Chímaira*

d31

Por L. Orleander

Coloque dois sachês, por favor…
Quero forte e vermelho como o sangue.
Sem açúcar e bem cítrico ao paladar.
Efusivamente quente,
para que acompanhe minha poesia.
Sorrateiramente frio,
para que represente teu descartável querer.
Nada lhe fiz de bom?
De nada valeu lhe meu sentir?
Por que então feres?
A fera ruge no peito, noite adentro
A canção triste de quem se despede.
Sacia tua sede, nas lágrimas salgadas de minha alma.
E alimenta – se do fel para sobreviver.
Na noite fria, o vento raivoso ecoou pelas paredes,
carregando consigo a última melodia.
Os lábios secaram,
as flores morreram,
o rouxinol canta e silencia a ruidosa mata.
Não há amor, carinho ou afeto.
Lá, ao longe, na beira do lago,
reverbera o tilintar do aço…
No coração, apenas morre outra donzela.
Que de seio ferido e arrancado torna – se amazona..

 

*Chímaira: Do grego – Quimera

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