havia

esquecido em sua casa e colocou também sobre círculo, em sua mão esquerda estava seu athame e em sua frente o livro com os dizeres. Então em pé e com um ódio imenso no coração ela iniciou:

“ Antigos espíritos que aqui habitam, escutem-me,

Estou pronta para este sacrifício, oh antigos mestres

Das paixões, dos amores e da luxúria, eu os invoco.

E para isso eu ofereço, meu espírito, meu corpo e meu sangue”.

Nesse momento Carlos que estava em sua mesa de trabalho, sentiu uma energia poderosa e ruim, e ele sabia que do que se tratava, era o livro proibido de Sarah. Alguém estava realizando o ritual proibido e só poderia ser Alícia. Então desesperado ele pegou suas coisas e partiu o mais rápido para sua casa. Enquanto isso Alícia mantinha-se imóvel, ela deveria derramar seu sangue para que o ritual desse certo, porem como ela sempre teve enjoos ao ver sangue, sentiu-se tonta só de pensar em se cortar.

-Nem para isso eu sirvo! Pensou ela desanimada. Então ela se desligou de Eileen que irada, tentava convencê-la a continuar, mas sobre o efeito do círculo mágico os poderes de Eileen não conseguiram afetar sua mente. Triste e sozinha Alícia começou a desfazer o que havia feito, mas esqueceu de fechar o círculo, saiu dalí e foi para eu quarto. Quando seu tio Carlos chegou, ela estava deitada e ele ficou sem entender, sabia que sentira aquela vibração e que só Alícia conseguiria ritualizar tal poder. Mas como ela estava deitada e ele notou que a porta do porão estava fechada, ficou mais calmo, talvez por ter abandonado a magia suas percepções estavam fracas, pensou ele. Aproveitou que estava em casa, tomou um banho e adormeceu.

Alícia estava feliz com Wilton, suas bocas se beijavam perdidamente e seus corpos nus sobre a grama, vibravam de emoção naquela manhã, ela se sentia como uma rainha e ele era seu rei. Quando o relógio despertou, as sete da manhã, Alíca se dera conta que estava em um sonho. Levantou-se mau humorada, detestava ter aqueles sonhos com Wilton. Tomou seu café quieta e seu tio notou que ela estava diferente, mas fez que não notou nada. Depois que ela saiu ele apenas comentou com sua esposa:

– Achou Alicia diferente hoje? Perguntou ele um pouco impressionado.

– Não! Acho que talvez sejam as provas de fim de ano! Disse Dalva tranquilamente. Alguma coisa incomodava Carlos naquela manhã e ele sentia a presença de Eileen, mas preferiu evitar pensar nela. Ele então pensou:

– Eu levo essa menina para escola e volto para casa, eu preciso ter certeza de que tudo estava normal. E assim foi. Largou Alicia e estava voltando quando alguma coisa chamou sua atenção. Parou e viu a imagem daquela linda ruiva abanando sensualmente para ele, sem se dar conta de quem era, bateu seu carro bruscamente.

Na escola Alíca entrou um pouco incomodada, parecia que alguma energia pesada estava sobre ela. E com muito custo conseguiu aguentar até o recreio. Quando o sinal tocou ela saiu da sala para tomar um ar e sem querer esbarrou em Anastácia.

– Olha por onde anda sua tonta! Gritou Anastácia, chamando a atenção dos demais.

– Foi sem querer garota! Precisa gritar tanto? Respondeu Alícia com olhar firme.

– Deve ter sido mesmo né? Com certeza fez isso porque está com inveja de eu estar com o Will! Disse Anastácia com ar de deboche. E nesse momento a maioria dos alunos já estavam em volta delas gritando.

– Não vou perder meu tempo com você garota, dê o fora daqui ou me deixe passar. Alícia sentia seu sangue ferver e aquela sensação pesada aumentar.

-Plaft!!! Anastácia deu um tapa na cara de Alícia dizendo:

– Cala essa boca, desde quando uma otária feito você me diz o que fazer?

Alicia não pensou duas vezes pulou em cima de Anastácia e começou a deferir socos e chutes em todo seu corpo, enquanto a outra apenas gritava. De repente Wilton apareceu e separou as duas.

– Chega! Vocês estão loucas? Gritou ele.

– Eu estava quieta aqui, essa sua namoradinha que veio me encher. Mas agora ela sabe que não pode se meter comigo! Respondeu Alicia rindo. Virou-se e estava indo para dentro do colégio, quando Anastácia se soltou de Wilton com um canivete na mão pronta para cortá-la. E sobre um grito de cuidado, Alicia se virou e conseguiu colocar a mão direita na frente, fazendo com que a lâmina atravessasse sua mão. Seu sangue começou a escorrer fortemente, e quando tocou no chão, ela sentiu que algo havia mudado. Trovões e raios rasgaram o céu, os olhos de Alicia estavam escuros, todos olhavam para ela assustados. Alguns começaram a correr para as salas, enquanto Wilton e Anastácia olhavam para ela assustados. E então com uma risada assustadora ela ergueu as mãos como que agradecendo a liberdade. Era Eileen que estava de volta no mundo material. E dessa vez para ficar.

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Paixão Obscura (Pt. 7) – Espinhos no Coração

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Paixão Obscura

Capítulo 7 – Espinhos no Coração

Escrito por: Saul GuTerres e Morgana Owl.

A manhã estava chuvosa e Alícia se espreguiçava na cama tentando ganhar forças para levantar e ir para o colégio. Não que ela quisesse perder a aula, mas porque o cheiro do perfume de Wilton ainda estava em sua cama. Lembrava ainda das carícias dele e se mordia de prazer. Despertou novamente com duas batidas na porta.

– Alícia, já está na hora de levantar! Disse seu tio Carlos. Ela olhou no relógio e já eram 07h10min. Levantou rápido, foi para o banho e arrumou-se com capricho, afinal ela iria encontrar seu amor hoje cedo. O café já estava servido e seu tio já estava pronto, apenas esperando ela terminar o seu para irem ao colégio. Então Alícia apenas comeu uma fruta e bebeu um suco.

– Estou pronta, tio. Vamos? Disse Alicia apressada.

– Vamos sim, apenas vou chavear a porta dos fundos, me encontre no carro.

– Certo tio! – Alicia correu para o carro e ficou esperando ansiosa.

Carlos na verdade sentiu uma energia estranha na casa. E logo imaginou o que pudesse ter acontecido. Foi para o porão e verificou se a sala escondida estava ainda chaveada. Foi até o porão e verificou que ela ainda estava fechada. Em seguida ele a abriu, e não notou nada de estranho, mas sua intuição lhe dizia o contrário. Foi para o carro, e tentou esquecer aquela impressão. Depois de deixar Alicia na escola, foi para seu trabalho e chegando lá como era um homem muito atarefado, logo esqueceu aquela preocupação com a energia de Eileen.

Quando Alicia entrou no colégio, ela logo procurou por Wilton, mas não o encontrou. Como ela se atrasou o sinal logo tocou e ela foi para sala, torcendo pela hora do intervalo para poder vê-lo. As aulas para ela pareciam intermináveis naquela manhã. E quando o sinal tocou, ela saiu feito uma flecha pelo corredor até a sala de Wilton. Chegando lá não o encontrou, deu outra volta e não conseguiu localizá-lo. Então ela foi para o pátio, estava indo para gruta onde costumava ver Wilton com seus amigos, quando teve uma surpresa. Sua colega Anastácia estava sentada no colo de Wilton aos beijos com ele. E quando a avistaram, fingiram não lhe conhecer. Nunca um sentimento tão ruim brotou dentro de Alicia, ela pôde sentir seu sangue ferver e até um vento forte começou a soprar naquela hora. Deu meia volta e foi para sua sala, seus pensamentos estavam confusos, ela ouvia vozes em sua cabeça, e ao mesmo tempo ouvia risadas, pareciam que todos estavam rindo dela, então ela tapou os ouvidos e tentava não ouvir aquilo tudo. Sua cabeça doía e seus olhos pareciam que iriam pegar fogo. Em um momento de desespero ela saiu correndo para o banheiro. Os alunos que estavam no corredor a olharam sem entender nada. Entrou e fechou a porta e começou a chorar. Uma raiva absurda brotava em seu coração e pensamentos sombrios a atormentavam naquele momento.

-Preciso me acalmar! Pensou ela.

– Deve ter uma explicação! Ele nunca faria isso comigo… Não, Wilton não!

Nesse momento ela ouviu a porta abrir e reconheceu a voz e a risada de Anastácia.

– Você nem imagina o quanto ele beija bem e é muito gostoso! Disse Anastácia com a língua nos lábios.

-Serio, mas como você o conheceu? Perguntou a outra garota que entrou com ela.

– Faz dias que saímos, mas ele estava tentando pegar outra, aquela esquisita da nossa sala! Disse Anastácia com cara de nojo.

– E será que conseguiu? Perguntou a amiga, curiosa.

– Pela cara que ela nos olhou hoje, acho que sim! Talvez até tenham transado também. Respondeu Anastácia com ar de deboche.

– Não acredito? Será que ela está brava ou vai fazer alguma cena de ciúmes na frente de vocês?

– Espero que não, até porque eu detesto isso e com certeza Wilton também. E essa hora ela já deve estar chorando em algum lugar – Falou ela rindo.

As duas saíram em altas gargalhadas e fecharam a porta. Alícia então saiu do banheiro e foi lavar seu rosto. Olhou no espelho e sua fisionomia estava triste e abatida. Olhou novamente e viu o reflexo de Eileen atrás dela. Assustou-se e olhou para trás, mas não havia ninguém. Ela sentiu-se tonta, parecia que alguma coisa estava tentando dominá-la. Passou uma água no rosto e minutos depois, se sentiu melhor e foi para a sala de aula novamente. Ela sabia que teria de encontrar Anastácia e Wilton juntos a qualquer momento, mas colocou em sua cabeça que não os deixariam a verem triste, seu coração estava ferido sim, mas seu orgulho falava mais alto e ela não daria esse gostinho para eles.

Enquanto isso Eileen que tentou dominar o corpo de Alícia, viu que ainda não era hora. Porém logo ela estaria pronta para recebê-la. Bastava um último detalhe, a realização do ritual paixão obscura. Esse ritual era escrito como se fosse um feitiço de amor, mas na verdade era uma mistura de palavras que permitiria que o espírito de Eileen se apoderasse do corpo de Alícia para sempre, libertando ela da prisão espiritual.

A notícia de que Anastácia era a nova “aventura” de Wilton se espalhou rápido na escola, mas a notícia que chocou Alícia foi à de que ela e Wilton já haviam transado. Quando estavam no quarto ele havia prometido a ela que aquilo ficaria apenas entre eles, pelo menos até estarem oficialmente namorando. “Como fui idiota” pensou ela. E ao entrar em sala de aula percebeu que todos a olhavam com ar malicioso, mas fingindo estar tranquila ela sentou em seu lugar e não deu bola para ninguém. Quando o sinal da saída tocou, Alícia pegou sua mochila e saiu tranquila da sala. Ao se aproximar do portão viu Wilton e Anastácia juntos. Tentou evita-los, mas foi inútil.

– Oi Alícia! Cumprimentou Anastácia.

– Olá Anastácia! Respondeu Alícia aparentando tranquilidade, e como se nada tivesse ocorrido ela também cumprimentou Wilton.

– Está tudo bem com vocês? Perguntou ela com naturalidade.

-Sim Alícia está tudo bem entre a gente. Wilton respondeu dando um beijo em Anastácia, tentando provocar alguma reação em Alícia, mas se surpreendeu com a normalidade e elegância com que Alícia respondeu.

– Que bom então! Espero que continuem assim certo? –Eu preciso ir, tenho algumas matérias para estudar, vejo vocês amanhã, até logo!

-Até mais! – Os dois disseram ao mesmo tempo e um pouco decepcionados.

Wilton gostava que as garotas brigassem por ele e isso era o que de fato sempre ocorria, mas com Alícia fora totalmente diferente, nunca ele havia imaginado que ela pudesse estar tão segura de si e calma. Já Anastácia não se surpreendeu, sabia que era de costume muitas as garotas brigarem por causa de Wilton, porém Alícia em seu pensamento era uma otária do interior e soube reconhecer que perdera Wilton para sempre. Pelo menos era o que ela imaginava.

Quando Alícia se despediu deles, sentiu sua raiva diminuir, mas não sua dor. Sabia que havia deixados eles de boca aberta com a sua reação. Tinha certeza que eles a estavam achando boba e que estaria agora chorando, e era exatamente isso que ela queria que eles pensassem. Pois ela não iria desistir de Wilton, pelo menos não tão facilmente. O seu amor por ele se tornara agora uma obsessão, ela colocou a mão no peito jurou o fazer pagar pela humilhação que ela teve. Olhou para o céu e viu nuvens negras se aproximarem, andou mais um pouco e sentiu a presença de alguém. Virou-se de costas, mas não enxergou nada, porém ao passar por uma vitrine viu novamente no espelho a imagem daquela mulher dos seus sonhos. Só que dessa vez não teve medo, sorriu para ela e pediu a sua ajuda.

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Paixão Obscura (Pt 6): Desejo

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Paixão Obscura

Capítulo 6 – Desejo

Escrito por: Saul GuTerres e Morgana Owl.

A aula iria terminar um pouco mais cedo naquela manhã e Alícia estava pensando sobre o que fazer, já que ficaria uma boa parte da manhã sozinha em casa. Quando o sinal tocou, ela arrumou suas coisas e estava indo em direção à saída, quando Wilton a surpreendeu:

– Aonde vai com tanta pressa?

– Oi Will… Quer dizer Wilton! Estou indo para casa, e você?

– Bom, pode me chamar de Will certo? E como temos uma boa parte da manhã livre, não gostaria de dar uma volta com nós? Apontou ele para alguns outros alunos que estavam bem animados em sair da escola mais cedo.

– Bom, eu acho que não teria problema algum, mas… Quando ela iria terminar de falar Wilton a puxou pela mão e saíram em direção aos outros. Após as apresentações, todos partiram animadamente para uma praça da cidade que era logo perto da escola. As conversas eram das mais variadas, falavam sobre músicas, filmes, e até sobre alguma matéria ou outra. Alicia estava encantada com a beleza de Wilton e com o jeito que ele a tratava. O tempo foi passando e já estava na hora de Alícia estar em casa para o almoço, então timidamente se levantou e disse:

– Bom pessoal, a conversa está ótima, mas eu preciso ir!

– Tá cedo ainda gata! Disse um dos rapazes.

– É mesmo alicia, fique mais um tempo com a gente, afinal quase nunca saímos cedo da nossa escola! Disse uma das garotas que estavam ali também. Mas foi só quando Wilton pediu que ela aceitou ficar. Sentada ao lado dele, conversaram por mais meia hora. Então decididamente ela se foi e Wilton se ofereceu para leva-la. Despediram-se e saíram lado a lado. No caminho alicia estava quieta, pois nunca havia sentido aquela atração por rapaz algum, e não sabia muito como se portar. Já Wilton mais esperto sentia que ela estava atraída por ele e aproveitou a situação dizendo:

– Uma garota tão linda como você já deve ter namorado né? Alícia sentiu seu rosto arder.

– Besteira sua, não tenho namorado!

Nesse momento o espírito de Eileen se aproximou, causando um vento frio sobre Alicia e Wilton.

-Nossa que frio me deu agora! Disse ela.

– Não tem problema eu estou aqui para te aquecer falou Wilton envolvendo Alicia em um abraço. Nesse momento seus rostos se encontraram e aproveitando isso, ele lhe deu um beijo caloroso nos lábios que ela o correspondeu com paixão. Ficaram mais um tempo pela rua e após seguiram para casa. Quando chegaram ao portão Wilton lhe deu outro beijo e disse que queria vê-la naquela mesma tarde e se despediu. Alícia parecia estar em sonho, e sobre as árvores Eileen aplaudia sua conquista com ar de vitória.

Quando chegou em casa sua tia já havia chegado e perguntou:

-Onde esteve Alicia, já é quase uma hora. Estava preocupada!

– Saímos mais cedo tia, e eu e alguns colegas demos uma volta na praça aqui perto. Perdemos a hora. Desculpe-me! Disse Alicia.

-Tudo bem, eu gosto que esteja fazendo amigos, mas na próxima vez avise que irá chegar tarde certo? Agora eu tenho que trabalha e seu tio hoje não virá almoçar, portanto ficará sozinha a tarde toda. Qualquer coisa ligue em meu celular, até mais!

– Tudo bem tia, até mais!!! Alicia se sentiu aliviada, não queria ter de revelar que havia estado com Wilton e muito menos que o havia beijado. Mas o gosto dos lábios dele ainda estava em sua boca. Após almoçar ela correu para seu quarto e tomou um gostoso banho, sabia que Will a queria ver a tarde e ela queria estar bela. A tarde estava quente e ela estava deitada em sua cama, escutando música quando ouviu seu nome.

– Alícia… Alícia! Saiu no corredor não viu ninguém, mas aquela voz parecia familiar. Desceu até o porão e se surpreendeu com uma porta que parecia muito com a que ela via em seus pesadelos. Pegou a maçaneta e abriu.

– Minha nossa! Disse ela com espanto. Pois o local era igual com o que ela sonhava, e onde ela via aquela mulher ruiva. Sobre as mesas havia vários livros e instrumentos usados em magia. Havia potes com ervas, alguns insetos, líquidos e entre outras coisas. O espírito de Eileen estava ali e embora Alícia não a enxergasse, sentia a sua poderosa energia.

– Quem é você e o que quer comigo? Disse ela. Eileen limitou-se apenas a dizer a palavra, vingança! Tão alta e com uma risada demoníaca.

Alícia não entendeu muito, mas sabia que por algum motivo aquela mulher a atraiu para este local. Seu tio escondia aquele porão e ela iria descobrir o porquê. Fechou a porta e foi novamente para seu quarto. Sentia uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo algo dentro dela se familiarizava com aquela energia a deixando confusa.

– Eu disse que viria te ver à tarde! E lhe deu um beijo na boca. Alícia quase desmaiou de tesão. Aquela energia agora estava mais forte sobre ela.

– Está louco? Sabe que meu tio não quer você aqui!

– Eu sei, e você quer? Eu vi que o carro dele não está na garagem e que sua tia também saiu! Ou seja, você está sozinha! Disse ele com um olhar malicioso. Na mesma hora ele pulou sobre ela e lhe deu outro beijo, ela atraída por ele, se deixou levar por ele e suas carícias. Fecharam a porta foram para seu quarto. Tudo ocorreu muito rápido, as carícias dele se tornaram mais quente e por um momento ela tentou evitar.

– O que foi? Está com medo? Perguntou ele.

– Na verdade eu nunca tive essa experiência! Ao ouvir isso Wilton ficou com ainda mais tesão e ao seu ouvido dizia que a amava ainda mais. Com Wilton sobre ela, lhe dizendo aquelas loucuras, Alicia não resistiu e se entregou a ele em uma transa bem intensa. Quando se saciaram, Alicia se sentia a melhor pessoa do mundo e Wilton o mais gato. Já era passado das dezessete horas e ambos se arrumaram ligeiro. Alicia foi à frente para ver se alguém havia chegado e como não havia ninguém, os dois saíram pelos fundos e se despediram. Alícia procurou os lábios de Wilton, mas ele a beijou na face e saiu. Por um momento ela se sentiu triste, mas não deu bola, fechou o portão e foi para casa preparar suas coisas, pois no outro dia teria novamente um belo encontro com seu amado Wilton.

Tudo estava saindo exatamente como Eileen planejara. Sua vingança, mesmo depois de décadas, seria concluída. Seu espírito malicioso se alimentava da desgraça alheia, ainda mais daqueles que lhe contrariaram. Não importa se Alícia era jovem e não sabia do que ocorrera e muito menos do que estaria por vir, ela deveria ajudar Eileen a colocar seus planos macabros em prática, custe o que custar.

 

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