Dia 20… – Boa Viagem

20.png

Por L. Orleander

Hortência tem estado eufórica nos últimos dias.

Carlos tem melhorado e Valentina deu uma leve esticada, as coisas parecem que voltaram a se acalmar.

Minhas malas já estão prontas e o passaporte está a minha espera na bancada da cozinha, olhei tudo ao redor, em como as coisas haviam mudado, como sua ausência fizera sua presença ir desaparecendo de cada móvel que eu ia trocando, de cada parede que ganhou uma nova cor.

Eu sorri…

Aquilo, sair e ficar alguns dias fora, não me incomodava mais, não fazia diferença você não estar lá ou estar quando eu voltasse, não me causava mais tristeza.

Carlos me convidou para jantar noite passada, estava feliz, o rosto iluminado como eu nunca virá antes, era bom vê – lo assim. Não fazia muito tempo acordei com Val na porta de madrugada, ele passou mal e só teve tempo de abrir a porta e pedir que ela me chamasse, infelizmente Hortência não estava e não daria tempo de chama – lá.

Fui com Valentina na ambulância, ver Carlos perdendo a cor aos poucos me deixou apavorada, mas eu precisava fazer o possível para que Val não percebesse nada, o paramédico notando o meu esforço, começou a mostrar coisas aleatórias e equipamentos que podiam prender a atenção de uma criança.

Quando chegamos o médico responsável foi chamado e mandou que entubassem Carlos, o corredor tinha cheiro de éter, era frio, as paredes eram pálidas, havia os bip’s dos aparelhos e os murmúrios de dor ecoavam ali perto.

Apertei Valentina no meu colo, enquanto ela se encolhia  nos meus braços e adormecia, avisei a Hortência que veio as pressas e me deu as chaves do carro pra tirar Val dali o mais rápido possível. Se eu me sentia mal naquele lugar, imagine uma criança.

Avisei a Karen que tive um imprevisto naquela manhã, mas que apareceria no fim da tarde para resolver as pendências que faltavam para a viagem.

Deu tudo certo, naquele dia mesmo ele teve alta, o cabelo preto agora crescia e as sessões de Quimio estavam diminuindo, o médico mandou reduzir a medicação e voltar em uma semana.

Hortência o convenceu a passar uma temporada com ela, pelo menos até terminar essa parte do tratamento.

Eu me lembrava das coisas como se fizessem anos que elas tinham acontecido e não dias, isso me deixava alheia as vezes.

Ouvi a batida na porta e voltei de meu devaneio, Carlos e Val sorriram quando abri a porta, tinham ido se despedir e se ofereceram para me levar até o aeroporto.

Era a primeira vez que eu faria esse tipo de viagem sozinha, se não era com a família era com os amigos, e Boston era uma novidade.

O frio na barriga ganhava cada vez mais espaço dentro de mim e eu tinha que repetir mentalmente que eu era capaz, eu tinha estudado pra isso, trabalhado pra isso e se fui escolhida era por que era boa o suficiente pra isso.

Carlos ria do meu nervosismo quando chegamos ao aeroporto, dei a mão para Val e ele fez o mesmo até eu passar pelo processo de embarque.

O voo foi anunciado, abracei apertado minha pequena salvadora e pedi que cuidasse muito bem de Carlos e Netuno, e prometi lhe trazer um presente do regresso.

Carlos me abraçou e me senti bem o suficiente para exterminar qualquer medo que eu tivesse além das portas de vidro ou de colocar os pés no “pássaro de aço”.

Vamos sentir sua falta… E vê se volta logo.” – ele disse quando beijou minha testa.

Tenho certeza que guardarei essa cena para o resto da minha vida. a imagem dos dois. Carlos com Val nos braços me dando tchau.

Eu realmente tinha pra onde voltar…

13:42 Hs – Domingo – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

 

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s