Conto de Fadas…

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Por L. Orleander

Little lady, your tale has an end
For your love to the skies was sent
He’s turned into sparks that shine with the stars…
… And by night he will always be there
For his lady to stare
And thus he’s never died…” ¹

Eu fiz planos… Não queria que a vida parasse e nem que meu coração morresse.

Planejava ter filhos, uma filha, pra ser mais exata, de nome Sophia. Sonhava entrar dentro de uma igreja grande, em um vestido de organza branco, tendo por marcha nupcial Fairy Tale ² e orquídeas em cascata formariam o meu buquê…

Eu sonhei em ser a noiva um dia e encontrei nele, no “extremista” da outra carta, a chance de concretizar esse sonho.

Ele era, é, diferente. Não para os padrões que a sociedade coloca como ‘diferente’ (mas tem esses também), a diferença dele me fazia se sentir compreendida e realmente, havia um sentimento muito forte entre nós, um laço que as vezes, quase sempre, parecia que nem a morte podia cortar.

Ele me fez de musa, escreveu músicas, me trazia músicas, adorava me ouvir cantar (pelo menos uma música em especial… Rs), poderia ter sido perfeito e nós teríamos sido felizes, mas bateu o vazio, não tinha o abraço que me fazia se sentir segura, não tinha honestidade e nada parecia caber. Os dias passavam e eu me afastei, mas não queria perder, queria alguém pra calar a solidão e me enaltecer quando eu me sentisse pra baixo, me tornei a possessiva que dava ataques de ciúmes por tudo e ele era o paciente compreensivo, mas eu estraguei isso, e estraguei feio.

Em algum momento algo não funcionava mais, começaram a vir as cobranças de uma atenção que ele merecia, e eu não queria mais dar. Eu não tinha tempo, tinha outras vidas e outras coisas, ele cansou e eu não me importei.

As brigas ficaram piores e viraram algo freqüente até vir a ofensa… Eu não te via á alguns anos já, não me lembrava do brilho dos seus olhos, mas sentia o peso dos lindos olhos verdes se transformando em âmbar liquido quando dizia ao telefone que estava cansado de ser procurado apenas quando me convinha, de certo modo, doeu.

O nome dele queimou na minha boca por dias em maldições, ódio e raiva, logo ele que apenas desejava ter uma família… A mulher que amava, uma filha, bons amigos e a cerveja num fim de tarde aos Domingos. Veio o fim de um inicio que nunca existiu, além de beijos, ele nunca se quer tocou em um fio de cabelo meu, respeitava meus limites, minhas vontades, provocações e gracejos, mas acima de tudo, aquietava os próprios pensamentos quando eu virava a história e queria me fazer de vítima, ele não era o vilão, mas eu era. E acredito que parte da pessoa que ele se tornou, (o lado ruim), tenha sido minha culpa. 

Ele viajou o mundo, me deu o Pôr do Sol mais lindo que alguém já viu em alto mar, me fez sorrir ao me lembrar que caso viéssemos a casar na igreja ela incineraria até as cinzas por que Deus, repudiava a nossa forma de viver (depois de um tempo me perguntei se Deus não livrou o ateu de um mau maior, sem ele perceber…), chegou a Santorini e lembrou  que um dia eu disse que eu só me sentiria em casa quando colocasse os pés na Grécia e vislumbrasse o Egeu…

Ele não me culpou quando partiu, me amou até o último instante e tentou ser, na medida do possível o cavalheiro que conheci durante eras, quase 15 anos de amizade e vidas que não tivemos a oportunidade de nos lembrar. Saiu machucado, feito um escravo que apanhou de açoite.

Eu fui sua Megami – Sama, (era assim que ele me chamava mesmo sem eu entender), e assim como uma Deusa, eu o tratei feito nada. – “Koishiteru, Megami – Sama…”, foi a última coisa que ele me disse quando desistiu de brigar, desistiu de ficar, desistiu de sofrer, tinha acabado a minha paixão e ele, que sempre foi mais pé no chão, entendeu.

Você não esteve presente aqui, nessa fase, nessa parte da minha vida. Você apenas sumiu e eu nem senti que você existia, não ali. Mas só enxerguei coisas que tinha feito á outros quando você me fez sentir o mesmo.

Você foi a lei do retorno…

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No Japão existem três formas de dizer “eu te amo: Daisuki – para amigos; Aishiteru – para namorados; Koishiteru: se diz para quem queremos passar o resto da vida ao lado, Megami…” 

Koishiteru, Megami – Sama…

CONTINUA…

¹ Pequena senhora, seu conto tem um fim
Pois seu amor aos céus foi enviado
Ele se transformou em faíscas que brilham com as estrelas …
… E à noite ele sempre estará lá
Para sua senhora o olhar
E assim ele nunca morreu.
² Fairy Tale – Shaman

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