Contos de Elderland – Xandriah

Escrito por: A.J. Perez

xandriah.jpg

 

Elderland 1002 da 6ª era – Extremo Oriente do Arguematal,

em algum lugar para além do mar de fogo.

Eu me recordo de Xandriah.

Ainda posso ver seus palácios abobadados, cintilando sob a luz das estrelas. Consigo escutar o som da chuva tamborilando nas vielas e telhados de barro vermelho. Me lembro como se fosse ontem. As vezes a revisito em meus sonhos. Poderia visitá-la agora, apenas fechando meus olhos.

Meus pés tocando a grama verdejante nos pátios dos jardins suspensos sob a luz da lua, enquanto giro em meus calcanhares fazendo o leve vestido de linho azul esvoaçar-se ao meu redor como uma criança dançando despreocupada. As sinfonias harmônicas e risadas ecoando do salão de âmbar, onde o baile da corte ocorria todas as noites. Pequenos vaga-lumes dançavam comigo ao redor das lamparinas de carvalho rubro. Quando o vento soprava entre as colunas de mármore do pátio lateral do palácio real, ele envolvia meu corpo, era quase como se pudesse voar, ascender aos céus como uma águia-de-haast. Subindo além dos estandartes carmesim, tremulando solenes sobre as torres e adarves das muralhas, cruzando a ravina em direção ao rio Nughat. Contemplando a vastidão das terras áridas do Arguematal até as cordilheiras de esmeralda ao norte da grande floresta Faün-gänder. Onde os primeiros de nós caçavam os auroques mateiros entre as grandes árvores e juncos na beira dos rios selvagens antes de adentrarmos nos desertos.

Eu subiria até o longínquo firmamento. As estrelas estariam ao alcance de minhas mãos, seria tão fácil alcançá-las. Aquela era a verdadeira sensação de liberdade, como se fosse durar para sempre, como ser imortal, como se tempo não mais existisse.

Mas então abro os meus olhos e tudo que resta é a areia e a vastidão escaldante.

Os poucos Xandrianos que restaram agora vagam em suas caravanas além do mar de fogo assim como nós.

Nossas terras devastadas e conquistadas pelos inimigos agora estão há centenas de sóis montados de distância. Mas nós não desistiremos. Nossa peregrinação continuará, acharemos um novo lar e nele ergueremos nossos alicerces novamente, e então quando estivermos fortes de novo, quando formos uma força no deserto mais uma vez como nossos antepassados foram um dia, iremos marchar e tomar o que é nosso por direito. Mas até lá nós seguimos em frente, um dia de cada vez. Mas no fundo de meu coração eu sei, Xandriah vive! Não fisicamente, mas em nossas almas e sonhos. E nós a ergueremos mais uma vez nesse mundo, custe o que custar.

Zarraha! Gritou o homem de turbante se aproximando enquanto a jovem de pele queimada fechava seu diário e guardava sua pena negra e o tinteiro.

Diga, tio Muhab, o que quer?

Venha vamos caçar. ele arremessou-lhe um arco e uma aljava com poucas flechas.

Certo… disse ela o pegando e cruzando a arma no corpo enquanto enquanto prendia a aljava a sua cinta.

Deixou a pena e o tinteiro em uma gaveta e guardou o diário em outra.

Juntos eles saíram da tenda alaranjada e cruzaram o acampamento rumo a um cânion não tão longe dali. Aparentemente era mais um dia no deserto, mas seus corações estavam muito longe dali.

 

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