Entorpecida…

ucfam2

Por L. Orleander

I’ve become so numb, I can’t feel you there
Become so tired, so much more aware
By becoming this all I want to do
Is be more like me and be less like you…“*

Minha segunda tentativa de fugir de você  fez o vazio se tornar algo maior do que os monstros que habitavam minha mente.

Ele deveria ser suficiente e me bastar. E eu, olharia pro lado e sorriria como se não houvesse amanhã, mas não no primeiro toque, no primeiro contato eu me perguntei por que não você.

As luzes piscavam multicoloridas e a batida era seguida de perto pelo meu coração, triste, apertado e cheio de vontade de viver, de pulsar e continuar a bater.

Era a terceira ou quarta cerveja e eu me sentia ridícula sozinha em um lugar como aquele. Mas era a minha chance de me sentir normal. De me sentir fazendo parte de algo que estivesse além de você.

Ele me abraçou e eu o afastei. Ele era tão jovem, tão cheio de vida… Eu só queria uma noite longe da loucura que era minha mente.

Ele me deu!

Sussurrou palavras doces ao meu ouvido, cantou á meu lado as canções da minha banda favorita, me abraçou forte e desenhava círculos no meu braço.

O beijo era quente, as mãos ousadas e era muito simples e fácil tê –  lo ali, naquele instante.

Tudo estava bem, não completo, nem pleno, mas bem e era aceitável me sentir daquela forma, realmente parecia que eu tinha um lugar no mundo e que eu era apenas uma pessoa comum no meio de tantas outras.

Era uma noite quente, tudo era pra ter dado errado no fim, (acho que de certa maneira eu torcia pela tragédia. ), depois de cada imprevisto que ocorreu para que eu chegasse ali, mas não…

Deu tudo certo…

Ele me pediu pra ficar quando olhei no relógio e vi que era hora de partir, mas eu me despedi mesmo assim, sem dizer meu nome e sem se quer perguntar o dele. É tão normal isso hoje em dia que não me importei em descer as escadas, entrar no carro que me esperava e voltar pra casa. Pro chuveiro quente, pro cobertor e pra cama que ainda tinha o seu calor.

O frio tocou forte o meu rosto e me senti tão frágil e tão pobre de espírito. Usar qualquer pessoa pra te esquecer era injusto, mas eu precisava…

Uma carreira de heroína…

Uma garrafa de tequila…

Um maço de cigarro…

Finalmente eu entendia a dor de um viciado e o por que de cometer loucuras para conseguir o alvo de sua adoração.

O desespero faz morada onde nos se quer notamos e cresce tomando cada célula de nosso corpo, nos deixando patéticos frente ao mundo.

Isso era você marcando minha carne naquela manha de Domingo feito gado em posse de seu senhor.

Nada foi mais o mesmo, e perdida como ele, que “curtiu” a noite com uma estranha, tudo parou e o caminho sumiu.

Doeu… Dói se dar contar disso, eu tenho um coração o problema é que ele não me pertence e eu se quer sei quando o perdi.

 

CONTINUA…

* Numb – Linkin Park
Eu me tornei tão entorpecido
Não posso te sentir aí
Fiquei tão cansado
Tão mais consciente
Eu estou me tornando isso
Tudo o que eu quero fazer
É ser mais eu mesmo
E ser menos como você

 

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