Giovanni’s – Part. 2

gio21

Por L. Orleander

Um beijo macio e delicado, com sabor de absinto, lhe trouxe a sonolência…” Quando acordou, estava ali, amarrada, sem força e sem voz.

– Luara… – disse a moça de cabelos vermelhos que lhe sorriu carinhosamente como quem encontra uma velha amiga. – Me chamou? – O par de olhos azuis tornou – se inocente.

Layla caminhou sinuosa até a outra e beijou – lhe a fronte, descendo até o pescoço e parando no ombro, direcionando um olhar demorado ao consorte que á pouco, deixou Luara sem chão.

– Soren, não deseje o que é de direito do príncipe. Ambição não lhe cai bem. É feio e não mostra bons modos.

– Non ti piace la gelosia, signora.¹ – disse ele sibilando e analisando centímetro por centímetro a pele da ruiva escultural. Caminhou decidido até ela e a tomou nos braços, beijando – a com sofreguidão, suas mãos correram rápidas pelos laços de fita negra que prendiam o espartilho de renda vermelha, oferecendo em troca o próprio pescoço. – Sacie sua fome, minha senhora…

– É sempre negócios com você, amore mio? – perguntou ela entre a sedução e a diversão. Layla olhou para Luara em tom de desafio, como se agora ela fosse a predadora e deixou que as presas dilacerassem a carne macia do rapaz que a provocou.

Luara gritou com toda força que lhe subiu pelos ossos e tentou se debater, inutilmente, enquanto ao seu redor as risadas de mil demônios preenchiam o local. Soren carregava Layla como quem carregava uma criança dormindo, o que assustava na cena era apenas os caninos de Layla cravados em seu pescoço.

Soren sentou – se com ela no colo, ainda aninhada e arremessou para longe o corpo que havia abandonado sem vida.

A garota chorava em desespero, enquanto assistia os amantes copularem como se dançassem uma música.

Layla cavalgava Soren delicadamente e arranhava seu corpo, deixando feridas por onde seus dedos corriam. Ele a olhava como escravo obediente e um servo adorador, enquanto mordiscava lentamente seu mamilo, fazendo -a gemer cada vez mais de prazer. Luara sentiu – se incomodada por gritar quando tudo se calou e pareceu admirar o jovem casal, seu corpo respondeu ao mesmo silêncio e se deliciou ao ter cada terminação nervosa ligada á tudo aquilo, era o mesmo prazer.

– Ela é uma Princesa de Sangue, filha do grande Augustus Giovanni, nosso senhor e criador. – sussurrou a voz rouca em seu ouvido, tirando – a de suas divagações, como quem lhe cantasse uma canção de ninar. – Soren é um consorte – mestre. Foi escolhido, criado e ensinado. Pode ter o mundo e a dama que quiser abaixo de seus pés, mas pertence a Layla, assim como ela pertence a ele, até o fim de suas existências. Um Giovanni não cria laços com outros que não sejam os seus, mas quando os deuses assim querem, eles devem ter seus consortes para manter o nome da casta.

Layla volveu os olhos uma vez mais para o casal e viu o sangue quase negro escorrer pelo peito nu e agora suado de Soren.

– Você entende o seu propósito aqui, nesta noite, criança? O que pode vir a se tornar, caso meu senhor sinta – se atraído por você?

Luara sentiu seu coração pulsar mais rápido e o sangue enregelar nas veias.

– A casa Giovanni, depois de anos e eras exige uma consorte adequada ao seu senhor e futuro mestre junto ao conselho. Uma oferenda de sangue, exigida por nosso Pai e criador. – concluiu ela.

Outras máscaras se aproximaram, atravessando cortinas e levantando – se de divãs, mulheres surgiam fechando hobby’s  escuros de cetim sobre o corpo nu e cabelos desfeitos, homens desciam escadarias em mantos vermelhos e sorriam maliciosos olhando em direção ao corpo diante de si.

– Principe Ian, herdeiro da casa Giovanni, perdoe nossa interferência. Trouxemos – lhe um presente. Uma possível consorte… Uma nova Lady para alegrar tua longa existência.

Luara olhou novamente para Layla que já se encontrava a seu lado direito. Ao lado esquerdo estava o homem que ouvira a principio e sobre sua cabeça colocando um diadema de pedras negras, estava a mulher de olhos esmeraldinos.

Risinhos invadiram novamente o recinto e todos ao seu redor pareciam segurar o ar enquanto as últimas cortinas se abriam trazendo consigo um rapaz que parecia ter apenas 20 e tantos anos, uma cabeleira em tom castanho, um porte esguio e um olhar azul vítreo e frio. Diante dele estavam três anciãos portando adagas com os lábios costurados.

Todos  abaixaram – se em reverência e Ian circundou  o corpo com a ponta dos dedos gélidos passeando sobre o corpo de Luara,  olhou -a nos olhos e lambeu a gota de sangue que estava na ponta de seus dedos, sorrindo satisfeito.

– Caro irmão, escolhemos esta a dedo. Se ela sobreviver ao Beijo… – dizia Layla enlaçando o ombro do irmão.

– Trazemos ela dos mortos. – disse ela interrompendo a irmã drasticamente, sem jamais tirar os olhos de Luara. – ou caçarei a alma dela até dos confins do tempo. Anciãos, é ela.

– Espera, eu não… Vocês não podem… – Luara tentou gesticular olhando com desespero para Layla e derramando lágrimas.

O ferro frio de três adagas perpassou o corpo de Luara que gritou de dor, mas a dor que a levaria a loucura ainda estava por vir…

CONTINUA..

 

 

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