Lovesong…

ucfam2Por L. Orleander

So maybe I don’t know what I want
Maybe I’m crazy
Maybe I’m made to just give up
But that’s better said than done...”*

Passaram – se os dias… Os meses… Por fim, tornaram – se anos e nada sobrou.

Às vezes parece que sonhei ou inventei tudo pra calar a solidão, o buraco negro que ficou no meu peito, e então nesse momento encontro os vestígios da sua presença na minha vida.

Uma música, um “deles” voltando do passado e me dando um “oi” para depois sumir, (como se fosse o gato risonho da Alice), uma roupa (dei fim a cada uma que você tocou, exceto um par de luvas), ou o cheiro do seu perfume, quando o vento trás.

No fim, estou te assistindo de longe, por que ainda preciso sentir que fiz parte daquilo e não foi só meu corpo. Minha alma se recusa a encerrar essa nossa última carta como se você fosse apenas mais uma pessoa sem sentido na vida de outra que não se importa.

Chegamos até aqui, chegamos ao fim…

E preciso dizer que não foi fácil reviver cada coisa, cada momento e nem cada detalhe.

Ainda fecho os olhos e sinto o arrepio correr quente pela minha nuca quando você beijou meu pescoço.

Ainda sinto seu abraço de urso e a segurança que ele me transmitia antes de tudo mudar, antes de te ver como homem, forte, decidido, determinado e cheio de vida.

Você sempre esteve lá,  era eu que não notava que o tempo, não havia tocado somente a mim, que tola eu fui…

Faz um dia ensolarado hoje, dia bom de correr pro mar e sentir como se eu voltasse pra casa, é assim que me sinto mais próximo de você, quando o mar me abraça. Meu adeus merecia  ser exatamente assim… Alegre e saudoso como as manhãs de Domingo que sempre me lembram teu riso torto, debochado, único, raro…

Meu medo sempre foi o de nunca encontrar um amor, daqueles que me lembrassem comédias românticas onde tudo parece acontecer errado para dar certo. Mas eu encontrei!

Achei em você, não o que eu queria, não um ideal, mas uma pessoa de carne e osso, com defeitos e manias tão tolas quanto as minhas. Encontrei o amor de uma vida, da minha vida e o tive por tanto tempo sem perceber, que quando ele partiu, não acreditei nas coisas que eu poderia ter vivido se eu deixasse meu preconceito e minha insegurança de lado e me olhasse no espelho com mais afinco, talvez eu  entendesse o que você viu, e talvez eu me encontrasse.

Você virou meus poemas, meus passos, meus pensamentos e esta carta, desde o início era  para que ela me fizesse te esquecer, deu errado. Eu senti falta e quase desisti de escrever pra te manter aqui.

Mas quer saber? Não me arrependo mais, pelo menos não como antes. Eu repetiria tudo outra vez,  passaria pelo beijo, pela chantagem que me acometeu por te querer, pelo teu riso e teu abraço por trás, como se ali fosse exatamente o seu lugar, (e talvez ele sempre tenha sido).

Não aprendi a verbalizar um “eu te amo” sem certeza e por isso não lhe direi nesta carta, de um jeito seco e sem um som emocionado na voz. Não por que não mereça, mas por que você é a minha maior incerteza.

Também não sou cega a ponto dizer que nada habita aqui dentro de mim, do meu seio, da minha alma. Você está aqui, em tudo que pertence a mim, a quem sou…

Te transformei nessa memória, garoto chato, pra perpetuar seu nome. Para tornar inesquecível o que vivi ao seu lado.

Mas, também transformo esta carta em sepultura  por que em mim, é a coisa certa a se fazer.

Não sou e nem serei eu a garota ao seu lado (a propósito ela é linda, eu soube outro dia… E te faz se sentir bem… Vivo… Do  mesmo modo que você me fez se sentir), mas se um dia você precisar, lembra dessa garota que se entregou em uma única noite por que queria se divertir e sentir livre outra vez.

Lembra dessa garota que almejou teu beijo mais do que o ar que respira.

Você sempre será o sonho mais doce, a voz da minha razão, meu sopro de vida e a prova de que o amor as vezes vem à  Terra pregar peças.

Não te espero voltar para o que nunca existiu, e nem peço que se lembre…

Apenas queria que você soubesse…

 

FIM…

NA: Muitíssimo obrigado por chegarem até aqui! Por dividirem comigo mais um grande amor e me deixar fazer parte do imaginário de vocês,  é sempre uma honra. Obrigado pelo carinho!  Nos vemos no próximo conto 😉

 

* Letra da música Made for Love – Maia Reficco
Então talvez eu não saiba o que quero
Talvez eu seja louco
Talvez eu seja feito para desistir
Mas é melhor dizer do que fazer…

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