Dia 22… – João Pedro

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Por L. Orleander

Ficamos ali parados pelo o que pareceu tempo suficiente para cairmos na risada…

Em algum lugar da minha cabeça eu cantarolava Bet u wish u had me back¹ e sorria como se nunca tivéssemos nos separado um dia.

Quanto tempo… Eu não te vejo desde…” – a frase ficou perdida no ar. A última vez que me lembro de tê – lo visto, ele ainda se parecia com um nerd de filmes ou desses tutoriais de vídeo game que rolam pela internet hoje em  dia. Na formatura ele havia esticado, e parecia desengonçado com todo aquele tamanho, me lembro que na terceira valsa ele convidou uma garota que estudou conosco pra dançar, e ela disse não. Ana e eu nos revezamos, afinal de contas, J. P era nosso amigo.

Em algum canto da minha caixa de fotos ainda existia a foto da nossa formatura, minha favorita, eu, ele e Ana juntos como os Três Mosqueteiros. E naquela época foi assim que achamos que seríamos pra sempre.

A sensação de revê – lo era a de voltar anos na minha vida. Das aulas vagas, da quantidade de vezes que o chamava de “garoto chato” e de como ele tinha aquele dom de me a abraçar calorosamente, juntando cada pedacinho meu após algo que não dava certo, fosse a nota vermelha que me colocaria de castigo ou as brigas com Ana por algum motivo idiota, eu não havia notado como ele estava mudando naquela época.

J. P notou meu desconforto e minha falta de atenção conforme ele falava de sua estadia na cidade, deu um sorriso meio infantil e coçou o alto da cabeça se calando rapidamente, acho que não era só eu que tinha aquela sensação de “tempo demais e coisa demais acumulada para colocar em dia”

“Acho que estou te atrapalhando, não? – ele acabou me dizendo sem jeito, me senti mal por tê – lo feito se sentir daquela forma, poxa fazia tanto tempo que não nos víamos e ele ainda era meu melhor amigo, o cara que me fazia rir de besteiras, mesmo quando a mãe dele me olhava como se eu fosse um baita problema pro filhinho dela, mal sabia ela que ele era o terrorista do trio, mas isso eram aguas passadas.

Você deve ter vindo com o namorado.” – soltou ele sem pensar antes que eu pudesse dizer algo, J. P tinha esse defeito, tinha necessidade de tagarelar quando estava nervoso.

Não me contive e gargalhei no saguão deixando – o espantado e todos que estavam ao redor me olhando como se eu fosse louca.

Expliquei a ele apressadamente o que estava acontecendo, trocamos números de telefone e lhe passei o número de meu quarto, não sabia a que horas voltaria, mas depois de tanto tempo ia ser bom encontrar e ter alguém por perto, alguém conhecido.

Mesmo Ana havia perdido contato com ele e não sabia que rumo ele havia tomado, as aulas acabaram e com entrada de alguns na faculdade, nos negócios de família ou algum emprego esporádico, muitos se distanciaram ou mudaram de cidade, não chegamos a saber o caso de J. P apenas aconteceu e nós talvez não tivéssemos nos importado.

O tour pela empresa saiu melhor do que eu imaginei ser, todos sorriam e me cumprimentavam efusivamente, e acabei conhecendo desde a área da limpeza ao alto escalão. Cheguei ao hotel por volta de nove horas da noite, não que saísse de lá tão tarde mas aproveitei para passar pelo Boston Common, era um lugar lindo e enorme, pessoas sorriam, outras faziam piquenique, (sim, no meio da semana), algumas faziam suas corridas ou caminhadas, enquanto algumas deitavam – se sobre mantas lendo livros.

Entrei no meu quarto e me preparei para o banho, quando o celular tocou. Hortência e Valentina me davam “oi” em uníssono, ouvir a voz da pequena travessa me deixou com um sorriso de orelha á orelha, era estranho mas aquilo me trazia paz, me fazia bem.

Contei a Hortência como estava sendo até ali e que ainda não tinha ido ver o observatório, mas assim que acabasse as reuniões e devidas apresentações, eu arrumaria um tempinho para conhecer um pouco mais da cidade nos dois dias que me restariam.

Carlos novamente não quis falar, estava vendo o jogo, Hortência depois me disse por mensagem que ele sentia minha falta, mas dizia que não podia se acostumar comigo por que eu era nova e ainda tinha uma vida inteira pela frente e tinha amigos. Fiquei chateada e assim que desliguei o celular, mandei uma mensagem pra ele. Contei sobre tudo o que havia visto naquele dia, e que sentia falta de casa, dos gritos de Val e dos miados de Netuno. E que assim que voltasse ia chama – los pra jantar em casa.

Ele não respondeu de imediato, fui tomar meu banho e quando voltei me deparei com mensagem singela que me fez sorrir.

Desculpa não querer falar e nem te escrever, mas acho que você deve estar ocupada e se não estiver deve aproveitar a viagem para passear e ver coisas que ainda não viu. Sinto sua falta, Mari. e será um prazer jantar com você outra vez, preciso mesmo fugir da “comidinha” de Hortência… Rs. PS: Acho que Netuno ainda invade sua casa.”

Sequei o cabelo e vesti um pijama velho, ainda podia me dar esse direito, liguei na recepção e escolhi algo pra comer ali mesmo, vendo algum filme e terminando de ver se estava tudo em ordem para apresentar na manhã seguinte, mas as batidas na porta me interromperam.

Rosas vermelhas e chocolate me esperavam escondendo J. P

Foi a melhor coisa que consegui arranjar á essa hora…” – ele sorriu e eu me lembrei por que amava aquele garoto.

Nos sentamos na cama e não, eu não me importei com o pijama velho, nós éramos amigos e conhecíamos tudo um do outro, pelo menos era o que  eu achava. Troquei o pedido para o jantar e ficamos ali, colocando a conversa em dia, contando as desventuras amorosas, os trabalhos, os estudos, as famílias… (é a mãe dele realmente não gostava de mim, me lembrou a sua no mesmo instante).

Nos olhamos por alguns segundos e ele ajeitou uma mexa do meu cabelo atrás da orelha como tinha o costume de fazer, a mão ficou parada no meu rosto, a respiração parou por um instante e nos olhamos como sempre fazíamos, aquela cumplicidade da infância e da adolescência. A vida tinha seguido seu curso, mas o que nós sempre sentimos um pelo outro ainda estava ali, a diferença é que agora o cenário era diferente…

J. P havia sido meu primeiro beijo e eu o dele… Éramos tão jovens…

I bet you wish you had me back
Another chance to gain it just like that
The best you ever had
And do you close your eyes with her
And pretend I’m doing you again
Like only I can
I bet you wish you had me back…”²

CONTINUA…

¹ Música da banda Halestorm;
² Bet u wish u had me back –
Aposto que você me queria de volta
Uma outra chance de fazer tudo de novo
A melhor que você já teve
E você fecha os olhos enquanto está com ela
E finge que sou eu com você novamente
Do jeito que só eu sei fazer
Aposto que você me queria de volta

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