Pavilhão Cinza

*Conto inspirado nos relatos acerca do hospital psiquiátrico de Barbacena.

Por: Natasha Morgan

Aquela não era uma boa época para se usar saias.

Quando coronéis trajando uniformes cáqus e fumando charutos importados assombravam a seca do sertão, manipulando, intimidando e dirigindo o povo carente era um fardo ser a jovem bela e promissora de uma família em ascensão.

Foi o que descobriu Ana naquela tarde fatídica em que estendia as roupas no varal puído de seu quintal. Quando os olhos cinzentos do Coronel Alfredo pousaram sobre seu corpo juvenil e cintilaram em malícia selvagem.

Quando as mãos grossas daquele homem grotescamente perfumado passearam por seu corpo, invasivas. Quando seus lábios secos experimentaram o sabor de sua pele e seus músculos a sufocaram no celeiro, ameaçando afundá-la na palha áspera conforme ele violava sua inocência e fragmentava sua alma.

Ana não pode dizer nada.

O que o Coronel queria, ele pegava.

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The Bite – O que se Esconde por trás das Àrvores

Por: Natasha Morgan

Alguma coisa a mordeu na floresta.

Ela não o viu.

Lembrava-se de estar bebendo com Karen, sua melhor amiga. Saíram do trabalho tarde da noite, passaram numa lojinha 24 horas e comparam uma garrafa de rum. Ideia de Karen ,é claro.

A amiga de longa data se tornara bem diferente depois de se relacionar com aquele motoqueiro estranho do Kansas. Vestia-se de forma mais ousada, estava mais bonita, falava de forma provocante e adotara uma ideias estranhas.

Como estacionar o carro na beira da estrada e sair correndo pela floresta com uma garrafa de rum e uma canção estranha nos lábios rosados.

Lorah sabia que não era uma ideia das mais comuns, mas se deixou levar, seguindo a amiga pelo meio das árvores, dividindo o rum e cantarolando aquela estranha canção. Continuar lendo “The Bite – O que se Esconde por trás das Àrvores”

Devoradora de Homens

Por Natasha Morgan

Devoradora de Homens

Imediações de Der Schwarzwald, Baden-Wurttemberg.

O Tenente parecia entediado, embora sua postura e olhos sérios. Aquela era a última fase do treinamento daquele pelotão, uma aventura na floresta onde eles deveriam se mostrar capazes com tudo o que aprenderam em treinamento.

E onde foi que a mente brilhante do Coronel inventou de levar aquele grupo de soldados de bunda magra e expressão arrogante? Na porra daquela floresta!

Der Schwarzwald, também conhecida como Floresta Negra era a área mais temida de toda a Alemanha. Abrigada numa cordilheira a sudoeste da Alemanha, a floresta de ares sombrios era um campo cercado de belas árvores e rochedos brumosos que assustavam garotinhos em lendas antigas. Local de extensa vegetação, neblina, cavernas e histórias, aquela floresta inspirava o receio de toda a população de Baden-Wurttemberg.

Qualquer filme de terror alemão, usava aquela paisagem para lhe dar foco.

Qualquer lenda urbana se utilizava de suas cavernas para dar embuste ao medo da garotada.

Qualquer adolescente idiota usava aquelas trilhas estreitas para seu rito de passagem.

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A Costa Brasile Pt. 01 – Cativo

*Inspirado no relato de Hans Staden, alemão capturado pelos Tupinambás na costa de Ubatuba

Por: Natasha Morgan
Ele estranhou a demora do escravo.

Mandara-o buscar comida fazia algumas horas, o sol ameaçava torrar seus cocurutos e nada do selvagem voltar.

Hans espiou as árvores lá fora, imaginando onde estaria o maldito idiota.

Amaldiçoou baixinho e se embrenhou na mata, atrás do escravo. Será que teria ele fugido? Pouco provável. O selvagem vinha da tribo carijó, eram amigos dos portugueses. Trocavam seus serviços por pequenos objetos ordinários que lhes despertavam o interesse.

Mas onde se metera o palerma então?

Hans praguejou novamente, chutando uma pedra que surgiu em seu caminho.

De repente ouviu gritos. Desatou a correr, seguindo o som caótico e penetrando cada vez mais fundo nas entranhas da mata.

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O Casarão Assombrado do Votorantim

*Inspirado nas lendas da cidade de Mairiporã

Por: Natasha Morgan

Quando o som estridente do telefone na cabine ecoou pelo salão de jantar, ele soube que os oficiais estavam chegando. Em toda aquela aldeia pitoresca ele era o único que possuía aquela regalia moderna, um presente de um amigo muito influente na política. E naquele momento se amaldiçoou por ser tão privilegiado.

Seus olhos sombrios se voltaram para o fone marrom escuro e ele o apanhou, retorcendo os lábios finos a cada palavra que ouvia da outra linha.

– Senhor, aconselho-o a se apressar. A estrada velha está abarrotada de oficiais. Meia hora até chegarem à fazenda.

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