Príncipe dos Mares

 

pm131

Por L. Orleander

“Ninguém sabe
Que o Príncipe dos Mares me levou
Nos seus sonhos de aquamores
E fugimos
Atlanticos amores de um verão
E nos cantam as sereias…”¹

Veio no sussurro, no inicio da noite, quando o céu ainda se tinge de magenta, lilás e a cor de chama do Sol poente.

A maresia soprava seus odores de jasmins e sal, arrastando com delicadeza pequenas conchas quebradas e restos de alguma alga seca ao calor do dia, devolvida ao solo como presente aos passantes desatentos, rolando preguiçosamente sem direção certa.

No véu que caia silencioso e molhado, uma canção soava baixo, trazendo para si corações apaixonados, amantes prestimosos, envolvidos em luxuria, mistério, encanto e entrega…

O cabelo dourado feito Sol nascente, balançava ao sabor da brisa, enfeitado apenas pela flor branca presa entre seus fios, sem grande pétalas ou atrativos. A pele pálida coberta apenas pelo leve vestido de seda, pérola, arrepiava – se em tensão e desejo, respondendo ao doce chamado.

O mar calmo e suave, agitou – se levemente, quando avistou – se a cabeleira de fios luminosos, pouco a pouco um corpo másculo saia em meio a pequenas ondulações, lançando aos pés descalço na areia, pequenas ondas e espuma madrepérola, que faziam cocegas infantis na ponta dos dedos.

As órbitas leitosas  ganhavam agora uma iris azulada que mirava a beira da praia com carinho, convidativas, enquanto  escamas esmeraldinas, tornavam – se pele morena e bronzeada.

O poder emanava forte e ondulava sob a água lançando pequenos fios em direção a donzela que estava a espera de seu encantador príncipe, tateando a pele exposta, fazendo caricias pecaminosas, provocando arrepios prazerosos que se misturavam aos gemidos contidos que ela soltava sutilmente.

O cabelo comprido perdia o tom totalmente prateado e mesclava – se á um negro, feito a mais densa noite ou o mais escuro dos abismos, colavam – se ao corpo molhado, deixando a vista o peito definido, cheirando a sálvia e almíscar.

O corpo da encantadora donzela retesou – se por um instante, enquanto os dedos quentes lhe acariciavam a face ruborizada, os lábios frios tocaram – lhe o ouvido, sussurrando juras de amor eterna, fazendo com que seus olhos fechassem e aceitassem que as mãos firmes lhe invadissem a intimidade por baixo do vestido, um arfar intenso ressoou, deixando – a boquiaberta.

O beijo cálido, prazeroso, lento e gentil, a perfeição que ela buscava em seus sonhos, ele poderia lhe dar, veio o abraço, a canção das ondas e a redenção.

Corpos sob o vestido na areia, transformando o momento em uma mistura única, exata e perfeita, a investida contida, tímida, pedindo passagem entre as pernas para encontrar uma alcova quente e receptiva.

Ela não tinha mais vontade, se não desejo de ser possuída, devorada por ele.

Seus dedos entrelaçavam – se no emaranhado de cabelo, ouvindo seu nome chamado com afeto e urgência, tornando os movimentos  rápidos e um tanto quanto profanos em busca do clímax, da união arrebatadora.

A mão do ser fartava – se na aureola dos seios, agora enrijecidas, enquanto a boca sorvia o néctar dos lábios ávidos pedindo por mais, ela era a dama e também a noiva, naquela noite nupcial, onde as estrelas e a lua testemunhavam o contrato se selando.

Estavam presos em uma redoma silenciosa, nada e nem ninguém ousava atrapalhar a cópula do casal.

A canção calou – se de imediato, quando o urro de prazer preencheu o ar e em seguida o grito de dor e desespero varou a noite.

A areia manchava – se de rubro, o pescoço antes pálido vertia em profusão o liquido com odor de ferrugem, enquanto os olhos apaixonados abandonavam seu tom azul e tornavam – se leitosos novamente, bestiais.

O sorriso sarcástico enfeitado por dentes pontiagudos, manchavam – se de sangue, ele tornara – se o monstro ainda dentro de sua vitima, acabavam – se as caricias e com a violência de um animal ele arremetia contra o corpo abaixo de si, ferindo, conspurcando, enquanto as mãos com ventosas, faziam um colar apertado ao redor do pescoço ensanguentado.

As escamas esmeraldinas voltavam a tomar braços e pernas, afiadas feito aço, cortando em filetes onde roçavam.

Os olhos da pobre donzela vislumbraram as órbitas leitosas e foram arrastados para o fundo do mar, de modo sombrio, ela sentia – se afogar, enquanto assistia ao naufrágio de navios, a pedaços de madeira empalando corpos enquanto outro seres se alimentavam de suas vitimas agonizantes, esqueletos transformados em corais e seres abissais que faziam qualquer pesadelo terreno parecer um sonho infantil diante da voracidade com a qual eles nadavam em direção aos gritos e pedidos de socorro.

O último suspiro ecoou na noite, enquanto o pescoço frágil se partia e a criatura voltava ao mar arrastando consigo o que antes era – lhe sinônimo de beleza e prazer, deixando atrás de si a prova de sua existência para a próxima desavisada que ansiasse por uma noite tórrida de amor.

O corpo exangue afundava – se no mar, sem retorno, sem vida, sem deixar rastro ou memórias… O mar calava – se diante do que virá e recebia em teus átrios uma nova joia, banhada em sangue para guardar para si.

FIM…

¹ Príncipe dos Mares – Sandy e Jr.

 

 

 

 

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