A Idade do Céu…

ucfam2

Por L. Orleander 

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu…“*

Não restou nem ao menos a mensagem de “bom dia” por mera casualidade. Tudo se tornou frio e não vazio como achei que iria ocorrer uma vez mais.

O gosto do beijo ainda estava preso nos meus lábios e o calor das mãos quentes passeando pelo meu corpo, agora esfriava sutilmente com o passar dos dias.

Minha dose de você começou a sumir e a tristeza ameaçou me partir ao meio trazendo consigo o desdém, criado pelo silêncio que se abateu sobre nós.

Destruímos a única coisa que eu preservava mais do que tudo e todos: a amizade.

Não havia nada aqui, exceto as memórias das nossas noites, uma sutil e a outra temerosa.

Eu vesti uma vez mais a máscara de forte e hasteei com louvor a bandeira da minha liberdade, falsa, mas ainda sim, liberdade…

Foquei em causas, coisas e projetos, mas a sua sombra tornou – se meu fantasma.

Sofri quieta o mal da chantagem, única e exclusivamente por escolher você e fui “presenteada” com um medo constante… Medo de não te ter uma vez  mais, medo de descobrir – me vulnerável diante de todos e com um sentimento que eu não sabia definir ou dar um nome.

Eu tive medo… Por você…. Por mim… Nada seria como antes, agora tudo que veio antes daquilo parecia inocente e tinha ares de fazer tudo se encaixar em algum momento.

Mas não, eu estava errada e agora era consumida pela culpa, por ter permitido.

Com isso veio outro corpo…

Tomei – o numa tarde, sem pedir licença. Eu precisava e ele queria, seria uma troca se ele não tivesse planos comuns de ter algo fixo e manter os pés no chão.

Encontrar um porto seguro e viver em paz, eu só queria te esquecer. Apagar algo que eu se quer sabia o que era.

Meu querido hippie foi enterrado vivo antes mesmo de ter uma oportunidade decente. Morreu no beijo, afogado nos próprios sonhos e devaneios.

Foi enterrado na única noite que esteve ao meu lado, com um gato lambendo as pontas da pata enquanto eu acariciava o pêlo acinzentado.

Me vesti como se ele fosse nada e agradeci como se houvesse pago pelo serviço prestado.

Ele jogava palavras ao léu na esperança de me ver jogar uma boia para salvá – lo e eu me esquivava mais. Eu não o queria, embora estivesse pronta pra tentar.

As doses de vodka, os copos de cerveja,  os pedidos para ficar, os desencontros… Resultaram na ruína de algo que já estava fadado à ruína.  

Ele não ligou na manhã seguinte, e eu não fiz questão de estender a tentativa, ele não me bastava, não tomaria seu lugar. Ele não era você e infelizmente conseguiu o que desejou: se tornar uma página em meio aos meus poemas.

Uma despedida sem muito interesse.

Perdia – se uma pessoa com um coração partido,  sonhos destruídos, justamente aquela que tinha medo disso.

Me senti um monstro por deixá – lo ir e fazer parte do que o ajudou a se tornar uma pessoa amarga e que mais tarde faria isso com alguém que valia a pena, ela chorou as lágrimas que eu o havia feito chorar.

Me sentí inútil,  por não conseguir te matar… Te expurgar de dentro do meu peito.

Você se tornou a constante que não fazia menção de ser no início e nem se quer sabia, eu não percebia que você se arrastava em mim como erva daninha e crescia forte vencendo qualquer coisa que eu fazia pra te esquecer.

Te procurei, como um viciado, mas a frieza com a qual você me tratou me destruiu mais um pouquinho.

Você teve o que quis, e tudo antes do que aconteceu pareceu uma grande mentira.  Um artífice premeditado pra matar sua curiosidade.

Me senti um nada e lembrei que havia feito isso com alguém antes de você.

Me descobri um lixo…

 

CONTINUA…

 

*Música de Paulinho Moska-  A Idade do Céu

 

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