Um Vulto na Água

51Por Gabriel Antoun

Muito pouco se sabe sobre o caso. Uma infinidade de perguntas sem respostas envolvem o que muitos consideram meramente um devaneio. O pouco que se sabe é considerado lenda e é contado e repetido pelos cantos mais remotos dos vilarejos sem que nenhum crédito devido seja dado.

Ao me mudar para o vilarejo de São Jorge, interior de Goiás, há aproximadamente 4 anos, percebi que a monotonia do lugar sempre fazia com que os moradores procurassem motivos para se encontrar e debater as mais recentes fofocas. Isso era o que os mantinham próximos e entretidos. Além dos rotineiros e frequentes viajantes que eram atraídos para os espetaculares pontos turísticos e que sempre causavam risadas, entre um trago de cachaça e outro, por possuírem hábitos, sotaques e principalmente roupas tão diferentes dos que ali moravam. Continuar lendo “Um Vulto na Água”

Entremeios…

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Por A. Dobia; N. Nara & L. Orleander

Venha morte, me leve em seus braços e sorria pra mim como a vida nunca fez…

E assim aconteceu…

Ele queria gritar, mas sabia que ninguém o ouviria e mesmo que o ouvissem, ninguém se importaria. Era assim todos os dias, s

empre fora assim.

Os sussurros gelados perpassavam a sua volta como névoa na noite sombria.

O ar, seco e estéril, não trazia alívio a si, apenas a horrenda sensação de algo a espreita… De si, para si…

Não importava. Nunca importara de fato. Entregou-se a escuridão sorridente e ouviu o baque, tão longe, tão baixo, tão molhado.

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Maní

ideias-indios-brNasceu uma indiazinha linda e a mãe e o pai tupis espantaram-se:
__ Como é branquinha esta criança!

E era mesmo. Perto dos outros curumins da taba, parecia um raiozinho de lua. Chamaram-na Mani. Mani era linda, silenciosa e quieta. Comia pouco e pouco bebia. Os pais preocupavam-se.
__ Vá brincar, Mani, dizia o pai.
__ Coma um pouco mais, dizia a mãe.
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O Mistério da Casa de Praia

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Por Gustavo Aveiro

Olá, meu nome é Gustavo, tenho 27 anos. Gostaria de contar um relato sobre uma experiência que realmente aconteceu com meus pais e comigo. Entretanto, os eventos deste relato aconteceram entre 1991 e 1992, nessa época eu tinha cerca de um ano de idade e não me lembro de absolutamente nada, era novo demais para ter discernimento do que acontecia a minha volta.

Tudo começou quando meus pais receberam uma proposta para trabalharem como caseiros em Ilhabela, litoral norte do estado de São Paulo, a proposta veio de uma de mulher que minha mãe tinha feito uns serviços na casa dela. Era uma proposta atraente, pois passávamos por dificuldades financeiras, meu pai estava desempregado e minha mãe fazia trabalhos esporádicos. Além de morar em um paraíso no litoral, o salário era razoável e o trabalho não era corrido, bastava manter a casa em ordem e recepcionar os patrões juntamente com seus familiares e amigos, preparar comida e realizar outros serviços pequenos. Além disso, meu pai se tornaria pescador e poderia ganhar um dinheiro extra. Continuar lendo “O Mistério da Casa de Praia”

Uirapuru

 

uirapuruEra uma vez um jovem guerreiro índio, chamado Quaraçá, que morava com sua gente na floresta amazônica e adorava passear pelas matas tocando sua flauta de bambu. O som ecoava entre as árvores e fazia calar os bichos. Todos gostavam de escutar aquela música.

Um dia, enquanto passeava pela tribo, o jovem Quaraçá achou de se apaixonar pela belíssima Anahí, que era casada com o cacique. Continuar lendo “Uirapuru”