Dia 19 – Lacunas

19

Por L. Orleander

Eu deveria pedir desculpas pelo outro dia, por causa da música, mas não vou.

Estive lutando bravamente nesses últimos dias e perdi todo esse meu “esforço” num único instante, mas agora é passado, eu acho.

Finalmente consegui escutar a música depois do que havia acontecido e a tinha enxergado como ela era realmente, apenas uma linda música, que me lembrava alguém que havia sido importante em algum ponto da minha vida.

Carlos me ajudou até em casa aquele dia, não disse nada, acho que ele entendeu que eu não queria falar no assunto. Ele esperou até que eu entrasse no apartamento, calado, não sei se ele entendeu, eu nunca comentei com ele, e devido a tanta coisa acontecendo acho que meu “pequeno problema” com o ex não chegava nem aos pés do que ele vinha passando.

Recebi uma mensagem dele e de Val me desejando boa noite, alguns minutos depois e me dizendo que se eu precisasse, eles estariam bem ali do lado.

Agradeci, e me senti mais leve por saber que alguém se importava sem eu precisar explicar os motivos. Tudo bem meus pais e meus amigos se importavam, mas eles sabiam que você seria o motivo e ficariam ali, por horas falando que eu precisava a superar e seguir em frente, e na realidade eu só precisava de alguém que estivesse ali quietinho, apenas ao meu lado, sem sermões, conselhos ou perguntas, eu só estava cansada.

Hortência e Carlos haviam se tornado esse tipo de pessoa, de estar ao lado e calar, me dar uma presença, um porto que pudesse me segurar na realidade e não me deixasse pirar.

É temos um espaço – atemporal nesse diário, então eu e Dr. Monteiro fizemos um acordo, ele terá seus 30 dias mas, no meu tempo, mesmo que dure meio ou um ano inteiro, ele concordou até bem feliz eu diria, disse que geralmente as pessoas que fazem esse tipo de terapia correm como loucas e escrevem qualquer coisa pra se livrar logo dele, o problema é que se livram dele e não do problema, o que as faz voltar algum tempo depois.

Ele me disse que é bom que eu faça do meu jeito, mostra que estou sendo mais honesta comigo mesma, e que talvez eu me ajude muito mais fazendo dessa forma.

Tenho que admitir ele tem feito um ótimo trabalho, embora eu tenha pensado que nunca diria isso sobre ele. Eu o detestava no começo, ia até lá por causa do meu pai, agora consigo ver que muitas das coisas que ele me disse e diz fazem muito sentido aplicadas em coisinhas pequenas que eu se quer notava.

Tem me feito ver que boa parte do que vivemos também é minha culpa e jogar essa culpa em você não justificava as suas e as minhas escolhas.

Você cansou de deixar claro o que eu e você éramos, o que você não queria e ainda sim eu decidi ficar ali, você não me enganou, em momento algum.

Infelizmente, como eu disse outro dia, aquilo, me relacionar com você daquela forma, me mantinha na “zona de conforto”.

Acho que não tenho mais nada pra te dizer, pelo menos não como se você estivesse aqui. Meu próximo passo será cortar esse vínculo de presença, de te contar detalhes como se no meu universo você ainda existisse ou eu estivesse lhe escrevendo uma carta.

Claro que irei me atrapalhar as vezes, mas farei o meu melhor para que isso funcione, afinal de contas essa parte que ainda habita em mim, de você, não precisa me fazer sofrer ou me tornar escrava de lembranças, não é mesmo?

Dr. Monteiro não me repreendeu pela decisão e também não me criticou pelo outro dia, disse que infelizmente quando achamos que estamos prontos a vida vem testar se estamos mesmo, é parece que eu não estava… Rs

Mas vou acabar ficando, afinal de contas sou uma sobrevivente. Sempre fui e se tem algo em mim que me orgulha, é exatamente isso.

A viagem para Boston será em uma semana, vou ficar pelo menos uns cinco dias por lá, dizem que no Inverno é lindo, infelizmente não vou ter a sorte de passar por lá nessa época, mas quem sabe em uma outra oportunidade? Ainda sim acho que vão ter muita coisa pra eu ver.

Assim que voltar vou tirar férias e já decidi para onde irei.

Os dias tem passado tão rápido que algumas coisas ficaram sem ser ditas ou escritas, mas talvez, só talvez, elas não tivessem tanta importância.

Como a virada do ano, que assisti a queima de fogos afastada da família, com lágrimas nos olhos, mas me segurei e não deixei cair nenhumazinha, apenas refleti sobre tudo o que havia acontecido até ali e como seria dali em diante., não pensei que aquilo ia acontecer, mas agora eu precisava aprender a conviver e seguir com uma memória que causava tristeza e me trazia nostalgia em níveis elevadíssimos.

Ou como o dia que encontrei um par de meias preso no motor da geladeira. Adivinha de quem? Suas… Você e suas manias.

Ou de quando Netuno passou a “invadir” a casa no começo e fez da sua parte do guarda – roupa sua casa de veraneio, uma blusa sua foi para o lixo no dia seguinte.

Estou assistindo 300: A Ascensão do Império, lembro que você assistiu o primeiro e achou a atuação do Santoro totalmente esquisita, confesso que esperava mais, embora tenha ação do começo ao fim.

Acho que estou ficando velha…

22:43 Hs – Sábado – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

 

 

 

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