Borboleta

ucfam2
Por L. Orleander
“Hello darkness, my old friend
I’ve come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence…”¹

Música… Watchmen… Enterro do Comediante…

Essa é a memória mais simples e gigante que possuo dele, foi o ponta pé inicial de conversas que durariam apenas 4 meses… (Que ironia, como se ama alguém em tão pouco tempo?), mas como disse no começo, meu coração é volúvel, e as vezes lamento muito por isso, ele se nega á amar as pessoas que seriam corretas e perfeitas á mim.

Ele chegou suave feito brisa, em uma manhã de Setembro, onde habitava uma bagunça, uma faxina e uma promessa: a de não me apaixonar novamente…

Ele parecia ser um poeta sem musa e com defeitos, gostos, medos e certezas iguais as minhas.

Era estranho acabar de passar por uma ‘ruptura’ e me sentir bem. Sentir o coração alegre como se não devesse nada, além de ser feliz ou se permitir isso, não havia culpa, era apenas aquele vazio que fica estagnado e você nunca sabe por que, mas se a v ida lhe dá uma oportunidade de acertar, você vai lá e tenta acertar, certo?Errado! Eu vou lá e erro mais uma vez pra conseguir entender por que preciso estar só, por que não posso inventar algo para sentir e ainda que seja uma coisa muito forte, viva e sincera, ainda não é o que me falta.

Meu poeta chegou na pior hora e fez tudo dar certo, colocou os pingos nos i’s e fez valer a pena sonhar com alguém distante, mas que tinha planos de me ver logo que fosse possível, fez planos pra me levar pra conhecer o mundo e nessas suas caminhadas me “carregava” junto, me contava como eram as coisas e por mais incrível que pareça era como não mais se sentir sozinha, mas a busca por algo, continuava. Eram poucos dias, eu sei, mas eu já sabia que estava fadada ao fracasso.

Trocávamos canções e não eram as que outras vozes cantavam, fossem elas famosas ou não. Trocávamos mais do que as músicas, trocávamos nossos sentimentos presos á vozes. Ele cantava pra eu dormir e quebrava aquela coisa imposta do desapego. Me escrevia poemas e me dizia; “bom dia”, sempre com um sorriso na voz e não era mentira, não era apenas por querer me prender e assim foi conquistando o seu espaço.

Dois corações partidos voltando a bater, acredito que essa seja a melhor definição para nós dois.

Era tão rápido e tão instantâneo que eu não vi o tempo passar e as vezes me pergunto como, quando e com quem começou essa história.

Uma vez mais, te digo com certeza eu poderia ter sido feliz. Fosse por sentimento, por dinheiro, por ideais…

Mas um belo dia acabou o encanto e nós paramos de funcionar na mesma sintonia, fosse por que eu não queria cantar, ( eu me perdi de mim mesma e depois de uma conversa ele me dizer que eu não sabia conviver com outras pessoas, mas que estava tudo bem pois ele me ensinaria, eu me larguei de mão em definitivo), por que não queria aceitar um de seus presentes, ( que diga – se de passagem eu só via o valor financeiro e a falta de sentimento, nada além disso, ele não tinha culpa, infelizmente eu também não.), não compartilhavamos dos mesmos planos, não aceitaria um filho e menos ainda uma aliança (acreditem – me, elas guardam uma maldição macabra quando se trata do meu dedo, da minha pessoa!).

Acabou – se o romance e as tardes de poemas que ele criava pra mim, meus sorrisos morriam em boas noites preguiçosos onde nem a música me fazia sentir – se completa.

Ele tinha chegado em má hora e talvez se fosse mais tarde ele encontraria uma barreira maior, (você também a encontrou, mas persistiu de um jeito que ninguém ousou insistir, e foi aí que você atrapalhou tudo! Rs, de um bom modo, mas atrapalhou).

A pior briga que tivemos foi por não atender o celular, a urgência em me chamar a atenção, a necessidade de eu sentir um ciúmes que eu não sentia (embora devesse, já que sou possessiva a níveis astronômicos, mas com ele não flui, não cresceu… Eu o amava, por que eu não sentia?).

Veio a culpa, por que eu sabia que ele merecia mais do que eu poderia dar, e o sentimento que deveria torna – lo alguém importante, me fez perceber que em mim estava se tornando raso. Eu tentei pedir desculpas, mas era tarde  e ele não quis ficar.

Não quis memórias de poucos meses e acho justo, estar á espera de alguém que não vai estar ali é nocivo, eu sabia, já havia passado por isso e lamentava por tê – lo ferido.

Acabaram as idéias, a dor da perca ficou por duas semanas ou mais, mas sem lágrimas, voltei a enfrentar os pequenos fantasmas e você…

Voltei a vida como um zumbi de filme de terror. Ele partiu e sei que a magoa ficou, mas por um instante eu fechei os olhos e vi você… Lá estava você com cada traço e cada gesto…

Por que enfrentar você? Bem, é aqui que você entende onde foi que eu errei…

CONTINUA…

 

¹The Sound Of Silence – Simon & Garfunkel 1984 /Disturbed 2015
Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim falar com você novamente
Porque a visão suavemente arrepiante
Deixou as sementes enquanto eu dormia
E a visão que foi plantada em minha mente
Ainda continua dentro do som do silêncio

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