Terror Noturno

vampiro-Douglas-entrevista

Escrito por Mille Meiffield

Os gritos de terror me acordavam todas as madrugadas. Não fazia ideia do que aconteciam em meus sonhos. A única lembrança eram as olheiras que marcavam meus olhos mostrando as perdidas noites de sono. A noite estava incomumente fria, então decidi continuar embaixo das cobertas. Eu não tinha plantão no hospital, então ficaria em casa o dia todo. Eram 3:40 da madrugada.

Decidi entrar na internet e procurar algo para fazer. Uma pequena tela de anúncios de um site de relacionamentos apareceu piscando na parte superior da tela do computador. Como estava sem sono, resolvi entrar para conversar um pouco. Procurar companhia, sei lá. Quem sabe um sexo casual?

Entrei em uma sala de bate papo e fiquei dedilhando no teclado enquanto conversava com um monte de caras retardados que só queriam sexo em cima de sexo, e nem um papinho saudável antes. Eu já estava desistindo quando entrou uma pessoa na sala virtual. Um homem chamado Patrick. Ele logo me chamou na conversa privada e disse que estava procurando uma boa companhia.

Logo a conversa ficou intensa e trocamos números de telefone.

Marcamos um encontro dois dias depois e eu fiquei extasiada. Sua aparência havia me deixado sem fôlego. Moreno, cerca de 1,92 metros de altura, olhos verdes… Um corpo feito para o pecado. E eu com meus 1,60 metros de altura, meus cabelos e olhos castanhos, totalmente sem graça. Meu corpo com seios grandes demais e glúteos grandes e pesados. Era desproporcional para a minha altura.

O café ficava a dez minutos da minha casa. Patrick e eu comeríamos alguma coisa e conversaríamos um pouco. Ele apareceu todo vestido de preto. Um sobre tudo longo batendo em seus tornozelos. Os cabelos negros como a meia noite caindo em cachos até os ombros. Era uma figura hipnotizante. O que um homem como aquele fazia em  uma sala de bate papo virtual?

– Olá Ellie, sua beleza é incomparável a da foto que eu recebi ontem.

– Obrigada! Fico lisonjeada,

Ele se sentou e ficou fitando meu corpo todo. Não como uma malicia sexual, mas como se realmente quisesse me devorar, no sentido literal da palavra.

– O que uma mulher tão encantadora como você procura em uma sala de encontros pela internet? Deve haver milhares de homens que fariam de tudo para estar com você.

– Na verdade eu não tenho tempo para um encontro de verdade há meses. Tenho estado ocupada demais no trabalho.

– Tem muito tempo que procuro uma pessoa tão apetitosa como você. – disse Patrick passando levemente a língua pelo lábio inferior.

– Como disse? – ele era louco? Apetitosa? Parecia que ele realmente estava falando sobre comida e não sobre sexo.

– Quis dizer que há muito tempo procuro uma mulher tão linda.

– Obrigada. – agradeci a lisonja.

 

A conversa foi agradável e estranha a por boa parte da noite. Enfim Patrick e eu fomos a seu apartamento que ficava bem próximo de onde estávamos. Havia um brilho maldoso em seus olhos mas ao invés de me repelir me atraíam. Ele não esperou muito e foi logo me beijando. Tirou a roupa com admirável destreza.

– Aguardei por muitos anos esse momento. – ele disse entre gemidos.

– Como assim? – Indaguei assustada com o comentário.

Patrick cravou as presas em meu pescoço. Tentei lutar contra ele. Me desvencilhar de seus braços. Mas ele era forte demais. A dor aguda em meu pescoço foi diminuindo a medida em que minha visão escurecia. Em pouco tempo perdi os sentidos.

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Acordei gritando como sempre. Passei a mão me meu pescoço e não havia nada. Levantei da cama correndo para o espelho e não havia nenhuma marca ali. Nada mesmo. Era mais um desses malditos pesadelos. Eu já estava perdendo a noção do que era sonho e do que era realidade. O sol começava a nascer, colorindo o céu com tons rosados e azul claros. Hoje era dia de plantão no hospital. Minhas olheiras estavam péssimas. Minha cara de sono não passaria desapercebida pela enfermeira chefe outra vez. Como poderia explicar esses sonhos tenebrosos a alguém?

-Ellie, não dormiu direito de novo?

– Acho que meus vizinhos estavam quebrando alguma coisa em casa, me desculpe por essa aparência desastrosa, prometo que vou dar um jeito nisso.

– Ellie, você não tem condições de trabalhar assim. – Jane, a enfermeira chefe do meu setor era muito rigorosa com as coisas, mas ela estava certa. Eu não estava nada bem. – Se eu não trabalhasse há mais de dez anos nesse hospital, diria que você bebeu todas noite passada.

– Me perdoa Annie, eu não faço idéia do que está acontecendo comigo.  – decidi ser sincera. Não éramos amigas nem nada, apenas colegas de trabalho, mas eu precisava conversar com alguém. – Eu tenho tido pesadelos. Pesadelos muito reais e às vezes não consigo distinguir realidade de sonho. Está tudo muito confuso.

– Está tendo episódios de terror noturno? – indagou Annie.

– Acho que sim. – respondi. –  Tem uns três meses que isso começou. Mas ultimamente tem se tornado freqüente. Toda noite. As vezes tenho medo até de fechar os olhos.

– Acho que você deveria conversar com o doutor Kepler. – disse Annie atenciosa. – Ele teve uma paciente com o mesmo quadro que o seu há alguns anos e não demorou muito, ela se suicidou. Ele tentou de tudo para ajudá-la, mas os pesadelos começaram a atormentá-la quando ela estava acordada.

– Você está me assustando.

– É para assustar mesmo Ellie, terror noturno não é algo com que se deva brincar.

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Annie partiu para atender seus pacientes e eu fiquei na sala da enfermagem pensando no que ela havia me dito. Vez ou outra entrava uma enfermeira, me cumprimentava, pegava seus suprimentos e saía. Depois de mais de duas horas ponderando o que eu faria, resolvi imediatamente com ele. A sessão foi ótima. Saí de lá mais relaxada e fui direto para casa.

A noite caiu fria e assustadora. O doutor Kepler havia me dado um remédio fitoterápico para eu poder dormir a noite toda. Tomei dois comprimidos e fui me deitar.

Com medo abri a porta  e  me deparei com um lindo buquê de flores. Não esperava por isso. Quem era esse homem? O que eu vivi foi sonho ou realidade?

– Boa noite Ellie, pronta para o jantar?

– Jantar? – indaguei confusa.

Novamente ele me tomou nos braços, suas presas romperam a pele de meu pescoço e senti um filete de sangue escorrendo. Eu queria gritar. Queria me defender mas não tinha forças. Me forcei a ficar acordada mas meus olhos começaram a pesar e a escuridão me engoliu.

– Acordei gritando e com a pele do lado esquerdo do meu pescoço ardida. Corri para o espelho e dessa vez haviam duas marcas como se fossem mordida de mosquito, com cerca de 3 cm de distância uma da outra. Não era possível. Isso não estava acontecendo. Vampiros não existem. Essa é a minha vida e não um filmezinho de quinta qualquer.

Peguei meu notebook, abri a página da internet e fui procurar em históricos de pesquisa. Nenhuma página de relacionamento virtual. Como sonho e realidade estavam se misturando dessa forma?

Sem entender o que estava acontecendo e querendo terminar logo com essa história desci as escadas e fui para a cozinha pegar o frasco de comprimidos que o doutor Kepler me deu. Tomei todos de uma só vez. Fui para o quarto, deitei e me cobri.

Não demorou muito e senti lábios roçando em meus pescoços. Uma mão grande descendo por meus seios e segurando firme um de cada vez. Ele queria que eu abrisse os olhos, mas eu sabia que seria meu fim. Ele mordiscou minha orelha direita fazendo com que todo o meu corpo arrepiasse. Sua boca cobriu um dos meus seios enquanto uma mão segurava forte o outro e a outra descia tentando abrir minhas pernas. Eu não podia deixar aquilo acontecer, não assim. Então abri os olhos, lá estava ele, Patrick.

Ele me encarou e parou de me tocar. Um de seus braços segurou meu corpo e me ergueu. Com sua mão livre afastou os cabelos que cobriam parte do meu pescoço. Suas presas novamente rasgaram minha pele e dessa vez um grito fraco saiu de meus lábios. O quarto começou a rodar e tudo foi ficando escuro. Senti meu corpo cair num baque, mas ao mesmo tempo me senti leve como uma pluma. Abri os olhos e vi que estava de pé. Não havia ardência alguma em meu pescoço. Passei de leve a mão e não senti absolutamente nada. Me virei e encarando minha cama vi que havia algo ali. Um corpo. Estava meio coberto de lençol e totalmente banhado em sangue.

Fiz uma força sobre-humana para retirar o lençol de cima daquele corpo e quase caí para traz com o que eu vi. Era o meu corpo que estava ali. Exangue. A garganta rasgada de modo tão brutal que quase havia decepado minha cabeça. Eu estava morta. Meus sonhso não eram simples sonhos. Não eram só mais um pesadelo. Era real. Eu não lembro com tudo isso começou, mas sei que minha morte foi como tudo acabou

   FIM

 

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