[Repost] Villains – Walk the Demon 

capa

Por Gabi Waleska

Caminho só. Uma nuvem negra é minha aura. Sou o inverno. Uma fina chuva cai sobre mim e me envolve como uma cortina de fumaça. Tenho um nome que me pesa e isso me dói, por isso busquei uma saída. Ignorar essa humanidade, esses sentimentos… foi o melhor que pude fazer. E, vejam só, estou vivo! Não moribundo, não efusivo. Estou forte, sinto meus músculos contraírem em cada movimento, em cada caçada. Ahh, como me sinto vivo…

Escuto histórias, onde passo, me chamam de demônio. Eu rio com desdém. Não seriam eles os demônios? Que julgam sem conhecer, que fingem ser amigos enquanto dormem com os parceiros dos outros. Que matam animais por não gostarem da raça e depois vão a seus cultos religiosos sem ouvir seu pregador. Que vem provocando guerras e matanças por diversidade de ideias e culturas…

Posso ser um demônio, minha origem não nega isso, mas é com eles que eu brinco. Eles me fortalecem. Afinal, quem merece sofrer, se não aqueles que nascem com o pecado original?

Sou apenas uma arma do Karma, um justiceiro que se diverte em seu trabalho, me alimentando de seus medos e comendo porque tenho fome. E que fome! Como é engraçado que o que mais repudio, fosse o único alimento, o elixir da minha existência? Esses seres humanos, fracos, inúteis, repulsivos em suas tiranias políticas, são no fim de tudo, a caça mais prazerosa para um predador.

É delicioso vê-los sofrendo, sentindo frio quando me aproximo e o medo tomar seus olhos ao me verem, ao enxergarem minha verdadeira imagem. É delicioso ver quando eles perdem a esperança de viver, parando de se debater, pois não há mais dor, não há mais nada. E o desejo de morrer quando os abandono moribundos, incapazes de por um fim à suas dores, apenas com as lembranças de mim.

Eu poderia ir até o fim, mas as lembranças vêm e fico enjoado. Principalmente quando o arrependimento – este maldito sentimento humano – chega antes das esperanças irem embora. Os piores não tem isso, são poucos, mas às vezes eu me alimento por completo, e eles não reveem a própria vida, eles não pensam nos danos que causaram, é como tomar água, inodoros, incolor, insípidos, destilados de sentimentos.

Ando solitário, já conheci todo o mundo através das eras. O metamorfo, o demônio interior de qualquer um antes da morte. Eu me infiltro em seus pensamentos. Eu sou o terror. E posso ver-me por seus olhos, no fim de tudo, parece-me que não há nada como eu…

Embora eu ouça histórias, uma vez ou outra entre os anos, que em outras partes do mundo haja alguém como eu, mas somem antes que eu os encontre. Talvez sejam presentes de meu pai? Talvez atos dele próprio.

Eu não sei, ainda o busco desde que descobri minha origem. Por isso voltei à França, mais uma vez. Maldita data, impossível de rastrear sem os calendários certos!

Eu passei décadas de arrependimento antes de passar séculos de aceitação. Mas estou pronto e vou descobrir se há outros, ou sou apenas eu. Eu e minha essência, que caminhamos na solidão.

 

Oh doce alma, venha para mim, permita-me deflorar-te, segredo por segredo até que teu cerne revele-se e enfim, eu a consuma com ardor, sucumbindo ao meu desejo primordial – A essência de toda e qualquer vida, muito além da carnal.

Fim (Será?)

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