Decisão…

morgen12

Por L. Orleander

“Quando a solidão for te encontrar, crie asas e comece a voar…
Temos o mundo inteiro a descobrir
Sei que é difícil de entender, mas a vida é feita para se viver
Abra um sorriso e faça alguém sorrir…”*

Tomei a minha decisão mais dificil, em um dia de chuva. Quando minha dor parecia ter atingido o seu ápice.

O céu estava escuro e raios violetas cortavam o céu, brilhando poderosos. Trovões cantavam estridentes, uma sinfonia estranha e peculiar, mas algo me acordava por dentro, enquanto eu chorava pela milésima vez.

Gritei…

Com o rosto escondido dentro do travesseiro na esperança de que ninguém pudesse me ouvir, até que a vontade de gritar passasse e em minha garganta, houvesse apenas um punhado de areia imaginário, arranhando – a por dentro. Acabei dormindo no chão frio, ainda me fazendo am esma pergunta de sempre nos últimos tempos: Por que?

Não existe um modo de matar a dor, a insegurança ou a tristeza, acho que nunca houve e vai ficando complicado continuar mantendo o coração batendo, seja pela fé que já morreu em algum momento. Seja pelo amor, que em dado momento, parece não fazer mais sentido e quando vislumbramos o semblante de quem amamos cansado e distante, entendemos que seu amor, acabou! E nós, nos tornamos o fardo.

Somos incapazes de sentir e fazemos que os outros, ao nosso redor, também sejam, pelo menos é como enxergamos.

Aceitar que fui perdendo as coisas no meio do caminho foi apenas um estalar de dedos.

Desistir da vida e das minhas dores me causava medo e ainda sim me sorria como um desafio, mas eu tinha um carrasco me dando um ultimato interno todos os dias… Me cobrando e repetindo que nada ia ficar bem, eu estava apenas mentindo pra mim na beira de um abismo, lutando para não cair, quando apenas uma mão segurava a borda, extremamente suada, faltam apenas alguns dedos para a desistência completa.

Minha cabeça doía na manhã seguinte, mas a luz do Sol nunca me pareceu tão pura.

Eu “soltei os dedos” e entreguei os pontos, escolhi a maneira, escondi uma carta e me levantei disposta a fazer cada pessoa que lutou por mim, se sentir feliz. Queria agradecer por tudo, por não terem desistido de mim e para que não se sentissem culpados, queria tanto que eles entendessem, mas não havia palavras que fosse diminuir a dor, não havia palavras pra descrever o que senti, sem que eles também sentissem, mas não sou egoísta a ponto de desejar minha dor para alguém.

Naquela manhã, o café parecia ter mais sabor, escutei pela primeira vez em anos, o canto de um Bem – te – vi anunciando visita, quando na realidade eu escutava apenas piados indistintos e incômodos.

O banho quente relaxou cada terminação nervosa, meu perfume parecia novo ao meu nariz pois não o reconheci de imediato, me causou estranheza a principio e ri de minha tolice, eu apenas não reconheci as notas adocicadas que sempre amei, até mesmo minha roupa, parecia nova e cheia de vida. Mas por que?

Meu adeus ressoava em minha vida de modo vibrante, como se uma força sobrenatural fizesse tudo detalhadamente daquela forma para que eu pudesse me despedir das coisas que eu se quer notava depois que o “monstro” passou a rugir e exigir minha total atenção para si..

Foi então que senti, bem fraco, tranquilo e bem suave, as palpitações no peito. Redescobri meu coração e parei no meio do caminho olhando pra mim mesma, quando parei de sentir aquilo? Eu sorri, sincera comigo mesma e respirei aliviada pelo sossego, por sentir a energia que aquela batida tão ínfima, emanava.

Pessoas sorriam, idosos me diziam bom dia com suas marcas do tempo e seus cabelos grisalhos, enquanto crianças corriam á brincar e tropeçavam em seus próprios pés. Bochechas rosadas, risadas cheias de vida, um cantor tocando violão e agradecendo á Deus por mais um dia, o tilintar de uma moeda.

Cheguei ao serviço e corri os dedos por minha mesa, era áspera. Ouvi as coisas ao redor e quis fugir, mas apenas me levantei e fui ao banheiro, me olhei no espelho e vi os sinais que marcavam o cantos dos meus olhos, as covinhas abaixo de minha boca, um fio de cabelo branco… Eu também estava envelhecendo…

Eu havia desistido de viver…

Chorei novamente e só então entendi que algo fora de mim estava tentando me ajudar a lutar.

“O suicida na verdade, não quer se matar… Mas quer matar sua dor…” – Augusto Cury

Voltei pra casa… Meu plano falhou, não por que fui covarde, mas por que decidi tentar outra vez, no dia seguinte, na manhã seguinte e assim foi todos os dias depois de voltar a sentir tudo que ainda havia de bom.

Guardei a carta e vez por outra a leio esperando o dia que talvez alguém a leia. ainda choro sozinha, mas assim que a dor ameniza consigo ver com clareza o que me pediu “pra ficar um pouco mais”, um dia é uma flor, no outro uma mensagem de um amigo, uma música, um livro…

Não é fácil lutar todos os dias consigo mesmo e eu te entendo, mas queria que você soubesse que não está sozinho…

Encontre o seu farol…

Você, que está lendo cada palavrinha minha, é o MEU! E o hoje sou grata por você ter sido “aquela força” que te disse.

Aquele “algo que me pede pra ficar” quando estive a beira de desistir… Obrigado!

FIM!

” O mesmo céu que chove,
É o mesmo céu que faz, Sol.
Quando a escuridão vier te abraçar,
Encontre o seu farol.
E, você, é o meu…”

 

NA: Chegamos até aqui, lutando com muitos sentimentos e aprendendo com muitas pessoas. Valorizar nossas vidas e conseguirmos lutar contra nós mesmos nunca foi, é ou será um caminho fácil, mas lembre – se: Não estamos sozinhos!

Sua jornada, não acaba aqui! 

CVV – Centro de Valorização a Vida – 188

*Letra da música Farol – Vitor Kley

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