Amor Perfeito…

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Por L. Orleander

“Vem, que eu conto os dias
Conto as horas pra te ver
E eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você
Sem você…” – Roberto Carlos

Você nunca me passou uma cantada, sempre foi objetivo, ou melhor acho que fomos desde a primeira conversa que envolveu algo mais…

Mas essa não é sua história, essa a parte da carta em que te conto quando você começou a fazer a diferença e me fez querer que fosse você e não os que vieram a seguir.

Não preciso te dizer um nome, apenas contar que essa parte se iniciou exatamente com essa música, ele me fazia sorrir e todos os dias de manhã me desejava bom dia. Ele tinha tudo para ser o cara perfeito: bonito, engraçado, carinhoso e tinha o beijo perfeito para cada dia da semana, se eu assim desejasse, mas era só.

Estávamos sempre ocupados e você sempre ali mandando algo debochado e me perturbando por besteira com um vocabulário só nosso. Eu te descobria outra pessoa.

Meu “graduado” da época, olhava o mundo e com ele vinha os planos mirabolantes e risadas, você me deixava inquieta e me fazia olhar 500 vezes ou mais cada foto nossa que existia.

Nasceu a curiosidade, o desejo e o impulso…

Ele não ficou aquele ano, e nos tornamos, de duas pessoas unidas, estranhos que apenas se cumprimentavam nos respectivos aniversários. Números obsoletos em uma lista telefônica.

Troquei ele, por você, pela arrogância em pessoa e a chatice em alma, (não vou te chamar de sem coração, mas eu te detestava, mas também não queria sair de perto, e disso nasceu meu ciúme).

Veio o ponto final, chorei calada, me enfiei numa terapia maluca de colocar meus sentimentos pra fora e me obriguei a escolher a distância. Treze dias depois eu tive certeza de que você era minha parte diferente.

Fazia Sol, mas o vento forte não dava trégua, com tudo o fim de semana estava ameno e estar entre amigos era sempre bom, nós conversávamos banalidades e como não era diferente entre nós e nem novidade (pelo menos pra todos que nos conheciam), os tapas e os apelidos “carinhosos” corriam soltos na vontade de ofender, que eu já nem sentia mais. Foi a primeira vez que você me puxou pelo braço de um modo diferente, foi a primeira vez que olhei em seus olhos e enxerguei alguém que eu se quer sabia que existia, alguém que eu nem imaginava que podia sentir.

Morreu ali, exatamente ali, a vontade de te dar outro tapa ou de te chamar de idiota…

Você me abraçou forte, como nunca ninguém havia feito, e do lado de fora da redoma, eu não ouvia mais nada, eu só sentia seu cheiro, o tremor da minha mão e uma voz gritando na minha cabeça um alerta desesperado que eu nem entendia. Nessa hora você corrigiu tudo. Tudo que estava errado em mim, todos os cacos que meu coração tinha desde que eu me entendia por gente.

Eu não te soltaria, teria parado o tempo exatamente ali e me prenderia pra sempre naquele único abraço, mas você me soltou e me segurou pelos cotovelos, dando leves tapinhas. Seus olhos brilharam tanto – “Meu Deus!” – você disse, arrumou o boné e passou a mão no cabelo, deu um meio sorriso, me abraçou novamente e saiu.

Você me roubou o ar, a paz e naquele dia eu escrevi três página sobre você em um caderno que jamais encontrei novamente, não me lembro se o dei ou joguei fora.

Acabou a terapia pelo estudante de Logística, não havia dor, meu coração batia feliz e seu sorriso me visitou por meses, com isso veio a proximidade menos ofensiva, as brincadeiras mudaram e eu entendi que você não era mais um garoto pedante que eu tinha vontade de esganar as vezes, não.

Você era um homem, tinha outro ar e podia ser quem quisesse.

Você não sabe, mas talvez tenha sentido, eu fui salva por você… E esta não seria a primeira vez...

 

CONTINUA…

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