Amado…

ucfam2

Por L. Orleander 

“Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós, gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém…”*

Perdi as contas da quantidade de folhas amassadas, de rascunhos mal fadados e músicas lançadas ao aleatório na esperança de encontrar alguma que me ajudasse a expressar tudo o que esta fervilhando em meu peito, mas nada… Não surtiu efeito. Faltavam palavras, pensamentos, uma ordem cronológica e uma boa dose de vinho pra me fazer pensar com mais leveza.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer, e se fosse possível, gritar que: eu sinto sua falta! Mas ela não é algo que eu consiga amenizar, colocar um bálsamo ou colocar um outro alguém no seu lugar, (e você vai entender o por que se terminar essa carta). Apagar, se torna impossível toda vez que olho nossa única fotografia juntos, ( como eu queria repetir essa memória, mas dessa vez quem sabe, você pudesse sorrir, largar aquele teu jeito sisudo e apenas viver o momento, nosso momento!).

Esta, finalmente, é a sua carta…

Parece que ela entende o peso que carrega e cada dúvida que senti ao escreve – lá, ela queima minha pele sem deixar marcas, me sufoca mesmo tendo ar sobrando nos meus pulmões e dói no peito como uma ferida que mesmo criando aquela casca escura de cicatrização, se abre e faz doer ainda mais… As lágrimas me vem aos olhos e me vejo debatendo um monólogo em voz alta para as paredes, (imagina se elas falassem… Rs).

Você não chegou feito brisa ou feito uma tempestade, e também não veio partir o restante do meu coração, nem demonstrou em momento algum que desejava ficar. Não era a sua intenção e nem a minha, nos divertíamos com isso e depois de reler cada conversa que já trocamos, pensei ser  apenas curiosidade.

Era isso que eu lia nas entrelinhas, uma risada de deboche, o ar desafiador, seu jeito meio rebelde, meio “nem aí”… Traços seus que me faziam sentir – se em paz, livre como eu não me sentia a muito tempo, algo estava mudando em mim e era bom, fazia meu coração bater.

Ter você perto, falando besteiras, contando planos, sonhos ou coisas banais me fazia querer, desejar seguir em frente. Foi pra você que eu quis contar primeiro quando assinei a matricula na faculdade e fez tanto sentido te imaginar ali, rindo por nada, dividindo histórias… Conheci seu outro eu nesse dia, um “eu” que me encantou.

Você deixava de ser o garoto chato e se tornava o homem interessante,  estávamos mudando, pelo menos eu mudei, aquele abraço no começo do ano e o que veio a seguir me fizeram entender isso.

Um homem… Um homem que mesmo eu não admitindo, fazia algo tocar diferente aqui dentro, da mesma forma que as músicas me faziam entender como era parte do Paraíso.

Nosso segundo abraço me tirou do chão em definitivo, era como reencontrar alguma coisa que possuía um valor inestimável e estivesse perdido á muito tempo. Naquele dia se houvesse uma oportunidade, eu o teria beijado.

Era Julho, a noite esfriava aos poucos, eu de  vestido florido e cardigã, você de bermuda e chinelo, atrás de mim, com os braços no meu ombro, o queixo apoiado na minha cabeça.

– Lenta! – eu voltei pra te dar um tapa e foi a primeira vez que vi o brilho das minhas lindas estrelas, encarcerado em seus olhos…

Haviam três coisas que me diziam NÃO, e tinham tudo pra me manter longe, mas eu já estava envolvida de mais. 

Eu não precisa mais olhar pro lado, embora eu sentisse o medo me corroer por dentro, na esperança de guardar meu segredo até mesmo de você eu me calei, fingi que não éramos nada e que aquilo logo acabaria.

Tudo podia acontecer… E aconteceu…

Antes mesmo de sentir o gosto da tua boca ou o prazer do seu corpo, eu me apaixonei por você…

 

CONTINUA…

 

*Amado – música de Vanessa da Mata.

 

 

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