Rainha Vermelha…

Por L. Orleander

“Take me high and I’ll sing
Oh you make everything okay (okay, okay)
We are one in the same
Oh you take all of the pain away (away, away)
Save me if I become
My demons…”¹

As luzes piscavam multicoloridas, enquanto casais beijavam – se como se o mundo fosse acabar naquela noite.

O absinto fumegava em doses enfileiradas no mesmo instante que o bartender lançava ao ar círculos de fumaça de gelo seco.

O som frenético possuía os corpos jovens num espetaculo triunfal de prazeres, desejos e ilusões.

Eu era só mais um cara com alguns amigos disposto a curtir uma vez mais, aproveitar quantas bocas fossem possíveis e me esquecer de quem eu era porta fora. O pub da HP nos permitia isso: ser quem quisessemos por uma noite.

Mas lá estava ela, cabelo vermelho na altura do pescoço, olhos negros feito um abismo, botas de couro negro e encharpe verde. Tomava uma cerveja despreocupada e sozinha, presa perfeita, eu diria, se ela não tivesse me hipnotizado.

A tatuagem no ombro trazia um dragão em meio ao infinito.

Esbarrei uma ou duas vezes nela que apenas se afastou, sorrindo de modo debochado.

Eu precisava tê – lá.

Ela se entregou a sua música de um modo extremamente único, minha mente girou e meu impulso foi maior, enlacei – a em um abraço apenas para ser rechaçado:

Você tem idade pra ser meu irmão mais novo, amigo…”

A mão sobre meu peito fazia meu coração bater mais rápido. Adrenalina.

O sorriso dela desarmou qualquer tentativa que tivesse em mente, mas ela me surpreendeu.

Me diz sua idade, garoto.”

– 19 e vc? – perguntei afoito e com medo da resposta.

30...” – respondeu ela em tom zombeteiro.

– Eu não ligo. – respondi o mais próximo que pude de seu ouvido.

Que bom…”

Eu esperei outro não ou que a garrafa voasse de sua mão até mim, ela fez o oposto. Puxou – me pelo queixo e sorriu, me beijando com destreza, enquanto a mão que segurava a cerveja enlaçava meu pescoço.

Deus, eu sentia como se tivesse perdido o chão e minha alma flutuasse finalmente no ar como a de todas as outras pessoas ali.

Um turbilhão de coisas passava em minha mente.

O corpo quente, o abraço que me prendia, sugando cada parte de minha existência, sem nomes ou porquês, o fogo subia em labaredas, fumaça e sabor de pecado ela não me soltava e nem eu queria.

A sincronia perfeita de desejo…

Seu nome?”

– Flávio.

Alyssa.”

Eu sorri e ela se afastou, senti o frio me tocar, senti a morte se aproximar e o ar me faltar. Segurei a ponta de seus dedos e ela me pediu dois minutos.

Eu me senti só…

Voltou rápido e com ela o calor…

– Qual é seu nome mesmo? – perguntei confuso e um tanto zonzo, enquanto ela beijava meu pescoço e as mãos frias deslizavam por baixo de minha camisa.

Alyssa…”

– Vou esquecer em dois minutos o seu nome. – falei sem pensar ao que ela sorriu.

Não faz diferença, é apenas uma noite.”

Os olhos… Nossos olhos se encontraram uma vez mais e me senti pronto a vender minha alma ao Diabo para que aquela noite não tivesse fim.

Cantei ao seu ouvido a música seguinte, entrelaçando meus dedos ao dela, ela era meu par naquela noite. E eu não queria outra, enquanto ela me olhava com doçura, meiguice e perversão.

Minhas mãos em sua cintura, meu desejo me consumindo, não resisti e acariciei seu seio por cima da blusa.

Ousado…”

Onde eu estava com a cabeça? Alyssa desceu minha mão novamente até sua cintura , colocando – as embaixo da blusa sussurrando em meu ouvido o caminho a seguir. Ela suspirou assim que minhas mãos tocaram sua pele, e aquele suspiro me alimentou, feito um viciado em heroína.

Não dei nem ouvidos a um amigo que passou e me chamou.

Eu a queria ali e não me importava com os olhares indiscretos, Alyssa não fazia nenhum esforço para se conter.

Me mordia, me arranhava, me excitava, me deixava louco.

Nossos corpos tornaram – se um no abraço, enquanto ela ria desafiadora de olhos mal humorados.

Eu não cansava… Alyssa me devorava…

As luzes ficavam cada vez mais espassadas e a escuridão nos engolia.

O par de olhos respondia ao meu, querendo – me.

Me possua…” – os lábios sussuravam encostados nos meus, beijando – me.

Encostei – a na parede, enquanto ela afastava a perna direita, desci a alça da blusa aos beijos e fui arrastado pra o negrume, onde apenas nós e o som alto existíamos, era nosso universo.

Alyssa arrancou – me a camisa e beijava meu corpo, eu queimava.

Alyssa encaixava – se perfeitamente à mim, o suor escorria de nosso corpo e nos sussuros eram engolidos pelas batidas, a fumaça subia formando uma névoa espessa, era o inferno no meio do Paraíso.

Preciso ir…”

– Fica por favor…

Pensa pelo lado positivo, você logo vai arrumar outra e vai aproveitar ao máximo.”

– Pode ter certeza que eu aproveitei… – respondi.

Ela puxou – me pelo queixo, é beijou – me uma vez mais. Minha noite teve fim.

Alyssa soltou meu dedos e sumiu na multidão como se nunca tivesse existido.

Tudo tornou – se frio, e sem sentido, falta algo em meu peito e em minha alma. Algo que ninguém supre.

Ainda a vejo, dentro de meus sonhos com seu riso debochado e olhos de abismo, me chamando…

FIM?

¹Starset – My Demons
Leve-me para o alto e eu vou cantar
Oh, você faz tudo ficar bem, bem, bem
Bem, bem e bem
Nós somos iguais
Oh, você manda toda a dor embora, embora, embora
Embora, embora e embora
Me salve, se eu me tornar
Meus demônios…

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