Maldade

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Por Ana C. Domingues

Ele estava embaixo de mim enquanto minhas mãos apertavam o seu pescoço magro. Suas mãos com dedos finos seguravam meus pulsos, primeiro com força, depois sem tanta força assim.

Enquanto o castanho dos seus olhos ia perdendo o brilho, o branco passava do tom de rosa claro para um vermelho intenso.
Quando suas mãos se soltaram dos meus pulsos e seu corpo parou de se mexer eu soube que ele havia ido embora e levado toda a maldade consigo.
Mais uma vez eu tinha vencido, a maldade fora embora daquele corpo, eu a havia tirado de lá. Estava orgulhoso de mim mesmo e sei que haveria mais orgulho pela frente.
O mundo era mal, mas eu daria um jeito nisso.

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Um Vulto na Água

51Por Gabriel Antoun

Muito pouco se sabe sobre o caso. Uma infinidade de perguntas sem respostas envolvem o que muitos consideram meramente um devaneio. O pouco que se sabe é considerado lenda e é contado e repetido pelos cantos mais remotos dos vilarejos sem que nenhum crédito devido seja dado.

Ao me mudar para o vilarejo de São Jorge, interior de Goiás, há aproximadamente 4 anos, percebi que a monotonia do lugar sempre fazia com que os moradores procurassem motivos para se encontrar e debater as mais recentes fofocas. Isso era o que os mantinham próximos e entretidos. Além dos rotineiros e frequentes viajantes que eram atraídos para os espetaculares pontos turísticos e que sempre causavam risadas, entre um trago de cachaça e outro, por possuírem hábitos, sotaques e principalmente roupas tão diferentes dos que ali moravam. Continuar lendo “Um Vulto na Água”

Entremeios…

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Por A. Dobia; N. Nara & L. Orleander

Venha morte, me leve em seus braços e sorria pra mim como a vida nunca fez…

E assim aconteceu…

Ele queria gritar, mas sabia que ninguém o ouviria e mesmo que o ouvissem, ninguém se importaria. Era assim todos os dias, s

empre fora assim.

Os sussurros gelados perpassavam a sua volta como névoa na noite sombria.

O ar, seco e estéril, não trazia alívio a si, apenas a horrenda sensação de algo a espreita… De si, para si…

Não importava. Nunca importara de fato. Entregou-se a escuridão sorridente e ouviu o baque, tão longe, tão baixo, tão molhado.

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Maní

ideias-indios-brNasceu uma indiazinha linda e a mãe e o pai tupis espantaram-se:
__ Como é branquinha esta criança!

E era mesmo. Perto dos outros curumins da taba, parecia um raiozinho de lua. Chamaram-na Mani. Mani era linda, silenciosa e quieta. Comia pouco e pouco bebia. Os pais preocupavam-se.
__ Vá brincar, Mani, dizia o pai.
__ Coma um pouco mais, dizia a mãe.
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O Mistério da Casa de Praia

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Por Gustavo Aveiro

Olá, meu nome é Gustavo, tenho 27 anos. Gostaria de contar um relato sobre uma experiência que realmente aconteceu com meus pais e comigo. Entretanto, os eventos deste relato aconteceram entre 1991 e 1992, nessa época eu tinha cerca de um ano de idade e não me lembro de absolutamente nada, era novo demais para ter discernimento do que acontecia a minha volta.

Tudo começou quando meus pais receberam uma proposta para trabalharem como caseiros em Ilhabela, litoral norte do estado de São Paulo, a proposta veio de uma de mulher que minha mãe tinha feito uns serviços na casa dela. Era uma proposta atraente, pois passávamos por dificuldades financeiras, meu pai estava desempregado e minha mãe fazia trabalhos esporádicos. Além de morar em um paraíso no litoral, o salário era razoável e o trabalho não era corrido, bastava manter a casa em ordem e recepcionar os patrões juntamente com seus familiares e amigos, preparar comida e realizar outros serviços pequenos. Além disso, meu pai se tornaria pescador e poderia ganhar um dinheiro extra. Continuar lendo “O Mistério da Casa de Praia”