Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.19) – Final…Será?

 Por Mille Meiffield

Talvez-saudade

– Nahual? Kesabel? O que fazem aqui? – indaguei.

– Olá Rehael! – disse Nahual. – Como vai irmão?

– Vocês ainda não responderam, o que querem?

– Não queremos nada Rehael, apenas viemos ver se você está bem. – disse Kesabel.

– Já faz muito tempo desde a última vez que você se juntou a nós. – continuou Nahual.

– Eu estou bem. Agora que já sabem disso podem ir, estou em uma missão e preciso ficar alerta.

– Nós também estamos em uma missão. – disse Nahual. – Mark nos mandou aqui.

– Eu sabia! Vocês estão aqui para me aprisionar.

– Aprisionar? – ironizou Nahual. – Não. Apenas queremos fazer com que você volte à razão. Qual é Rehael? Vai jogar tudo fora por causa de uma Ninfa?

– A minha vida pessoal cabe somente a mim.

– Não acredito que uma “vadiazinha” fez a sua cabeça. Você tem o quê, duzentos aninhos? – Kesabel estava furiosa.

– Façam o que vieram fazer, eu não vou lutar. – disse Rehael. – Mas deixem Litza em paz.

– Litza?! – gritou Nahual. – Você já a chama pelo apelido? O que você fez meu irmão?

– Não sou mais seu irmão á muitos anos Nahual. Não devo nada a você. Já está na hora de vivermos em paz.

– Errado Rehael. Já está na hora de você ir para aonde já deveria ter ido há muito tempo.

Kesabel me golpeou, fazendo meu corpo ceder. Nahual amarrou meu corpo com uma corrente enfeitiçada. Litza ficaria a salvo enquanto estivesse na Sociedade das Sombras. Os membros do conselho vão protegê-la. Eu serei apenas uma lembrança dolorosa para ela. Eu a amo.

LITZA

Meu espírito havia acordado. Eu estava no Mundo Longínquo sozinha. Não sabia como encontrar Addam, até que uma voz falou ao meu ouvido algo ininteligível. Eu segui o som dessa voz e avistei dois vultos lutando em uma praia deserta. Corri em direção a eles e conforme me aproximava avistei Addam e Rehael num duelo mortal.

– Para Rehael! – gritei com toda a minha força. – Você vai ter que

me matar primeiro se quiser tocar novamente em Addam.

– Vai ser um prazer Litza.

A imagem de Chris oscilou pelo corpo de Rehael

– Você não é Rehael!

– Nossa! Como você é experta. Deveria ter ficado na sua e ter deixado eu terminar com seu namoradinho.

– Jamais deixaria Addam aqui sozinho. E onde está Rehael?

– Morto!

Aquelas palavras me atingiram como uma flecha. Uma lágrima quente rolou por meu rosto. Apenas uma lágrima. Eu ouvi um crepitar de chamas bem baixinho, ao longe. Chris olhava assustado em minha direção. Olhei para minhas mãos e elas estavam em chamas. Não era uma coisa dolorosa. Na verdade era um calor familiar, agradável. Chamas azuis cobriam todo o meu corpo.

– Litza, você está desabrochando. Seus poderes vão fluir através de seu corpo. Não hesite em usá-los.

Addam desmaiou. As chamas que lambiam todo o meu corpo foram diminuindo. Chris correu em minha direção e me mordeu. Dessa vez o fogo era real. A dor quase insuportável queimava minhas veias. Não

conseguia respirar por causa da dor, comecei a sufocar.

Chris se ajoelhou ao meu lado.

– Até morrendo você é linda. Pena que escolheu o lado errado. Poderia ser a minha princesa, Litza. A princesa Zamerov. Os McAleese sempre foram fracos. Fracos como a sua mãe.

Mal conseguia respirar. Meus pulmões queimavam. Pareciam estar se liquefazendo. Levantei minha mão esquerda levemente tentando afastar Chris. Um facho de luz azul saiu de minha mão e o atingiu com força. Espalmei meu corpo no chão. Minha respiração aos poucos voltava ao normal. Addam se arrastou para ficar ao meu lado. Ele mordeu seu pulso e o colocou em meus lábios.

– Você precisa beber isso Litza. Chris poderia tê-la matado. O veneno de um vampiro pode ser mortal para uma Ninfa, por isso havia muitas desavenças no passado e só com muito diálogo conseguimos conviver civilizadamente com as Ninfas. Por isso no começo, hesitei em ficar com você.

– Eu não posso beber seu sangue Addam.

– Você tem que beber Litza. Eu não sei se você vai sobreviver a esse veneno se beber meu sangue, mas se não beber, praticamente não terá nenhuma chance.

– Se eu beber, me torno uma vampira, como Mark.

– Não. Se torna uma híbrida. Metade vampira, metade ninfa. Não é tão ruim assim ser um vampiro e você sempre tem uma opção de escolha. Você pode viver como meus irmãos e eu, não precisa viver como Mark.

– Eu te amo Addam

– Eu te amo Litza, por favor, beba.

Adam pressionou seu pulso em meus lábios e eu bebi. Seu sangue era doce e suave. Ele descia deliciosamente pela minha garganta, aliviando o que restava da queimação em minhas veias. A ardência se suavizou e um atraente frescor tomou seu lugar.

Addam puxou bruscamente seu pulso de meus lábios.

– Me perdoe Liz. Pedi para você parar, mas você não me ouvia.

– Desculpa.

– Não se desculpe anjo, isso é normal. Foi sua primeira vez.

– Addam, você precisa voltar agora. Olhe! – apontei para uma luz que vinha do meio da densa floresta. – O portal está aberto.

Ele se levantou e me puxou junto a ele.

– Vamos. – disse Addam. Hesitei e ele me olhou confuso.

– Não posso ir ainda. Rehael está preso aqui em algum lugar. Preciso encontrá-lo.

– Não vou deixar você arriscar a sua vida por um Caído.

– Ele arriscou a vida dele por mim.

– Litza…

– Ele poderia ter me matado por duas vezes e não o fez.

– Não fez porque quer você.

– O motivo não me importa Addam. Por favor, eu preciso fazer isso.

Seus olhos demonstravam a angústia que ele sentia ao me deixar sozinha neste lugar sombrio. Ele me beijou pesarosamente. Seus lábios resistiam em se afastar dos meus.

– Addam, o portal vai se fechar a qualquer momento. Eu vou ficar bem, prometo.

– Volta para mim anjo.

– Sempre.

Addam passou pelo portal e ele se fechou. A marca que Rehael havia deixado na palma de minha mão na última vez em que nos vimos, pulsava.

Segui um fraco halo de luz até uma caverna rochosa que beirava a praia. A marca em minha mão começou a pulsar mais forte e senti que estava no caminho certo. Entrei em um dos túneis e vi Rehael acorrentado em cima de uma pedra enorme.

Uma espessa fumaça esverdeada acercava seu corpo. Me aproximei procurando algum ponto fraco na corrente. Rehael estava consciente, mas não conseguia falar. Aproximei minha mão de seu rosto, mas logo recuei ao ver terror em seus olhos. Toquei na corrente e uma forte descarga elétrica percorreu meu corpo me jogando no chão. Respirei fundo e levantei. Lembrei das palavras de Addam sobre meus poderes. Agora que havia me transformado em uma híbrida, metade ninfa, metade vampira. Imaginei que pudesse juntar minhas forças para destruir as correntes. Me aproximei mais uma vez, levantei minhas mãos em direção as correntes, respirei fundo e imaginei o mesmo facho de luz novamente saindo de minhas mãos.

O facho de luz penetrou a espessa fumaça esverdeada e aos poucos ela foi se dissipando. Quando a fumaça se dissipou completamente, Rehael forçou as correntes com seu corpo e elas romperam.

Minhas pernas bambearam e me apoiei na parede rochosa. Rehael veio em minha direção e me tomou em seus braços. Ele olhou profundamente em meus olhos e me beijou. Seu beijo era um doce ácido que queimava deliciosamente cada centímetro do meu corpo. O beijo ficou mais intenso e profundo. Nos deitamos ali mesmo. Rehael estava por cima de mim. Seus beijos me faziam arfar de prazer. Nossos lábios estavam mergulhados um no outro. A imagem de Addam veio em minha mente e não consegui continuar.

– Por favor Rehael, eu não posso.

– Sinto muito Litza, não deveria ter ido tão longe.

– Também me deixei levar.

– Eu te amo Litza.

– Meu coração é do Addam.

– Eu sei.

– Uma parte do meu coração também é sua Rehael.

– Acredito nisso Litza. Obrigado por me tirar daqui. Vejo que você já desabrochou. Está mais bonita, mais mulher.

– Eu preciso de um favor, me ajuda a volta para casa?

– Jamais poderia lhe negar isso Princesa. – Rehael fez um rápido floreio, me pegou pelas mãos e bateu asas, me erguendo do chão, e quando estávamos a uma altura considerável, ele me soltou.

O baque do meu espírito com meu corpo foi forte. Gritei quando abri os olhos. A cegueira momentânea apareceu novamente.

– Addam! – gritei. – Addam?

– Estou aqui, Anjo.

– Eu ainda não consigo enxergar.

– Você passou muito tempo no Mundo Longínquo, procure relaxar, em breve sua visão vai voltar normalmente.

– Lykke?

– Sim sou eu Litza. Tenho uma novidade muito boa. A Wendy não está mais sob o efeito da hipnose de Chris. Ela já está até com outra aparência, em breve você poderá vê-la. Zahra e Sophie estão cuidando dela.

– Obrigada, não tenho como agradecer mais a vocês. – agradeci. – Vocês poderiam me dar licença agora? Preciso falar a sós com Addam.

– Amanhã Aeryn vai a julgamento e você deverá sentar-se pela primeira vez na cadeira do Conselho que foi designada a família Zamerov. – disse Petter.

– Estarei lá Petter, mais uma vez obrigada.

Minha visão já estava quase totalmente focada. Petter acenou com a cabeça e partiu com os demais. Eu agora posso chamá-los de amigos. Tenho uma nova família. Wendy está comigo novamente. Achava que não teria o que temer, até prestar atenção na expressão do rosto de Addam.

– O que foi?

– Preciso te contar uma coisa. Não vai ser fácil, mas não consigo mais viver assim.

– Diga, seja o que for.

– Estou indo embora para a Sociedade das Sombras de Dublin.

– Dublin? Irlanda?

– Anjo eu…

– É por causa de Rehael. – não foi uma pergunta, mas Addam respondeu mesmo assim.

– Não é só por ele. Você é minha vida Litza, mas eu não posso suportar saber que apenas metade do seu coração é meu.

– Eu jamais pensei que alguma vez fosse falar isso, mas eu não quero te ver nunca mais Addam. Adeus.

Addam saiu do quarto.

A forte dor que atingiu meu peito, fez escorrer uma lágrima de meus olhos. Minha visão parecia meio turva. Meu coração congelou e minha capacidade de amar, se esvaiu.

Sociedade das Sombras: Beijo Eterno(Pt18) – Ataque

Por Mille Meiffield

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ADDAM

Não queria ficar em meu quarto, mas também sabia que Litza precisava ficar a sós com Wendy e que Lykke estaria lá para ajudá-la. Minha cabeça dava voltas e mais voltas. Eu deveria ter tentado impedir a entrada de Mark e seu séquito aqui. Essa é a nossa Sociedade das Sombras, aqui temos direitos e deveres a serem cumpridos. Mark é um assassino e mesmo assim Gilly o deixou ficar. Será que ela realmente era confiável?

Saí do quarto e estava indo em direção ao quarto de Litza quando ouvi gritos. A porta estava entreaberta. Quando entrei, encontrei Litza caída no chão e Lykke tentando acordá-la. Wendy não estava.

– Lykke, o que aconteceu com Litza? – perguntei exasperado. – Onde está Wendy?

– Ela e Litza estavam discutindo. Eu me descontrolei e tentei atacar Wendy, Litza gritou com a gente e desmaiou.

– Como assim ela gritou e desmaiou?

– Eu não sei Addam! – gritou Lykke.

– Vem, me ajuda a coloca-la na cama. – pedi – Por favor Lykkke, chame Benjamim e Beatrice. Rápido.

Lykke saiu do quarto parecendo um minitornado. O corpo de Litza estava imóvel, frio. Ela parecia morta. Seu corpo inerte não parecia como quando seu espírito foi aprisionado no Mundo Longínquo. Seu semblante não estava sereno como naquele dia, ela esboçava uma expressão dolorosa quase imperceptível.

– Addam, Benjamim e Beatrice já estão vindo.  – disse Lykke ao entrar no quarto. – Você precisa ir até o pátio principal, Zahra e Sophie estão confrontando Chris e Wendy. Mark e Brian vão tomar partido e aquilo vai virar um banho de sangue, chame Petter e corra para lá. Eu fico com a Litza.

– Eu não quero deixa-la aqui.

– Sophie e Zahra precisam da sua ajuda, Addam. A Litza vai ficar bem como das outras vezes. Eu prometo.

Acariciei o rosto de Litza e dei um demorado beijo em seus lábios frios. Olhei fixamente nos olhos de Lykke por uns instante e saí do quarto.

Cheguei ao pátio principal juntamente com Mark e Brian. Me coloquei ao lado de Sophie e Zahra e eles flanquearam Wendy e Chris.

– Meninas, o que está acontecendo aqui? – perguntei.

– Wendy deve voltar imediatamente para o quarto de Litza senão eles serão expulsos. – disse Zahra.

– E Chris não quer cooperar. – continuou Sophie.

– Wendy, volte imediatamente ao quarto designado a sua família. – ordenei.

– Nem em sonhos. – respondeu Chris. – Wendy fica comigo.

– Infelizmente terei que reportar esse comportamento à líder do Conselho.

– Você acha realmente que Gilly vai ficar contra sua melhor amiga por causa das tolas regras da Sociedade das sombras? – Mark indagou.

– Gilly é sábia. E se Aeryn também for, ela mesma vai expulsá-los da nossa Sociedade para sempre.

– Sábia? Vejo que não sabe de muitas coisas garoto Greene. Agora vocês três, recolham sua insignificância e nos deixem em paz.

Mark e seu séquito se viraram e começaram a andar em direção ao prédio principal.

– Aonde pensam que vão? – gritou Petter se juntando a nós.

– Olha, mais um Greene para tentar nos atrapalhar. – ironizou Brian.

– Vocês foram aceitos aqui com a condição de ficarem em confinamento.

– Petter! Zahra! – gritou Alessia. – Alguém atacou Aeryn, eu fui ao quarto dela e a encontrei desmaiada e com marcas de sangue em todo o corpo.

– O que vocês tem a dizer sobre isso? – perguntou Petter.

– Por que teríamos algo a ver com isso? – indagou Chris.

– Porque vocês estão hospedados no quarto dela. – respondeu

Petter.

Mark e seu séquito se colocaram em posição de ataque. Chris foi

o primeiro a atacar, se jogando em cima de Sophie. Ele tentou mordê-la. Zahra tentou ajudar Sophie, mas Wendy avançou em cima dela. Petter e eu nos atracamos com Brian e Mark.

O confronto começava a ficar sangrento. Outros membros do conselho se juntaram a nós.

LYKKE

– Benjamim, Beatrice, preciso que cuidem da Litza. – eu disse – Preciso ajudar meus irmãos.

– Pode ir Lykke. – disse Benjamim. – A princesa ficará bem protegida conosco.

– Volto assim que puder.

Não esperei que falasse mais alguma coisa. Me lancei contra os degraus da escada o mais rápido que pude. Cheguei ao pátio principal em poucos segundos.

Noah e Declan estavam tentando imobilizar Mark com a ajuda de Petter. Alessia e Ezra estavam ajudando Sophie e Zahra a se defender. Dirk e Addam enfrentavam Brian.

Todos eram muito poderosos.

Não havia sinal de Gilly em lugar algum.

Tentei me juntar a Addam e Dirk, mas não consegui me aproximar. Brian lançou um raio de luz vermelha em nossa direção. Esse raio atingiu Addam no peito e ele caiu inconsciente.

– Não! – gritou Mark. – Brian, mande o Chris para o Mundo Longínquo. Faça com que ele termine o serviço lá.

– Brian, não! – gritou Chris, mas Brian já estava pronto e disparou o raio de luz vermelha em cima de Chris. Seu corpo desabou.

Sophie e Zahra imobilizaram Wendy e a levaram para o calabouço nos fundos da biblioteca. Ezra foi ajudar os membros do Conselho a combaterem Mark, enquanto Alessia sugava a vida de Brian.

Brian deu um gemido quase inaudível e seu corpo paralisou.

Petter e Declan seguravam Mark para Alessia sugar sua energia vital. Alessia quase desmaiou mas foi até o fim. O corpo de Mark cedeu e como com Brian, também paralisou.

Eu estava estagnada. Não conseguia parar de olhar para o corpo de meu irmão.

– Dirk, me ajuda a levar Addam para a enfermaria. – disse Petter. – Ezra, Declan, levem Chris para lá também. Noah, ajude a Alessia a ver como a Aeryn está. Lykke. – chamou Petter. – Lykke! – Dirk você consegue levar Addam sozinho?

– Pode deixar comigo Petter.

Senti alguém se aproximando. Eu ainda olhava para o local onde a poucos segundos estava o corpo de Addam.

– Lykke. – Petter chamou mais uma vez. Desta vez ele estava de frente para mim. Ele segurou minha cintura. Acariciou meu rosto e me puxou para um abraço. – Não se preocupe minha linda, Addam não está morto. O espírito dele foi enviado para o Mundo Longínquo.

– Mas isso é praticamente a mesma coisa.

– A Litza voltou Lykke, ele também pode voltar. E por falar nela, aonde ela está?

– A Litza desmaiou de novo. Benjamim e Beatrice estão com ela. Beatrice acha que ela deve fazer alguns exames mais profundos. Isso não é normal.

– Vamos, temos que tentar acordar Litza, precisamos dela para trazer Addam de volta.

LITZA

– Beatrice? – indaguei confusa. – O que aconteceu? Onde está a Wendy?

– Ei, Litza, calma. – falou Beatrice. – Daqui a pouco Addam vai estar aqui e te contar tudo o que aconteceu.

– Como assim, o que aconteceu?

– Litza, você precisa relaxar. – Benjamim me olhava serenamente.

– Você desmaiou de novo Litza, estamos preocupados com você. Aparentemente não há nada de grave, mas não temos certeza.

Lykke e Petter entraram no quarto esbaforidos. Os olhos de Lykke estavam inchados e vermelhos. Ela havia chorado.

– Lykke, o que aconteceu? Onde está Addam?

– Ele… Litza eu preciso que você se acalme. – disse Lykke.

– Mas que droga! – gritei. – Estou de saco cheio das pessoas me dizendo o que fazer. O que aconteceu com o Addam, Lykke?

– Brian mandou o espírito dele para o Mundo Longínquo.

– Brian o quê?

Me levantei da cama e cambaleei. Meu corpo não me obedecia. O quarto estava rodando e braços fortes me seguraram.

– Princesa, você está bem? – perguntou Benjamim.

– Estou, só fiquei meio tonta.

– Petter por favor, me leve até Brian e Mark. Eu quero fazer um acordo com eles.

– Eles… – Lykke começou a falar, mas Petter a interrompeu.

– Que tipo de acordo você tem em mente, Litza? – indagou Petter.

– Eu vou voltar para North Conway com Mark. E em troca vou pedir para que ele ajude o espirito de Addam a voltar para o seu corpo.

– Eu agradeço seu altruísmo Litza, mas isso não será preciso.

– Por quê Petter?

– Porque Brian e Mark morrerão em alguns minutos. – Lykke respondeu.

– Como?

– Alessia sugou a maior parte de sua energia vital. Como uma Sidhe, é assim que ela se alimenta. É um hábito seguro, a menos que a Sídhe esteja disposta a sacrificar a pessoa. Foi o que Alessia fez. Seus corpos paralisaram e a vida deles esvairá aos poucos. – Petter explicou.

Um misto de sentimentos desordenados preencheu minha mente. Minha visão ficou desfocada. O ar entrava vagarosamente em meus pulmões.

– Litza, precisamos de você. – disse Petter. – Você é a única que pode trazer Addam de volta.

– Como?

– Gilly pode te enviar para o Mundo Longínquo com um feitiço. – disse Petter

– Então temos que procurá-la agora. – eu disse determinada.

– Você precisa se alimentar antes Litza. – disse Beatrice.

– Eu não estou com fome.

– Não precisa de comida. Precisa de outro tipo de alimento.

Petter retirou um aparelho celular do bolso, discou alguns números e poucos segundos depois ele deu algumas instruções a pessoa do outro lado da linha. Ele desligou o celular  e o guardou novamente no bolso.

– Em breve você vai se alimentar de pura energia Litza. Preciso que você aceite de bom grado.

– Eu faço tudo o que for preciso para ajudar Addam.

– Ótimo.

Nós estávamos discutindo sobre o que fazer. Uma batida na porta chamou nossa atenção.

– Alessia? O que você está fazendo aqui? – indaguei.

– Petter me chamou e pediu que eu trouxesse Gilly.

– E onde ela está? – perguntou Petter.

– Mark também a machucou. Ela acabou de sair da enfermaria, disse que só ia trocar de roupas e viria para cá.

– Eu sabia que Gilly não era a traidora. – disse Lykke.

– Mas alguém aqui é. Só que depois de tudo o que aconteceu, acho que essa pessoa não vai se revelar tão cedo. – disse Alessia.

– O que aconteceu? – indaguei furiosa. – Até agora vocês não me falaram nada.

– Litza, ou tentar explicar melhor. – disse Petter.Alessia é uma Sídhe.

– Sim, isso você já me explicou.

– Deixe-o terminar Litza. – disse Beatrice com carinho e paciência.

– Ela é filha de uma Ninfa com um mortal. As Sídhes se alimentam de energia vital. Alessia vivendo aqui na Sociedade das Sombras com vários membros de diferentes estirpes, ela não precisa se alimentar dos mortais. – explicou.

– Ela precisa matar a pessoa para se alimentar?

– Não Litza, eu só “pego” um pouco da energia vital da pessoa. Ninguém se machuca. – disse Alessia.

– E o que isso tem a ver com a morte de Brian e Mark?

– Eu posso matar uma pessoa se sugar toda a sua energia vital. Só as Sídhes podem matar um vampiro maduro.

– Então você sugou a energia vital de Brian e Mark? – indaguei. – E o que aconteceu com Wendy e Chris?

– Brian mandou o espírito de Chris para o Mundo Longínquo, assim como fez com Addam. Wendy está sob os cuidados de Sophie e Zahra.

– Então vamos logo com isso. Preciso ir o mais rápido possível para o Mundo Longínquo. Alessia, por favor, me explique o que eu devo fazer. Como eu me alimento?

– Você não se alimenta Litza. Uma Ninfa não se alimenta de energia vital, mas eu como uma Sídhe, posso “doar” um pouco dessa energia para você.

Alessia se sentou à minha frente.  Ela posicionou minhas mãos com as palmas voltadas para cima. E posicionou as dela sobre as minhas, com as palmas voltadas para baixo.

Uma onda elétrica percorreu meu corpo. Um arrepio frio subiu pela minha coluna. Era uma sensação agradável e confortável. Alessia se afastou bruscamente e cambaleando se segurou em Benjamim.

– Litza o que você fez? – indagou Alessia.

– Eu não fiz nada, foi você quem fez.

– Você quase sugou toda a minha energia vital.

– Como?

– Eu não sei, mas se algum dia você precisar fazer isso novamente, teremos que desenvolver um limite. Você não deveria ser capaz de sugar energia vital do modo como fez.

– Me desculpe, eu sinceramente não entendo o que aconteceu.

– Tudo bem, sem problemas.

– Petter. – chamou Gilly entrando no quarto. – Posso falar com

você a sós um minuto?

– Eu prefiro que você fale na frente de todos Gilly. – disse Petter.

– Bom, eu não vou fazer o feitiço para que Litza vá para o Mundo Longínquo. É perigoso demais. Eu não posso.

– Claro que pode. É a vida de Addam que está em jogo e da minha vida cuido eu.

– Litza, os riscos são enorm…

– Eu não me importo. Eu quero que você me enfeitice Gilly. Estou pronta.

– Bem, o feitiço é simples. Tenho tudo o que preciso comigo e já que você insiste, creio que eu não tenha outra alternativa.

Gilly pegou um pequeno vidro que estava no bolso de seu casaco e o abriu. Ela colocou um pouco do pó em sua mão e o lançou sobre mim, recitando um pequeno feitiço em voz baixa.

Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.18) – Guerra

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ADDAM

Não queria ficar em meu quarto, mas também sabia que Litza precisava ficar a sós com Wendy e que Lykke estaria lá para ajudá-la. Minha cabeça dava voltas e mais voltas. Eu deveria ter tentado impedir a entrada de Mark e seu séquito aqui. Essa é a nossa Sociedade das Sombras, aqui temos direitos e deveres a serem cumpridos. Mark é um assassino e mesmo assim Gilly o deixou ficar. Será que ela realmente era confiável?

Saí do quarto e estava indo em direção ao quarto de Litza quando ouvi gritos. A porta estava entreaberta. Quando entrei, encontrei Litza caída no chão e Lykke tentando acordá-la. Wendy não estava.

– Lykke, o que aconteceu com Litza? – perguntei exasperado. – Onde está Wendy?

– Ela e Litza estavam discutindo. Eu me descontrolei e tentei atacar Wendy, Litza gritou com a gente e desmaiou.

– Como assim ela gritou e desmaiou?

– Eu não sei Addam! – gritou Lykke.

– Vem, me ajuda a coloca-la na cama. – pedi – Por favor Lykkke, chame Benjamim e Beatrice. Rápido.

Lykke saiu do quarto parecendo um minitornado. O corpo de Litza estava imóvel, frio. Ela parecia morta. Seu corpo inerte não parecia como quando seu espírito foi aprisionado no Mundo Longínquo. Seu semblante não estava sereno como naquele dia, ela esboçava uma expressão dolorosa quase imperceptível.

– Addam, Benjamim e Beatrice já estão vindo.  – disse Lykke ao entrar no quarto. – Você precisa ir até o pátio principal, Zahra e Sophie estão confrontando Chris e Wendy. Mark e Brian vão tomar partido e aquilo vai virar um banho de sangue, chame Petter e corra para lá. Eu fico com a Litza.

– Eu não quero deixa-la aqui.

– Sophie e Zahra precisam da sua ajuda, Addam. A Litza vai ficar bem como das outras vezes. Eu prometo.

Acariciei o rosto de Litza e dei um demorado beijo em seus lábios frios. Olhei fixamente nos olhos de Lykke por uns instante e saí do quarto.

Cheguei ao pátio principal juntamente com Mark e Brian. Me coloquei ao lado de Sophie e Zahra e eles flanquearam Wendy e Chris.

– Meninas, o que está acontecendo aqui? – perguntei.

– Wendy deve voltar imediatamente para o quarto de Litza senão eles serão expulsos. – disse Zahra.

– E Chris não quer cooperar. – continuou Sophie.

– Wendy, volte imediatamente ao quarto designado a sua família. – ordenei.

– Nem em sonhos. – respondeu Chris. – Wendy fica comigo.

– Infelizmente terei que reportar esse comportamento à líder do Conselho.

– Você acha realmente que Gilly vai ficar contra sua melhor amiga por causa das tolas regras da Sociedade das sombras? – Mark indagou.

– Gilly é sábia. E se Aeryn também for, ela mesma vai expulsá-los da nossa Sociedade para sempre.

– Sábia? Vejo que não sabe de muitas coisas garoto Greene. Agora vocês três, recolham sua insignificância e nos deixem em paz.

Mark e seu séquito se viraram e começaram a andar em direção ao prédio principal.

– Aonde pensam que vão? – gritou Petter se juntando a nós.

– Olha, mais um Greene para tentar nos atrapalhar. – ironizou Brian.

– Vocês foram aceitos aqui com a condição de ficarem em confinamento.

– Petter! Zahra! – gritou Alessia. – Alguém atacou Aeryn, eu fui ao quarto dela e a encontrei desmaiada e com marcas de sangue em todo o corpo.

– O que vocês tem a dizer sobre isso? – perguntou Petter.

– Por que teríamos algo a ver com isso? – indagou Chris.

– Porque vocês estão hospedados no quarto dela. – respondeu

Petter.

Mark e seu séquito se colocaram em posição de ataque. Chris foi

o primeiro a atacar, se jogando em cima de Sophie. Ele tentou mordê-la. Zahra tentou ajudar Sophie, mas Wendy avançou em cima dela. Petter e eu nos atracamos com Brian e Mark.

O confronto começava a ficar sangrento. Outros membros do conselho se juntaram a nós.

LYKKE

– Benjamim, Beatrice, preciso que cuidem da Litza. – eu disse – Preciso ajudar meus irmãos.

– Pode ir Lykke. – disse Benjamim. – A princesa ficará bem protegida conosco.

– Volto assim que puder.

Não esperei que falasse mais alguma coisa. Me lancei contra os degraus da escada o mais rápido que pude. Cheguei ao pátio principal em poucos segundos.

Noah e Declan estavam tentando imobilizar Mark com a ajuda de Petter. Alessia e Ezra estavam ajudando Sophie e Zahra a se defender. Dirk e Addam enfrentavam Brian.

Todos eram muito poderosos.

Não havia sinal de Gilly em lugar algum.

Tentei me juntar a Addam e Dirk, mas não consegui me aproximar. Brian lançou um raio de luz vermelha em nossa direção. Esse raio atingiu Addam no peito e ele caiu inconsciente.

– Não! – gritou Mark. – Brian, mande o Chris para o Mundo Longínquo. Faça com que ele termine o serviço lá.

– Brian, não! – gritou Chris, mas Brian já estava pronto e disparou o raio de luz vermelha em cima de Chris. Seu corpo desabou.

Sophie e Zahra imobilizaram Wendy e a levaram para o calabouço nos fundos da biblioteca. Ezra foi ajudar os membros do Conselho a combaterem Mark, enquanto Alessia sugava a vida de Brian.

Brian deu um gemido quase inaudível e seu corpo paralisou.

Petter e Declan seguravam Mark para Alessia sugar sua energia vital. Alessia quase desmaiou mas foi até o fim. O corpo de Mark cedeu e como com Brian, também paralisou.

Eu estava estagnada. Não conseguia parar de olhar para o corpo de meu irmão.

– Dirk, me ajuda a levar Addam para a enfermaria. – disse Petter. – Ezra, Declan, levem Chris para lá também. Noah, ajude a Alessia a ver como a Aeryn está. Lykke. – chamou Petter. – Lykke! – Dirk você consegue levar Addam sozinho?

– Pode deixar comigo Petter.

Senti alguém se aproximando. Eu ainda olhava para o local onde a poucos segundos estava o corpo de Addam.

– Lykke. – Petter chamou mais uma vez. Desta vez ele estava de frente para mim. Ele segurou minha cintura. Acariciou meu rosto e me puxou para um abraço. – Não se preocupe minha linda, Addam não está morto. O espírito dele foi enviado para o Mundo Longínquo.

– Mas isso é praticamente a mesma coisa.

– A Litza voltou Lykke, ele também pode voltar. E por falar nela, aonde ela está?

– A Litza desmaiou de novo. Benjamim e Beatrice estão com ela. Beatrice acha que ela deve fazer alguns exames mais profundos. Isso não é normal.

– Vamos, temos que tentar acordar Litza, precisamos dela para trazer Addam de volta.

LITZA

– Beatrice? – indaguei confusa. – O que aconteceu? Onde está a Wendy?

– Ei, Litza, calma. – falou Beatrice. – Daqui a pouco Addam vai estar aqui e te contar tudo o que aconteceu.

– Como assim, o que aconteceu?

– Litza, você precisa relaxar. – Benjamim me olhava serenamente.

– Você desmaiou de novo Litza, estamos preocupados com você. Aparentemente não há nada de grave, mas não temos certeza.

Lykke e Petter entraram no quarto esbaforidos. Os olhos de Lykke estavam inchados e vermelhos. Ela havia chorado.

– Lykke, o que aconteceu? Onde está Addam?

– Ele… Litza eu preciso que você se acalme. – disse Lykke.

– Mas que droga! – gritei. – Estou de saco cheio das pessoas me dizendo o que fazer. O que aconteceu com o Addam, Lykke?

– Brian mandou o espírito dele para o Mundo Longínquo.

– Brian o quê?

Me levantei da cama e cambaleei. Meu corpo não me obedecia. O quarto estava rodando e braços fortes me seguraram.

– Princesa, você está bem? – perguntou Benjamim.

– Estou, só fiquei meio tonta.

– Petter por favor, me leve até Brian e Mark. Eu quero fazer um acordo com eles.

– Eles… – Lykke começou a falar, mas Petter a interrompeu.

– Que tipo de acordo você tem em mente, Litza? – indagou Petter.

– Eu vou voltar para North Conway com Mark. E em troca vou pedir para que ele ajude o espirito de Addam a voltar para o seu corpo.

– Eu agradeço seu altruísmo Litza, mas isso não será preciso.

– Por quê Petter?

– Porque Brian e Mark morrerão em alguns minutos. – Lykke respondeu.

– Como?

– Alessia sugou a maior parte de sua energia vital. Como uma Sidhe, é assim que ela se alimenta. É um hábito seguro, a menos que a Sídhe esteja disposta a sacrificar a pessoa. Foi o que Alessia fez. Seus corpos paralisaram e a vida deles esvairá aos poucos. – Petter explicou.

Um misto de sentimentos desordenados preencheu minha mente. Minha visão ficou desfocada. O ar entrava vagarosamente em meus pulmões.

– Litza, precisamos de você. – disse Petter. – Você é a única que pode trazer Addam de volta.

– Como?

– Gilly pode te enviar para o Mundo Longínquo com um feitiço. – disse Petter

– Então temos que procurá-la agora. – eu disse determinada.

– Você precisa se alimentar antes Litza. – disse Beatrice.

– Eu não estou com fome.

– Não precisa de comida. Precisa de outro tipo de alimento.

Petter retirou um aparelho celular do bolso, discou alguns números e poucos segundos depois ele deu algumas instruções a pessoa do outro lado da linha. Ele desligou o celular  e o guardou novamente no bolso.

– Em breve você vai se alimentar de pura energia Litza. Preciso que você aceite de bom grado.

– Eu faço tudo o que for preciso para ajudar Addam.

– Ótimo.

Nós estávamos discutindo sobre o que fazer. Uma batida na porta chamou nossa atenção.

– Alessia? O que você está fazendo aqui? – indaguei.

– Petter me chamou e pediu que eu trouxesse Gilly.

– E onde ela está? – perguntou Petter.

– Mark também a machucou. Ela acabou de sair da enfermaria, disse que só ia trocar de roupas e viria para cá.

– Eu sabia que Gilly não era a traidora. – disse Lykke.

– Mas alguém aqui é. Só que depois de tudo o que aconteceu, acho que essa pessoa não vai se revelar tão cedo. – disse Alessia.

– O que aconteceu? – indaguei furiosa. – Até agora vocês não me falaram nada.

– Litza, ou tentar explicar melhor. – disse Petter.Alessia é uma Sídhe.

– Sim, isso você já me explicou.

– Deixe-o terminar Litza. – disse Beatrice com carinho e paciência.

– Ela é filha de uma Ninfa com um mortal. As Sídhes se alimentam de energia vital. Alessia vivendo aqui na Sociedade das Sombras com vários membros de diferentes estirpes, ela não precisa se alimentar dos mortais. – explicou.

– Ela precisa matar a pessoa para se alimentar?

– Não Litza, eu só “pego” um pouco da energia vital da pessoa. Ninguém se machuca. – disse Alessia.

– E o que isso tem a ver com a morte de Brian e Mark?

– Eu posso matar uma pessoa se sugar toda a sua energia vital. Só as Sídhes podem matar um vampiro maduro.

– Então você sugou a energia vital de Brian e Mark? – indaguei. – E o que aconteceu com Wendy e Chris?

– Brian mandou o espírito de Chris para o Mundo Longínquo, assim como fez com Addam. Wendy está sob os cuidados de Sophie e Zahra.

– Então vamos logo com isso. Preciso ir o mais rápido possível para o Mundo Longínquo. Alessia, por favor, me explique o que eu devo fazer. Como eu me alimento?

– Você não se alimenta Litza. Uma Ninfa não se alimenta de energia vital, mas eu como uma Sídhe, posso “doar” um pouco dessa energia para você.

Alessia se sentou à minha frente.  Ela posicionou minhas mãos com as palmas voltadas para cima. E posicionou as dela sobre as minhas, com as palmas voltadas para baixo.

Uma onda elétrica percorreu meu corpo. Um arrepio frio subiu pela minha coluna. Era uma sensação agradável e confortável. Alessia se afastou bruscamente e cambaleando se segurou em Benjamim.

– Litza o que você fez? – indagou Alessia.

– Eu não fiz nada, foi você quem fez.

– Você quase sugou toda a minha energia vital.

– Como?

– Eu não sei, mas se algum dia você precisar fazer isso novamente, teremos que desenvolver um limite. Você não deveria ser capaz de sugar energia vital do modo como fez.

– Me desculpe, eu sinceramente não entendo o que aconteceu.

– Tudo bem, sem problemas.

– Petter. – chamou Gilly entrando no quarto. – Posso falar com

você a sós um minuto?

– Eu prefiro que você fale na frente de todos Gilly. – disse Petter.

– Bom, eu não vou fazer o feitiço para que Litza vá para o Mundo Longínquo. É perigoso demais. Eu não posso.

– Claro que pode. É a vida de Addam que está em jogo e da minha vida cuido eu.

– Litza, os riscos são enorm…

– Eu não me importo. Eu quero que você me enfeitice Gilly. Estou pronta.

– Bem, o feitiço é simples. Tenho tudo o que preciso comigo e já que você insiste, creio que eu não tenha outra alternativa.

Gilly pegou um pequeno vidro que estava no bolso de seu casaco e o abriu. Ela colocou um pouco do pó em sua mão e o lançou sobre mim, recitando um pequeno feitiço em voz baixa.

***

continua

Sociedade das Sombras: Beijo Eterno(Pt.17) – Familia

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Por Mille Meiffield

SOPHIE

Zahra me segurou pela cintura e prendeu meus cabelos entre seus dedos. Ela me beijou suavemente. Seus lábios eram doces e macios. Zahra sentiu que eu não estava entrando no clima e se afastou.

– Sophie, está tudo bem?

– Eu não sei.

– Você quer terminar?

– O quê? – indagou Sophie. – Claro que não, eu te amo Zahra.

– Eu sei que sim, mas também sei que você não gosta de mulher. Você é “hétero” Sophie, e sempre vai ser. O que temos é especial e verdadeiro, mas não é a sua realidade.

– Eu não sinto falta nenhuma de homens. Sentiria falta se não tivesse mais o que nós temos.

– Jamais te deixaria Sophie, mas você ainda não me respondeu o porquê de estar tão fria e distante.

– É a Litza. Ah Zahra, eu te amo e você sabe que faria tudo por você, mas morro de medo de que a Litza descubra nosso relacionamento e não queira mais me aceitar como sua irmã. Eu sempre a procurei Zahra e nunca desisti de encontrá-la.

Lágrimas escorreram pelo meu rosto. Chorar sempre me fazia bem, me relaxava, mas dessa vez, o choro doía. Eu não queria perder o carinho que minha irmã estava começando a sentir por mim. Litza era uma boa pessoa – eu tinha plena certeza disso, mesmo tendo a encontrado há pouco tempo – mas eu tinha medo de sua reação quando soubesse que Zahra é minha namorada.

– Ei, minha linda, calma. A Litza vai entender.

Zahra e eu nos beijamos. Ela puxou minha blusa e eu fiz o mesmo. Minhas mãos percorreram seu corpo e as dela percorreram o meu. Ela me deitou e se deitou por cima de mim. Sua boca quente beijava o caminho da minha clavícula até um dos meus seios.

Sua boca se encaixou perfeitamente em um dos meus seios e sua mão acariciou o outro. Meus mamilos intumesceram e um arrepio quente subiu pela minha espinha.

Seus lábios voltaram novamente para os meus num beijo quente e intenso.

Colocando novamente sua boca em meus seios ela escorregou suas mãos pelo meu corpo, até seus dedos roçarem minha calcinha. Ela a afastou com as pontas dos dedos.

Zahra foi aos poucos deslocando seus lábios até a minha intimidade e alojou sua boca em meu clitóris. Ela movimentava sua língua em várias direções: de cima para baixo, em círculos, mas nunca em um único padrão. Meu corpo começou a serpentear de puro prazer e então ela introduziu dois dedos em mim.

Em poucos minutos meu corpo explodiu em êxtase e paixão. Ela ajeitou minha calcinha e se deitou junto a mim na cama.

– Você me enlouquece Sophie.

– Igualmente. – eu disse mais tranquila. – Gosto de ficar assim com você.

LITZA

Eu precisava colocar a cabeça no lugar. Conhecia a Sophie há pouco tempo, mas confiava nela. Ela era minha irmã. Senti uma forte necessidade de conversar com ela. Talvez assim conseguisse calar um pouco as vozes em minha mente.

Caminhei vagarosamente até o quarto de Zahra, bati na porta e ela se abriu.

Sophie deu um grito de susto e se levantou depressa da cama.

– Me perdoe Sophie, eu bati na porta e ela se abriu.

– Litza, não é nada do que você está pensando eu…

– Claro que é! – gritou Zahra. – Já chega Sophie, só você acha que ninguém sabe sobre a gente. Eu não posso mais viver assim.

Zahra saiu do quarto batendo a porta. Sophie se sentou na cama e cobrindo o rosto com as mãos, chorou copiosamente.

– Sophie, o que houve?

– Por favor Litza, não me odeie. – disse entre soluços.

– Porque o faria?

– Porque Zahra e eu somos… Er…

– Vocês são namoradas e se amam. – afirmei. – É por isso que você acha que eu vou te odiar?

– Sei que esse não é o curso normal das coisas, mas…

– Ei! Sophie, isso é normal. Eu não vejo qual o problema.

– Tive medo de que você não me quisesse mais como irmã. Sei que não é uma situação fácil de aceitar.

– Claro que é. Ah minha irmã, você não sabe de nada da vida fora da Sociedade. O mundo evolui a cada dia. Você viveu aqui por toda a vida, sozinha, e com poucos amigos. Você e Zahra se tornaram amigas e se apaixonaram, isso acontece.

– Então você não tem vergonha de mim?

– Claro que não.

– Obrigada.

– Sophie, não tem que me agradecer. Bem, na verdade, foi até bom eu ter descoberto essa história. Assim não precisa mais se esconder.

Sophie me deu um forte abraço que durou um tempo bastante longo. Quando ela me soltou, senti eu forte arrepio na espinha.

– Litza o que foi? – perguntou Sophie. – Você ficou pálida de repente.

– Eu não sei.  Ah! – gritei de dor. – Sophie, por favor, chame Addam e Beatrice. Aaah!

SOPHIE

Eu não sabia o que fazer quando Litza começou a gritar. Corri para o corredor e saí em disparada atrás de Addam e Beatrice. Só não sabia que a encontraria no caminho.

– Zahra!

– Me poupe dos seus argumentos Sophie. Estou com a cabeça quente, prefiro conversar com você mais tarde.

– Zahra a Litza está gritando de dor, eu quero voltar para o quarto para ficar com ela, por favor, ela pediu que eu chamasse Addam e Beatrice. Chame-os, por favor. – Zahra percebeu a gravidade da situação.

– Claro que sim, pode voltar para o quarto, volto em um instante.

Eu já havia me virado para voltar para o quarto e ficar com Litza, quando senti uma mão forte em meu ombro.

– Ela vai ficar bem, ok?

– Ok.

LITZA

– Me ajuda Sophie! – gritei. – Onde estão Addam e Beatrice?

– Calma Litza, por favor, se acalme. Eu pedi a Zahra para chama-los. O que eu posso fazer para te ajudar?

– Só Beatrice pode me ajudar.

Eu estava deitada na cama de Sophie, me contorcendo de dor. Ela se sentou ao meu lado e me puxou para seu colo. Me aninhou em seus braços, me segurando vigorosamente.

Senti uma lágrima quente pingar em meu rosto e só então percebi que Sophie estava chorando.

– Eu vou ficar bem Sophie, não se preocupe.

Ela me apertou um pouco mais.

Addam e Beatrice entraram esbaforidos no quarto. Ele me retirou dos braços de Sophie, me deitou esticada na cama e deixou Beatrice se aproximar.

– Litza querida, preciso que tente se acalmar. Vamos acabar com essa dor.

Beatrice acomodou suas mãos em minhas têmporas, pressionando de leve. Um brilhante halo luminoso saía de suas mãos e envolvia minha cabeça, como da primeira vez, a dor foi diminuindo gradativamente até se extinguir.

– Melhorou?

– Sim. Obrigada Beatrice.

– Me chame de Be, todo mundo chama.

– Obrigada, Be.

– Litza, você precisa reportar a Gilly sobre essas crises que anda tendo. Estou sinceramente preocupada.

– Eu concordo com a Be, Litza. Eu estava com Zahra na época em que ela desabrochou. Ela se sentia cansada ás vezes, mas nada além disso.

– Eu discordo. Zahra disse que Gilly não é totalmente confiável, não podemos submeter Litza a seus poderes, sem saber com certeza de que lado ela está.

– Addam está certo. – falei. – Me sentei e me apoiei em Addam. – Eu tenho sentido meu corpo estranho. Mas essas dores não fazem parte da transformação. É como se uma pessoa conseguisse esmagar meu cérebro com a mão.

– Magia antiga. Magia usada pelos anciãos. – disse Zahra. Ela estava encostada na soleira da porta. – Quando essas dores começaram Litza?

– Que eu me lembre, a primeira vez que senti foi em North Conway. Alguns dias após eu chegar à cidade. Porquê?

– Mark pode estar por trás dessas suas crises. Ele é um dos vampiros mais antigos que temos conhecimento. Ele é muito poderoso e perigoso. Acho que vocês deviam ir embora assim que amanhecer.

– Não Zahra, não vamos. – eu disse com firmeza. – Estou cansada de fugir, eu vou ficar.

– Mas, Anjo, Mark e seu séquito podem tentar algo contra você. – disse Addam preocupado. – Ainda mais agora que Wendy vai dormir no seu quarto.

– Assim como Lykke! – gritei. A expressão de Addam passou de preocupada a assustada em uma fração de segundo. – Me desculpem,

eu não queria gritar.  Eu…

– Você está mais perto do que nunca de desabrochar. Eu sinto a energia que flui de você. Mas algo está diferente, Litza, você não será uma Ninfa comum. Algo em você é muito intenso. – explicou Zahra.

– Ela inteira é muito intensa. – disse Addam me dando um beijo rápido.

– Vejo que já está melhor Litza, eu preciso ir. Nos vemos no jantar?

– Claro Be. Obrigada mais uma vez.

Beatrice sorriu para mim e saiu do quarto.

Addam, Zahra e Sophie ficaram me encarando.

– Por que estão me olhando desse jeito? – indaguei.

– Porque sabemos que você quer lutar contra Mark. – Sophie estava séria.

– E daí?

– Daí que nós estamos com você. – disse Zahra. – Já passou da hora desse desgraçado pagar por tudo que ele fez.

– Obrigada por estarem do meu lado. Isso é muito importante para mim.

Sophie, Zahra e eu nos abraçamos, elas ficaram em seu quarto.

Addam e eu fomos para os quartos de nossas respectivas famílias.

Entrando no meu quarto, vi que Lykke estava sentada na poltrona encarando Wendy que estava deitada na cama. O olhar de Lykke era furioso.

– O que aconteceu aqui? – indaguei curiosa.

– Pergunte a sua amiguinha. – respondeu Wendy jocosamente.

– Não estava falando com você Wendy. Lykke, por favor, o que aconteceu aqui?

– Wendy queria sair do quarto. – disse Lykke. – À força.

– Você o quê? – gritei. – Wendy, você só sai desse quarto daqui a três dias, quando Mark e seu séquito forem embora.

– Você não pode me prender aqui.

– Ah eu posso! Tanto posso que vou e se você sair deste quarto, eu mesma vou deportar você.

– Quem você acha que é Litza? – perguntou.

– Eu sou Ralitza Zamerov McAleese, ou seja, eu sou a Princesa McAleese, a sub-líder do Conselho desta Sociedade das Sombras e você não passa de uma reles visita.

– Ora, ora, ora, mas quem diria, minha doce e encantadora irmãzinha sabe ser cruel.

– Cruel? – gritei indignada. – Cruel foi o Chris me estuprar, cruel foi Mark matar nossos amigos, cruel foi Mark matar nossos pais. Isso foi cruel. Agora, eu te prender nesse quarto enorme, tentando trazer você de volta a razão, isso não é cruel, isso é AMOR.

– Essa palavra significa algo para você?

– Sim. Essa palavra significa que eu sempre farei o impossível para te mostrar a verdade. Sempre a verdade.

– Eu estou indo para o quarto do Chris, se acha que pode me impedir, irmãzinha. Tente!

Eu pulei na frente de Wendy, me agachando como um puma em

posição de ataque. Ela rosnou. Ficamos paradas nos encarando silenciosamente. Wendy avançou, mas não recuei. Seu semblante foi de desafio à ira em poucos segundos. Apenas alguns centímetros nos separavam. Com as pontas dos dedos, acariciei de leve o rosto da minha irmã mais velha. Sua pele parecia a pele de uma pessoa morta. Seus olhos não estavam mais arroxeados, havia apenas um pouco de olheiras. Seus olhos estavam frios e distantes.

– Não me obrigue a te machucar irmãzinha.

– Quem vai se machucar vai ser você. – rosnou Lykke.

– NÃO!

A imposição em minha voz fez com que as duas congelassem onde estavam. Minhas pernas cederam e minha visão escureceu.

Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.16) – Um Anjo nas sombras

anjo apaixonado

Por Mille Meiffield

REHAEL

Abri minhas asas e voei para longe. Eu havia causado uma dor quase insuportável a Litza. Ela confiava em mim.

Ela estava certa de me mandar embora. Como Anjo Caído eu não deveria me aproximar dela. Ainda mais ela sendo uma Ninfa e não uma Ninfa qualquer, ela era a Princesa McAleese.

Não importa que Litza tenha me mandado embora. Eu devo protegê-la dos perigos que ela irá correr com a chegada de Mark. Eu tenho que voltar a Sociedade das Sombras. Tenho que voltar e me esconder até que ela precise de mim. Talvez se eu salvá-la, ela mude de ideia e permita que eu fique ao seu lado. Mesmo que seja apenas como um amigo.

A noite havia caído. O inverno estava chegando, fazendo com que a brisa noturna parecesse mais fria do que era. Continuei voando até encontrar um campo deserto. Desci no meio dele e o observei com atenção. Estava vazio. Me deitei na grama baixa e fiquei ali fitando o céu noturno. Esperando pelo amanhecer, para enfim voltar a Sociedade das Sombras e esperar até que minha adorável Ninfa precisasse novamente de mim.

MARK

– Você precisa se controlar se quiser trazer a Litza para o nosso lado Chris. Esqueça esse maldito Anjo Caído. Ele vai ter o fim que merece quando Nahual e Kesabel o encontrarem.

– Eu não cofiaria neles Mark. – disse Chris. – Kesabel e Rehael sempre foram muito próximos. Nahual não é tão forte quanto parece.

– Já chega Chris! – gritou Brian. – Mark tem razão. Nahual e Kesabel vão dar um jeito nisso. Temos que focar em Litza. Teremos muitos problemas se ela desabrochar e estiver a favor dos Greene. Ela tem que estar do nosso lado.

– Essa é a parte fácil. – disse Chris debochadamente. – Eu farei com que ela volte.

– Do mesmo jeito que fez da outra vez? – ralhou Mark.

– Eu não sei o que ela fez para sair do transe da outra vez, mas desta vez, vai ser diferente.

– Que seja. Mark preciso falar com você a sós. Chris, acho que está na hora de você alimentar a Wendy, ela não bebe nada há dois dias e precisa estar com uma boa aparência quando chegarmos a Brusque.

Chris saiu do escritório deixando Brian e eu a sós.

– Diga Brian. O que há de tão importante que Chris não pode saber?

– Não creio que Chris possa fazer com que Litza seja hipnotizada novamente. Segundo Aeryn, quando seu espirito foi preso ao Mundo Longínquo, ela conseguiu retornar sem resquício algum. Com a ajuda de Addam, claro.

– Sempre aquele maldito Greene. – Mark estava furioso. – Diga a Aeryn para descobrir quem foi que enfeitiçou Litza.

– Esse foi um dos motivos que me fez querer conversar a sós com você. Mark, Aeryn não está mais do nosso lado. Ela disse que não quer ser expulsa como nós fomos.

– Ela é uma tola. Aquela garota não era nada até você encontrá-la.

– O meu sangue corre nas veias dela, ela tem o poder da família Welch. Infelizmente não posso fazer nada contra ela. Gilly deve estar de vigia como um cão de guarda.

– Gilly Dazmann sobreviveu a um ataque de um grupo de Anjos Caídos há algumas décadas. Creio que um ataque em massa à Sociedade das Sombras comandada por ela, faria com que o Conselho Geral desse o poder a outra pessoa. Litza é a Princesa McAleese, ela é a próxima na lista de líder do conselho. Tudo o que temos que fazer é tirar Gilly do caminho.

– Temos que tomar cuidado com o que vamos fazer. Nós fomos expulsos da Sociedade das Sombras e só vamos entrar lá novamente com a influência de Aeryn. Se suspeitarem que estamos armando alguma coisa, podemos ser executados.

– Esse ponto não me assusta, Brian pense comigo, há vários modos de uma Sidhe morrer, Gilly é fraca. Ninguém vai descobrir.

– Espero que sim Mark.

– Mark. – chamou Chris entrando no escritório. – Já arrumei as coisas da Wendy e as minhas. “Conversei” com ela e ela está mais calma.

– Espero que o efeito da sua hipnose nela seja mais duradouro dessa vez Chris. – disse Brian.

– Ela está totalmente “normal”. Ninguém vai perceber que ela não é humana.

– Ótimo. – disse Mark sombriamente. – Já que está tudo pronto, acho que já podemos ir. Nosso voo sai em duas horas.

LITZA

Minha cabeça latejava violentamente. Acordei arfando com a forte dor. Abri os olhos apenas alguns milímetros. Eu estava no meu quarto. Sozinha. A dor só aumentava e eu não conseguia mais me controlar. Comecei a gritar e gritar até que Addam apareceu.

– Addam. Me ajuda. – gritei com lágrimas nos olhos.

– Litza, anjo, o que você tem?

– Minha cabeça vai explodir. Me ajuda.

Ele correu porta afora, me deixando sozinha novamente. Em poucos segundos ele estava de volta com uma garota, eu já a havia visto, ela era membro do Conselho, acho que o nome dela é Be alguma coisa. A dor aumentava a cada segundo.

– Anjo, Beatrice é uma curandeira. Ela pode te ajudar.

– Oi Litza, eu sei que está com muita dor, mas você poderia por favor tentar fechar os olhos e relaxar?

Eu não consegui falar então apenas assenti com um leve aceno. Beatrice apoiou suas mãos em minhas têmporas e começou a cantarolar algo. A dor foi diminuindo gradativamente. Ela continuou cantarolando algo ininteligível. Beatrice massageou levemente minhas têmporas e a dor se dissipou completamente.

– E então, melhor Princesa? – perguntou Beatrice.

– Por favor, me chame apenas de Litza.

– Tudo bem, Litza. Se sente melhor?

– Não sinto absolutamente nada, a dor passou completamente, obrigada.

– Não precisa agradecer, e não se preocupe, essa dor intensa significa que você está próxima de desabrochar, assim que isso acontecer essas dores vão sumir completamente.

– Ela desmaiou, isso não é normal, eu vi Zahra desabrochar. – disse Addam.

– Quanto ao desmaio eu não sei o que pode ser, mas Benjamin pode ajudar com isso.

– Ele também é um curandeiro? – indaguei.

– Sim, somos os únicos curandeiros dessa Sociedade. Desculpem, eu tenho um assunto particular para resolver, Litza se as dores voltarem não hesite em me chamar.

– Obrigada mais uma vez.

Beatrice se despediu e foi embora. Addam continuou sentado ao meu lado, mas seus olhos fitavam apenas o vazio.

– Sim, foi ele. Ele destruiu a minha vida. – admiti a pergunta silenciosa no olhar de Addam.

– Eu imaginei isso. Então foi realmente ele quem sequestrou a Wendy?

– Foi. – assenti. – Eu culpei você. – Eu não coloquei a frase em forma de pergunta, mas ele respondeu.

– Você estava confusa, Chris tinha acabado de te violentar, eu não a culpo, nunca culpei.

Minha vida começou a se resumir em três coisas nesses últimos meses: desmaios, dores de cabeça frequentes e lágrimas.

E parecendo que não havia outra saída, chorei novamente.

Addam me envolveu em seus braços, o choro foi cessando vagarosamente até se extinguir. Afundei meu nariz em seu peito e respirei profundamente, tentando armazenar o aroma de seu corpo o máximo possível.

– Eu realmente te amo. – eu disse a ele.

– Eu sei, por que eu também realmente te amo.

Nos beijamos.

Uma tímida batida na porta chamou nossa atenção. Me soltei dos braços de Addam e fui atender.

– Eles chegaram. – disse Sophie. – E ela está com eles.

– Ela? Você está falando da Wendy?

– Sim. Ela é assustadora.

– Ela é a pessoa mais doce que eu conheço. – Observei uma pontinha de um sentimento que creio que seja de inveja quando Sophie falou:

– Ela é linda. E tem sorte de ter você.

– Sophie, sei que nos conhecemos a muito pouco tempo, mas eu já sinto um carinho enorme por você.

– Meninas, acho que devemos nos juntar aos outros agora. – disse Addam nos interrompendo.

Dei um forte abraço em Sophie e nós três nos dirigimos para o pátio principal.

A chegada de Mark foi bastante tumultuada. Os Guardiões da Sociedade das Sombras seguiram Mark e seu séquito até o centro do pátio.

– Boa noite membros da Sociedade das Sombras de Brusque, hoje nós estamos recebendo alguns ex-membros da nossa Sociedade que foram banidos por comportamentos inapropriados. O Conselho só aceitou a entrada deles em nossa Sociedade em respeito ao pedido de um dos membros de nosso Conselho: Aeryn Welch.

– Aeryn, você poderia se aproximar por favor? – chamou Gilly.

Ela apenas assentiu com a cabeça e caminhou pesarosamente até o centro do pátio.

– Senhorita Welch, seus convidados tem a autorização do Conselho para permanecerem em nosso lar no tempo máximo de três dias e nada mais. Tudo o que eles fizerem será de sua inteira responsabilidade e caso eles causem algum mal a qualquer membro de nossa Sociedade, a senhorita sofrerá as consequências. Está de acordo senhorita Welch?

– Sim, estou. – disse Aeryn sem hesitar.

– Então eu dou permissão para que os senhores permaneçam em nossa Sociedade por no máximo três dias e nada mais. – concluiu Gilly. – Só mais uma coisa, a garota vai dormir no quarto designado a sua família. Ela é uma legítima Zamerov e tem direito ao seu próprio quarto.

Parecendo um animal raivoso e selvagem, Wendy retorceu os lábios e agarrada ao braço de Chris, rosnou:

– Eu fico junto com os meus.

– Você fica comigo Wendy. – Saí do meio da multidão e me impus em frente aos meus inimigos.

– Você não manda em mim Litza e como sempre, a queridinha de

todos está jogando no time errado.

– Cala a boca. – gritei. – Se você quiser continuar nesta Sociedade, fica comigo. Eu também pertenço ao Conselho, então reivindico minha autoridade como membro de sangue do Conselho desta Sociedade das Sombras, Wendy fica comigo ou não será bem-vinda.

– Como você aprende fácil a ser autoritária, maninha. – ironizou Wendy.

– Estou fazendo por você o que você faria por mim se estivesse no meu lugar. Estou te protegendo.

– O que você sabe sobre proteção? – indagou Wendy. – Você sempre foi fraca, indefesa. Sempre teve alguém para te defender.

– Eu não preciso que ninguém me defenda. – Minha voz se elevou. – Eu sou Ralitza Zamerov filha de Mark Zamerov e Guinevere McAleese. Eu sou membro do Conselho dessa Sociedade das Sombras e também sou a Princesa McAleese. – após alguns burburinhos Mark se manifestou.

– Você não pode ser a Princesa McAleese.

– Mas ela é! – Gritou Sophie vindo para o meu lado.

– Minha doce Sophie, como você cresceu.

– Eu o conheço muito bem Mark, sei exatamente do que é capaz. Saiba que aqui, Litza fez amigos. E ninguém vai deixar que nada aconteça a ela. Então não tente nada.

– Não tenho intenção de fazer mal a ninguém aqui, filha.

– Eu não sou sua filha. – disse Sophie entredentes

– Gilly, gostaria de pedir um enorme favor, na verdade dois, para poder aceitar a permanência desse senhores em nossa Sociedade.

– Diga Litza.

– Exijo que eles não entrem na área destinada aos nossos quartos

e que Wendy fique no meu quarto.

– Eu concordo. – disse Gilly.

– Senhor Zamerov, Senhores Welch, sigam-me. Senhorita Zamerov acompanhe Litza a seus aposentos.

– Eu não…

– Faça o que ela disse. – falou Chris se dirigindo a Wendy.

– Mas…

– Meu amor, em breve nos veremos. – continuou Chirs. – Eh Litza, você é uma delícia na cama, mas a sua irmã, é irresistível. – disse Chris ao passar do meu lado.

– Você é um cretino, não vou perder meu tempo com você.

Gilly conduziu Mark, Brian e Chris até o alojamento de hóspedes no lado oposto do dormitório dos membros do Conselho. Eu perdi o equilíbrio e me apoiei em Sophie. Por uma fração de segundos vislumbrei um olhar de preocupação em Wendy.

– Litza! – Addam veio correndo até mim.

– Litza você está bem? – indagou Sophie.

– Foi só um mal estar repentino. Estou bem. – dei um abraço apertado em Sophie e me despedi.

– Preciso levar a Wendy ao nosso quarto, vejo você depois?

– Claro. Ah, Litza, se precisar de qualquer coisa, eu estarei no quarto de Zahra.

– Obrigada minha irmã.

Sophie abriu um largo sorriso que media de uma ponta da orelha

a outra.

Estendi minha mão para segurar a de Wendy mas ela rosnou e se encolheu, então apenas me virei e caminhei em direção ao quarto.

Chegando lá, indiquei um espaço no closet para que ela pudesse guardar seus pertences. Deixei ela se estirar na cama e ficar o mais à vontade possível. Eu apenas fiquei em pé ao lado da porta, observando suas atitudes.

– O que foi maninha? – ironizou Wendy. – Está com medo de mim?

– Não, não tenho medo de você, tenho pena. Você era alegre, fascinante. Eu a admirava. Agora, você só vive com uma aparência cansada, como se chorasse a noite toda por várias noites seguidas.

– Como você me faz rir Litza. Ah, vamos ter que dividir a cama? – indagou. – Eu prefiro dividir a cama com Chris.

– Pode ficar com a cama Wendy, eu durmo na poltrona.

– Vai ficar me vigiando vinte e quatro horas por dia?

– Se for necessário, sim.

– Quem você pensa que é, Litza? Você não sabe tudo o que aconteceu comigo, você não sabe de nada.

– Eu sei. – eu disse friamente. – Sei exatamente o que você passou e ainda passa nas mãos de Mark.

– Ele é meu pai! – gritou. – Meu verdadeiro pai. Ele me botou no mundo e não aquele medíocre do John.

– John foi um pai exemplar e só está morto porque Mark mandou Rehael fazer seu servicinho sujo. Ele me colocou no mundo, mas não merece que eu o chame de pai. Ele estuprou nossa mãe!

– Cala a boca sua vadia!  – Wendy estava enfurecida. – Não ouse mentir sobre o meu pai.

– Ah que lindo, você já o chama de pai como se ele a tivesse criado.

– Já chega vocês duas!  – gritou Lykke ao entrar no quarto. – Litza, Gilly me mandou passar a noite com vocês, Addam vai dormir no meu quarto com Petter.

– Você pode ficar de olho nas coisas um pouco por favor? – eu disse, me dirigindo a Lykke. – Preciso conversar um pouco com a Sophie.

– Eu não preciso de babá! – ralhou Wendy.

– Pode ir Litza. – disse Lykke ignorando o comentário de Wendy. – Daqui ninguém entra, nem sai.