Ratoeira, pt 1 – Mythos +18

Um Conto de Horror Cósmico, por A.J. Perez

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*ATENÇÃO; esse conto contem trechos de VIOLÊNCIA EXTREMA, se você for uma pessoa sensível ou facilmente impressionável não recomendamos que leia o texto a seguir. Lembramos que o Blog assim como o autor desse texto NÃO compactuam com qualquer tipo de violência ou abuso. Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com situações reais ou pessoas vivas ou mortas é uma infortuna coincidência.

Seus olhos se abriram de forma rápida, moldando suas pupilas imediatamente a pouca luz do local em que se encontrava.

Gustavo estava confuso, sentia uma enorme pressão em sua cabeça e contra seu peito. Levou algum tempo para ele entender que estava de cabeça para baixo.

Tateou em direção ao teto amassado de seu carro e sentiu os cacos de vidro molhados contra a pele das mãos, movimentou-as raspando os dedos contra o metal exposto da carroceria fazendo um barulho irritante, mas não tanto quando o zumbido infernal em seus ouvidos.

Subitamente notou um cheiro familiar que estava deixando passar…

— Gasolina. — resmungou arfando.

Ele apoiou a mão no teto depositando sobre ela o seu peso. Sentiu imediatamente os pequenos cacos de vidro penetrarem sua pele. Abstraindo a dor ele desprendeu o cinto com a outra, seu corpo desceu mais rápido e pesado do que ele calculou. Seu braço cedeu e ele caiu com o rosto no vidro que rasgou sua carne.

— Ahh! Porra! Que inferno!

Ele rastejou com dificuldade para fora do veículo.

Olhou em volta, estava escuro. Era noite? Não. Fazia apenas algumas horas que havia amanhecido, uma vaga lembrança veio emergindo em sua consciência.

— O Túnel… A merda do Túnel.

Ele se apoiou no carro capotado e ficou de pé, levantando-se com dificuldade.

Ruído de água chamou sua atenção. Ele se virou e se pôs a andar meio que sem rumo, alguns carros ardiam queimando em grandes labaredas, certos locais do túnel pareciam lança-chamas com o gás vazando dos canos rompidos.

Olhou para a frente, a alguns metros, com os olhos ainda se acostumando à penumbra e seguiu andando até chegar a uma parede de entulhos composta de concreto e metal retorcido. Observou com cautela por algum tempo, procurou frestas, mas viu que era inviável de transpor o túnel por ali. Começou a sentir frio. Só agora do lado de fora do veículo por algum tempo que ele percebeu que estava molhado da cabeça aos pés. Cheirou a manga de seu casaco. Maresia… Olhou para cima onde se podia ver rachaduras no concreto de onde a água invadia o local em profusão, o mesmo ocorria da parede de entulhos.

— Olá! — gritou uma voz feminina ao longe da direção que ele veio.

— Aqui! — bradou ele em resposta se pondo a correr na direção do som.

A água agora espargia conforme ele corria, 5 centímetros talvez. Precisavam sair dali.

Assim que desviou de um carro completamente carbonizado ele pode ver uma jovem parada ao lado de um ônibus completamente esmagado por um enorme bloco de concreto.

— Olá! — Falou ele ofegando enquanto parava de correr — Você está sozinha? Esta ferida?

— Não, eu estou bem. Temos um grupo de alguns sobreviventes logo ali atrás, eu vim verificar esse lado o outro está bloqueado.

— Merda… — ralhou ele erguendo a cabeça observando o teto rachado do túnel antes de respondê-la — Esse lado também está bloqueado. Sem chance de sairmos por ali, vamos analisar o outro lado.

— Tem certeza? — Ela parecia tranquila, ele pensou que a ignorância era uma benção, ela não tinha noção do quão terrível aquela situação era.

— Absoluta, sou engenheiro. Aquele lado está fora de cogitação. — sentenciou, apontando por sobre o ombro de onde tinha vindo.

— Vamos olhar os outros carros e ver se achamos mais alguém…

— Desse lado? Não tem ninguém além de mim. Os outros carros ali na frente ou foram carbonizados ou esmagados.

O Olhar da jovem pareceu se distanciar. Ela engoliu em seco.

— Hey, vamos nos reunir com os outros, cada minuto aqui em baixo conta.

— Certo, é por aqui…

Eles andaram por cerca de 5 minutos. O cenário era apocalíptico. Carros esmagados, despedaçados, pessoas mortas por todos os lados, um desastre. Então finalmente vozes ganharam o ar e eles chegaram ao grupo de sobreviventes.

— Achou mais um, garota, que bom.

— Ele é o único que sobreviveu. Esse é… — ela fez uma pausa, esperando que ele se apresentasse.

— Sou Gustavo. — ele apertou a mão do homem mais velho que parecia ter tomado a liderança do grupo. — Como estão as coisas desse lado do túnel?

— Colapsado, esperávamos que o outro lado estivesse livre.

— Não está, impossível sairmos por lá.

Gustavo andou mais alguns passos e observou ao longe o outro lado do túnel desmoronado. Água vertia dentre as pedras.

— Temos de achar uma maneira de sair daqui rápido. — informou Gustavo ao grupo.

— Seria mais inteligente esperarmos o resgate. — ralhou o homem mais velho.

— O túnel é subaquático e a água está subindo, ambos os lados estão inundados, esse túnel é como uma grande ratoeira, precisamos descobrir uma forma de sair.

— Eu vi uma fenda grande em uma parede naquela direção — indicou a garota.

— Tinha água? — indagou Gustavo.

— Não, mas era grande pra uma pessoa passar, quer conferir?

— Sim, vocês esperam aqui eu vou ver se é seguro.

Todos assentiram com a cabeça.

— Me mostre o lugar.

A jovem e Gustavo retornaram até a mencionada fenda, era grande e se estendia vários metros à frente.

— Tome — disse ela alcançando uma lanterna pequena a ele enquanto sacava outra pra si.

— Preparada pra emergências? — Gustavo riu.

— Não, peguei dos portaluvas de uns carros lá atrás, eles não iriam mais precisar…

Ele acenou com a cabeça enquanto adentravam a fenda.

— Desculpe moça, se quer perguntei seu nome.

Ela o olhou por sobre os ombro, ele podia jurar que havia um brilho estranho nos dela, quase como um felino espreitando na noite.

— Meu nome é Lithurielle.

E juntos sumiram na escuridão da fenda.

Continua…

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