A Queda Do Imperador Zufu – Ravena: A cidade das Montanhas (Pt-1)

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Escrito Por: Alfredo Dobia

Capítulo 1 – Ravena: A cidade das Montanhas

 

A dois séculos atrás, a Cidade Das Montanhas foi governada pelo grande imperador Zufu. Ele tinha o apoio dos quatros deuses. O deus dos animais, o deus dos mares, deus do sol e o deus da escuridão. Em cada duas semanas, Zufu matava dois dos seus cervos e os arrancava os órgãos, entregando aquele medonho ritual como sacrifícios aos deuses. Em troca, ele acreditava que os deuses transformariam os corpos sem órgãos em múmias guerreiras, aquelas que o serviriam na grande batalha contra seu irmão gémeo, o imperador Zord.

Mas os planos de Zufu não correram como esperado, quando Zord descobriu o esconderijo das quase múmias guerreiras e ateou fogo nelas, antes mesmo de os corpos terminarem suas transformações.

Zord acabou com o grande exército de Zufu, tomando posse da Cidade Das Montanhas. Mas houve um pequeno detalhe que o escapou. Ele se esqueceu que seu irmão era um psicopata que não se deixava vencer facilmente. Zufu tinha sempre um plano B e sempre que necessário usava até o plano T.

Os corpos queimados de seu exército foram protegidos pelos deuses. Apenas as carnes foram queimadas. Contudo, o que era para ser múmias guerreiras, acabou sendo um exército de esqueletos arqueiros incrivelmente habilidosos e horrendamente assassinos. Zord não terminou a batalha, apenas adiou ela.

Muitos anos se passaram e hoje, Zufu está prestes a começar uma terrível batalha, mas dessa vez não contra seu irmão, mas sim, contra suas sobrinhas. As três guerreiras tomaram posse da Cidade Das Montanhas depois que seu pai Zord morreu de velhice.

— Hoje o nosso povo está prestes a enfrentar uma batalha que a muito nosso pai lutou para que nunca acontecesse. — disse Júlia, em exortação as suas irmãs. — Mas aqui estamos nós, preparando-se para o ataque do exército esquelético do nosso tio. Então minhas irmãs, aconteça o que acontecer, a gente lutará até última gota de sangue que restar em nossas veias, lutaremos até o último oxigénio que o nosso corpo possuir. Assim, como nosso pai não podemos permitir que Zufu vença essa guerra, vocês sabem das suas reais intenções. Sabem que não se trata apenas de recuperar a Cidade Das Montanhas, mas sim, de transformar todo o nosso povo em exército, para depois dominar todos os impérios de Ravena.

— Mas como nós vamos matar nosso tio? — indagou Mariel, a irmã mais nova. — Até onde eu sei, ele é imortal e conta com a protecção dos deuses.

— Nós não precisamos mata-lo, só temos de o prender e o impedir de controlar seu exército. — explicou Lípsia. — Lembras do que o papai nos ensinou? Os esqueletos apenas fazem o que o tio Zufu ordena, e isso só acontece quando ele está próximo deles.

— Exactamente Lípsia — confirmou Júlia. — Tudo que precisamos fazer é manter nosso tio Longe dos esqueletos. Sem a ordem dele, eles ficam estáticos e transformam-se em pedras.

— Ok! — Mariel disse, acenando a cabeça em concordância. Então já que o plano está no ar. Vamos a isso.

As três irmãs se abraçaram e juntas foram até o centro da Cidade Das Montanhas, munidas com suas armas favoritas.

Durante anos elas treinaram juntas do pai e nesses treinos, cada uma tinha domínio em uma arma. Júlia era uma grande manejadora de espadas. Lípsia adorava armas antigas e durante sua vida como pistoleira, já mais falhou uma única pontaria. Já Mariel, sua grandiosa paixão pelos arcos era impressionante, e hoje mais do que nunca ela terá a oportunidade de demonstrar isso nas suas irmãs.

Os esqueletos se aproximavam da cidade. Eles traziam Zufu nos ombros em uma poltrona acinzentada. E elas podiam sentir o solo arenoso tremendo com a marcha rítmica de seus passos. O céu claro e o sol forte, transbordavam uma sensação de calor intenso na pele das belas jovens guerreiras.

O coração de cada uma delas palpitava num ritmo fora do normal.

Finalmente o líder dos esqueletos arqueiros foi pousado ao chão. Seus olhos revistaram as sobrinhas dos pés a cabeça.

— Vocês devem ser as minhas adoradas sobrinhas, presumo — Zufu disse, com um sorriso malicioso entre os lábios. — Os deuses me falaram sobre vocês, e confesso que fiquei surpreso em saber que vocês tomaram conta da minha cidade durante esse tempo todo. Juro gente, nunca pensei que três miudinhas seriam capazes de tal acto. É uma pena eu ter que matar vocês.

— Nossa, que engraçado! Achei que ao ver o Sr. pela primeira vez seria algo tipo silencioso, sombrio e sinistramente medonho. — disse Mariel, em zombaria. — Mas o Sr. é só um ser tagarela e comum como todos os ex-namorados da Lípsia.

Júlia riu, enquanto Lípsia beliscava a irmã.

— Será que você não pode se concentrar, pelo menos só por hoje? — Lípsia disse bravamente, e logo a seguir Júlia cortou uma flecha com sua espada, que vinha em direcção as suas irmãs.

— Cuidado! — alertou ela.

Os esqueletos levantaram os braços, com as flechas bem afrouxadas nas cordas. Lípsia e Mariel despertaram-se, sacando suas armas.

— Retiro o que disse sobre o tio. — Mariel disse. — Ele é horrível, quase furou seus olhos.

— É, parece que ele não gostou muito do que você disse — acrescentou Lípsia.

As flechas dos esqueletos foram dispersadas. Júlia, levantou sua espada novamente e um movimento rápido, girou ela vezes repetidas, impedindo quartos flechas de os atingir.

— Vão ficar aí paradas mossas? — ela disse, ofegante.

Os esqueletos preparavam outras flechas, mas Lípsia rodopiou na frente dele e os acertava com as balas que seu revolver liberava. As balas atravessavam os ossos que não apresentavam resistências, ela desvia-se habilmente dos ataques dos esqueletos.

Mariel mirou suas flechas contra aquelas criaturas e quando as soltou, elas dispersaram no ar, mas seu impacto quase não causou nenhum arranhão aos esqueletos. Não eram esqueletos qualquer, eram esqueletos arqueiros. Seus ossos eram resistentes a qualquer flecha.

— Era só o que me faltava — murmurou.

Ela prendeu seu arco nas costas e com uma corda que estava presa em sua cintura, puxava os esqueletos e os batia um contra o outro. As pancadas eram fortes e os ossos eram deslocados e partidos.

O vento tornava-se inimigo delas, se juntando a batalha de modo sortilégio. Elas não conseguiam enxergar em condições. Seus olhos preocupavam pelo tio. Juntaram-se em círculos com as costas coladas, na tentativa de evitar uma surpresa desagradável.

Uma flecha foi liberada e acertou as pernas de Lípsia.  Ela, urrou, em resposta da dor. Sangue goteja e escoando do ferimento profundo.

Os esqueletos se aproximavam delas, velozmente.

— Escute aqui Mariel — Júlia começou a falar. — Nós já fizemos isso uma vez.

— O que você quer dizer com isso mana? — Mariel quis saber.

— Não há tempo para explicar, apenas rasgue uma parte de sua veste e venda seus olhos.

— O que deu em você? — murmurou ela. — Como quês que eu lute de olhos vendados? Por acaso quês matar nós duas ou quê?

— Esse vento provavelmente é obra dos deuses. Não conseguiremos vencer nosso tio se, mantivermos os olhos abertos. Um único grão de areia em nossos olhos, a malta pode ficar cega. Saberia disso se fosses mais atenta as explicações do papai quando nos contava sobre os deuses nas aulas de histórias.

Mariel abanou a cabeça e rasgou uma parte de suas vestes preta. Sem mais demora, seus olhos foram vendados. Ela lembrou dos treinos de deixar seus sentidos apurados. Faltando apenas pequenos um centímetro para o embate dos esqueletos, elas se soltaram permitindo seus sentidos as guiar rumo ao campo de batalha.

A lâmina da espada de Júlia era incrivelmente afiada, seus bruscos movimentos cortejavam os ossos dos esqueletos arqueiros. Mariel recebeu a corda da irmã, optando no combate corpo a corpo, enquanto Lípsia sentou-se ao chão, queixosa de dor. Ela segurou as armas da irmã e com elas acertava as cabeças ossudas dos monstros.

De repente elas não ouviam mais nenhum barulho. Júlia tirou a venda dos olhos.

— Será que a gente conseguiu?

— É claro que conseguimos mana. Nós somos as irmãs guerreiras mais forte que Ravena já viu. — disse Mariel.

Ela tirou sua venda dos olhos, e logo a seguir avistou o campo de batalha, vendo centenas de ossos espalhados no chão arenoso.

Elas riram, e na frente vinha o imperador Zufu, batendo palmas.

— Parabéns! — ele disse. — Vejo que meu irmão treinou vocês muito bem. O que só torna essa batalha ainda mais interessante.

As irmãs olharam-se uma na outra atónita.

Os ossos dos esqueletos arqueiros se uniam e a areia e numa pequena fumaça em volta deles, transformavam-se em soldados de pedras.
— Agora que já que estamos aquecidos — ele disse, dessa vez em um tom mais mórbido. — , vamos a verdadeira batalha… As três  irmãs se entreolharam ofegantes.

Manter a cidade das montanhas longe da governação do Zufu com certeza não seria uma tarefa fácil, mas elas são guerreiras desde o dia de suas nascenças e desistir é algo que nunca lhes foi ensinado pelo pai. Elas nascerão pra isso, para manter Ravena em segurança e se tivessem que morrer teria de ser pelo mesmo motivo.

CONTINUA…

OBS: Edição Portuguesa

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