Morgen… – Justificativa

morgen12

Por L. Orleander

“No one knows what goes on up inside my head
There’s a new kind of poison and it’s starting to spread
No one knows what goes on up inside my head
They don’t think I need help
But I’m scaring myself
I just want to be ok…” ¹

Tudo continua bagunçado aqui…

A casa, as roupas, a mente, os passos…

Livros espalhados e rascunhos de alguma coisa que tentei escrever a noite passada, talvez fosse apenas vontade de colocar no papel como é se sentir dessa forma, explicar o vazio e as paredes de um labirinto que parece não ter saída.

As vezes bate a ansiedade  e me encolho atras da porta com medo, chorando,ela arranha minha mente feito um lobo faminto querendo dilacerar minha carne, e assim ouço os cacos dentro de mim tilintando, (e não é bonito) ou aquele nervoso que as pessoas acham que se limita apenas a roer as unhas, até os dedos ficarem com as cabeças machucadas, não. É pior. Mil vezes pior.

Quando vem os “cortes”, a sensação de torpor, de anestesia, de fuga rápida do mundo… Por um instante vem o alivio, para em seguida vir o arrependimento e as milhares de vozes me dizendo que sou fraca, covarde e que devo procurar ajuda.

Sento – me diante de alguém com um pequeno caderno de notas que faz pose de inteligente e anota coisas aleatórias… Como eu me sinto, o que me levou a fazer, o que se passa em minha mente, por que não me esforço, remédios em dosagens maiores, terapia intensiva. Talvez ela conheça os frangalhos da minha mente, mas eu sei que ela jamais vai querer entrar aqui dentro e ficar, ou “passear” por alguns instantes, é sombrio.

As paredes são escuras e as criaturas que vivem aqui dentro são apavorantes ainda que tenham minha voz, meu corpo e os mesmos pensamentos, algumas vezes, alguns piores, não há como dominar isso, pessoas como eu vivem um dia de cada vez, na esperança de colocar o “monstro” pra dormir e respirar por mais um dia aliviada.

Suportamos as lágrimas, as palavras pesadas, desfocamos a tristeza nas risadas histéricas, ou nos rompantes de fúria e assim todos ao nosso redor vivem bem.

Existe um preço a se pagar, sabe? Manter a sanidade de si próprio antes e ajudar os outros, lá fora as pessoas pouco se importam ou, na maioria das vezes,  apenas condenam, incentivando a cometermos o ato, (o que muitas vezes funciona e quem fica tem que ouvir que já estava cansado do “drama” e que já foi tarde), por que se conseguirmos olhar bem de perto, vamos descobrir que muitos de nós, somos aquela famosa “falha genética” na “cadeia ribonucleica” do mundo.

Aquele organismo estranho que adentra um corpo, que na ânsia de se livrar do intruso enviará anticorpos para expurgar o que há de ruim.

Afinal de contas por que somos algo ruim? O que deu errado com a gente?

Parece fácil nos limitar a parâmetros, estatísticas  e estudos modernos na esperança de colocar no papel e apresentar diante de grandes palestrantes com palavras difíceis o que na realidade, não representa um terço da nossa dor, nossa carne, nosso sangue…

As vezes é como uma música nova, com uma letra estranha onde ninguém entende o grito de alerta, mas nós, pessoas como eu, enxergamos que não estamos sozinhos.

Dizem que a mudança começa conosco e com o fato de termos vontade de lutar contra tudo isso.

Vocês pararam pra perguntar quantas vezes um suicida bate de frente com o ser que habita dentro dele e diz “NÃO”?

Perguntaram ao depressivo por que ele não é apenas triste e solitário? E que as vezes ele é aquele fogo que arde devorando tudo pela frente e no outro é aquele sorriso cálido e amoroso?

Tentaram entender por que um verdadeiro ansioso acha que está sendo sufocado por um plástico em sua cabeça ou como se sente quando é comprimido em paredes que não existem, mas lhe roubam o sono, a alegria ou a vontade de viver?

Você sabe por que um obsessivo – compulsivo chora ao lavar as próprias mãos mais de trinta vezes ao dia com esponjas e água quente na esperança de “tirar a sujeira” da pele?

Prega – se sempre e muito a empatia e o tal de “se colocar no lugar do próximo”, mas me diz, se estamos tão próximos por que ainda somos as aberrações incompreendidas, os “covardes” egoistas ?

Pessoas normais tem medo do escuro, pessoas como eu acham ele até confortante…

Sempre será melhor ser abraçado pelas luzes apagadas do que por minha mente, ela não é nenhum parque de diversões e ainda sim, seria triste se fosse…

No one knows what goes on up inside my head
There is a new kind of poison and starting to spread
But I didn’t think the antidote was in my hands
I can change my plans I can change my plans
I tried to find my reflection on the glass
But all I ever saw were the things I lacked
All the smudges on the mirror make you go insane
All I ever thought I was
Was a mistake…

 

CONTINUA…

1 – Antidote – Faith Marie

 

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