Giovanni’s…

3

 

Por L. Orleander

“Se houvesse um mundo para chamar de comum e uma realidade incontestável, como ela sempre acreditou, nada daquilo aconteceria.  A não ser que estivesse em estado febril e tudo não passasse de um delírio de sua mente perturbada ou de um sonho louco, produzido por um inconsciente pecaminoso…
Afinal no mundo da imaginação, tudo poder acontecer, não?”

Tudo parecia surreal quando a jovem moça, abriu os olhos e tentou acostuma – los ao local em que se encontrava.

A cabeça pesou ao tentar se levantar e pendeu novamente sobre o que pareceu ser um pedaço de pedra lisa.

Os pelos de seu corpo se eriçaram ao perceber que seus membros estavam amarrados. Dos lábios secos, sentia apenas um gosto amargo , som não saia, exceto um silvo baixo. Faltava – lhe forças.

O cheiro adocicado era enjoativo e afetava o ar deixando  – a ainda mais tonta. Pequenos anéis de fumaça espiralavam sobre sua cabeça e assim na primeira tentativa ela sentiu…

Sua pele pálida e macia, atritava – se á pequenos espinhos pontiagudos, abaixo de seu corpo. Rosas brancas inteiras, recém podadas, serviam – lhe de cama sobre a mesa escura de pedra fria.

Tentou chamar alguém, mas não conseguia, o domínio que sua mente possuía sobre si, fugia de seu controle, limitando seus movimentos a quase nada.

Ao seu redor, garotas olhavam – na com semblante vazio, em divãs forrados por veludo negro, espalhados por diversos lugares, no salão circular, como se fossem bonecas de porcelana, vestidas em lingeries finas, cheias de fitas e rendas, pedrarias e seda.

Atrás de  cada uma delas, pessoas mascaradas vestiam – se de longas capas e beijavam – lhes o pescoço de modo carinhoso.

Cortinas transparentes, mas em tons escuros, bailavam com a brisa que invadia o local, escondendo sussurros e gemidos.

Nenhum rosto era conhecido, nem o local, tampouco. Os passos alcançaram seu ouvido e ela colocou – se alerta, a pele agora arranhada, deixava pequenas manchas de sangue sobre as alvas pétalas.

– Signorina Luará, signore! – ela ouviu a voz rouca de uma mulher baixa dizer, enquanto mãos cadavéricas tocavam – lhe face. O rosto escondia – se sobre um lenço, e este deixava apenas os olhos esmeraldinos e opacos a mostra.

–  Perfetta! Está de acordo com os desejos de nosso principe. – disse uma voz masculina, escondida atrás de uma máscara cheia de filegramas dourados em sinais e traços, estranhos á ela.

– Onde estou? – conseguiu finalmente dizer.

– Shi, shi, shi, ragazza. Aquieta teu coração, nosso mestre logo virá.

Luará tentou virar – se para ver de onde eles vinham e para onde iam, mas não conseguiu. Sentiu espinhos ferirem – lhe novamente e acalmou – se.

– Alguém pode me ajudar? – ela gritou e olhou para os lados na esperança de que alguma das moças ou de seus consortes a ajudassem.

Seus olhos arregalaram – se de repente…

Sangue escorria pelo seio de uma delas e manchava o tecido fino, outra moça era beijada com voracidade, enquanto mãos lânguidas desciam até seu sexo.

Luará olhava estarrecida para outro corpo que jazia exangue em um dos divãs, sem cor e com uma das mãos estendidas no chão.

A máscara de seu consorte estava jogada ao chão, próxima a cortina e o rosto angelical limpava o líquido viscoso de seus lábios, sorrindo – lhe desejoso, de modo hipnótico.

Seus movimentos lhe diziam que ele queria mais, que era um predador e Luará era a presa, e ela lhe serviria. Ela respirava lentamente e sentiu seu corpo entrar em estado de torpor, causando – lhe pequenos espasmos de prazer.

Foi assim...” –  pensou ela.

Sua mente gritou e este grito criou força suficiente para que ela fugisse daquele olhar.

Lembrou – se da festa que ela não queria ir… Bastou um instante sozinha, longe dos irmãos e um par de olhos azuis alcançou os seus e a fizeram parar de respirar por um átimo.

Layla… – ela sussurrou. O nome morreu em seus lábios…

 

CONTINUA…

 

 

 

 

 

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