The Bite – O que se Esconde por trás das Àrvores

Por: Natasha Morgan

Alguma coisa a mordeu na floresta.

Ela não o viu.

Lembrava-se de estar bebendo com Karen, sua melhor amiga. Saíram do trabalho tarde da noite, passaram numa lojinha 24 horas e comparam uma garrafa de rum. Ideia de Karen ,é claro.

A amiga de longa data se tornara bem diferente depois de se relacionar com aquele motoqueiro estranho do Kansas. Vestia-se de forma mais ousada, estava mais bonita, falava de forma provocante e adotara uma ideias estranhas.

Como estacionar o carro na beira da estrada e sair correndo pela floresta com uma garrafa de rum e uma canção estranha nos lábios rosados.

Lorah sabia que não era uma ideia das mais comuns, mas se deixou levar, seguindo a amiga pelo meio das árvores, dividindo o rum e cantarolando aquela estranha canção.

A floresta estava parcialmente iluminada pela lua e misteriosamente silenciosa. Os galhos angulosos das árvores exibiam formas grotescas, como se fossem velhas gárgulas enfeitando um jardim.

Lorah tentou não olhar para elas, fixando sua atenção em Karen que se divertia trançando as pernas e se livrando das roupas em meio a floresta. Ela era tão linda… Sedutora. Ultimamente chamava mais a sua atenção do que qualquer outra pessoa. E Lorah não sabia dizer por que se perdia tanto tempo olhando para a amiga.

Karen notou seu olhar e parou de trançar as pernas, assumindo uma postura séria. A canção morreu em seus lábios e ela lhe sorriu. Seus dedos ágeis libertaram os últimos botões que prendiam a blusa de seda e ela a jogou no chão, exibindo os seios nus. Num puxão suave se livrou das saias. Totalmente nua, encarou a colega com um sorriso malicioso, e se voltou novamente para a floresta, desaparecendo entre as árvores grotescas e sombrias.

Em choque, Lorah estancou. O sorriso tolo em seus lábios esmoreceu e ela ensaiou um passo em direção a onde Karen desaparecera.

Um ruído estranho se fez ouvir por entre as árvores.

Lorah estremeceu.

Algo surgiu dos galhos das árvores e fechou os dentes em seu ombro. A dor foi tão grotesca que ela gritou, tentando cravar as unhas no que quer que fosse. Mas tão logo aquela bocarra se fechou em seu ombro, ela a libertou. E o que quer que fosse aquilo, desapareceu na floresta antes que Lorah pudesse fitar seu rosto monstruoso.

Ela se lembrava de ter gritado por Karen. Lembrava-se do aspecto grotesco da ferida em seu ombro, da quantidade de sangue que empapara sua roupa. E do silencio sepulcral da floresta.

Deveria ter ligado para o socorro.

Deveria ter ligado para Luke.

Mas ao invés disso desatou a correr em direção a estrada e pegou carona com um caminhoneiro estranho. O homem não deixou de encará-la nem um minuto e perguntou inúmeras vezes se ela não queria ir a um hospital.

– Não precisa. – ela insistira. – Foi o cachorro de minha amiga.

Ela quase riu, histericamente, da piada.

– Deveria ir a um hospital. Levar alguns pontos.

Ela sorriu, educadamente, e insistiu para que ele a deixasse no primeiro posto.

Seguiu o resto do trajeto até o apartamento a pé.

Livrou-se da roupa, entrou no banho e se lavou da melhor maneira que pode.

Ao fitar o ombro no espelho mordeu os lábios de nervoso.

A carne estava dilacerada, exibindo os músculos grosseiramente. O sangue já coagulara, mas o aspecto era terrível.

Lorah limpou a ferida com antisséptico, passou uma pomada cicatrizante e fez um curativo simples. Vestiu uma blusa de malha, tomou alguns comprimidos e se deitou.

Tentou ligar duas vezes para Karen, mas caía direto na caixa postal.

Virou-se de lado e adormeceu.

 

Ela dormiu por três dias seguidos.

Quando acordou, o sol irradiava pela janela do quarto, as luzes da caixa de mensagens piscavam e o Pug latia exigente.

Lorah se levantou de um salto, assustada.

Automaticamente chegou o curativo em seu ombro, lembrando-se daquela noite.

A bandagem estava empapada de sangue.

Ela suspirou, fitando o cachorrinho ao pé da sua cama.

Ele latiu mais uma vez e se escondeu embaixo da cama.

Lorah franziu o cenho.

Voltou-se para a caixa de mensagem e apertou o botão azul.

As mensagens verteram do pequeno alto falante.

 – Lorah, onde esteve ontem a noite? Não me retornou as ligações.

 – Lorah, não esqueça de passar aqui para pegar a casinha que seu pai fez para o Poopy! Beijos da mamãe.

 – Lorah, onde você está? São 6h:15 e a reunião está para começar.

 – Lorah, a Nathan me ligou hoje de manhã e disse que não compareceu ao trabalho. Onde você está?

 – Lorah, Luke ligou hoje cedo. Disse que não atende as ligações dele e não compareceu ao serviço. O que está havendo?

Lorah franziu o cenho, voltando os olhos para o calendário acoplado ao relógio de cabeceira.

Dia 04 de Fevereiro.

Imediatamente se deu conta de quanto tempo dormiu.

Estava para praguejar quando o último recado ecoava da caixa de mensagem.

 – Oi, Lorah, espero que esteja se recuperando bem da bebedeira. Adorei a nossa noite. Espero que nos encontremos novamente em breve.

O ronronar da voz de Karen a despertou da letargia.

Lorah pulou da cama, quase atropelando o cachorrinho no processo, e se apossou do telefone sem fio no corredor. Tentou ligar para a amiga novamente, mas se deparou com o silencio da caixa postal.

Ela ligou para os pais, tranquilizando-os e dizendo que teve uma gripe que a prendeu em casa. Ligou para o serviço e se desculpou pela faltas, afirmando estar ciente de suas responsabilidades. E, por fim deixou uma mensagem para Luke, insistindo que estava bem e queria ficar sozinha.

Sua relação com Luke era complicada. Um relacionamento que para ele significava muito e para ela quase nada. Concordaram em dar um tempo. E ele era sempre atencioso em verificar se ela estava bem ou precisava de alguma coisa.

Lorah se desvencilhou de tais pensamentos, encheu a vasilha do cãozinho e correu até o banheiro para examinar sua ferida. A julgar pela quantidade de sangue manchando o lençol e empapando sua atadura, ela não sabia dizer como ainda estava viva.

Com lágrimas nos olhos, ela arrancou o curativo, esperando se deparar com o horror de um ferimento infeccionado. Mas o que viu foi sua pele profanada por uma cicatriz grotesca e rosada.

Ela balançou a cabeça em negação.

Os dedos passearam ao longo da pele. Sensível, mas cicatrizada. O sangue que empapara o lençol e a bandagem seguia seco ao redor da cicatriz, dando um aspecto aterrorizante ao ferimento.

Aquilo não era possível. Ferimentos como aquele não cicatrizavam em três dias. Ainda mais sem a assistência de pontos. Seu ombro fora retalhado naquela noite, a carne rasgada e mordida. E o máximo que ela havia feito fora um curativo e ingerido antibióticos. Simplesmente não era possível que em três dias a ferida houvesse cicatrizado!

O medo tirou seu folego.

Conhecia bem as histórias acerca de monstros que vagavam pelas florestas, escondendo-se sob a forma humana e se libertavam durante a lua cheia. Sua mordida infecciosa prometia aterrorizar a vida da vítima até a próxima lua cheia, quando ela se transformava numa nova geração de monstro.

Lorah riu.

Um acesso histérico de gargalhadas que a perturbaram profundamente.

Monstros não existiam.

Algum animal selvagem a tinha atacado naquela noite e, por ser covarde demais, escondeu-se em casa durante aquele tempo. O excesso de trabalho a deixara cansada o suficiente para dormir todo aquele tempo. E seu sistema de cicatrização era muito bom, por isso o ferimento se curara.

Era essa a história que passaria a diante quando lhe importunassem no trabalho.

Ela tomou uma longa ducha, limpando-se, e vestiu-se com esmero.

Hora de voltar à ativa.

Mal podia esperar para ver Karen novamente. E tirar algumas conclusões com a amiga de longa data.

 

Continua!

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