Qual o Meu Lugar

Por Mille Meiffield

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Baseado na música: Somewhere I Belong – Linkin Park

 

Eu vivia no mundo da violência.

Não me encaixava em nenhum lugar.

Então eu decidi ser eu mesma e me afastar do todo.

Não tinha nada a dizer para mudar. Eu só queria ir para casa. Mas não a casa onde nasci com meus pais e meus irmãos. Era uma outra casa. Um lugar de onde sentia falta mas não me lembrava direito. Então fique presa no vazio dentro de mim.

Pensei que eu fosse a única diferente. Mas recentemente descobri pessoas como eu, que também não se encaixam aqui. Dentro de mim, sinto vazias as palavras que deveriam ser de afeto. É somente isso que eu sinto em meio ao caos à minha volta. Não tenho mesmo nada a perder, ninguém vai sentir falta de uma pessoa vazia e solitária como eu e a culpa é simplesmente minha. Sempre minha.

E a única coisa que eu faço, é gritar a plenos pulmões que eu quero me curar, eu quero sentir, tudo o que nunca pensei que fosse real. Quero me livrar dessa maldita dor que me consome por dentro há tantos e tantos anos. Quero poder apagar toda essa dor até que ela se extinga.

Cheguei ao colégio, fui até meu armario pegar meus livros e me preparar para as aulas do dia. Vir para as aulas andando sozinha só me faz pensar cada vez mais nesse monstro que consome minha mente.

As aulas se arrastaram, era terrível não ter ninguém para conversar. E de que iria adiantar mesmo? Ninguém entende o que eu digo. Não há mais amor no mundo. As pessoas não se importam mais.

Eu só queria poder sentir perto de mim, algo que eu realmente sentisse como “real”. Quero encontrar o que eu sempre quis, o lugar ao qual eu pertenço.

O sinal do intervalo das aulas toca. Me dirijo ao refeitório e procuro me sentar na mesa mais afastada. Era uma boa escola particular, onde eu teria o melhor estudo, mas nunca estaria preparada para a vida. As pessoas à minha volta só se preocupavam com coisas fúteis, eu me preocupava com o que realmente importava. E isso me consome cada dia mais.

Eu ainda não caí na real. Vivendo nesse mundo de lobos e sendo a ovelha pacífica que se fere com facilidade. Olho ao meu redor procurando uma saída. Estou tão confusa com esse furacão de emoções desastrosas. Na minha mente não era assim que eu via as coisas.

Voltando às aulas, vendo alunos desinteressados, fúteis e egocêntricos, sentia cada vez mais que ali não era o meu lugar.

As aulas acabaram e o caminho de volta era longo, cerca de três quilômetros. Era tempo o suficiente para eu pensar. Pensar no que fazer antes de tomar a decisão definitiva de voltar para casa. A outra casa.

Coisas ruins, pensamentos negativos rondam minha mente, preciso dar logo um fim nisso. Não aguento mais. Todos me olham como se eu fosse doente. Mas eu não sinto o mundo ao meu redor como se fosse real. Parece mais um pesadelo horrível.

Não tenho nada a ganhar ou perder mesmo, estou sozinha e me sentindo vazia. A culpa é toda minha. Sempre minha.

Eu sempre luto pra sentir alguma empatia com tudo o que me cerca, mas nada é suficiente. Não consigo juntar meus pedaços e eu preciso me curar, eu quero sentir algo como se fosse real. Eu não consigo sentir nada. Quero muito me livrar de toda essa dor que eu sinto. Encontrar o meu lugar nesse mundo.

Eu nunca vou me conhecer até conseguir me enxergar de verdade. Enquanto eu me ver pelos olhos de pessoas preconceituosas eu vou ver um aspecto horrível, o que vai fazer com que eu me sinta cada vez pior comigo mesma. E eu nunca vou sentir nada realmente real, não enquanto as feridas dentro de mim ainda estiverem abertas e sangrando com tanta eficiência quanto os cortes profundos que fiz em meus pulsos. Uma sonolência mortal toma conta de mim, não consigo mais manter minha consciência sã. Eu nunca vou ser nada pois esse monstro que me atormenta, vive em minha mente.  Ninguém pode me salvar a não ser eu mesma. Quero lutar mas as forças se acabaram, a escuridão venceu.

Uma forte luz feriu meus olhos e os abri letargicamente. Havia um halo de luz branca envolvendo todo o seu corpo. Eu já o havia visto antes. Talvez em meus sonhos. Me sentia fraca demais. Desejei com todas as minhas forças que ele não estivesse vendo a cena que eu havia proporcionado, cortando meus próprios pulsos e prestes a ir definitivamente para casa. Ele se aproximou e sem dizer uma só palavra tocou meus pulsos e as feridas cicatrizaram imediatamente. Fixei meu olhar em seus olhos sem conseguir entender o que havia acontecido.

– Estou aqui para juntar seus pedaços. Um anjo não sobrevive sozinho nessas terras. Hoje é o dia de encontrar suas resposta.

Me levantei e imediatamente vi que não havia nem uma gota de sangue em minha cama, mas um vestido azul celeste brilhante e esvoaçante cobrindo todo o meu corpo. Hoje é o dia em que escapei de todo o sofrimento. Eu vou me encontrar HOJE!

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