Torre de Pedra – Chuva de Sangue

cavaleiro1

Por L. Orleander

O que aconteceu em Nivanír serviu de estopim para o próximo sumiço de Mikaela…

Retornamos a nossa cidade e o rei ciente do que havia ocorrido se enfureceu a ponto de brandir a espada e amaldiçoar Welton e sua descendência, Mikaela apenas riu e desistiu de fazer seu pai, no momento de fúria, compreender o fato.

A fuga ocorreu dias após sua chegada, o que deixou a todos pelos nervos, Falcon havia acabado de se acalmar e repensado sobre o casamento que por ele seria desfeito, para alegria de Mikaela, mas o conselho o ajudou a ponderar e voltar atrás de sua decisão precipitada, o que enfureceu a princesa e a incitou a fugir de seu tédio, o motivo da fuga? Torneio de espadachins em Meriage, uma cidade, como muitos costumavam dizer, “suja”. Morada de ladrões, pedintes e prostitutas, haviam mais passantes desavisados mortos espalhados pelas vielas, do que a própria população. O cheiro de podridão, fazia com que todos se mantivessem afastados, ou optassem por passar pela cidade o mais escondido possível.

Mikaela cortou o cabelo como os homens de seu regimento e roubou o uniforme de outro soldado para ajudar a esconder as curvas do corpo, ameaçou de morte um ou dois e partiu.

Falcon adoeceu em dois dias, Mikaela foi encontrada uma semana depois, finalista do duelo, orgulho de Eurador, fúria de Falcon, que não pensou duas vezes em se levantar, mesmo debilitado, para busca – lá.

Mikael era o garoto de ouro do festival e lutava com destreza e movimento agéis, “leves como uma dama” – disseram alguns, o que logo se provou verdade. O público ficou estarrecido ao ver a cavalaria e o rei chegarem para buscar o rapaz, ou melhor a donzela de Haledor.

Falcon ficou vermelho e esbravejava a plenos pulmões na arena, enquanto Mikaela apenas olhava de soslaio sem nada dizer, seus olhos possuíam uma determinação absurda e o ar de desafio fazia com que o rei pouco a pouco diminuísse o tom.

– Meu rei! – disse ela se prostrando. – O senhor acabou ?

Todos ficaram atônitos e o próprio rei calou – se espantado, Eurador tentou impedir o ato a seguir mas, não conseguiu, Falcon desferiu um tapa no rosto de Mikaela, que apenas secou o canto dos lábios que manchou – se de carmim.

– Alguém mais vai tentar me esbofetear? – perguntou ela com os olhos frios, ainda desafiando – o.

O burburinho em meio ao público foi acompanhado de vaias e manifestações de ataque, ao que a princesa levantou a mão com a espada e pediu silêncio, um rapaz franzino trouxe – lhe o cavalo e ela saiu em disparada cavalgando.

– Eurador! – gritou o rei se sentindo um tolo. – Vá atrás dela!

Eu montei no primeiro cavalo que pude tomar de algum desatento, não deixaria Eurador ir sozinho e em meu peito aquela marca ardia, como se fosse queimada novamente, a voz de Lady Margrethy gritava dentro de minha cabeça: “Salve  minha filha, eles chegaram!”

Mas quem havia chegado?

A chuva começou a cair novamente e á caminho da floresta a lama parecia nos prender para que não tivéssemos sucesso em encontra – lá.

Um á um, nossos cavalos e cavaleiros pereciam ali, presos e caídos ao solo sem conseguir levantar, foi quando a lama se misturou a sangue fresco e o primeiro corpo foi encontrado.

Arregalei meus olhos e Eurador parou por um instante estarrecido de medo e preocupação, quem fizera aquilo não era humano.

Os ossos a mostra, a cabeça esmagada dentro do elmo, o cheiro fresco de terra molhada e sangue misturados aos odores da floresta, o arrepio subiu – me a espinha e senti o ar a meu redor ficar pesado.

Ao longe, eu apenas vi um pedaço de tecido com o brasão de Mikaela, o soldado brutalmente morto devia tê – lá seguido sem sucesso.

O tilintar de espadas se ouvia ao longe, e seguimos agoniados em direção ao som, era como trovões se chocando, a cena era de longe surreal, os olhos antes verdes de Mikaela, estavam negros, nem mesmo as órbitas estavam mais brancas.

O adversário da princesa tinha mais de dois metros de altura, e rugia feito um leão, os olhos vermelhos, a pele azeitonada e nos lábios, cortes feitos pelos caninos grossos e protuberantes.

Tentamos alcança – lá mas correntes se enrolaram em nossos pescoços nos jogando de encontro ao solo.

As criaturas pareciam cegas e as narinas pareciam guelras, tentando nos achar, farejando o ar como cães. As faces lisas e pálidas davam um ar aterrador áquilo.

Monstros…

Eurador me olhava descrente assim como os soldados que chegavam em seguida, Mikaela ainda lutava com determinação, mas já tinha hematomas na face e o cansaço começava a sufoca – lá. Aquela coisa lutaria até a morte se fosse preciso, e nós estaríamos mortos antes mesmo de tentar salva – lá.

Não havia escapatória, nossos soldados caiam mortos diante dos “farejadores”, que dilaceravam a carne e arrancavam os membros de nossa guarda, nossos melhores homens, como se fossem pedaços de papel velho.

Olhamos a tempo de ver Mikaela no chão, suja feito uma plebéia, ensaguentada, de espada ainda em punho, enquanto o monstro erguia seu machado sobre ela. Ele a partiria no meio.

Pelo o que pareceu um átimo de segundos, ele parou e tombou para trás, a seta atingiu – lhe a fronte e o deixou ensandecido, por um momento a esfera era outra, a chuva cessará…

Ela havia mandado.

De armadura e arco em punho nossa salvação veio do Oeste…

Lady Margrethy e seu exército…

Acredite – me aquele não era qualquer exército.

CONTINUA…

 

 

 

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s