Fome [+18]

Escrito por Gabi Waleska.

Capa Fome.png

“A toast to lonely souls
Who never could take control of life
Burning pain, hell frozen rain falls down
Down

Life is cold here
Empty hallowed ground
In my head blood-colored rain falls down
Falls down.”

O outono daquele ano era implacável, a chuva caía, não como uma bênção vindoura ou como anunciadora de boa colheita, mas como um prenúncio de alagamento e perdas. Estava mais frio que de costume, como se o inverno e o outono ousaram se fundir em uma nova estação tão alagada, quanto gelada, escura e agourenta.
Quando a noite chegava, todos trancavam-se para se aquecer no interior de suas casas. Ninguém poria o corpo nas ruas encharcadas pela chuva gélida outrora abençoada, agora maldita como que vinda do inferno.
Na velha igreja, até os sacerdotes não mais oravam para agradecer as semanas chuvosas, levando em consideração que todo o plantio e, portanto, o sustento da Vila do Campo estava perdido, afogado sob aquelas águas escuras e lamacentas. Continuar lendo “Fome [+18]”

Teardrop

Escrito por Gabi Waleska.

Teardrop (Gabi)

As pancadas na madeira me despertaram. Não sei por quanto tempo dormi, mas aquele som intenso e persistente era alto e me arrancou de um sono tão profundo que fiquei desorientada por alguns instantes, tentando me situar. O ambiente sulfuroso e abafado me trouxe à realidade e comprimia-me. O eco da madeira apodrecida cedendo era desesperançoso.

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O Segredo das Árvores [Início] – Amor Insólito

Por Gabi Waleska

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Este conto é inspirado na lenda paraibana da Árvore do Abraço. Vide no final do capítulo um pouco sobre o local.

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Que bela manhã”, suspirou Leonor com a cabeça apoiada sobre os braços no peitoril da janela. O sol adentrava as folhagens das árvores, fazendo subir a bruma comum da manhã em meio a Mata Atlântica. Era lindo e poético. Leonor era jovem e gostava daquilo, romântica, inocente e doce, ainda não conhecia o mundo e a ferocidade humana.

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Espírito das Águas

Escrito por Gabi Waleska.

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Ah, o borbulhar oculto da cachoeira no inverno. Que esconde a fortaleza de vida e fibra intocável, impenetrável para os vivos, insondável aos mortos.

O lar do dono da fonte. O Espírito das Águas que desperta.

O gotejar do degelo, escoando, caindo delicadamente frio sobre as margens.

O final do inverno desperta a natureza. E esse gotejar, que traz a vida atroz das águas mornas do rio. Suavemente. Continuar lendo “Espírito das Águas”