A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 12) – Eu vi coisas

 

13962637_1775384182705688_8254299142967323063_n.jpgCapítulo 12 – Eu vi coisas

Escrito Por: Alfredo Dobia

 

— Porque você ainda está aí sentado? — gritou Lúcia   Wayler ao Chris Anderson, vendo-o pela estreita abertura da porta do quarto.

Ele estava com vários livros a sua volta… depois da conversa que tivera com seu irmão, Chris pretendia evitar todo tipo de contacto com Lúcia o máximo possível.

Mas como ele havia dito ao irmão. É difícil se afastar de alguém que você tem que proteger com a própria vida, ainda mais quando essa pessoa não facilita.

— Perdão Lúcia — ele disse entre os dentes. — Mais eu não vou com vocês. Tenho trabalhos a fazer.

Ela colocava os brincos, enquanto um manto de tristeza cobria seu rosto.

Será hoje a apresentação da peça teatral do grupo da Sasha e ela sabia que sua presença era indispensável pra coragem da amiga.

Apesar de ter perdido o avô, ela sabia que tudo que ele queria era que ela seguisse em frente. Sabia que onde quer que o Sr. Wayeler estivesse, sua alma só descansaria em paz, se ela não se prendesse as lembranças de sua morte e impedisse a si mesma de continuar vivendo e desfrutando os prazeres que a vida oferece.

Lúcia adentrou na sala vasta da sua casa, com um vestido vermelho, transbordando luxúria e perfeição. Ela se aproximou do Chris, entregando-o um colar dourado.

— Será que podes me ajudar com isso? — disse, numa voz sensual e doce.

Ele arregalou os olhos. Pôs-se em pé, encantado com a beleza atordoante que o vestido da Lúcia exuberava. Ela deu de costas, depois de o entregar o colar. Puxou seu cabelo para o lado.

Chris levantou os braços, circundando o colar no pescoço dela extremosamente. Olhou em sua pele macia e engoliu em seco.

— Pronto, já está — ele disse.

Lúcia se virou pra ele, abrindo um sorriso sublime.

— Então, como estou? — ela quis saber.

— Você está…

— Linda — respondeu Valter, interrompendo o irmão arrogantemente. — Agora vamos, quero ver a moreninha antes de subir ao palco.

De seguida Deny dirigiu-se até a saída, pegando suas chaves em cima da pequena estante que fica junto a porta.

 

A peça já estava a vinte e dois minutos de exibição, e o pessoal parecia estar adorando. Valter, Lúcia e Deny, sentavam bem na fila da frente.

Sasha porém, contracenava com uma garota de aproximadamente quinze anos, o que deixava Lúcia ainda mais surpresa ao ver que a garota que estava brilhando com uma bela actuação, era a mesma que ela havia protegida a alguns dias atrás.

A peça tinha como tema ‘’ O último beijo’’. Ela retratava a história de um casal que estava prestes a terminar devido as brigas constantes que viviam nos últimos tempos. Mas a irmã mais nova da protagonista, acreditava que algo muito bom poderia acontecer se antes do casal terminar desse apenas um último beijo.

Ela acreditava que eles perdiam tempo de mais em discussões absurdas que aos poucos se esqueciam do quão bom era o beijo do parceiro.

— Acredita em mim maninha — disse a irmã menor. — Vocês Aida têm uma história linda pela frente. Escute o meu conselho. Dê apenas um último beijo a ele. Olha que vocês podem se impressionar.

— Eu não quero olhar mais pra cara do Alex — Sasha disse. — E podes dize pra ele voltar.

Alguns longos segundos se passaram e elas pareciam nervosas.

Era suposto Alex entar naquele exacto momento, mais por algum desconhecido motivo, isso não aconteceu. E Sasha começava a ficar irritada. Aquela peça romântica era considerada um cartão postal para o começo de uma carreira, muitos produtores de tv escolhem personagens dos seus projectos através do teatro.

“Onde o idiota do Jackosn se meteu”. Sasha pensou.

Jackosn era o nome principal do personagem que interpretava Alex. O desespero se esculpia no coração dela, até que subitamente ela vira um homem por cima do palco se aproximando ao seu redor.

— O que você esta fazendo aqui? — ela murmurou, reconhecendo o dono daquele sorriso charmoso.

— Estou tentando salvar você — ele disse, indolentemente.

Ela estava atónica. O homem que subira ao palco era Valter Anderson, o egocêntrico de beleza atordoante.

— Você é louco, sabia?

— Estou ciente disso.

Ela bufou, abanando a cabeça.

— Escute aqui… — ela disse, entre os dentes — se você fazer alguma besteira eu juro que…

— Relaxa morena — ele interrompeu. — Apenas siga os meus passos. Vamos improvisar.

— Agora é que estou ferrada. — ela disse, com a voz atenuada.

Valter acenou para outra garota. Arqueou sinuosamente as sobrancelhas e conduziu seus olhos a Sasha novamente.

— Estive pensando muito na proposta da tua irmã — ele Começou. — E sim, estou disposto a fazer o que talvez possa salvar nossa relação. Acho que um último beijo antes de tudo terminar, poderá ser o princípio de uma fase muito boa na nossa vida.

Valter aproximou seu corpo para mais junto dela.

Sasha engoliu em seco, inalando o ar quente de sua boca. O olhar malicioso e sedutor do Valter, fitava o dela, intensamente. Ele estava se saindo bem, na verdade bem até de mais, e isso a deixava preocupada.

— Ah, você acha! — ela disse, mas sua voz acabou saindo baixo de mais.

O pessoal riu, achando engraçado.

‘’Esse homem leva jeito em’’ — pensou a outra garota.

Valter não perdeu muito tempo com palavras. Percorreu seus dedos entre os cabelos escuros dela, tacteando seu rosto. E logo depois, afundou seus lábios nos dela poderosamente, num beijo com mestria de causar arrepios, típico de um bruxo sedutor veterano.

— Que golpe baixo! — sussurrou Deny. — Esse cara não perde nenhuma oportunidade para se dar bem. Olha pra ele. Aposto que está adorando tudo isso.

Lúcia riu, estranhando o esquisito comentário do amigo.

Depois de alguns segundos, Sasha se afastou do Valter, ofegante e assustada.

— O que você fez? — indagou ela.

Seus olhos luzidios de medo deixaram Valter confuso.

— O quê? — ele disse, na dúvida do saber se  aquilo fazia parte do plano, ou do seu beijo não ter causado o impacto que esperava. — Do que você está falando?

— Porque eu vi aquilo? — Sasha disse, histericamente.

Valter franziu a testa.

A plateia ficava perdida, sem perceber o que se passava. Ela estava muito assustada e isso era visível nos olhos de todos reunidos naquele lugar.

— Aquilo o quê? O que você viu? — Valter quis saber.

— Eu preciso sair daqui.

Sasha saiu correndo do palco. Todavia, a outra menina, apesar de não entender absolutamente nada do que estava se passando, segurou a mão do Valter e juntos fizeram uma vénia, dando término a apresentação.

O pessoal aplaudiu, apesar do final não muito perceptível.

— O que aconteceu com ela? — Lúcia quis saber.

— Não sei — respondeu Valter. — Eu apenas tentei ajudar, vendo que o idiota do parceiro dela decidiu não aparecer logo hoje. Como a peça jirava toda em torno de um beijo, assim o fiz, mas ela me empurrou, assustada. Será que isso também fazia parte do guião?

— Guião! — Lúcia bufou, abanando a cabeça.

Ela foi de encontro a amiga.

— Bem, acho que já ta mais do que na hora de voltar-mos pra casa. — Deny disse, batendo no ombro do Valter.

— E a Lúcia?

— Sasha precisa dela nesse momento. Sabe como é né? Mulheres e seus surtos misteriosos.

Já se passavam duas horas que Lúcia havia ido falar com a Sasha e os rapazes começavam a ficar preocupados. Valter ainda se perguntava o que de errado ele fizera para deixa-la tão assustada. A porta se abriu e elas adentraram. Eles levantaram do sofá em que estavam sentados. Valter caminhou para mais junto delas.

— Onde vocês se meteram? — indagou, vendo elas adentrando pela estreita porta da sala. Ficamos preocupados — acrescentou.

— Temos de conversar malta! — Lúcia disse, seriamente.

— O que esta havendo — Chris quis saber. — Que caras são essas?

— Acontece que depois da Sasha ter me contado o que se passou lá na apresentação. Eu não tive outra alternativa a não ser contar tudo. Era isso ou ela enlouquecia. Estava começando a entrar em um surto psicológico.

— Espera aí — Chris disse, confuso. — O que você quer dizer com contar tudo?

Sasha parecia assustada, fitando os olhos dos Anderson.

— Que verdade é essa? — indagou Deny.

— É melhor você mesmo contar — Lúcia disse.

Sasha se aproximou deles, e começou a falar:

— Não sei exactamente como, mas quando nos beijamos lá no palco, eu vi coisas.

Chris olhou para o irmão, se perguntando que droga de beijo ele dera para deixar Sasha daquele geito.

— Como assim, viste coisas? Que coisa são essas? — perguntou Deny.

— Eu não sei. Foi assustador. Eu vi a gente sendo atacado por um cão do inferno — com dentes enormes, de sua boca saia salivas negras e quente como alcatrão. De sua calda saia espinhos pontudos. Parecia que estávamos presos em um filme de terror. Na verdade já não tenho tanta certeza de que aquilo seja um cão. Só sei que era uma criatura horripilante.

Deny começou a rir, em zombaria.

— Isso é alguma piada não é Sasha? — perguntou.

— Não, Deny — respondeu Lúcia. — O que a Sasha acaba de falar é verdade.

Sasha não aguentava mais se segurar. Turbilhões de dúvidas e perguntas engarrafavam sua mente.

Ela se virou pra frente deles e disse:

— É verdade o que Lúcia disse? Vocês são mesmo bruxos?

— Bruxos! — repetiu Deny, incrédulo. — Será que só eu estou ouvindo isso? Você acaba de questionar aos Anderson se eles são bruxos? Sério Sasha, tens certeza que estás mesmo bem?

Chris fitou os olhos da Lúcia.

— Como você foi contar isso pra ela? — murmurou.

— Ela estava muito confusa e eu não sabia o que fazer. Achei que contar tudo amenizaria o problema e vocês poderiam dar um jeito de descobrir o porque dela ter visto aquelas coisas, que segundo as vossas palavras, nunca deveriam ser lembradas.

Valter olhava pra Lúcia, pensativamente.

— Acho que a Lúcia não errou em contar a verdade Chris. Você percebe o que ela disse? Sasha viu as coisas que aconteceram a tempos atrás, mesmo depois de termos se certificado que isso já mais aconteceria, a não ser se quiséssemos. Não sei como, mas de alguma forma o meu beijo troce essas lembranças. Por isso penso que não há motivos para escondermos mais a nossa identidade a eles.

Chris abanou a cabeça em sinal de reprovação.

— Olha, vocês precisam sentar — Valter disse. — Escute bem Sasha, você não está ficando louca. Tudo o que você viu é verdade, mas eu não vou contar exactamente como foi, mas sim confirmar o que Lúcia revelou. Na verdade, eu e o meu irmão não éramos apenas amigo do Sr. Wayler. Nós somos os Bruxos Modernos e fomos enviados para proteger a tua amiga — seus olhos se curvaram para Deny. — Proteger a vossa amiga. — Terminou.

Deny como sempre, não perdeu a oportunidade de comentar algo nada a ver, respirou fundo e disse:

— Espere um pouco, deixa ver se eu percebi direito. Vocês estão confirmando que são mesmo bruxos. Assim tipo Harry Potter? — ele estava céptico de mais para acreditar naquilo. — Que tipo de droga vocês estão usando?

Lúcia bufou, abanando a cabeça.

‘’Tinha de falar merda’’. — pensou.

Vendo que não tinha mais nada para protestas, Chris simplesmente confirmou as palavras do irmão, ignorando a pergunta do Deny.

— O que aconteceu com você a gente ainda não sabe. Eu e o Valter nos certificamos que vocês já mais se lembrariam disso. Mas pelos vistos algo deu errado.

Deny levantou os braços, pedindo atenção.

— Será que vocês não podem mostra-me o que ela viu? Acontece que eu aqui não fui beijado por bruxo nenhum. Acho que estou meio perdido com o papo louco de vocês.

Eles riram.

Valter apertou a mão do Deny e fechou seus olhos. Pronunciou algumas palavras e logo depois eles entraram em transe. Seus olhos desabrocharam em tom diferente. Ficaram totalmente brancos. Todas as imagens do Crady daquela noite se tornaram visíveis na mente louca do Deny.

Depois de alguns minutos, Valter o soltou e tudo voltou ao normal.

— Nossa, que cena épica — comentou. — Como vocês nos fizeram esquecer uma coisa tão fantástica. Porque nos odeiam tanto?

Ao contrário da Sasha, Deny não pareceu estar assustado. Estava tão emocionado como se estivesse dentro de um dos seus livros de fantasia.

Ainda céptica, Sasha disse:

— Vocês poderiam tipo, fazer algo agora. Alguma coisa de bruxos, sei lá qual quer coisa.

— Calma! — Chris disse.

Ele pegou uma das almofadas do sofá e cortou-a com uma tesoura preta que estava por cima da mesa. Retirou uma parte do algodão dentro dela, depois voltou a pousar a almofada. Com as duas mãos, ele cobriu o algodão retirado. Pronunciou algumas palavras — e segundos depois, esferas pequenas de magia fluíram entre seus dedos, brilhando em cores diferentes como um arco-íris, e logo que ele abriu as mãos, o algodão havia sido transformado em dez borboletas diferentes. Borboletas lindas, elegantes e encantadoras.

Lúcia e Sasha ficaram fascinadas com a beleza hipnotizadora das borboletas que voavam sobre suas cabeças.

— Uau, que mágico! — Deny disse. — Como vocês conseguem fazer isso sem uma varinha?

Uma das borboletas pousou no braço da Sasha.

— Nós não precisamos de varinhas — respondeu Chris. — Somos Bruxos Modernos. Evoluímos com o tempo.

— Mas o Harry Potter usava uma varinha — Deny insistiu.

As borboletas voaram em direcção a janela aberta.

— Sabe Deny, você tem problemas sérios e eu já começo a pensar que a lei da liberdade de expressão não devia ser válida para pessoas como tu — murmurou Valter, aborrecidamente. — Portanto, faça um favor a si mesmo e vê se pare de falar do Harry Potter. Isso não é nenhuma fantasia, é pura realidade.

Deny sentou novamente, enquanto abria um sorriso pra eles.

CONTINUA…

OBS: Português de Portugal.

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