Torre de Pedra – O Despertar

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Por L. Orleander

Como disse, as coisas pioraram…

Os dias que se seguiram foram estranhos e nada fazia com que aqueles acontecimentos mudassem para algo bom e calmo, não mais. Minha vida ganhará um rumo que eu jamais sonhei em tomar, não é a toa que estamos aqui agora. Talvez eu esteja apenas cansado de guardar tudo para mim ou esteja apenas aguardando que o “dia dela” chegue…

Edgar veio a Haledor atrás de Mikaela assim que soube do ocorrido, a rainha Amelie tomara profunda antipatia pela futura nora e apenas disse que era isso que acontecia com “libertinas”, a história que se espalhava era da fuga da princesa no meio do torneio e a emboscada por ladrões que já sabiam quem era ela entre os duelistas, (conveniente alguém falar demais em uma hora dessas).

Incrivelmente, nenhum dos sobreviventes pareciam se lembrar do que havia de fato acontecido além de mim, Eurador e Lord Falcon, não se lembravam se quer da chegada da rainha.

Mikaela dormia quase o dia todo, mas nos primeiros dias, aqueles após o retorno, ela delirava e ardia em febre, o que me deixava louco sem saber o motivo, era como se cada parte do meu corpo sentisse a morte rondado seu leito.

A ama de Mikaela não me deixava vê- la: “Onde já se viu, um reles plebeu querendo adentrar os aposentos da princesa? Mantenha – se na porta, guardando e vigiando, é este o seu trabalho, soldado.” – dizia ela me colocando em meu lugar, apenas Lunara, a gêmea de olhos âmbar que quando a noite se fazia alta, me permitia vê – lá.

A pele dela sempre pálida me deixava triste, eu me aproximava, mas não ousava toca – lá, a meus olhos aquela palidez me remetia a fragilidade, tinha medo de quebra – lá.

O rei mandou que viessem curandeiros, bruxas, magos e toda sorte de pessoas que conheciam ervas, da cidadela, de reinos vizinhos e de lugares que eu se quer sabia pronunciar o nome, mas a rainha, após muitas tentativas, passou a não deixar que essas pessoas se aproximassem.

Eu nem percebi que a Lua mudava, mas notei que durante as noites no quarto da princesa, apenas Lunara e Lunieré cuidavam dela.

Os burburinhos efervesciam no reino, o retorno da rainha, e a longa estadia dava prenuncias de ficar em definitivo.

A Ala Oeste estava viva novamente e seus soldados e servos treinavam ali, mudos e silenciosos como antes, pelo menos era o que diziam as amas e demais servos que passavam diante dos portais da Ala de Lady Margrethy, só era possível ouvir o tilintar das espadas.

Passou – se uma semana e Mikela foi levada para a ala Oeste,  lembro – me de ser acordado as pressas durante o meio da noite por um sacolejar desengonçado.

O ar estava pesado e seu odor acre me causava arrepios assim como a noite escura que nos cobria, era a primeira vez desde que ela voltou que o céu não estava chuvoso ou sem estrelas, Lady Margrethy trazia isso consigo.

A tempestade em meio a preocupação e o brilho das estrelas quando estava sorrindo, era – me estranho, mas o s regentes mais antigos não se importavam, e os mais novos criavam histórias ou teorias, das mais lógica e absurdas, ás mais fantasiosas.

As portas não pediram meu sangue dessa vez, e ao redor do trono treze espadas se encontravam deitadas no solo, o lago possuía uma luz azulada que me hipnotizava e causava estranheza.

Pequenas luzes brilhavam, dançando no ar, de um lado á outro, enquanto o sono tentava me dominar.

Um  senhor de  cabelos grisalhos e longos, vestindo uma túnica cinza e velha, entrou no recinto trazendo Mikaela nos braços.

Ele passou por mim e colocou – a dentro do lago, seu corpo afundou, a pele pálida, a respiração quase parando, aquilo me fez segurar o ar e querer correr para salva – lá. Fazia quase um mês que Mikaela estava naquele estado e nada parecia dar resultado.

Na minha cabeça, talvez aquele fosse o último ato desesperado de uma mãe, uma morte tranquila, mas naquele lugar?

Aquele lugar era diferente e eu sentia isso, eu sabia disso…

– Aproxime – se! – chamou – me ele com a voz forte.

Adentrei o lago nervoso e com medo, a água, como da outra vez estava morna. Senti meu peito arder, queimando… Me sufocando aos poucos.

A voz em minha mente cantava uma canção suave, mas que eu não entendia. Me lembro de olhar para o trono e não ver a rainha, mas sim uma criança com semblante curioso e desejar tira – lá de lá para que eu me senta – se. Eu desejava aquilo, mas algo dentro de mim sentia que era errado.

O grito acordou – me  do torpor e me afastou daquele pensamento que me chamava como um canto de sereia para a morte.

Ao redor de minha cintura, a água se manchava de vermelho, olhos assustados me olhavam lacrimosos, enquanto apenas doze espadas paradas no ar emanavam uma luz transformando – se em uma redoma sobre mim e Mikaela.

– Lucyus! – a voz fraca me chamou.

Os olhos verdes me miravam com medo e assustados, vi a dor tomar sua face, que agora se tornava rosada, sua roupas tornavam – se rubras e vi o motivo, minhas mãos seguravam a 13° espada, cravada em seu seio.

O assombro me tomou de alto, e caí sentado onde estava, foi então que vi meu próprio sangue escorrer do lado esquerdo do peito, Mikaela suspirou alto e agarrou minha mão em desespero como quem sentia que se afogaria.

Ela estava viva! A espada jogada no lago e ela respirando com força e com vontade de viver.

O ancião puxou – a da água e colocou a mão em sua testa, fazendo com que ela adormecesse, Lunara e Lunieré levaram – na para seus aposentos, eu ainda estava estarrecido com o que presenciará e me lembro apenas de ser tirado da água.

Acordei na manhã seguinte  com batidas suaves na porta, sentei – me na cama respondendo e procurando minhas roupas quando vi a ferida.

A marca de uma espada que transpassará meu peito, vesti uma camisa e para minha surpresa ela estava na porta.

Em um vestido vermelho e de capuz negro, os olhos verdes me fitavam…

– Mikaela? – prostrei – me diante dela e meu coração deu saltos no peito. – Me perdoe pela intimidade, alteza.

A mão dela tocou – me a face e o ar parou de entrar em  meus pulmões.

– Levante – se Lucyus. – eu obedeci.

Paramos ali, um diante do outro, nossos olhares se cruzando, a chuva caindo, enquanto em meu peito, sobre a cicatriz da noite anterior, os dedos de Mikaela, sem pedir licença, caminhavam…

CONTINUA…

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