Morgen – Possibilidades

morgen12

Por L. Orleander

“Weep not for roads untraveled
Weep not for paths left lone
‘Cause beyond every bend is a long blinding end
It’s the worst kind of pain I’ve known…” ¹*

As vezes, batia o vazio e até mesmo a chance de pular na frente de um carro ou trem era convidativo…

Eu amava minha família, se é nisso que você pensa que se fundamenta a minha desistência, que eu não os amo ou não tenho respeito por eles.

Sonhei quando criança em ter um marido que me beijasse a  testa assim que chegasse do serviço e me ajudasse a lavar os pratos da janta enquanto perguntava como foi o meu dia e o dia das crianças…

Filhos… Eu os almejava, um casal e ao mesmo tempo temia devido ao que me ocorrerá no passado, mas meus relacionamentos sempre começaram nos contos de fadas e terminaram na traição, o último, em ameaça e tapas.

A carência e a solidão já eram amigas de longa data, mas se pintavam de cores alegres, danças e barezinhos no fim de semana.

O número de chances que aparece durante o dia, na rua, no serviço ou em casa são grandes e infelizmente para mim, assim como para muitos incompreendidos, é uma verdadeira roleta russa do azar, não há como errar a bala, o tambor nunca está vazio e a criatividade sussurrando em nossos ouvidos é, além de perigosa, inacreditável.

Outro dia me peguei olhando para a viga da garagem, ela parecia convidativa, como um canto hipnótico me atraindo.

Quando se tem potencial e força de vontade, a cena se desenha em sua mente de forma rápida e o insight de reações e desejos te domina de tal maneira que você não consegue se quer ouvir a razão, me senti tão cansada.

Já passava da meia noite quando tomei a decisão de pegar uma cadeira e arrumar uma corda velha, sentei – me e fiquei assistindo – me balançar de um lado a outro.

A cadeira caída em um canto longe para que de fato tudo se concretizasse e eu não pudesse me apoiar novamente, ao ar faltando em meus pulmões, a ponta de meus dedos lutando bravamente contra o nó bem feito, aprendido em algum lugar da internet.

O que eu pensaria a seguir? Pensei em como seria encontrada, em como as pessoas ficariam e chorei arrependida, venci mais um dia.

Venci mais um dia…

A palavra VENCER é dada para campeões por seu esforço e trabalho árduo quando se conclui algo importante em uma competição.

Eu estava competindo comigo mesma, todos os dias e notava o efeito devastador que isso tinha em minha vida, se antes eu pensava em uma forma de “partir” sem deixar meus pais emputecidos e revoltados pelo meu ato, agora eu pensava em trinta.

Cansei de ler sobre o assunto de certo modo, acredite – me um suicida possui a capacidade de matar uma população inteira com o conhecimento que possui para atentar contra si e comigo não é diferente.

Me pergunto quantos de nós ainda cederão a morte prematura por não se conter  e quantos serão uma lição de vida para que outros desistam de acabar com aquilo que mata nossa alma, vinte quatro vezes ao dia.

Não há uma reabilitação para pessoas como eu, nem drogas ou remédios capaz de nos fazer mudar de ideia, na real o que se consegue é nos manter dopado por algum tempo, com o raciocínio um pouco lento e uma capacidade ilimitada de procurar alternativas.

Acho engraçado quando vocês nos chamam de covardes, em proporções maiores, tentem enfrentar o maior medo de vocês. Assim que conseguirem vencê – lo, sentem e pensem no grau de dificuldade que vocês tiveram, tem que ser uma luta sobre – humana contra o medo.

Mas se não conseguirem, não se preocupem, talvez vocês entendam um pouco de como é conviver consigo mesmo na mente de uma forma que te arrasta pra escuridão, sozinho…

Não te chamarei de covarde, mas serei empático com a sua dor, com o seu medo da forma como você não é com aqueles, que de nós, partiram.

Nem sempre somos os que estão internados, chorando ou querendo ficar sozinhos.

Alguns de nós… Bom, nós também sorrimos e caminhamos entre vocês, talvez até sejamos vistos como o seu “melhor amigo”, mas você…

Bom, você ainda não consegue ver…

 

“May your love never end and if you need a friend, 
There’s a seat here alongside me…”²

 

CONTINUA…

 

In Memorian:

  Chester Bennington 1976 – 2017

 

*  Roads Untraveled – Linkin Park
¹ Não chore pelas estradas em que não andou
Não chore pelos caminhos deixados de lado
Porque atrás de cada curva
Há um longo final ofuscante
É o pior tipo de dor
Que eu conheço…
² Talvez o seu amor nunca acabe
E se precisar de um amigo
Há um lugar aqui ao meu lado

 

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s