The Bite – O que se Esconde por trás das Àrvores

Por: Natasha Morgan

Alguma coisa a mordeu na floresta.

Ela não o viu.

Lembrava-se de estar bebendo com Karen, sua melhor amiga. Saíram do trabalho tarde da noite, passaram numa lojinha 24 horas e comparam uma garrafa de rum. Ideia de Karen ,é claro.

A amiga de longa data se tornara bem diferente depois de se relacionar com aquele motoqueiro estranho do Kansas. Vestia-se de forma mais ousada, estava mais bonita, falava de forma provocante e adotara uma ideias estranhas.

Como estacionar o carro na beira da estrada e sair correndo pela floresta com uma garrafa de rum e uma canção estranha nos lábios rosados.

Lorah sabia que não era uma ideia das mais comuns, mas se deixou levar, seguindo a amiga pelo meio das árvores, dividindo o rum e cantarolando aquela estranha canção.

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A Maldição da Cherokee

Por: Natasha Morgan

As vozes estavam sempre sussurrando, roçando seus ouvidos com acidez.

Murmúrios bruscos que lhe arrepiavam a espinha.

Incitavam a sua ira. Fria, cruel, miserável.

Aquelas vozes perturbavam seu sono, tumultuavam sua paz.

Se é que, algum dia, aquela alma conheceu alguma paz.

Dia e noite, aquele zumbido perturbador roçando seus ouvidos, provocando-o.

Aquele murmúrio infernal o fazia bater nela.

Sarah.

A mulher mais bonita que já tinha visto. Mas de pele escura.

Ele não sabia dizer onde seu racismo se formou. Talvez na família em que foi educado, sem nenhuma referencia negra e recheada de comentários maldosos. Talvez em sua própria formação de caráter que não dera muito certo. Sua adolescência fora conturbada, cheia de drogas e com uma boa dose de violência e raiva.

E era assim que ele justificava suas atitudes cruéis. Minguava a expressão, tempesteava os olhos escuros e dizia que era fruto de sequelas de seu tempo nas drogas. Eximia-se de qualquer culpa por seu comportamento. Continuar lendo “A Maldição da Cherokee”

Devoradora de Homens

Por Natasha Morgan

Devoradora de Homens

Imediações de Der Schwarzwald, Baden-Wurttemberg.

O Tenente parecia entediado, embora sua postura e olhos sérios. Aquela era a última fase do treinamento daquele pelotão, uma aventura na floresta onde eles deveriam se mostrar capazes com tudo o que aprenderam em treinamento.

E onde foi que a mente brilhante do Coronel inventou de levar aquele grupo de soldados de bunda magra e expressão arrogante? Na porra daquela floresta!

Der Schwarzwald, também conhecida como Floresta Negra era a área mais temida de toda a Alemanha. Abrigada numa cordilheira a sudoeste da Alemanha, a floresta de ares sombrios era um campo cercado de belas árvores e rochedos brumosos que assustavam garotinhos em lendas antigas. Local de extensa vegetação, neblina, cavernas e histórias, aquela floresta inspirava o receio de toda a população de Baden-Wurttemberg.

Qualquer filme de terror alemão, usava aquela paisagem para lhe dar foco.

Qualquer lenda urbana se utilizava de suas cavernas para dar embuste ao medo da garotada.

Qualquer adolescente idiota usava aquelas trilhas estreitas para seu rito de passagem.

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A Costa Brasile Pt. 01 – Cativo

*Inspirado no relato de Hans Staden, alemão capturado pelos Tupinambás na costa de Ubatuba

Por: Natasha Morgan
Ele estranhou a demora do escravo.

Mandara-o buscar comida fazia algumas horas, o sol ameaçava torrar seus cocurutos e nada do selvagem voltar.

Hans espiou as árvores lá fora, imaginando onde estaria o maldito idiota.

Amaldiçoou baixinho e se embrenhou na mata, atrás do escravo. Será que teria ele fugido? Pouco provável. O selvagem vinha da tribo carijó, eram amigos dos portugueses. Trocavam seus serviços por pequenos objetos ordinários que lhes despertavam o interesse.

Mas onde se metera o palerma então?

Hans praguejou novamente, chutando uma pedra que surgiu em seu caminho.

De repente ouviu gritos. Desatou a correr, seguindo o som caótico e penetrando cada vez mais fundo nas entranhas da mata.

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O Casarão Assombrado do Votorantim

*Inspirado nas lendas da cidade de Mairiporã

Por: Natasha Morgan

Quando o som estridente do telefone na cabine ecoou pelo salão de jantar, ele soube que os oficiais estavam chegando. Em toda aquela aldeia pitoresca ele era o único que possuía aquela regalia moderna, um presente de um amigo muito influente na política. E naquele momento se amaldiçoou por ser tão privilegiado.

Seus olhos sombrios se voltaram para o fone marrom escuro e ele o apanhou, retorcendo os lábios finos a cada palavra que ouvia da outra linha.

– Senhor, aconselho-o a se apressar. A estrada velha está abarrotada de oficiais. Meia hora até chegarem à fazenda.

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