Galamadriel – Espelhos do Tempo

 

espelhos

Por L. Orleander

I’ll tear you down
I’ll make you bleed eternally
Can’t help myself
From hurting you when it’s hurting me
I don’t have wings
To fly with me won’t be easy
‘Cause I’m not an angel
I’m not an angel… ¹

As janelas de Gabriel ainda estavam abertas, os mundos que habitavam por trás das cortinas agora maltrapilhas e rasgadas, não passavam de um grande nada ou um imenso deserto.

Ele havia selado todos e ninguém, nem mesmo seus irmãos o fizeram mudar de ideia, a coisa não tinha terminado bem e agora andando sobre o mármore terroso e empoeirado eu me pegava presa a devaneios de um tempo distante.

Nenhum de nós esperou que depois da chuva viesse uma terrível tempestade, não imaginamos, fim de raças, nem reaparições, nem amigos mortos e nem amores transformando – se em pó.

Vinte anos haviam se passado na Terra e as calamidades estavam cada dia piores, celestiais não mais desciam e infernais não mais subiam, eles nem precisavam mais depois que Caronte trouxe ela de volta. Nem mesmo ele estaria aqui depois dela.

A “cidade dos exilados”, Galamdriel, padeceu diante de hordas inteiras de demônios e inferis.

Gabriel…

Envelheceu anos em dias, o laço negro em seu pulso era condenação de cada alma humana e de cada ser celestial que tentou refrear o “Grande Levante”…

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– Eu avisei! – vociferou Caronte ao olhar o laço negro no pulso de Gabriel. – Ela ainda está viva por sua causa, eu tenho a minha parcela de culpa por acha – los merecedores de tentar viver juntos, mas isso chegou longe de mais, corte – o Gabriel…

– Ou eu mesmo cortarei… – Respondeu Miguel, ao sair de uma cortina esvoaçante. O rosto do jovem general havia mudado parecia talhado em mármore e mostrava – se preocupado. – Ela vai matar a todos nós!

Gabriel parecia irredutível, olhava uma determinada janela, dedilhando uma canção triste e ininterrupta no piano, enquanto seus pensamentos vagavam para o começo de tudo aquilo, ele amava Lilith, não podia amar aquela que fora criada para ele, para sua consorte…

Houve a dor, o prazer, a felicidade e a morte…

Calíope…

A memória a trouxe de longe para dentro de seu peito uma vez, como o fantasma que havia se tornado nos últimos tempos, assombrando ainda mais a vida do angelical, era filha que nunca puderá ter nos braços, e agora, uma vez mais,  jazia morta, Lilith ordenará a morte de sua prole, aquela que ela quase enlouqueceu para que voltasse a vida, aquela que ela alimentou em seus jardins por eras…

Mas, a senhora infernal não era mais a mesma, não depois de ressurgir, pedaço por pedaço, respondendo ao chamado de Caronte e de Gabriel, a barganha tivera um alto preço, uma tirana no trono do inferno que atravessava mundos e vinga – se de seu antigo companheiro e uma senhora que matava anjos como quem estava entediado.

Os castigos a humanidade tornaram – se mais do que cruéis, tornaram – se impossíveis e inimagináveis, enquanto humanos não precisavam mais dos demônios ou inferis para cair no que chamavam de “tentação”, eles se seduziam sozinhos pela ganancia, cobiça, luxuria e avareza, os 7 caminhavam dançando e sorrindo entre eles, e isso os fez tornarem – se reais, tomaram um corpo para si, da forma que melhor lhes cabia ou apetecia.

Miguel desceu a Terra com os irmãos ao lado e se perdeu diante de tanta loucura, quase perdendo sua glória e suas asas, sua divindade oscilou e Gabriel unido a Rafael o carregaram para longe, a empreitada fora um fiasco, os de coração bom eram tristes e doentes, os de coração puro era frios, onde habitava algo ou uma unica fagulha de boa aventurança, habitava também o medo e uma centelha maior de falta de fé. Celestes estavam condenados e isso preocupava cada Anjo, cada Ceifador, cada Mercador, as histórias eram resumidas e a batalhas travadas em pedaços, em partes que nunca houveram necessidades de duvida, os anjos desistiam e não voltariam mais a Terra, pelo não por enquanto, tudo parecia perdido, tudo tornou – se uma coisa só, um olho de maldade sobre todos.

– Tem que haver algum jeito. – disse Caronte.

– E há… – respondeu o ser de cabelos negros e olhos enovados, farfalhando suas asas prateadas. – Matem a forma “humanoide” que cada pecado tomou e dilaceraram Lilith, haverá percas, mortes e dores que talvez nenhum de vocês esteja pronto pra superar, mas se nada for feito, não sobrará nada. Vão até Lúcifer e convençam – o, o que não será difícil visto que ela sempre o procura para tortura – lo.

– Quem é você? – perguntou Miguel sem reconhecer o anjo.

Gabriel parou de tocar se levantou colocando as mãos no bolso da calça surrada, e olhou diretamente para o novo visitante.

– Ele vem de longe, de um mundo que nosso Pai criou além de nós e esta não é sua forma, é apenas um modo gentil de ser aceito. – sorriu ele cansado, fechando os olhos e acariciando a têmpora. – Ele de é Monsahabi, um anjo também, e não está sozinho.

Todos olharam Gabriel com espanto, os olhos cinza faiscaram em direção ao visitante, que assentiu suavemente em sinal de agradecimento.

– Meu nome é Shunydhii, General da Ordem Celestial de Monsahabi…

Era apenas uma questão de tempo até o “Grande Levante”, mas parecia que as forças começavam a aumentar e talvez a fé voltasse a reinar.

O lampejo de luz passou de um olhar a outro e ali uma nova historia se iniciava, fosse para viver ou morrer…

 

CONTINUA…

 

 

 

¹ I’m not an angel – Halestorm
Eu vou te derrubar
Eu vou te fazer sangrar
Eternamente
Não posso me impedir
De te ferir
Quando isso está me machucando
Eu não tenho asas
Para voar comigo não será fácil
Porque eu não sou um anjo
Não sou um anjo

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