A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 17) – Rendição

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Capítulo 17 – Rendição

Escrito Por: Alfredo Dobia

O nascer da noite na mata era fascinante. Não havia interferências das luzes excessivas das construções civis de Nova York. Aquela doce escuridão oferecia a inocência das estrelas brilhando entre os céus.
— Acho que deve ser essa a vantagem de viver em África, principalmente perto de lugares como este — comentou Chris, contemplando o seu estrelado e o clima ameno ao seu redor. — Podemos ver claramente a magnitude de Deus.
Ele estava sentado muito perto da Lúcia. Os dois decidiram descansar e esperar o dia de amanhã para achar Valter e o resto do pessoal. Mas antes disso, passaram horas e horas procurando por uma saída daquela vasta mata. Mas seus esforços foram inúteis, eles sempre acabavam por aparecer no mesmo lugar, como se estivessem dentro de um labirinto.
— Um bruxo falar de Deus, nossa que irónico — disse Lúcia.
Chris deu uma risada abafada.
— É, eu sei. Parece meio estranho, não?
Lúcia deu de ombros.
— Sei lá. Até algumas semanas atrás, antes de vos conhecer, eu achava que os bruxos eram super gente do mal. Com nariz enorme, chapéu meio fora de moda e portadores de uma vassoura voadora sinistra. Mas agora estou perdida numa mata, com um bruxo de olhos esverdeados, incrivelmente atencioso e dono de um sorriso de causar arrepios até na alma.
Chris apenas sorriu agradecidamente. Não sabia o que o falar. As palavras da Lúcia o fez pensar o quão difícil seria esquecer o que ele vem lutando com todas as suas forças para não lembrar.
Ficaram em silêncio por alguns instantes, até sentirem o frio ganhando terreno, e ele pôde ver Lúcia tentando se proteger do clima fresco que lhe penetrava a pele. Ela estava apenas com uma blusa ainda manchada de sangue dos corvos gigantes. Chris tirou sua jaqueta de couro exibindo seus braços e peitos fortes numa camiseta preta. Logo depois ele envolveu a jaqueta nos ombros da Lúcia.
— Obrigada — ela disse, encarando-o nos olhos.
O cheiro do desejo e a impressão de que estava rolando algo intenso naquele momento era limpidamente óbvio. Mas Lúcia sabia que se esperasse por uma atitude do Chris, nada aconteceria. Chris era bem moralista e se havia algo que ele não costumava fazer com frequência, era quebrar as regras da irmandade e Lúcia parecia odiar isso nele. Ela estava se apaixonando seriamente por ele, mesmo sabendo que essa paixão era proibida para pessoas como ele. Porém, cansada de se segurar ela aproximou-se dele.
— Sabe, contudo que tem acontecido na minha vida, você tem sido uma pessoa maravilhosa e eu não consigo simplesmente parar de pensar o quão chato é não poder ficar com você.
Lúcia olhou para os lábios cálidos do Chris, se aproximando ainda mais dele.
— O que você está fazendo Lúcia?
— Estou fazendo o que deveria ter feito desde o dia que me dei conta que estou loucamente apaixonada por você.
Após aquelas palavras, Lúcia selou seus lábios nos do Chris, com a suavidade necessária para deixa-lo envolvido a emoção do desejo. Mas a recepção do Chris foi de longe o que ela esperava. Ele se afastou como um padre fugindo da imoralidade.
— Desculpa, mas nós não podemos fazer isso.
Chris se levantou do chão e começou a andar de um lado para o outro em meio a mata densa. Lúcia afastou-se completamente envergonhada, sentindo a dor lancinante da rejeição. Ela se encostou junto a uma árvore, sem nem ao menos se atrever a dirigir alguma palavra para ele. O lado misterioso do Chris, era assustador. Ela já não fazia a mínima ideia se ele ao menos sentia o mesmo.
Mas o que ela não imaginava, era que o jovem bruxo estava tenso e irritado consigo mesmo. Sua mente lutava contra seu corpo. Ele sabia perfeitamente o que lhe esperava caso se entregasse, caso deixasse ela entrar. Sabia que não teria mais como voltar atrás.
Mas ele acabou sendo traído pela paixão ardil que queimava seu peito — e quando deu por si, já estava falando:
— Eles não fazem a mínima ideia de como tem sido difícil para mim ter de ignorar você. Ignorar esse sentimento pecaminoso que meu peito carrega. Acontece que não consigo suportar a ideia de te perder, não falo apenas de fracassar da minha missão. Mas sim, do que o conselho fará no caso de eu me entregar a tudo isso.
Lúcia se virou para ele, com uma expressão séria no rosto.
— O que estou querendo dizer — continuou Chris —, é que você se tornou um problema, e eu soube disso no maldito primeiro dia que te vi. E venho me segurando durante esse tempo todo. Mais quer saber? … — ele fez uma breve pausa, mirando-a atentamente. — Que se dane as regras! — disse, de modo severo. — Que se dane o conselho. Que se dane o meu irmão. Eu quero você Lúcia Wayler.
Os olhos da Lúcia brilharam após ouvir aquelas últimas palavras. Agora ela tinha certeza que ele a desejava tanto quanto ela. O modo que Chris a encarava, arrebatava todos os sentimentos de excitação feminina, e mais uma vez ela descobriu que apenas o olhar penetrante do jovem bruxo, era suficiente para deixa-la em êxtase — e seu peito disparou ao vê-lo se aproximando como um animal altamente faminto e uma vontade ardente de possui-la.
Ele apertou Lúcia numa árvore atrás dela, prendeu seus dois braços apenas com uma de suas mãos — e de um modo nada solene, pressionou seus lábios ao pecado, dominantemente, rendido aos prazeres do corpo — de modo que ela soltasse um leve suspiro. Seus sentimentos eram verdadeiramente profundos, e transgrediam qualquer regra, qualquer oposição. Para ele, beijar Lúcia era o era o erro mais perfeito que alguma vez cometera em sua vida.
Naquele momento, Lúcia sentia seu corpo retesando, sentia-se amada, desejada, completa — conectada ao Chris, entre almas e desejos. Se perguntando como um beijo poderia deixa-la tão envolvida, tão energética daquela maneira.
Enquanto beijavam-se apaixonadamente, os poderes do Chris pareciam fluir de forma agitada. As plantas da mata cresciam de modo anormal, já as velhas, rejuvenesciam, ganhando rosas esbeltas e docemente cheirosas. Seus olhos brilhavam de um verde muito carregado. Chris nunca sentira tanto poder em toda sua vida. Lúcia era incontestavelmente uma poderosa fonte de energia para os bruxos e estar tão envolvido a ela, aguçava sua magia e todos os seus sentidos de bruxo.
Ela podia sentir que algo estava diferente nele, e teve de interromper o beijo para saber o que se passava.
— Espere um pouco — sussurrou, ofegante.
— O que foi?
— Os seus olhos.
— O que têm eles?
— Estão verdes,
— Isso é normal. Tem muito a ver com minhas habilidades.
— Acho que você não percebeu. Eu quis dizer muito verde mesmo, como se fosse uma folha de planta.
Chris avistou a mata e viu a maravilha que ela havia se transformado. Olhou para a palma de suas mãos, serrando-as levemente. Agora ele podia pensar com mais precisão.
— Você tem algo forte que eu não sei explicar e estar tão envolvido a ti mexe com todo meu poder — explicou, fascinado.
Voltou a beijá-la ainda com mais prazer, enquanto suas mãos exploravam as pernas dela de forma delicada, prestes a passar a uma fase ainda mais intensa. Mas dessa vez, ele pôde sentir que ela estava um bocadinho hesitante.
— O que foi Lúcia? Fiz alguma coisa de errado? — Machuquei você? — perguntou, preocupado.
— Não, você não fez nada de errado. Acontece que eu tenho de confessar uma coisa primeiro.
O contacto visual do Chris penetrava a alma. Desejo ávido cintilava naquele par de olhos verdes agora anormalmente carregados.
— É que…
Ela fez uma pausa, mas Chris prosseguiu primeiro.
— É impressão minha ou você está tentando me dizer que é virgem.
— Sim — ela assentiu com a cabeça. — Acontece que depois da morte dos meus pais. Quer dizer, antes de saber que minha mãe estava viva e meu pai morto. Não tive muito tempo pra me preocupar com isso. Tive alguns namorados e tal, mas nada sério, nada que envolvesse o tipo de coisa que estamos prestes a fazer.
Uma grandiosa alegria escapou de seus lábios num leve sorriso, ao ouvir aquela revelação.
— A gente pode parar por aqui mesmo, se você não estiver pronta.
— Não Chris, está tudo bem. Só queria que você soubesse. Além do mais, com essas criaturas que a gente vem enfrentando o tempo todo, nunca se sabe quando pode chegar a nossa hora. E sinceramente falando, não me agrada muito a ideia de ser uma morta virgem.
Ele tirou a jaqueta do corpo dela. Logo depois a blusa. Beijou seu ombro desnudo com suavizes, hipnotizado com a pureza e inocência do corpo cheia de luxúria da Lúcia. Chris estava assustadoramente rendido ao prazer e não pretendia parar, até se certificar que Lúcia teria a primeira vez que ela merecia.

Quando Lúcia Wayler abriu os olhos, e se levantou do solo florestal da mata. Espreguiçou-se de modo minucioso, sentindo o crepuscular do sol irradiando agradavelmente em sua pele. Inspirou profundamente, inalando o cheiro das plantas verdejantes. Olhou a sua volta e uma forte tristeza invadiu seu peito ao perceber que Chris Anderson não estava mais perto dela. Sua mente imaginou logo um monte de coisas negativa.
‘’Será que ele arrependeu-se do que disse e do que fizemos ontem?’’ — pensou ela.
Não demorou muito para seus pensamentos perturbadores se esvaírem, ao ver Chris se aproximando dela com uma sexta na mão e um sorriso que esculpia seus sentimentos.
— Oi, bom dia. Como você se sente? — Chris quis saber.
Lúcia se levantou do chão e descansou os braços nos quadris, com os olhos tilintando de felicidade.
— Se você me deixar ver o que está nessa sexta, talvez eu te conte como me sinto.
Chris riu.
— Era suposto ser uma surpresa pra quando você acordasse. Enquanto dormias. Eu saí pra ir pegar alguma coisa para a gente comer. Aposto que você deve estar com fome. Por sorte, está mata está cheia de frutas.
Ela recebeu a cesta das mãos do Chris e dela retirou uma banana. Descascou-a e a mordiscou, faminta.
— Obrigado — disse, enquanto seus dentes trituravam a banana. — Estava mesmo faminta — terminou, engolindo lento, de modo a sentir o saboroso gosto da fruta sendo transportado até o estômago.
— Onde foi que você arranjou esse cesto — indagou.
Chris arregalou os olhos.
— Essa é a melhor parte. Afinal de contas essa mata não é tão grande assim. Enquanto eu procurava pelas frutas, acabei chegando até a estrada e lá encontrei um Sr. que estava com problemas num dos pneus do carro. Eu ofereci ajuda para trocar o pneu. Pela incrível máquina que era o carro, roupas de marcas e o cheiro caro que seu perfume exalava do corpo, dava pra ver perfeitamente que estava diante de um indivíduo com a posição social bem estável.
Ela o fitou, atentamente.
— Seu inglês não era muito perceptível e coerente como do Ricardo — continuou —, mas ao menos ele entendia o que eu dizia. Grato com a minha ajuda, ele fez questão de retribuir, nos tirando daqui. Só pedi pra esperar um pouco para pegar você e localizar o meu irmão.
— Como você vai localizar ele. Nossos telefones não têm rede aqui.
— Não falo propriamente de telefone. Falo de um feitiço de localização. Aguarde.
Chris se afastou a dois passos de Lúcia e buscou uma de suas facas escondidas. Logo depois cortou sua mão e em rápidos segundos, gotículas de sangue foram libertados ao chão.
— O que você está fazendo? — indagou ela.
— Como é do seu conhecimento, eu e o Valter somos irmãos bruxos, e isso faz com que a gente tenha um certo tipo de ligação. Valter é inteligente, ele sabe o que tem que fazer quando estamos separados, e a essa hora presumo que ele já tenha feito o mesmo.
— E como cortar a palma da mão e jogar seu sangue pelo chão vai ajudar a encontrar ele?
— O feitiço que estou fazendo, faz com que o meu sangue seja engolido pela terra para rastrear o sangue do Valter. E quando ambos os sangues se conectarem, eles nos darão a localização de cada um.
Lúcia não parava de se surpreender com os Anderson. Os bruxos modernos eram incrivelmente habilidosos, inteligentes e suas audácias traziam confiança a qualquer pessoa que dependesse unicamente da ajuda deles. O modo de agir, era de pura maturidade e digno de reverência.
Depois de uns instantes, Chris ficou parado, pronunciando algumas palavras que Lúcia não fazia ideia nenhuma dos significados. Seus olhos verdes mudaram para um branco não muito vivo. As folhas do chão da mata flutuavam, em quanto uma ventania forte fazia os cabelos louros escuros da Lúcia voarem.
Logo a seguir tudo se acalmou, e os olhos do Chris voltaram a sua cor natural.
Lúcia o encarou.
— Então, funcionou?
— Vamos. Já sei onde eles estão.

 

CONTINUA…

Obs: Pt. Português de Portugal.

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