Acima da linha…

 

ucfam2Por L. Orleander

“Hiding behind this eyes
Lies the soul of a broken man
And now I realize
And I finally understand
Oh, can you save me?
I’m down on my kness
I’m begging you, please
Won’t you save me?
‘Cause I don’t wanna be
Another a memory…” ¹

Eu deveria dizer em tom de advertência: “Jamai se apaixone por um gamer com descendência em música, meio do céu em carisma e ascendência em ilusão. (Acredito que quando chegar aqui terá entendido o que geralmente me liga a cada um deles, ao que me ligou a você no início quando você só tinha seus quinze anos… A música).

A primeira vista ele parecia aqueles animais que caem da mudança, molhados, com frio e fome, que te tocam o coração e te fazem sentir tanto por alguém os tê – lo abandonado, de certa forma não é pena que você sente é compaixão, mas minha mãe sempre dizia ( e cara como ela estava certa!), : – ” animal ferido e acuado também morde.” – como boa filha que sou e como a grande maioria das pessoas que conhecemos, eu ignorei e deixei meu coraçãozinho volúvel tomar posse de tudo que gritava um sonoro NÃO dentro de mim.

As coisas ficaram intensas demais e na mesma proporção, rápidas, mas eu me sentia bem , ele fazia com que eu me sentisse nas nuvens “a única”, desejada, ideais parecidos, gostos, players trocados e noites sem dormir falando de tudo e de nada. Eu confiava nele e de algum modo sei que nem depois de anos vou perder essa confiança, ele falharia como pessoa, eu sei, mas nunca com os próprios princípios, e com isso, não me enganei. (MG me pareceu tão perto, e depois de alguns cálculos, eu quase caí na besteira de colocar meus pezinhos por lá, quase…)

Nossa montanha russa ia de amigos e comentários aleatórios á minhas camisolas e calcinhas, que além de divertido e prazeroso, me excitava, eu não hesitava em dividir com ele coisas que eu achava errado e que deixariam na opinião de muitos, uma mulher parecer promiscua, eu não estava preocupada com isso, eu o queria. Queria como o ar que respiro.

Me tornei presente por imposição e chamar a atenção dele era pouco, eu disputaria com qualquer garota, mesmo a “oficial”, quando ela aparecesse, ( e ela apareceu!).

Contra todas as expectativas, eu que nunca precisei correr atrás, corri. Me declarei, disse o que sentia e dei de cara com uma parede, havíamos bebido além da conta e isso não se fazia em um Domingo, quando tudo o que você mais queria era álcool.

A história parecia desconexa, mas o que esperar que ele respondesse quando eu nunca o tinha visto frente á frente? Quando tudo que você conhecia era um voz, uma imagem e suas músicas?

Me lembro da cordialidade ao dizer que ainda não era a hora e que não estava pronto para ter alguém em sua vida, pois ainda havia uma ferida em “fase de cicatrização”, eu compreendi no momento, pelo menos naquele instante. Doía, mas eu ia continuar tentando, afinal de contas eu podia ser o bálsamo, a cura… Mas eu não era e meu temperamento explosivo que você conhece tão bem e tanto te diverte, não eram.

A rejeição fez com que eu sentisse como se tivesse levado um tapa, e coisas que ele dizia em tom estranho ou soavam irônicas, desciam feito fel amargo em minha garganta, disso nasceu meu ódio e com ele veio a impulsividade. Queimava. Ardia. E saber – me o brinquedo e não a opção, foi ainda pior.

O que houve f oi uma troca de farpas, eu comecei e não nego isso nem depois de morta, veio o primeiro afastamento e eu me senti sem chão, veio o espaço curto de tempo, um falsa importância e uma ferida onde havia teias.

Ele mentiu, eu aceitei e mesmo mantendo a cautela sobre mim mesma, na primeira oportunidade de achar que ele estava perdendo o interesse, voltei a promiscuidade, (como se virar uma puta virtual fosse me ajudar a prendê – lo á mim), a diferença é que ele se divertia e entendia que aquilo nunca, de fato, iria acontecer, mas eu queria ver o contrário.

Veio a oficialização do namoro, mas não comigo, ainda me lembro que o sinal foi uma música: Frozen², alguém que me conhecia demais, sabia o que eu era por dentro e me ajudou a recordar, eu chorei. Gritei até que minha garganta falhasse no travesseiro para que ninguém me ouvisse. Ele enfrentou um batalhão de iludidas por ela. Nós, o batalhão de iludidas, enfrentamos a decepção, e no meu caso, o nojo.

Nos afastamos por mais três meses, desejei votos de felicidade e evaporei feito o água dos caminhos dele. Ouvia áudios onde alguém me pedia para não ser abandonado e chorava de raiva por ser tola, ao som de Oliver Hartmman.

Escrevi poemas usando as vozes de Tiê e Lizz Hale, na esperança de ir matando centímetro por centímetro a paixonite idiota e acredite – me: eu consegui!

Depois que se torna escritor, ouve – se muito: “Se um escritor se apaixonar por você, serás eterno.” E é verdade, em cada palavra ou verso que escrevi para ele ou sobre ele, ele vive e impera feito rei, mas acrescente á essa frase, a seguinte sentença: “Porém, teu sentimento findará assim que de tua carne, mente e alma, estirpar cada gota do sentimento que há dentro de si nas folhas que já não jazem mais em branco…”

Ele virou um diário, dolorido de escrever e com esse diário, acabou – se o sentimento. Nos esbarramos outra vez, mas não havia mais o que construir sobre a areia movediça ou o que iludir, nem mesmo a invenção de um fim de namoro, me motivou a crer novamente, parecia uma serpente rasteira prestes a me picar e envenenar novamente, mas dessa vez, nada aconteceu quando o veneno bateu dentro o meu peito.

Eu não podia competir com uma garota de olhos negros e com um sorriso que, Deus, era angelical, eu não tinha raiva dela, tinha admiração e criei para uma mulher pela primeira vez, ela merecia e eu desejei que ela fosse mais do que feliz, fosse plena. E ela é.

Fui curada, vi o anjo nela, parei de ouvir que as noites sem dormir eram por causa dos jogos e entendi que haviam outras como eu, implorando por atenção e sofrendo pela carência, se vendendo por tão pouco sem enxergar o que agora eu via tão claramente.

Eu o chamaria de egocêntrico, mas me pergunto: e se nós… Eu, não tivesse me deixado levar pelas palavras agradáveis, ele seria essa pessoa? Talvez não, mas nunca vou descobrir, nem isso e nem o fato de saber se em algum momento ele sentiu algo que fosse verdadeiro.

Ele se tornou apenas a fina poeira em minha memória, uma miragem em meio ao Sol escaldante do deserto…

Acabou o contato ao telefone em um 28 de Novembro e com ele a empatia pelas perdas, os sorrisos, as propostas desconexas (que em algum belo dia, entendi que eram para me manter presa á um sonho bom, algo que me mantivesse ali nas noites de solidão), era o terceiro e definitivo afastamento, sem lágrimas, sem despedidas… Era um ano conturbado, ano de muitas possibilidades, de decisões estranhas e corações partidos, era o seu ano… Mas esta ainda não é a sua carta, não… Quero apenas que você saiba, conheça os defeitos, os meus defeitos.

Apenas… Espere, por favor…

CONTINUA…

¹Behind These Eyes – Adrenaline Mob
Escondida por trás destes olhos
Descansa a alma de um homem abatido
E agora eu percebo
E eu finalmente compreendi
Você pode me salvar?
Eu estou de joelhos
Eu estou implorando, por favor
Você pode me salvar?
Pois eu não quero ser
Apenas uma memória
² Frozen: Música da banda Within Temptation

 

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