A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 14) – Viagem para África

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Capítulo 14 – Viagem para África

Escrito Por: Alfredo Dobia

 

Na manha seguinte, os Anderson preparavam suas coisas para a viajem junto com Lúcia e a Sasha, enquanto Deny reclamava por não ser permitido acompanha-los na viagem.

— Qual é malta, nós somos uma equipa — disse Deny — , não acho justo me deixarem para trás  nessa viajem.

— Acredita em mim — disse Chris, enquanto colocava o livro de gerações na pasta. — Será melhor para ti e pra todos nós. Não há necessidade de arriscarmos mais vidas nisso — ele fez uma pausa — Ah, já me ia esquecendo — ele caminhou até seu quarto em largos passos. Na volta veio com uma maleta grande e disse:

— Lúcia, poderias fazer o favor de abrir está maleta.

O resto do pessoal virou seus olhos para a mala, surpresos e curiosos. Lúcia franziu a testa, caminhando em direcção a maleta, e logo que abriu ela, seus olhos luziram um brilho de felicidade invejável.

— Nossa, que lindo? — ela disse, maravilhada. — Você fez isso? Como você sabia?

Seus lábios se arqueavam na formação de um sorriso extraordinariamente belo, tão belo que poderia ser considerado como a cura pra depressão.

— Adoraria ficar com os créditos todos, mas não fui eu quem o fez. Foi o Sr. Wayler. Eu dei apenas os toques finais.

Na maleta estava um arco e um manto de cor preto. Chris tirou o arco e disse:

— O Sr. wayler tinha o plano de entregar-te este arco de presente no teu aniversário, mas ele atrasou no processo da construção e infelizmente isso não foi possível. Sei que quando tu eras mais nova, ele ensinou-te a lutar, e eu já tive o prazer de ver as suas incríveis habilidades, lá no bar. Sei também que ele ensinou-te a manusear diversos tipos de armas dentre os quais, surgiram as inclinações pelos arcos.

Chris fez uma pausa, para respirar.

— Ele admirava a tua fascinante pontaria — continuou —, e sabia que um dia tu virias a ser uma grande arqueira. Por isso fez este arco com tanto amor e carinho, e eu tive o maior prazer de o ajudar.

As lágrimas se formavam em seus doces olhos castanhos. A emoção poderosa invadia seu rosto. Seu largo sorriso tilintava entre os lábios macios.

— Quando foi que vocês terminaram isso?

— No dia que vocês foram a praia.

— Então foi por essa razão que você não foi com a gente? Para ajudar o meu avô?

Chris assentiu em sinal de concordância.

— Obrigada por tudo isso, de verdade, muito obrigada mesmo.

Ela o abraçou, e seu coração quase saiu do lugar ao senti-lo tão próximo. Sentia algo forte e profundo crescendo a cada olhar, a cada conversa, a cada sorriso e a cada dia. E isso tornava-se cada vez mais indiscutível. Lúcia estava se apaixonando pelo jovem bruxo, mesmo sabendo que ele era proibido.

— Desculpe interromper o lindo momento — Deny disse —, mas eu preciso ver isso de perto, com os meus olhos nus.

Sasha bufou.

Ele segurou no arco, analisando a elasticidade da corda, e logo depois entregou a Lúcia novamente, pegando no manto de seguida.

— O que é essa coisa aqui? — perguntou.

— Essa coisa aqui, se chama manto da concentração — Chris respondeu. — Ele tem o poder de conectar a pessoa que a usa com a sua arma favorita. No caso da Lúcia, o arco. Não sabemos que tipo de criaturas podemos encontrar no deserto, se a história que a Sasha contou-nos for realmente verdade. Então acho que um pouquinho de cuidado chega a ser indispensável.

Valter torceu o nariz notando a tristeza nos olhos do Deny e disse:

— A sasha nos guiará até o deserto com seus conhecimentos de sua terra natal, eu e o Chris somos bruxos e a Lúcia pode se virar muito bem sozinha se algo sair do controlo — explicou. — Não vejo necessidade de você vir com a gente e correr o risco de perder algum rim por uma criatura como as Cêntricas ou algo parecido.

— Para a tua informação — eu conheço muito sobre a terra e poderia ajudar-vos com o estudo da areia. Vocês não imaginam a quantidade de areia que podem encontrar no deserto.

— Bela tentativa! — Chris disse batendo de leve no ombro dele.

Lúcia e Sasha o encararam com os olhos brilhando de saudades mesmo antes de saírem, enquanto colocavam suas pastas sobre as costas. Eles nunca haviam se separado desde que se conheceram, mas elas sabiam que os Anderson estavam mais do que certos. Não seria muito prudente envolve-lo nessa briga. Ele seria um fardo caso algo der errado.

Elas o abraçaram tristonhamente, despedindo-se, e logo a seguir saíram.

Algumas horas depois.

A viagem era demorada e já havia passado o Brasil. Lúcia e Sasha dormiam a maior parte do tempo enquanto os Anderson mergulhavam em livros de magias, até que Sasha se despertou. E analisou as horas no seu relógio de pulso.

— Ainda não consigo acreditar que estou voltando para o meu país — sua voz enegrecida fez com que Lúcia se virasse para o outro lado.

Ela parecia tão sossegada e inconsciente que logo de seguida Sasha a cobriu com seu casaco, deixando-a mais confortável.

— Você gosta mesmo dela! — afirmou Chris de modo plácido.

— Ela é como uma irmã pra mim, e eu a admiro muito. Já passou por tanta coisa sendo tão jovem, e olha. Está aqui, determinada e mais forte do que nunca. Pronta para seguir em frente.

Chris abriu um leve sorriso para a jovem morena.

— Você tem razão — disse. — Ela é adorável e sortuda por te ter em sua vida. Eu e o Valter vigiávamos vocês muito antes de nos conhecermos e podemos ver o quão boa amiga tens sido.

Sasha retribuiu o sorriso, lançado para trás uma madeixa do seu cabelo negro e cacheado.

Valter largou um dos livros que lia e perguntou:

— Vem cá Sasha, como é que a gente vai chegar até o deserto? Enquanto dormias, estive reparando o mapa e pode ver que para chegarmos até lá, primeiro teremos de passar em algumas províncias, que ficam um bocadinho distantes do deserto.

— Eu estive pensando em encontrar meu tio em Luanda. Ele tem fazendas em várias partes do país. E Namibe não foge da sua lista. Chegando até ele, estaremos no deserto mais rápidos do que a gente imagina.

— Fazenda em várias partes do país! — Valter repetiu, arqueando as sobrancelhas. — O que ele é? Traficante?

Sasha riu de modo esforçado.

— Não, digamos apenas que ele é um homem de negócios.

— Então ta. Só espero que esse teu tio se lembre de ti. Pois se a memória não me falha, você saiu de Angola como uma menininha e agora estas tão..

— Velha! — ela interrompeu.

— Eu ia dizer sexy, mais velha fica melhor.

Brincou, sorrido de modo sacana — quando finalmente o avião parecia aterrar. Olharam para os vidros, vendo o aeroporto Quatro de Fevereiro de Luanda.

A aterragem fez Lúcia se despertar do sono profundo.

— Chegamos? — ela quis saber.

— Parece que sim.

CONTINUA…

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