Nicolau II

Escrito por Naiane Nara

Neve e mais neve. A tempestade não mostra sinais de amainar. Costumava gostar da sensação do vento frio na pele, porém percebo que não é tão bom quanto me lembrava.

É claro que antes eu morava em outro lugar e costumava vestir roupas mais quentes.

O fato de estar livre de minhas antigas obrigações trouxe um imenso alívio. Eu sonhei com uma vida simples de nobre rural; sempre gostei de exercícios ao ar livre, de participar de manobras militares. Era o que eu considerava estar ativo.

A vida porém, tinha outros planos para mim. Czar, imperador, comandante em chefe do maior país da Terra.

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Entremeios

Escrito por Naiane Nara

Quinta-feira, calor intenso mesmo na sombra da estação. Ao entrar no trem, empurra-empurra, ar gelado, choque pela diferença de temperaturas. Aborrecimento ao perceber que está mais lotado que de costume, mais lento também.

Mas tudo bem, Lídia saíra trinta minutos mais cedo que o horário habitual. Seu chefe já lhe admoestara sobre os atrasos constantes, não podia se dar ao luxo de uma advertência ou mais descontos nos salário que já não era grande coisa.

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Dia de los Muertos

Escrito por Naiane Nara

Uma semana estressante, um mês horrendo, o ano que tem sido pior ainda. Preciso de paz, uma bebida coroada de silêncio, passar o dia entre o cochilo e a meia luz. Tanto tempo se passou desde que pude ter dois dias de descanso na semana, o domingo sozinho não consegue repor as energias.

Mas ela não para de me chamar na voz estridente que tanto detesto. Estou cansada, esgotada, e sua insistência apenas me irrita ao invés de convencer.

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Bloody Mary

Escrito por Naiane Nara

É uma dor estrondosa a que sinto; torna o simples ato de respirar me fazer ter vontade de morrer. Houve uma época em que senti amor e vi a vida como luminosa e bela… Mas isso foi quando eu era muito jovem. Agora sinto apenas o vazio e a dor. Física, dessa doença maldita que está me consumindo, e a dor na alma, a dor do abandono, o vazio puro e simples.

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Desire

Escrito por Naiane Nara

Luis foi puxado do mais profundo sono até a realidade. Era assim que se sentia quando o despertador tocava todas as manhãs. “Manhãs”, resmungava odiando essa palavra tão suave, pois acordava de madrugada, quando o Sol ainda não tinha nascido. Era necessário para poder pegar todas as conduções e chegar a tempo no trabalho desgastante.

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