Entremeios…

h11

Por A. Dobia; N. Nara & L. Orleander

Venha morte, me leve em seus braços e sorria pra mim como a vida nunca fez…

E assim aconteceu…

Ele queria gritar, mas sabia que ninguém o ouviria e mesmo que o ouvissem, ninguém se importaria. Era assim todos os dias, s

empre fora assim.

Os sussurros gelados perpassavam a sua volta como névoa na noite sombria.

O ar, seco e estéril, não trazia alívio a si, apenas a horrenda sensação de algo a espreita… De si, para si…

Não importava. Nunca importara de fato. Entregou-se a escuridão sorridente e ouviu o baque, tão longe, tão baixo, tão molhado.

Era ruím acordar todo dia com vontade de voltar pra cama.

Os dias eram uma tortura e mesmo com pessoas a sua volta, o vazio e o silêncio ainda comandavam tudo. Tentava repetir para si mesmo que tudo ficaria bem.. Mas já estava cansado disso, nada ficava bem, sempre voltava.

Sua garganta seca travava seus gritos, mas na sua mente, continuava gritando até perder a voz. O olhar mortiço não acompanhava nada; tão parado que fazia inveja a escuridão gelada que agora o abraçava com tamanho fervor.
Os sons, distantes e vazios, faziam eco em sua mente imunda e atribulada. Seus lábios gretados entreabriam-se levemente, para dizer as derradeiras palavras de despedida:
“Estou… Livre…”

Por um instante aquilo pareceu correto, simples e sem percausos, mas a dor lancinante se fez presente e o riso de seus algozes ainda era ouvido cada vez mais perto.
A sensação dos dedos acusadores apontados em sua direção, faziam com que as lágrimas viessem ao seu encontro.
A pele doía, a alma alquebrada e o ranger de dentes profano o fazia se perguntar o que sairá de errado.
Era a escuridão…
Os pequenos objetos frios rastejando sobre seu corpo o colocaram em estado de alerta…

 O odor de carne em putrefação, vermes dilacerando estranhas e terra molhada. Perguntou – se o que era aquilo. Onde estava e porque estava.

Pensou nas brincadeiras de mal gosto que sempre lhe aprontaram. Com os olhos ardendo em lágrimas, tentou gritar a plenos pulmões, mas a voz não saiu. Tentou mover – se de um lado a outro, mas o espaço em que estava não lhe permitiu grandes movimentos. Entrou em desespero, não havia mais volta, estava feito .Ele gritou alto, mas a escuridão agora o engolia…

Era bom saber que estava abandonando essa sociedade nojenta que não se importava com nada além de jóias, carros, casas e aparências. Uma sociedade que só enxerga seus erros e vive derramando um discurso idiotizado de que tudo não passava de drama. Todavia, deu-se conta que com certeza viver não era opção. Então sim, a hora de ser livre desse mundo fúnebre era essa.

Não havia mais muito para se pensar. O canto da morte ecoava nos seus ouvidos em notas complacentes. Afrouxou a corda e levemente chutou a cadeira

Quando por fim a cortina do seu mundo se fechou e o show de sua vida solitária terminou em aplausos surdinos, sua platéia?

Os piores medos de uma alma, transformados em inimigos.

Não apenas por um dia, mas pela eternidade…

 

FIM?

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