Morgen… – Mãe

morgen12Por L. Orleander

Ela se quer responde minhas mensagens….

Em algum momento da minha vida eu a decepcionei e honestamente acredito que tenha sido no momento em que saí de seu ventre.

Eu destruí sonhos e uma vida que poderia ser diferente…

Não fui a filha perfeita e cansei de ouvir as comparações feitas com a filha da vizinha, do patrão, da tia, da amiga, eu juro que tentava e nos dias atuais devido as falhas “infantis” acredito que desenvolvi, muito dos meus transtornos compulsivos (acredite – me eu não precisei de estranhos me dizendo isso o tempo todo, eu apenas os sentia dia após dia, crescendo desenfreadamente, na esperança de fazê – lá se sentir melhor, afinal eu a amava… A amo…)

Não a culpo pela distância, nem pela falta de resposta… Simplesmente não a culpo por nada pois talvez ela tenha razão, merecia uma filha melhor.

Quase não coloco os pés na casa dela, com medo de quebrar aquela paz e companheirismo que ela possui com os outros entes da família, da qual não faço parte, o motivo: um mal entendido dito de forma errônea, uma discussão com alguém que agora merece mais atenção e também o meu lugar, me transformei na ovelha negra diante dos amigos, e a estranha no ninho diante dos parentes, ninguém mais faz questão de me dizer nem bom dia caso me encontre na rua.

É solitário, mas sempre que tento falar, entendo que quem construiu o muro fui eu, e que a culpa sempre será minha.

Minhas escolhas por ser a decepção de uma vida…

Não acertei na sua criação, se errar na educação dos seus irmãos, posso me considerar um fracasso de mãe…” – Ouço todos os dias as mesmas palavras como um mantra gravado a fogo na pele.

Se dói? Fere feito um tapa, é como ter o inferno ardendo na alma vinte quatro horas por dia.

Ainda me lembro que fiquei um mês vendo – a seguir o mesmo caminho que eu esperando que ela não me visse a suas costas, para não estragar seu dia e nem atrapalhar seu caminho, eu era apenas uma merda de filha que deu errado e continuo sendo.

Morri pela primeira vez aí, neste exato momento, todos os anos de minha vida se resumiram a crer que ela cuidou de mim por que eu era seu dever.

Não deixei de ama – lá e também não senti ódio, quis remediar o mal que eu causei e causava, mas sempre dava errado.

Nunca agradava e nunca dava orgulho. Droga! Eu era um maldito erro da cabeça aos pés e não havia como mudar isso.

Sinto falta de ter a mãe que ela é para os outros… Mas errei, trágica e drasticamente, me tornei aquele parente distante que só aparece uma vez ou outra e você esconde que tem algo importante, para que ele não queira.

Eu sinto tanto, mas sei que em minha distância ela está feliz. Eu vejo nas fotos, nos sorrisos e naqueles momentos em que eu não estou perto. Não há brigas, não vexames diante das visitas, não há necessidade de olhar feio quando digo algo inadequado, não há bagunça ou desaparecimentos estranhos, não há lição de moral, onde eu sou o exemplo “do que pode acontecer se você tomar as mesmas decisões”…

Isso irá acabar… Em um determinado dia, na hora certa…

Talvez ela chore ou apenas me julgue como as outras pessoas, mas isso só quando acontecer.

CONTINUA…

 

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