Dezembro…

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Por L. Orleander

Preto… Sempre tive verdadeira adoração por esta cor, era algo que me fazia se sentir diferente, o oposto de alegrias forçadas de verde, amarelo, vermelho, azul… E era assim com você também, o neutro, o elegante, apenas preto!

Um vestido velho sem elogio  e sem apelos de chamar a atenção, não sei, apenas lembro que foi ali, exatamente, ali que notei você.

Famílias reunidas, desejos de um amanhã melhor, um ciumes por besteira, respondido de modo ríspido e impensado, (acho que te devo um pedido de desculpas aqui… Não era minha intenção.), e ainda sim foi o que me fez parar depois de algumas taças de vodka ou tulipas de cerveja, o seu rubor.

Parecia inocente e acho que foi no mesmo instante que tomamos consciência de nossa existência na vida um do outro.

A roupa, um presente agradável, de alguém que preferia esquecer, não era motivo de afronta, mas te causou algo, era minha chance de me sentir especial, de me sentir como se eu fosse parte de algo, mas o seu olhar incrédulo me trouxe a insensatez de fazer com que eu me sentisse desejada outra vez, a provocação, (onde eu estava com a cabeça?).

Eu torcia para que o novo ano me trouxesse alegrias, um sentimento sincero e honesto, e respostas para sanar o que deu errado naquele ano e me tirou aquilo que achei ser tão importante, alguém, pelo qual eu moveria céus e infernos, mas era apenas eu e eu.

Dancei, sorri, bebi, mas não calei o vazio gritante dentro de mim, estávamos no meio do Verão e era como se o Inverno houvesse chegado pra ficar. Uma ferida cinza, me pintando lágrimas em silêncio, murmúrios sob o travesseiro e noites insones, me descobri frágil e achei que aquela era a hora de quebrar em mil pedaços, bem no olho do furacão e nos medos das minhas paranoias.

Cada sorriso colecionado antes, uma fachada bem pintada, uma máscara bem vívida e um andar vacilante sem  os horrores que se escondiam sobre a pele, você não sabia e nem as pessoas ao redor também, eu era forte demais ou tola o suficiente para crer nisso, mas eu sobrevivi e hoje sei que foi por um bom motivo…

Sempre vou lembrar da constelação de Atila quando olhar em teus olhos, o céu estava cravejado de estrelas quando te vi sorrir desajeitado. Um comentário tolo nasceu ali, despeitado e único eu diria, e uma resposta em desafio me fez pensar no “se”. Ainda lembro do rubor do seu rosto e mesmo depois de anos , essa é a lembrança mais carinhosa que tenho quando seu nome me vem a boca.

Guardo fotografias, risos e abraços de pessoas estranhas que dividiram o mesmo céu, a mesma noite.

Guardo o som dos fogos de artificio e  de Counting Stars tocando alto em algum lugar, um brinde, um beijo, uma promessa e uma troca de olhares…

O dia amanheceu e tudo continuou o mesmo, a dor de cabeça era a única coisa diferente enquanto o cachorro latia do outro lado da rua. O Sol quente ardia queimando a pele e o asfalto e uma beleza natural, não do tipo astro de cinema ou modelo de cuecas, achava engraçado deixar as coisas bagunçadas.

Não o corpo definido, nem o cabelo liso, mas as feições tediosas e ranzinzas, unidas a voz rouca estavam ali, quebrando tabus e rolando dados pela sorte.

Não existiu uma investidas, á não ser que tapas e ameaças de socos, misturadas a palavras pejorativas sejam isso, trocamos apenas os números.

Você enterrou um ano de erros, de olhares tristes, de dissabores, mentiras e traições… Era meu presente de Ano Novo, e eu me permitir dar um passo adiante e senti como se tudo tivesse ficado mais leve, e de fato ficou, eu não estava mais cega.

Não foi você que começou a mudança, nessa zona que chamo de alma, não. Mas algo que você deixou me fez desejar ser melhor, querer mais… E partir daí, veio a certeza, nada mais seria como antes…

CONTINUA…

 

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