Era você…

ucfam2

Por L. Orleander 

Existe o amor da sua vida.
E existe o amor pra sua vida.
No primeiro caso, nunca dará certo por ser um ideal. Mas no segundo, tudo pode ser possível,  embora hajam pedras no caminho…” – Anônimo

Olha nós aqui outra vez, eu tentando te mostrar a importância e o que me fez te querer e você aí, cansado de tentar entender uma doida, com várias cartas e pessoas que não dizem respeito à você.

Você nunca foi, é ou seria meu, mas teu abraço eu já sabia que era diferente  e teu sorriso começou a queda da minha solidez, mas eu não te tinha por inteiro.

Confessa pra mim…

Foi um jogo, não foi? Uma brincadeira de mal gosto, uma aposta talvez…

Não foram as mensagens e nem as nossas conversas que me fizeram descobrir algo maior em mim, não.

 Nunca te mantive longe por causa da idade, eu simplesmente achava que isso era uma garantia pra te manter longe e que manteria. Eu acreditei nisso! Resultado: Falhou!

Não era por causa “dela”, ela surtaria como todo mundo, mas depois de um tempo quem iria se lembrar? Ninguém.

Minha terceira desculpa era pra proteger você e isso é o único motivo pelo qual eu a disse. Mas você não se importou, acho que a adrenalina nos fazia de tolos e nós gostávamos.

O ar estava diferente naquele dia, um cheiro de chuva, com um Sol ardido brilhando no céu. Eu sentia que algo aconteceria e em momento algum eu quis que fosse diferente. Te vi descer do carro e senti o coração ficar apertado, mas feliz ao mesmo tempo. Entendi que em mim, aquilo era errado mas era festa, por que você, novo, bonito e sorridente ( isso era uma novidade!), olharia pra mim? Dez anos mais velha, em meio as rugas e travando a “grande batalha” com a gravidade.

Não somos santos e tudo o que queríamos era curtir o fim da tarde, amigos, um fim de semana, o inicio da noite e a madrugada. Deus, como nós bebemos e ríamos por tudo e por nada.

Eu estava feliz, meses sem te ver me deram a certeza do que você havia me dito e em uma das vezes que conversamos, você era um homem e eu não podia passar a vida inteira achando que não. Concordei com você, uma segunda vez quando já tinha dito que não faria isso novamente…

Entre uma risada e outra, um olhar,  um “elogio” nós ficamos sozinhos com a nossa ignorância gratuita.

Você me empurrou e eu te dei um tapa e abaixei pra pegar o celular, um momento de distração,  você pousou um beijo rápido sobre meus lábios.

Senti o chão sumir, o ar se comprimir ao meu redor e a sensação do seu primeiro abraço voltar feito um furacão. Estávamos na redoma outra vez.

Perguntei se você estava maluco e a única resposta que obtive foi: “Agora eu tenho 18 anos, você não tem mais desculpa.”

Não… Eu não tinha mais nenhuma desculpa, não tinha contra o que argumentar, todas as minhas certezas pareciam pedaços de papel rasgado, lançados ao vento.

Te empurrei novamente e você me segurou, minha boca dizia não, mas meu corpo já tinha desistido à tanto tempo, eu só não havia me dado conta.

Era como receber um sopro de viva sobre o corpo inteiro, seu coração batia na ponta dos meus dedos como uma melodia que eu conhecia desde sempre, enquanto seus lábios tocavam o meu pescoço, terminando de me  desarmar. O “nada” que você sussurrou em meu ouvido ainda canta pra mim sempre que a lembrança me arrasta pra aquele dia.

O mundo podia acabar e eu não me importaria de morrer ali, com sua mão segurando minha cintura e me puxando mais pra perto, meu rosto ardia e nossos lábios se encontraram…

Parece ironia começar a tocar Need you now* enquanto te escrevo essa carta… Rs

Seu beijo preencheu cada espaço vazio, cada vestígio de dor que eu já havia passado e apagou cada pessoa que veio antes, eu me sentia completa… Única…

O sentimento de urgência partiu, eu não precisava encontrar a pessoa perfeita para estar ao meu lado, por que tudo em mim, gritava que era você. Tive medo de não ser suficiente…

Fomos interrompidos por olhos curiosos e o instante se perdeu.

Mas a noite continuou, dançamos, bebemos e de momentos em momentos compartilhávamos o teu beijo, nem o gosto do álcool escondia o quão doce era e a vontade foi crescendo junto ao desejo de ir fundo e esquecer o mundo.

Você sabia onde tocar, o que fazer, aonde ir e uma vez mais você me surpreendeu…

Eu assistia filmes onde o beijo perfeito ocorria da seguinte maneira: “ela encostada na parede, ele dizendo que era o que ela queria, uma mão em concha no rosto, como quem acaricia de leve, descendo até o coração e parando ali quando o beijo acontecia…”

Eu tive esta cena, a mão no rosto, a renúncia,  você dizendo o que eu me obrigava a não dizer… – você também quer que eu sei… – e eu queria como o ar chuvoso que eu respirava naquela noite, seu beijo me calou, trouxe uma certeza e destruiu em definitivo qualquer chance que eu tinha de fugir e me fazer de forte outra vez.

Eu estava nua diante de você, alma exposta, corpo em chamas… Eu só tinha olhos pra você.

Voltei pra festa com o rubor na face e disfarcei bebendo mais.

Se Aphorodite queria me pregar uma peça, naquela noite eu aceitaria de bom grado, sem enfurecer a jovem deusa.

Tudo foi tão lento e tão sincero,  seu corpo sobre o meu me causava pequenos choques sobre a pele, o beijo se tornou mais agressivo e o pedido carinhoso, sussurrado em meio aos lençóis me fez recobrar o que parecia ser o juízo.

Era tarde demais pra dizer seu nome e dizer NÃO.

Meu corpo era seu, por inteiro. Nos encaixavamos perfeitamente como se nunca houvesse outros corpos antes.

Como era possível você conhecer exatamente onde tocar, o que fazer, o meu querer, o meu gostar?

Na manhã seguinte minha cabeça doía feito o inferno e flashes da noite anterior voltaram, quando te vi levantar do colchão ao lado.

O que eu tinha feito? – Me perguntavam a porcaria dos meus princípios.

Passei o dia seguinte curtindo uma ressaca terrível e não nos dirigimos a palavra. Nos tornamos estranhos, trocávamos olhares pensativos, quando o outro não percebia, lamentei por isso, naquela hora percebi que as coisas tinham mudado entre nós.

Nos despedimos com um abraço simples e novamente senti o peito aquecer.

Mandei mensagem pra você naquela noite agradecendo e você apenas riu,  como se nada tivesse acontecido.

Prometi a mim mesma que ficaria longe, eu me sentia culpada… Falhei! Quinze dias depois e me inebriava novamente em seus lábios, ignorando que mal consegui te dirigir a palavra, que parei de comer no momento que te vi chegar porque meu estômago deu um nó.

E foi assim que nada mais fez sentido… Você sumiu, evaporou e nunca mais trocamos uma palavra se quer…

CONTINUA…

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