Contos da deusa esquecida: Prólogo

Escrito por L.B. Oliveira

Eu nunca vi a deusa esquecida. Minha avó me contava estas histórias, mas ela também nunca a viu, nem ela nem a avó dela, nem a avó da avó dela, nem mil gerações para trás. As lendas da deusa só persistem ao redor de canticos estalantes e da madeira na brasa. Quanto mais nós voltamos no tempo, mais verdadeiras se tornam essas histórias.”

As expressões cansadas das crianças se animam de leve. A luz do fogo dança em suas bochechas, mas o medo vive em seus olhos.

“Os deuses vivem entre nós, seja sob o céu, entre punhados de terra, na brisa do mar e além do véu das estrelas. Basta que busquemos a sua graça, que canalizemos a sua existência em nossos corações e ações. No mar, por exemplo, faz tanto frio que nossos olhos podem se tornar esferas de gelo dentro das órbitas. É verdade, acreditem! Mas quando os Raeris esfregam banha em seus rostos e pensam na deusa Lorean , cujo verdadeiro nome se perdeu no tempo, eles são protegidos contra os gélidos ventos do oceano.

“Outros, como Nyzyrus, recusam-se a permitir que suas próprias lendas morram, e ainda espreitam este mundo, causando medo em muitos corações. Ele ainda exige sacrifícios e impõe obediência, é assim que agem os Trazyns…”

Todos já ouviram histórias sobre os Trazyns. Com medo, as crianças se aproximam do fogo.

“Ah, sim, pequeninos, mais tarde podemos falar sobre o Trazyn controlador das tormentas, mas quanto menos for dito sobre ele, melhor.”

Como dizia minha avó, depois que se aproximam do fogo, as crianças são todas suas.

“Em vez disso, estas histórias falam da primogênita dos deuses…”

I: A FORMAÇÃO DA TERRA

Enali era a primogênita entre todos os deuses ela é a criação. Ela chegou ao mundo ansiosa para criar e ver do que a terra era capaz. Mas isso não era tão fácil de arranjar. AS árvores eram fracas de inie, quebravam-se fácil demais. Os ani não duravam mais que três longas horas, sucumbindo ao esquecimento.

Frustrada, em um momento de pura irá uma montanha se ergueu com um suco que ela deu diante da terra abrasada. A montanha se ergueu e por lá permaneceu. Enali se alegrou e com isso, e então desafiou a própria terra a uma luta amistosa.

Enquanto brigava com a terra, ela moldava toda a Hildryns que conhecemos hoje. Ela ergueu montanhas, adubou as matas, as planícies de tornaram belos Campos de flores e os animais que morriam em horas, agora vivem o tempo que lhe é necessário. Quando se cansou, Enali agradeceu a terra pela gloriosa batalha. A terra respondeu se abrindo-se a ela naquela que pode ser considerada a maior chuva de todas, que durou três séculos e que mostrou o seu próprio coração a Enali, e ela foi tomada de honra ao ver um reflexo de si mesmo: uma bela criatura coberta de folhas tão verdes que pareciam esmeraldas das florestas de Hidryns, seus olhos emanavam uma luz tão bela quanto a lua da noite de Serafyn, seu rosto era tão belo que o sol era abençoado toda manhã pela sua imagem. A terra havia julgado digna as ações de Enali e com isso compartilhou com ela seus maiores segredos, dando a ela a conhecimento da criação da vida, pois o verdadeiro agente da mudança está além da sua força e sim de uma nova esperança.

Enali então contemplou a paisagem resultante de sua luta e assentiu com a cabeça. Seria o bastante. Depois disso, ela empenhou-se em criar os seres vivos que hoje conhecemos, para viver na sua terra.

Meus ancestrais devem estar sorrindo, pois neste momento uma leve brisa começa a surgir. Seu sopro toca gentilmente os capuzes de pelo das crianças e elas esticam a língua para fora.

“Sabia que antigamente em Hildryns o fogo não existia? “” , Eu pergunto a elas. As crianças parecem confusas. “É verdade. nos primórdios do tempo, o fogo não existia nem nas primeiras montanhas, mas o fogo sob a montanha é pra um outro dia e outro lugar…”

Foi ainda nos primeiros dias, nos dias mais quentes e sem nuvens, que Enali construiu uma casa. Ele a fez com a mais nobre dos ferros . Seu magnífico lar abrangia três vales. Conseguem imaginar? Depois de concluir seu Salão e um majestoso jardim de rosas , Enali avaliou seu trabalho.

“Bom”, ela disse. Estamos falando de um tempo sem linguagem, então aquele foi um grande elogio.

Contudo, um de seus irmãos Atrix estava incomodado. Pois ela havia retirado boa parte do minério, para construir sua casa. Então ela decidiu lhe ensinar uma lição.

Enquanto ela dormia, Atrix entrou no seu jardim e com um dois pedaços de rochas igneas , fazendo elas se chocarem três vezes e lançar uma bola de fogo que incendiou as árvores e o grande jardim!Atrix estava fascinado com o que acabou de fazer, mas ao mesmo tempo entrou em pânico e correu para sua mina de ferro e nunca mais foi visto.

Sem demora, boa parte da casa foi tomado pelas chamas.

O incêndio durou dias e encobriu os céus com cinzas. Obviamente, Enali durante todo o ocorrido estava preocupada, pois não sabia como resolver o problema.

“Elogiei meu próprio trabalho e vejam só o que aconteceu”, disse Enali, vistoriando os danos. “Nunca mais enaltecerei a mim mesma.”

“Ela olhou em volta e viu que nem tudo” estava perdido, o céu estava nublado com a fumaça que o fogo deixará na suas terras, e ela rapidamente ao olhar para um pequeno pedaço de terra abrasado pelo fogo, logo pensou que aquilo podia ser melhorado e se tornar um bom lugar para adubar e recomeçar uma nova vida para suas rosas.

Então no dia seguinte ela começou a aduba a terra abrasada e percebeu que o incêndio por mais brava tenha ficada, serviu para melhorar o que já estava perfeito, e com isso em algumas horas todo aquele hectare de terra que foi devastado pelo fogo se tornou uma bela floresta de rosas, não rosas simples ou rosas douradas, mas rosas da filha da floresta, ou seja… Rosas em que não importava o que sofressem, elas voltavam mais resistentes e maiores, por isso os que tentam adentrar a floresta verde nunca voltam…”

Uma das crianças franze a sobrancelha para mim. “Se Enali fez tanto pelos Hildryns, por que é que ela não aparece para nos ajudar na guerra que está por vim?”, ela pergunta. A menina é jovem, mas já enfrentou tantas dificuldades na vida que seu cabelo apresenta diversas mechas prateadas.

“Essa pergunta é respondida por uma outra história”, eu digo. “Gostariam de ouvi-la?”

Os ávidos semblantes das crianças dizem tudo.

Continua…

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